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17 de dezembro de 2014

Êxodo: Deuses e Reis - Grandioso e decepcionante




O novo trabalho do cineasta Ridley Scott, o épico bíblico Êxodo: Deuses e Reis (Exodus: Gods and Kings, 2014), infelizmente ainda não é a obra que vai tirar o diretor da “má fase” que está passando. Scott já concebeu obras magníficas como Gladiador e Blade Runner, nos últimos anos, porém, está envolto em um ciclo interminável de filmes razoáveis, como os últimos O Conselheiro do Crime e Prometheus. Apesar de sua grandiosidade e do espetáculo visual, Êxodo: Deuses e Reis decepciona.


O épico é protagonizado por Christian Bale, que ao contrário de Scott, está em um ótimo momento na carreira, sendo este filme, apenas um pequeno “arranhão” na sua filmografia. Eu digo pequeno porque, a atuação de Bale é indiscutivelmente um dos pontos fortes da produção. É notável o esforço de Bale na composição do seu Moisés, os gestos, o modo de falar, tudo isso é incorporado cuidadosamente para que o público veja ali na telona o icônico personagem bíblico, e não Bruce Wayne.

Ramsés e Moisés: irmãos e inimigos


Êxodo: Deuses e Reis acompanha a famosa trajetória de Moisés, que libertou o povo Hebreu da escravidão, guiou o povo pelo deserto, atravessou o Mar Vermelho e com o auxílio de Deus, esculpiu a tábua com os 10 mandamentos. Então, você pensa, “quem diria que o Batman algum dia iria escrever as leis de Deus em uma pedra”. Pois é...


Além de Bale, os cenários grandiosos e detalhistas e os efeitos visuais arrebatadores merecem destaque, Ridley Scott é mestre em produzir épicos, todo mundo sabe. A cena da abertura do Mar Vermelho e as sequências das pragas, por exemplo, são fantásticas.

 Bale: um dos poucos motivos para ver o filme



Êxodo tem seus bons momentos, mas os defeitos são tantos que eles acabam prevalecendo e amontoando-se sobre as qualidades. A história, que começa de maneira apressada demais, torna-se arrastada e cansativa no segundo ato do filme. O ritmo melhora apenas quando o clímax está se aproximando, até lá o público ficou impaciente. Quanto ao antagonista, Ramsés, é insosso e impotente, graças à equivocada interpretação do Joel Edgerton (Guerreiro). Para piorar o quadro, vale destacar o mau uso de Sigourney Weaver, cuja personagem aparece duas vezes de forma relâmpago, sem motivo algum.


Apontando estas falhas e atributos de Êxodo: Deuses e Reis, a impressão que ficou após o término da sessão, é que o filme foi idealizado às pressas, preocuparam-se muito com o visual e menos com o ser humano à frente das câmeras e o desenvolvimento da história. Mas se você é fã de Christian Bale ou gosta - muito - de obras bíblicas, vale a pena conferir. Mas ressalto que Noé, lançado no primeiro semestre e de temática semelhante, é muito superior. Ah, o 3D é horrível e quase imperceptível.


NOTA: 6,5

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Noé 



6 de abril de 2014

Noé



Não tinha expectativa alguma sobre Noé, vi o trailer uma vez somente, mas em se tratando de uma obra de Darren Aronofsky, eu já aguardava por um blockbuster não convencional, pois narrar a dolorosa missão de um protagonista e discutir a moral de um ser complexo cheio de conflitos, parece mesmo um trabalho para o cineasta. Acredito eu, este foi o motivo maior que levou Aronofsky a comandar esta que é a sua primeira produção milionária.

Noé (Noah, 2014) é antes de tudo, um drama psicológico, um épico com toques de fantasia, e tem muito pouco de filme bíblico. Russell Crowe – numa interpretação notável e que exigiu muito mais nuances do ator que em Gladiador - interpreta Noé, homem que recebe de Deus a missão de salvar todos os animais de um dilúvio iminente. Em uma de suas visões, Noé nota que os humanos são castigados e entende que ninguém, além dos integrantes de sua família, deve ser posto na Arca. Para ele, o Criador se arrepende de ter criado os homens, seres destrutivos e maldosos. Em razão disso o protagonista toma decisões controversas, questionáveis, capaz de resultar em discussões acaloradas entre os amigos por várias semanas.

Noé foge da escória da humanidade.

A frase “O mal está em todos nós” do início do filme, me manteve atento durante todo a projeção, já previ que alguns personagens iam titubear entre ser bom e mau, como o imprevisível Cam (Logan Lerman) e o próprio protagonista. No terceiro ato, Noé torna-se um ser detestável e cego em sua obediência ao Criador, ou seja, um fanático religioso.

A parte “fantástica” do drama épico e que lembra muito O Senhor dos Anéis em algumas sequências, fica por conta das criaturas gigantescas de pedras, os Guardiões, são elas que ajudam Noé a construir a Arca. A inserção das criaturas rendem bons momentos na trama, mas parece mesmo que elas estão ali por decisão do estúdio, com o intuito de fazer de Noé, uma obra com apelo mais comercial, numa tentativa de vender a produção mais como fita de aventura e menos como um filme bíblico, pois como a história confirma, obras baseadas em escritos religiosos geram sempre polêmicas.

Noé tem boas cenas de ação, um elenco respeitado e competente, um visual soturno impressionante, um roteiro que, se não é perfeito em sua estrutura, é ousado ao trabalhar o psicológico dos personagens e apimentar as discussões sobre religião, fé ou criacionismo. É enquanto todos estão dentro da embarcação que se passam os momentos mais tensos da produção. A cena entre Ila (Emma Watson, deslumbrante) e Noé na beira da Arca em um instante definitivo da narrativa, é uma das passagens mais bonitas e agonizantes do ano.

Watson brilha no épico.

Mas o filme padece em alguns aspectos. Com um orçamento de 120 milhões, alguns efeitos visuais mereciam um capricho maior, os animais nas sequências em que caminham para a Arca deveriam  ter mais destaque, os bichos são mostrados sem detalhe algum e não impressiona. Logo se nota que os animais não foram muitos priorizados nos efeitos especiais.  Quanto ao elenco, o personagem de Anthony Hopkins é o único ali que, se fosse retirado na edição final, não faria falta.

Aronofsky realizou um épico decente para quem não esperava muito, mas fez também um blockbuster com substância. Noé pode ter seus escorregões, mas é uma obra imperdível, polêmica, te faz pensar e Aronofsky merece muito nosso respeito por ousar em tocar em temas espinhosos. No entanto, ainda prefiro o cineasta conduzindo produções menores.


NOTA: 8,0
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