O homem cujas habilidades excepcionais é capaz de criar
artifícios para transitar entre épocas diferentes, ou seja, viajar no tempo, é
o mesmo que sucumbe à própria desgraça quando sua vida sofre uma reviravolta
infeliz e qualquer noção de racionalidade lhe é tirada. Que ser complexo é o
ser humano, não é mesmo? Essa dicotomia pode ser observada na série alemã Dark
(2017), que estreou no Netflix este mês e já considero uma das melhores do ano,
quiçá da década.
Na lúgubre cidadezinha alemã de Winden, um pai de família tem
sua vida virada do avesso quando seu filho menor desaparece misteriosamente, esta
é uma das tramas de Dark, série que tem sido comparada equivocadamente a
Stranger Things, felizmente, as semelhanças são mínimas e se esvaem já no
primeiro episódio, quando notamos a atmosfera sombria, a densidade e a
complexidade da trama, na qual iremos ficar absortos durante os próximos nove
capítulos.
Criada por Baran bo Odar, Dark explora elementos comuns em
produções de ficção científica como buraco de minhoca, viagem no tempo e
conceitos de física quântica – se você já viu a série Fringe e os filmes
Coherence, Interestelar e O Predestinado irá se deleitar com a história, no
entanto, a parte complicada e também o maior trunfo de Dark são as três linhas
temporais que envolvem membros de quatro famílias, é bem fácil você se perder e
não saber quem é quem e não conseguir enxergar a ligação entre os tantos
personagens, uma árvore genealógica das famílias – como essa que a Mundo Estranho elaborou – seria ótimo para consultar enquanto ver os episódios.






