O novo sucesso da TV americana tem um nome: Empire (2015). Um
“novelão” viciante que coincidentemente tem o mesmo nome e similaridades com uma novela global
que acabou recentemente, Império. O fenômeno televisivo é criado por Danny
Strong e Lee Daniels, diretor do filme premiado Preciosa e do bem sucedido – lá nos EUA – O Mordomo da Casa Branca. Se você pensar bem, ambos os filmes tem
como protagonistas personagens negros, e é justamente o foco neste específico
público-alvo que está a principal razão do estrondoso sucesso de Empire.
Na série, o mundo (perigoso) da indústria musical é explorado
a fundo já que o protagonista Lucious Lyon (Terrence Howard, de Homem de Ferro e Os Suspeitos) é um magnata da
música, dono de um império no universo do hip hop e com um passado turbulento
marcado por crimes diversos. A
descoberta de uma doença faz com que Lucious promova entre os seus três filhos
uma batalha ardilosa para conseguir o trono.
Henson (Cookie) e Howard (Lucious): personagens fortes
Andre (Trai Byers) é o mais velho dos primogênitos, o único
com ensino superior, dedicou a vida trabalhando na empresa, porém, não tem
talento musical; Jamal (Jussie Smollet) - o mais querido da audiência - é o
mais talentoso da família, mas é gay, cuja orientação sexual para o seu pai é
inaceitável; Hakeem (Bryshere Gray), o caçula, o mais impetuoso e briguento dos
irmãos, o preferido de Lucious para assumir o trono, faz um hip hop mais agressivo, ao contrário do
som “Usher de ser” e da voz suave do
Jamal. Para complicar a vida de Lucious, Cookie (Taraji P. Henson, ótima) a ex-mulher barraqueira, após 17 anos presa, fica livre e também quer a
sua parte nos negócios do “Lyon”. Cookie é a melhor personagem da série,
escandalosa, explosiva e impagável.
Eu digo que Empire é um “novelão” - no melhor sentido
possível - porque os elementos que permeiam a trama são típicos de um folhetim,
a começar pela família problemática e os dramalhões que a cercam, como a briga dos filhos pelo poder e o comando
na empresa do pai, as inúmeras traições, a ganância e a incessante busca pela
fama e o dinheiro, tudo isso faz de Empire irresistível.
Além destes aspectos, a série vicia o espectador pelo ritmo vertiginoso da
trama, os segredos e tramoias dos personagens são descobertos rapidamente, “amarrando”
o espectador até o próximo capítulo.
A trilha sonora é um dos destaques da série
Outro destaque de Empire está na trilha sonora produzida por
Timbaland – certamente você já dançou muito as músicas do produtor. As canções
originais são uma atração à parte, principalmente quando Jamal solta a
voz. (Clique aqui e confira uma cena com a melhor música da trilha). Toda a família agarra o
microfone em algum momento na história. Empire
não é uma versão hip hop de Glee, não se preocupem, os personagens aqui não
conversam cantando e vice e versa, eles cantam apenas em apresentações ou
quando estão em estúdio gravando o álbum.
O seriado tem feito tanto sucesso na TV americana que uma
penca de artistas participou da primeira temporada, Jennifer Hudson, Naomi Campbell,
Mary J. Blige, Rita Ora, Courtney Love - interpretando uma versão dela mesma -,
Snoop Dogg, Estelle, entre outros.
A primeira temporada de Empire tem 12 episódios carregados de emoções fortes e bem sustentados com boa música, ostentação, intrigas, revelações bombásticas - há uma
surpresa praticamente a cada episódio - personagens fortes e bem delineados e ainda
tem o trunfo de construir um novo olhar sobre um universo rico, polêmico e
pouco explorado na TV, que é o da comunidade negra e da cultura hip hop.
A série estreia no Brasil em agosto no canal Fox Life.
NOTA: 9,0
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