O visionário Zack Snyder toma
atitudes corajosas para (re)contar a história do super-herói mais famoso do mundo e
surpreende. Super-homem finalmente ganhou um longa-metragem correspondente à sua
grandeza, O Homem de Aço (Man of
Steel, 2013) é frenético, intenso, exagerado - no bom sentido - e a ação é
desenfreada e quase ininterrupta, um presente para os fãs que reclamaram da
falta de cenas de lutas e batalhas épicas no filme anterior, Superman - O Retorno. Snyder não poupou nas cenas de ação, e ele
ainda queria mais. O cineasta revelou que na tela, está apenas a metade do que
ele e sua equipe tinham preparado.
Kal-El tenta parecer um ser "normal".
O diretor sabia o grande desafio
que tinha em suas mãos quando aceitou comandar esse reboot, os últimos filmes
do super-herói não agradaram muito os fãs. Snyder compreendeu que era
necessário dar um novo fôlego ao homem de aço e para isso, era preciso excluir alguns
elementos do universo do herói incansavelmente explorado nos longas anteriores,
como a escolha de Lex Luthor como vilão, a Kryptonita, e até a clássica, mas
cansativa, trilha de John Williams. Para mim, Snyder foi feliz
ao tomar estas decisões. Outro grande
acerto de O Homem de Aço é a narrativa não-linear, flashbacks apresentando a
infância e a adolescência de Clark Kent contornam todo o filme, funcionando
como momentos de calmaria entre o barulho das cenas de ação.
Amy Adams como Lois Lane.
O elenco da super-produção também foi muito bem escolhido. Foi muito bom ver
Russell Crowe, como Jor-El, lutando com vontade como há tempos não se via, desde Gladiador?
Lois Lane ganhou uma intérprete que esbanja carisma, Amy Adams deu a
sua própria versão da repórter, mais guerreira, corajosa e mais forte que as
versões anteriores. Kevin Costner e
Diane Lane, que vivem os pais adotivos de Clark, Jonathan e Martha Kent, também
estão ótimos em seus personagens. São eles responsáveis pelos momentos mais
emotivos do longa. Michael Shannon faz de General Zod, o vilão mais temível de todos
os filmes do super-herói, e por fim, Henry Cavill, o intérprete de Kal-El/Clark
Kent, impressiona, embora absurdamente musculoso, o ator mostra que não integrou a série The Tudors à toa por 4 anos, e faz um
herói cheio de sentimentos e em busca das respostas certas para a sua existência na
Terra.
Quem disse que Superman não pede carona.
Zack Snyder, ao lado do produtor Christopher
Nolan, responsável por dar um certo ar de realismo na trama, criaram um reboot
que também fez questão de humanizar o super-herói, fato que fica evidenciado nos momentos de “andarilho” de Clark, nas
cenas que refletem a preocupação com
seus dilemas morais e na belíssima
sequência em que veste pela primeira vez o uniforme. Ah, sem falar na singela
cena em que Clark entra na igreja para pedir conselho ao padre. O diretor estava sim, preocupado com o cara por trás do mito, e não só com
as cenas de ação espetaculares e bem comandadas. (Michael Bay deveria pegar umas dicas com Zack de como filmar sequências de ação sem cansar o espectador).
Zack Snyder e Henry Cavill.
O Homem de Aço é um dos
melhores filmes do ano e do super-herói com certeza. Assim como o S que estampa
o peito do uniforme do herói difunde a esperança em um mundo não muito justo, também
tenho esperança de que a sequência dessa aventura aconteça muito em breve, aqui neste mundo real.