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23 de outubro de 2017

Coherence – um filme que vai explodir sua mente


Coherence, um suspense sci-fi independente lançado em 2013, é um desses filmes que talvez você não conheça, é também uma dessas obras perturbadoras da mesma categoria de Donnie Darko, O Predestinado e Amnésia, por exemplo. Se você já viu um deles, já sabe do que estou falando. Aliás, essa produção se encaixa bem no meu post Os melhores filmes-cabeça de todos os tempos.

Dirigido pelo roteirista da animação Rango, James Ward Byrkit, Coherence – seu primeiro trabalho como diretor – é uma obra que desafia a nossa mente, no melhor estilo “blow your mind”, sendo assim, é categórico que você saiba o mínimo possível sobre a trama de Coherence. O que você pode saber é apenas isso: oito amigos se reúnem para um jantar na casa de um deles na noite em que um cometa está passando pela órbita da Terra. A noite vira um caos quando coisas estranhas começam a acontecer. Isso é tudo!

13 de maio de 2017

Alien: Covenant


Há cinco anos Ridley Scott retomava a franquia Alien com Prometheus, uma obra indigesta e confusa, ninguém “abraçou” o teor existencialista da ficção que apresenta apenas ameaças e promessas (não cumpridas). Agora, em Alien: Covenant (2017), Scott faz o oposto e literalmente “toca o terror” em um filme visceral e sangrento.

Alien: Covenant não é melhor ou tão bom quanto o original de 1979 (a crítica especializada é muito ingênua ao esperar isso), na verdade, não precisa ser, o mais importante é que Covenant é muito superior a Prometheus. E isso já basta.

7 de janeiro de 2017

Passageiros


Vendido como “suspense espacial”, Passageiros (Passengers, 2016) está mais para “romance espacial”, tendo isso em mente, fica mais fácil você gostar do filme e evita frustrações. Dirigido por Morten Tyldum (O jogo da imitação), Passageiros é um sci-fi raso, repleto de clichês e não traz nenhuma novidade ao gênero.

Chris Pratt e Jennifer Lawrence protagonizam essa história de romance no espaço, e ainda bem que eles possuem química em cena e convencem como casal apaixonado, pois é claro que os dois astros mais queridos e cultuados de Hollywood do momento não estão juntos aqui à toa. Felizmente, o carisma dos atores evita que o filme seja um total fiasco.


29 de novembro de 2016

A Chegada


Desde que chamou a atenção de Hollywood com o elogiado Incêndios, o cineasta Denis Villeneuve vem construindo uma filmografia impecável e de dar inveja, seu último filme, o sci-fi A Chegada (Arrival, 2016), é mais um trabalho imperdível desse diretor que até agora não “errou a  mão”.

Em A Chegada, pode-se perceber traços de outros filmes de Villeneuve, o suspense psicológico de Os Suspeitos, o toque enigmático de O Homem Duplicado e a tensão de Sicario: Terra de Ninguém dão o tom nessa ficção científica de sensibilidade ímpar e com pose de clássico.


4 de setembro de 2016

Hardcore: Missão Extrema


Em tempos em que os filmes de ação se resumem basicamente a filmes de super-heróis e de agentes (Kingsman, Jason Bourne), é reconfortante saber que, fora do mainstream, tem gente no cinema trabalhando para trazer inovação a esse gênero tão subestimado e oferecer ao público uma obra desafiadora, ousada e diferente de qualquer filme de ação que você tenha visto ultimamente, é o caso de Hardcore: Missão Extrema (Hardcore Henry, 2015), do estreante  diretor russo Ilya Naishuller – que também roteirizou o longa – e protagonizado por Sharlto Copley (Distrito 9, Elysium).

Sabe esses vídeos em que uma pessoa com uma câmera GoPro atrelada à cabeça realiza perigosas aventuras de bike ou esportes radicais e nos deixam tontinhos, parece até que estamos ali com ela? Pois então, Hardcore: Missão Extrema utiliza esse recurso de uma maneira bastante eficiente durante todo o filme, colocando o espectador sob a perspectiva do personagem principal Henry.

26 de junho de 2016

Independence Day: O Ressurgimento


Era para ser uma sequência espalhafatosa e tão divertida quanto o original de 1996 - hoje em dia, já considerado um clássico dentre os filmes catástrofes -, mas Independence Day: O Ressurgimento (Independence Day: Resurgence, 2016) é apenas espetaculoso, talvez você se divirta, se não se incomodar com os personagens caricatos e rasos, o abuso de clichês, os diálogos sofríveis, e não perceber que a obra está subestimando sua inteligência.

A trama é um fiapo: alienígenas com suas naves maiores que a Terra invadem o planeta e os humanos precisam lutar contra eles de todas as formas possíveis. A dinâmica é exatamente igual à da obra original, mas nada funciona aqui, parece que Roland Emmerich fez tudo às pressas.

8 de abril de 2016

Rua Cloverfield, 10






Em 2008, Cloverfield, um filme de monstro no estilo “câmera na mão” tornou-se um hit cinematográfico, caótico e assustadoramente realista, o longa alavancou ainda mais o nome de J. J. Abrams. Dezesseis anos depois – pois é, passou rápido hein – estreia Rua Cloverfield, 10 (10 Cloverfield Lane, 2016), inaugurando uma nova antologia do cinema na qual o monstro da vez não é exatamente apenas uma criatura ameaçadora e alienígena, mas o próprio ser humano.


Quem vai ao cinema esperando uma sequência nos mesmos moldes de Cloverfield -  com aquela correria e a luta desesperadora pela sobrevivência -  pode “quebrar a cara” e sair xingando o universo.  Rua Cloverfield, 10 é mais intimista, mais focado no elemento humano, mesmo assim, é tenso, é um suspense/sci-fi eficiente e que prende a atenção. 

23 de agosto de 2015

Ex-Machina – Instinto Artificial




A criação de um robô com inteligência artificial e a sua relação - geralmente conturbada - com o próprio criador, o homem, é novamente retratada em mais uma obra relevante lançada este ano, Ex-Machina – Instinto Artificial (Ex Machina, 2015). A outra produção que aborda o mesmo tema é a intrigante série Humans - clique aqui e confira a crítica.


Não dedicado a um público comum, Ex-Machina tem um tom reflexivo, nunca cansativo e tensão do começo ao fim. O filme prioriza os momentos de interação entre homem (Domhnall Gleeson, de Frank) e máquina (Alicia Vikander) acerca da inteligência artificial e a consciência de ambos.



No enredo, Caleb (Gleeson) é recrutado pelo dono de uma empresa tecnológica, Nathan (Oscar Isaac, do aguardado Star Wars: O Despertar da Força) a participar de uma experiência inusitada na sua casa, localizada em uma área isolada. Caleb é convidado então, a aplicar o teste de Turing em uma robô com inteligência artificial.  Criado por Alan Turing – que ganhou vida na pele de Benedict Cumberbatch em O Jogo da Imitação - o tal teste tem o intuito de verificar se a máquina consegue mesmo se comportar de forma equivalente a um ser humano. 


Em Ex-Machina, Ava, a robô, é tão inteligente quanto o seu entrevistador, Caleb. Por sete sessões, o espectador vai acompanhando o envolvimento entre o homem e máquina até chegar a um ponto em que não sabemos quem está enganando a quem. A trilha sonora pulsante e sempre presente e a relação de desconfiança entre os três protagonistas apenas potencializa o desconforto que sentimos durante todo o filme.

 

Este é o primeiro filme que Alex Garland dirige, acostumado a escrever grandes filmes como Dredd, Extermínio e Não Me Abandone Jamais, o cineasta demonstra em Ex-Machina total controle sobre a sua obra em todos os níveis, desde os diálogos espertos aos efeitos especiais impressionantes.


Ex-Machina – Instinto Artificial é um sci-fi desconfortante, um suspense com profundas discussões sobre o embate entre o homem e a sua criação, que curiosamente sempre se mostra mais inteligente que o seu próprio criador.


O filme, muito bem recebido pela crítica e público, será lançado este mês aqui no Brasil, diretamente em DVD.

 NOTA: 8,0






Se você curte o gênero sci-fi, conheça outro filme sensacional, O Sinal - Frequência do Medo. 



5 de agosto de 2015

Humans – A série dos robôs sentimentais


  
O eterno dilema do homem versus máquina ganha contornos realistas na reflexiva série Humans (2015), produção do canal americano AMC com o Channel 4, do Reino Unido. O drama sci-fi é uma refilmagem de outro programa de TV, Real Humans, produção sueca. Humans encerrou a primeira e bem sucedida temporada - de oito episódios - este mês e devido à boa audiência, foi renovada para a segunda temporada.


A ideia de vivermos cercados por robôs e que estes “sirvam” apenas para nos “servir”, realizando nossas tarefas domésticas e atividades afins, não é tão nova assim e nem é algo que está tão distante de nossa realidade. Apesar dessa questão ser incansavelmente debatida em centenas de filmes e seriados, Humans apresenta um novo olhar, mais intimista e real, sem efeitos espetaculares – ou lutas grandiosas entre homens e robôs - para nos desviar a atenção do conteúdo, que aqui é o mais importante. 



Na série sci-fi, somos apresentados primeiramente à família Hawkins. Acompanhamos no episódio piloto a exaustiva rotina do pai ao cuidar dos três filhos, sozinho. Com a ausência da mãe e os afazeres se multiplicando, o patriarca decide comprar um synth (robô de alta tecnologia com aparência humana, feito para realizar os trabalhos que os humanos já não querem mais fazer, como limpar a casa, cozinhar, ir ao supermercado, enfim) para lhe ajudar a colocar a ordem na casa. Anita (Gemma Chan, ótima atuação “robótica”) é a robô misteriosa que além de ajudar a família nas tarefas domésticas, vai causar muitas dores de cabeça também.


Desde o primeiro episódio, sabemos que Anita faz parte de um seleto grupo de robôs especiais, que foram "presenteados" com inteligência artificial e que por isso, possuem “sentimentos” e às vezes, são mais humanos que os próprios humanos. Paralelo à subtrama da família Hawkins e a Anita, tem a história desse grupo de synths, que se passam por humanos para não serem "desligados". Há um mistério envolvendo esses robôs que apenas será descoberto nos últimos episódios. Humans é muito eficiente quando se trata de revelar lentamente os segredos da história principal, segurando o espectador até o próximo capítulo.



Humans, a saga dos robôs sentimentais, levanta discussões pertinentes dos dois lados, o do criador, o homem que criou um ser tão capaz a ponto de causar-lhe o medo da própria invenção, e o lado da criatura, seres que são ameaçados e adorados pelos humanos na mesma proporção, mas desejam a liberdade, não apenas a servidão. Questões como até que ponto o convívio com synths é saudável e/ou perigosa para os humanos, o preconceito, a importância da família, o respeito ao que é “diferente”, são densamente explorados na série.


Alguns rostos conhecidos integram o elenco, Colin Morgan – da série The Fall e As Aventuras de Merlin - interpreta o Leo, Katherine Parkinson (de The It Crowd) e William Hurt (do filme que aborda a mesma temática, A.I. Inteligência Artificial) são alguns deles.


Com uma estrutura e atmosfera que lembra mais os seriados britânicos e menos os americanos, muitos diálogos e um desenvolvimento que não força os acontecimentos, Humans é uma série bem curiosa, o que a torna bem única, para quem curte mesmo o gênero sci-fi, realista e intrigante, com um universo amplo a ser explorado. 


NOTA: 8,0

Confira o trailer:



27 de julho de 2015

O Sinal - Frequência do Medo – Um suspense sci-fi original e intrigante





O que seria dos cinéfilos sem a originalidade e a lucidez do cinema de baixo orçamento, ainda bem que nem todos possuem o cacife dos chefões dos estúdios para produzir obras cinematográficas grandiosas, mas “vazias” e previsíveis. Elogiado no Festival de Sundance, em 2014, a ficção científica O Sinal – Frequência do Medo (The Signal, 2014), é uma dessas obras fílmicas que nos surpreende e nos tranquiliza porque é a confirmação de que ainda há seres inteligentes fazendo cinema autoral e não adaptações de alguma coisa.

William Eubank, diretor desconhecido, por enquanto, comanda o suspense sci-fi sobre três jovens que perseguem um sinal vindo de um hacker poderoso. Nic (Brenton Thwaites, de O Doador de Memórias), Haley (Olivia Cooke, de Bates Motel) e Jonah (Beau Knapp) chegam numa cabana isolada no meio do deserto e ali o pesadelo tem início e todos terão suas vidas transformadas de forma inimaginável. Ah, o elenco também conta com o Laurence Fishburne, que me faz lembrar muito aqui o seu papel icônico em Matrix.


O Sinal é um daqueles filmes que não se pode falar muito, quanto menos você souber, melhor. No entanto, a produção explora por um ângulo distinto, questões muito conhecidas dos fãs de ficção científica, como os mistérios da área 51, conspiração governamental, alienígenas, realidade versus alucinação e possui elementos que lembra até o cultuado filme Distrito 9

Apesar de ter cenas de ação impressionantes e efeitos espetaculares – para uma obra de baixo orçamento – O Sinal tem um tom levemente intimista e emocional, não tem correria, tudo acontece de forma natural, sem pressa, é um filme para assistir com atenção, sem esperar por explosões intermináveis. 


Outro ponto forte do filme é o roteiro bem amarrado, que nos deixa desorientados e sem respostas até os últimos momentos do longa, que culmina numa sequência de revelações bombásticas e ousadas. Destaca-se também o ator Brenton Thwaites, que vive o protagonista, além da notável atuação,  carrega o filme sozinho com garra e pose de herói superior a muitos garotinhos de franquias milionárias.


O Sinal - Frequência do Medo  - que título horrendo, não? - é uma dessas pérolas da ficção científica que ninguém ver de imediato, mas que  provavelmente se tornará uma obra cult ao passar do tempo como aconteceu com Blade Runner e Donnie Darko e é tão surpreendente, instigante e original quanto outras pérolas fílmicas recentes do gênero como O Predestinado, Lunar, Cidade das Sombras (1998), entre outros.

O diretor William Eubank revelou recentemente que há planos para uma sequência. Espero mesmo que aconteça, pois é um filme com um universo muito rico. Confira abaixo o trailer. 

NOTA: 8,0





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