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14 de novembro de 2010

Ben Affleck - A reviravolta de um ator

Ben Affleck mostra suas armas e se consagra como diretor 
com o thriller Atração Perigosa

A crítica especializada adora “malhar” a atuação do Ben Affleck seja lá qual for o filme. Parece até um complô coletivo da imprensa. Tudo bem, ele pode parecer inexpressivo em alguns filmes, mas ele é um bom e eficiente ator, e ainda tem carisma. Mas felizmente, Ben é mais talentoso em outras funções. Se ele deixa a desejar na frente das câmeras, é atrás delas que tem maior êxito, sendo roteirista e diretor.
Em 2007, o garoto que há mais dez anos ganhou o Oscar de Melhor Roteiro com o seu amigo Matt Damon por Gênio Indomável, lançou o seu primeiro filme como diretor: Medo da Verdade. O longa foi elogiado pela crítica – é verdade, o filme é surpreendente - e deu ao ator a chance e a confiança de se aventurar novamente na direção.

Este ano Affleck lançou seu segundo filme, Atração Perigosa (The Town, 2010), e o sucesso de público e – de novo - da crítica mundial atribuiu muito mais que notoriedade e uma mudança na visão da imprensa, que até agora, enxergavam Affleck apenas como um ator mediano e ex-marido de Jennifer Lopez. Ben é visto agora como um ator que deu uma virada na carreira, um diretor competente e que ainda tem muito a revelar. 
Ambientado na cidade de Boston - lugar perfeito para a história, Atração Perigosa (que tradução hein....) é um drama policial envolvente, cenas de ação empolgantes, um elenco de primeira e interpretações marcantes. Affleck interpreta MacRay que se envolve com Claire (Rebecca Hall, encantadora), a gerente de banco que ele fez de refém no dia do roubo. MacRay e seus amigos – assaltantes - descobrem que ela mora na vizinhança e que a qualquer momento ela pode reconhecê-los. Assim, MacRay aceita vigiar a garota para checar se ela ajudará a Polícia. Logo, o assaltante se envolve com a ex-refém tornando a história interessante, instigante e sedutora.

Elenco bonito na estreia do filme.

Jon Hamm (o Don Draper da cultuada série Mad Men) interpreta o chefe da polícia que caça a gangue de assaltantes, a Gossip Girl Serena, Blake Lively (mostrando que além de linda, tem talento) é a antiga namorada de MacRay,e finalizando o super elenco, Jeremy Renner (Guerra ao Terror) interpreta o amigo explosivo e também participante do grupo de assaltantes.

Gossip Girl encontra um Mad Man!

Sabe aquele ditado que diz, "ninguém é bom em tudo"? Talvez isso se aplique ao Ben Affleck, ele é bom ator, mas é ótimo diretor. Ou talvez seja só a mídia criticando alguém, afinal, ela precisa criticar alguém, e infelizmente o escolhido foi o Ben, mas ele mostrou um “algo a mais” que muitos não contavam: talento na direção. Enfim, longa vida à carreira de Affleck como ator, roteirista e principalmente como diretor. Esse garoto vai longe....

1 de novembro de 2010

Scott Pilgrim é diversão pura!

Colorido, frenético, engraçado e  com muito rock n´roll:




Um dos filmes mais divertido do ano, da década. E uma das melhores adaptações de quadrinhos já realizadas. Bom, a lista de elogios ao novo filme de Edgar Wright é infinita. Sabe a qual filme me refiro? Acredito que não - motivos que eu explicarei adiante. Falo da produção Scott Pilgrim contra o mundo (Scott Pilgrim vs. The world, 2010) adaptação dos quadrinhos de Bryan Lee O´Malley.


Barulhento, colorido, frenético, engraçado e fantástico. Esses adjetivos cabem perfeitamente ao novo longa do diretor Edgar Wright, o mesmo dos ótimos - e hilários - Todo Mundo Quase Morto e Chumbo Grosso. A história do filme é inusitada: o adolescente roqueiro Scott Pilgrim se apaixona por Ramona Flowers, (Mary Elizabeth Winstead, atriz ainda desconhecida cuja carreira está prestes a decolar) uma Mari Moon versão gringa que pinta o cabelo a cada 15 dias. Mas se ele quiser ficar com a garota, terá que enfrentar seus sete ex - namorados malignos e super poderosos.


Pilgrim e seu amor de cabelo rosa!

Michael Cera (o garoto bobinho que engravidou a Juno, em Juno) interpreta o personagem-título. Seu personagem aqui ainda tem aquele jeito bobo, o que já garante risadas espontâneas. Mas Pilgrim tem algo a mais: luta como ninguém. A “noiva” de Kill Bill certamente deve concordar com essa afirmação. As cenas de luta com os seus rivais são as partes mais empolgantes e surreais do filme. Cera mostrou uma habilidade nas cenas de luta impressionante.

As cenas de luta são todas estilizadas no melhor estilo de videogames antigos, como o Street Fight. Um prato cheio pra quem curte games. As inserções gráficas inseridas na tela ao longo do filme, como “rrrrrrrrrrr” (telefone tocando), e as expressões de videogame como “K.O.” e a pontuação do Pilgrim a cada luta vencida, as cenas barulhentas da banda do Scott, a Sex Bob Omb, e os cortes rápidos das cenas apenas credita o longo como um dos mais alucinados e empolgantes da temporada.

Chris Evans como o ex maligno n° 2!

Mas nem tudo é uma maravilha. O filme fracassou nas bilheterias americanas e a Paramount resolveu lançá-lo nos cinemas brasileiros apenas no fim de novembro, mais de três meses após a estréia nos EUA. Os fãs ficaram irados e fizeram uma campanha via Twitter pedindo a antecipação do filme. A campanha surtiu efeito e a distribuidora decidiu lançá-lo em outubro. Primeiro no Festival de Cinema do Rio de Janeiro realizado no começo de outubro e depois nas demais salas do Brasil. A estréia estava marcada para o dia 29 de novembro. Foi adiada novamente, para a semana seguinte. Detalhe: existem uma – talvez duas, mas é dificil – cópia do filme para o Brasil inteiro. Ou seja, Scott Pilgrim estreará em São Paulo e só irá às outras cidades depois que sair de cartaz na cidade (iiiih, esperem sentados).
Brandon Routh é o ex n° 3: sua participação é hilária!

É aceitável que a distribuidora não queira lançar um filme que foi fracasso lá fora em grande escala e cujo público-alvo é um pouco restrito. Mas porque não lançá-lo imediatamente em DVD? Com essa medida, os fãs ficariam felizes, ao invés de agoniados esperando a boa vontade – e indecisão - da distribuidora em lançar o filme e ela ainda lucrava com a venda de DVD´s. Sem mencionar que diminuiria a quantidade de downloads do filme. Resta aguardar para saber se a novela vai continuar.

Enfim, está se tornando muito comum excelentes adaptações de quadrinhos não repetirem o sucesso nos cinemas. Kick-Ass - Quebrando Tudo também é considerado um dos melhores filmes do ano, porém não faturou muito nas bilheterias, mas ao menos chegou aos cinemas brasileiros.
Michael Cera e o Scott Pilgrim, desenhado!

Scott Pilgrim Contra o mundo é o filme que merece ser visto na telona e com som Dolby Surround. Mas parece que muita gente não terá essa chance e lhes restará assisti-lo na telinha do computador. Mas não importa. O importante é vê-lo e fazer parte de uma experiência única e mais louca do que você imagina.
E ai? quer curtir um pouco o som da banda do Pilgrim: O Sex Bob Omb? Escuta aí:

8 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2 - O inimigo agora é outro

Cap. Nascimento, o nosso anti-herói, está de volta! 
E os políticos que se cuidem!


Por mim eu trancava eles aí dentro, jogava a chave fora e deixava eles se foder sozinho”. Esta é a voz do nosso anti-herói brasileiro, Capitã. Nascimento - que agora é Tenente-Coronel do BOPE - sobre o conflito entre os bandidos no presídio Bangu 1. São os primeiros minutos de Tropa De Elite 2 (2010) – depois dos créditos iniciais embalados por aquela música horrenda do Tihuana.


Nesta sequência, o alvo do Coronel Nascimento (Wagner Moura arrebenta, em todos os sentidos), que agora ocupa o cargo de subsecretário de segurança do Rio de Janeiro, são os políticos e os corruptos. Quer dizer, os políticos corruptos. Com esse poder nas mãos, Nascimento consegue dar um jeito na bandidagem, no tráfico carioca. Mas ele descobre que aqueles traficantezinhos do morro não são nada comparados a um esquema que envolve políticos e policiais, que se beneficiam da ausência dos traficantes para ganhar poder e mais dinheiro e claro, votos, pois é ano de eleições e todos querem “mostrar serviço” à população e à imprensa.



O personagem de Nascimento está mais maduro, complexo, humano. Sua vida anda complicada também. Além de lidar com esse novo trabalho – ele quer foder com o sistema – tem que lidar com o filho que lhe ignora e com Fraga (Iradhir Santos) um ativista dos direitos humanos, casado com sua ex, e que não gosta nada dos métodos violentos e não convencionais do BOPE.

O diretor José Padilha consegue algo quase impossível: superar o primeiro filme. Nesta segunda parte, ainda tem alguns elementos presentes no original: a violência, o realismo, a crítica social, a polêmica, a tensão quase ininterrupta e a tal sacola de plástico sendo usada para embalar cabeças. Mas é inegável notar o amadurecimento dos personagens principais, a trama bem desenvolvida e mais complexa. Ainda é visível perceber em cada frame, os motivos que levaram Padilha a realizar esta sequência, a vontade de querer ver - e mostrar - o Cap. Nascimento combatendo esses novos inimigos que – a meu ver – são muitos piores que o traficante da esquina.



Deputado corrupto: igual a muitos reeleitos este ano!

Padilha conseguiu fazer de Tropa de Elite 2 um produto de entretenimento com conteúdo, queria também que o espectador saísse do cinema levando consigo uma reflexão sobre a condição política atual do Brasil e seus representantes cada vez mais inaptos e analfabetos. E se Padilha quiser realizar uma trilogia, o Brasil agradece. Teremos o nosso Bourne à brasileira.

19 de setembro de 2010

Antes que o Mundo Acabe

Um retrato delicado e nostálgico da adolescência!


O cinema nacional descobriu – finalmente - que a temática juvenil pode render ótimas produções , além de direcionar os filmes brasileiros para um caminho que não seja a mesmice – favela/sertão nordestino – tão incansavelmente retratada nos longas brasileiros ultimamente. Os três filmes lançados este ano que falam sobre adolescentes e jovens foram muito bem recebidos pela crítica especializada. Aqui estão eles: As Melhores Coisas do Mundo, Os Famosos Duendes da Morte e Antes que o Mundo acabe. Não vi os dois primeiros, mas o terceiro já é um dos melhores filmes do ano.


Realizado pela Casa de Cinema de Porto Alegre, produtora que nos brindou com outros bons filmes como Meu tio Matou um Cara , Saneamento Básico - O Filme, entre outros, Antes que o Mundo Acabe é mais um maravilhoso filme a figurar na lista dessa produtora gaúcha.

Ana Luiza Azevedo é estreante na direção, e de cara logrou fazer uma obra simples, delicada e honesta. Daniel (Pedro Tergolina), um adolescente de 15 anos é o protagonista do filme. Daniel tem variações de humor constante. Seu humor piora quando é abandonada pela namorada Mim (Bianca Menti). E piora mais quando descobre que seu melhor amigo Lucas (Eduardo Cardoso) está gostando da garota e vice-versa. E para agravar mais a vida do garoto, recebe a carta do seu pai, um fotógrafo que está na Tailândia, e que ele nunca o conheceu.

Daniel: problemas sem solução!


É o fim do mundo para Daniel, ou pelo menos, ele pensa assim. O garoto, se sentindo rejeitado e incompreendido por todos, começa a viver uma confusão interna e cheios de sentimentos dúbios. Não entende o comportamento de Mim, sua ex-namorada. Não sabe se ela gosta dele ou de seu amigo Lucas. Ele não sabe agir diante dela e nem de seu amigo. Às vezes, Daniel rasga a foto de seu amigo, mas em outra hora percebe que a amizade de Lucas é mais importante que qualquer conflito existente.


Daniel está em busca de uma identidade, normal na vida de qualquer adolescente. Ele começa a receber fotos da Tailândia de seu pai, e aos poucos ele vai rompendo a distância existente entre eles, e começa a conhecê-lo de verdade e aprende que o mundo é bem maior e complexo do que ele imagina.
Mim e seu amigo!
Frustrações com amigos e garotas, ataques de fúria, arrependimentos, sentimentos confusos e de deslocamento são abordados em Antes que o Mundo Acabe, sempre de uma maneira leve , carinhosa e verdadeira. Às vezes o espectador tem raiva de Daniel e torce pelo seu amigo Lucas, ás vezes acontece o contrário ou torcemos pelo protagonista e xingamos a namorada dele. A vida é assim, não existem pessoas completamente boazinhas ou más, mas circunstâncias que nos levam a atitudes vergonhosas e desagradáveis.

Esse retrato fiel da adolescência - é inevitável sentir saudades de nossa adolescência - é um dos maiores trunfos do longa. Um roteiro que evita o clichê, uma trilha sonora bacana, atores competentes – destaque para Pedro, o protagonista – e os recursos gráficos que ajudam a potencializar os dramas do garoto, faz dessa produção uma dos melhores filmes nacionais da década e que nos faz ter orgulho do nosso cinema novamente. Assista, Antes que o Mundo acabe.
Mim canta "beat acelerado" para seus amigos ! Veja aí:

6 de setembro de 2010

A Vida em Preto e Branco


O que você faria se tivesse acesso a um controle remoto mágico que o fizesse entrar na TV? Ou melhor, te transformasse num personagem daquele seriado que tanto ama?

Com certeza iríamos fazer muitas mudanças na história original, iríamos colocar em prática tudo aquilo que falamos e opinamos quando estamos sendo telespectador de um programa.

Bom, isso é o que fazem os protagonistas do simpático filme A Vida em Preto e Branco (1998). Aqui, os irmãos David (um Tobey Maguire pré-Homem Aranha) e Jennifer (Reese Whiterspoon, pré-Legalmente Loira) são transportados para um seriado de TV em preto e branco, passado nos anos 50 chamado Pleasantville – nome original do filme.
David e Jennifer logo se tornam os personagens Bud e Mary Sue respectivamente. E não demoram muito para eles alterarem o universo da série. A cidade de Pleasantville é perfeita, todos são excessivamente felizes, não há sexo e nada de sentimentos negativos ou qualquer tipo de acidente, seja ele provocado pela natureza ou não. Para se ter uma ideia, nesta cidade, o principal - e único - trabalho dos bombeiros é salvar os pobres gatinhos presos nas árvores.

Mary-Sue vai ser aquela que vai “corromper” as pessoas e infringir as leis da decência comum na cidade. É ela que vai dar uma cor – literalmente e metaforicamente – na vida cinza e preto e branco dos cidadãos de Pleasantville. Tudo começa quando ela leva seu namoradinho (um Paul Walker magricela e pré-Velozes e Furiosos) para a Alameda dos Amantes, lugar aonde os jovens vão para conversar, pegar nas mãos e....só. 

Bom, isso acontecia até a Mary-Sue fazer com que seu namorado sinta emoções e sensações nunca antes conhecidas. Logo, todos os jovens estão experimentando formas de prazer e descobrindo suas potencialidades. Mas a cada quebra na conduta dos moradores, o universo – as pessoas e seu comportamento, a cidade – do seriado começa a ser alterado e colorido.




A inocência, a felicidade, e a vida perfeita livre de qualquer problema dos cidadãos de Pleasantville começam a ser substituídos por violência, repressão, e despertando a ira dos mais conservadores. Logo, os “coloridos” são repreendidos pelos “cinzas” por aderirem à liberdade individual, por suprirem seus desejos sexuais e saírem de suas zonas de conforto.


A Vida em Preto e Branco, filme de Gary Ross, pode ser de doze anos atrás, mas os temas discutidos aqui nunca ficarão “velhos”. E esse filme trata de questões como acesso à cultura, igualdade, censura, liberdade de expressão sempre de uma maneira engraçada, leve e original. 

A direção de arte é magnífica – as cenas que mesclam cenários pretos em branco com objetos coloridos são quase uma obra de arte – e os atores dão um show. Além de Whiterspoon e Maguire, Joan Allen, William H Macy e Jeff Daniels se destacam em seus personagens. Uma agradável película que merece ser vista inúmeras vezes.
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