Em um mundo pós-apocalíptico, dois homens foras da lei transitam
em um cenário desértico desolador numa perseguição violenta e angustiante no filme
The Rover – A Caçada (The Rover, 2014),
último trabalho do diretor David Michôd, responsável pelo brutal Reino Animal.
Guy Pearce (do excelente Os Infratores) e Robert Pattinson estrelam esse western
australiano, cuja trama é simplória. Um homem (Pearce) tem seu carro roubado
por uma gangue e toma como refém o irmão (Pattinson) de um dos criminosos.
Juntos, partem no encalço da gangue.
A relação entre os dois homens é cercada de tensão a todo o
momento e de poucas palavras. Enquanto o personagem de Pearce faz o tipo
explosivo e imprevisível, Pattinson é o retrato da inocência que foi arruinada
pelo colapso que o mundo sofrera, é um criminoso meio dissimulado, mas tem bom
coração. Ambos os personagens são desconfiados, por isso, nunca prevemos suas ações,
também pudera, no mundo em que eles vivem, as leis inexistem.
Pearce vive um homem destemido e explosivo
A saga dos dois homens que não têm nada a perder não seria
menos desconfortável sem o cenário em que transitam. Na visão de Michôd, o
mundo pós-colapso tem o calor e o sol escaldante do deserto australiano, corpos
pendurados nas estradas e os poucos habitantes que restaram se escondem dentro
de suas casas com um olhar vazio, como se desejassem a morte.
Pattinson: sujo e com sangue nas mãos
The Rover traz atuações impecáveis de Pattinson e Pearce. O
ex-Edward Cullen encara um papel desafiador, não muito agradável e fisicamente
muito diferente de seu antigo personagem “vampiro”, com direito a um corte de cabelo
horrível e dentes nojentos. Já Guy
Pearce, bom, é aquele ator que sempre está ótimo em qualquer filme, mas que ainda não teve seu talento reconhecido, ao
menos, pelos gigantes da indústria do cinema. Por fim, The Rover – A Caçada é
uma obra fílmica ímpar que merece ser mais apreciada. Assista ao trailer.
“Glee é sobre abrir a si mesmo para a felicidade” , diz uma
personagem no último episódio de Glee e foi justamente este sentimento que a
série provocou no público nas seis temporadas. A produção da Fox marcou e
mudou vidas de uma geração e mostrou aos jovens razões de ser diferente e
aceitar a si mesmo, mais que isso, alegrou a vida de muita gente - incluso a
minha - com muita música boa.
Após seis anos, Glee (2009-2015) terminou esta semana nos EUA
e deixou a sua marca na história da TV. A comédia/drama musical se sobressaiu
pela coragem e ousadia de tratar temas fortes e polêmicos como o bullying,
homossexualidade e gravidez na adolescência para uma audiência bem jovem, mas a
partir de um roteiro muito adulto para o público ao qual se destinava. Se hoje há mais abertura para personagens gays
nos seriados americanos, Glee contribuiu bastante nessa questão.
O coral canta Don´t Stop Believin: O início de tudo
Com um elenco sincronizado e incrivelmente talentoso,
personagens cativantes, músicas populares e um humor irônico e tão sádico a
ponto de tirar sarro até do próprio universo da série, a criação de Ryan Murphy conquistou
a todos de imediato. A estreia aconteceu em 2009 e assistindo aos dois últimos
episódios é impossível dizer Adeus e não se emocionar. Vendo os últimos
capítulos, recordei do início da série, me lembro onde eu estava seis anos
atrás, dos meus sonhos naquela época e percebo que muitos deles eu não
alcancei, percebo que hoje, tenho planos distintos daqueles que eu tinha, mas como diz aquela música: "Don´t Stop Believin".
Sobre as temporadas, bem, é certo dizer agora que o autor Ryan Murphy não consegue manter a qualidade de uma história por muito tempo, mesmo que ela tenha
ótimos personagens e uma premissa com bastante potencial. Glee foi vítima dessa
“inabilidade” de Murphy. Consciente do seu problema com enredos a longo prazo, Ryan teve a ótima ideia de criar uma série de
terror chamada American Horror Story, com uma história que se limitava a apenas 13 episódios. Foi bom durante os primeiros anos, mas ajulgar pela fraca temporada de Freak Show, ele já está perdendo a “mão” aí. Mas eu gosto do Ryan, ele é
inteligente, corajoso e mais importante, muito criativo.
Lea Michele homenageia Britney Spears
Bem, voltando a Glee, as duas primeiras
temporadas foram excelentes, cheio de momentos antológicos como o Kurt dançando
Single Ladies no estádio de futebol, o seu primeiro beijo, os
episódios especiais de Madonna e Britney Spears, sem falar na homenagem ao
filme The Rocky Horror Picture Show -que eu nem sabia de sua existência até ver o episódio. No entanto, a
ideia de colocar novos personagens no Glee Club não agradou o público e a
partir da terceira temporada Glee virou uma bagunça, histórias mal desenvolvidas
e preguiçosas e para piorar, a morte trágica de Corey Monteith deixou todos os produtores sem saber o que fazer com o universo glee. A sexta e última temporada tirou os veteranos de Nova York e colocou-os
de volta no McKinley High School e nos trouxe aqueles bons e divertidos episódios
novamente, além de um desfecho perfeito e emocionante.
A respeito das músicas. Ah, as músicas. As versões de Glee,
ás vezes, eram até melhores que as originais. Quanta cultura musical eu absorvi,
quantos artistas eu conheci através da série e quantas bandasficaram conhecidas mundialmente depois que
suas canções ganharam as vozes do clube do coral, como abanda indie Fun., por exemplo, dona do hit We
Are Young.
Alguém conhecia o
Journey aí? Pois é, Don´t Stop Believin do Glee chegou ao topo das paradas e ninguém
conhecia a versão original do grupo dos anos 80, não importa, a versão do coral
até hoje encanta e emociona.A sequência
com a música Bohemian Rhapsody até hoje me arrepia, ainda me divirto muito com
o clipe de Run Joey Run e a coreografia sensual de Push it, adoro o mashup de Rumor Has It/Someone Like You da Adele, a
linda versão de Keep Holding On – versão original é da Avril Lavigne mas
ninguém sabia -e a já clássica
versão de Sue Sylvester para Vogue, da Madonna. Bom, impossível descrever
tantos momentos inesquecíveis aqui.
Os personagens eram o maior trunfo do seriado. Um grupo de
desajustados e “perdedores” que rapidamente me encantou: o deficiente físico
Artie Abrams (Kevin McHale), a gótica Tina (Jenna Ushkowitz), a loira burra
Brittany (Heather Morris), a negra com vozeirão Mercedes (Amber Riley), o
sofisticado e gay Kurt Hummel (Chris Colfer), o quarterback popular e
grandalhão Finn Hudson (Cory Monteith) e tantos outros. Mas o que segurou mesmo a série nos
seus momentos mais difíceis foram o carisma e o apego a personagens como a
irritante/egoísta e aspirante a diva Rachel Berry (Lea Michele) e a impagável e
sádica vilã Sue Sylvester (Jane Lynch), sempre com seus comentários ácidos e nonsenses.
Glee conquistou o público principalmente por valorizar e mostrar perfis não
populares e excluídos da sociedade - gays, japoneses, cadeirantes, gordos - e
ofereceu a eles um olhar otimista sobre a vida.
Adeus: elenco se reúne para a última foto
A série inovou em seu formato e vai deixar saudades por tudo o que significou para TV - trouxe o gênero musical de volta ao
mainstream, abrindo caminho para séries semelhantes como a ótima Empire, atual
sucesso da Fox americana- e principalmente para a audiência, os 45 minutos
de duração do episódio significavam mais que um simples momento de escapismo, era um instante de alegria, um sopro de esperança, um afago paratodaa audiência, especialmente para aqueles desajustados que se viam representados ali dentro
do seriado. E a última performance foi assim:
Em 2010, Matthew Vaughn nos
trouxe um novo olhar sobre os filmes de super-heróis com o violento e
sensacional Kick-Ass, este ano, o diretor inglês lança Kingsman: Serviço Secreto
(Kingsman: The Secret Service, 2015) e dá novamente o seu “toque particular”,
dessa vez, aos super espiões, prestando uma bela e explosiva homenagem às
histórias de espionagem do cinema e da TV.
Kingsman tem muitos
atrativos, o principal deles é o ator principal, Colin Firth. Conhecido por papéis
nobres e sofisticados como o Rei George VI em O Discurso do Rei, o astro seria
uma escolha improvável para interpretar um agente secreto em um filme do gênero,
mas ao vê-lo na tela em ação, defendemos e aplaudimos a escolha do
inglês com vivacidade, afinal, o jeito ‘’nobre” de Firth - e do seu personagem
- é o disfarce perfeito para um espião.
"A conduta faz o homem", ensina o espião
Elegância, charme, um irresistível
sotaque britânico e um guarda-chuva multiuso como arma mortal caracterizam
os espiões de Kingsman: Serviço Secreto, mas Vaughn não esquece de homenagear os
famosos agentes secretos que nós conhecemos, e faz questão de incluir em
diálogos espertos e divertidos menções a Jason Bourne, Jack Bauer e ao James
Bond, obviamente. Na trama, Galahad (Firth) é incumbido de achar um novo candidato a agente secreto. O jovem escolhido a tornar o novo Kingsman é Eggsy (Taron
Egerton, ator de séries de TV e que estrelará este ano, ao lado de Tom Hardy, o thriller Legend) impulsivo, advindo
dos subúrbios e de uma família problemática.
É gostoso acompanhar a
transição do garoto pobre sem expectativas na vida em um cavalheiro espião elegante,
permitindo ao diretor a discussão de temas como os estereótipos impostos pela
sociedade, como o “garoto que é ignorante porque é pobre” e os “ricos dotados de inteligência
e bom caráter” apenas por terem mais privilégios que outras pessoas.
Eggsy becomes a real Kingsman!
O elenco conta com nomes de
peso como Michael Caine e Mark Strong no núcleo dos agentes e Samuel L. Jackson
como o vilão megalomaníaco exuberante e engraçado. No entanto, não é Valentine
(personagem de Jackson) quem nos dá calafrios quando aparece em cena, esta
responsabilidade está com a sua assistente, Gazelle (Sofía Boutella), uma
mulher com o olhar tão assustador quanto o seu par de pernas metálicas e
letais. A primeira cena em que ela mostra as suas habilidades é perturbadora.
Kingsman: Serviço Secreto é
genial, divertido, impactante e ainda consegue livrar-se de clichês dos filmes
de ação. A habilidade de Vaughn em construir cenas super violentas sem “tarantinizar”
é impressionante, a sequência na igreja é insana e muito bem filmada. Com
um currículo curto, mas invejável e composto por cinco ótimos filmes – Nem Tudo É o Que Parece, Stardust: O Mistério da Estrela, Kick-Ass, X-Men: Primeira Classe e
Kingsman - Matthew Vaughn vem se consolidando como um dos melhores e mais
criativos diretores da atualidade. Confira aquio trailer do filme.
A mistura de drama
jurídico, suspense e mistério, além de uma protagonista (anti-heroína) forte
resultou em uma das séries mais aclamadas dos últimos tempos, How To Get Away
With Murder (2014 - ?). O seriado é mais um sucesso televisivo criado por Shonda
Rhimes, responsável também por Grey´s Anatomy e Scandal.
Viola Davis (dos filmes
Histórias Cruzadas, Dúvida) vive a advogada renomada Annalise Keating, professora
de uma universidade no qual as vagas para atuar no seu escritório são disputadas
a socos e pontapés pelos estudantes de
Direito. Logo no primeiro episódio, Annalise entra na sala e destaca com
altivez o nome da disciplina: “Como fugir de um assassinato impune” - título
original do programa.
How To Get Away With Murder
foca no envolvimento da professora Annalise e dos seus cinco estagiários em um
misterioso assassinato. Esta é a trama da primeira temporada, que terminou
recentemente e conta com 15 episódios eletrizantes e bem amarrados. Não posso falar muito da história sem que
revele surpresas da série, afinal, um dos seus grandes méritos está em não
economizar nas reviravoltas, todo episódio somos surpreendidos com uma informação
nova, uma revelação bombástica, nos deixando aflitos e com uma vontade enlouquecedora
de ver o próximo capítulo.
A ala feminina de HTGAWM: Laurel, Annalise e Michaela
A história é contada com
idas e vindas no tempo, alterna flashes da noite do assassinato com outros momentos ocorridos três meses antes do crime e assim, aos poucos, vamos montando um
quebra-cabeça que só será resolvido totalmente no final da temporada.
Obviamente, a produção tem os seus “casos da semana” que nada tem a ver com a
trama principal, mas os episódios, dinâmicos e ágeis, nunca nos deixam esquecer-se
do verdadeiro mistério da série.
Viola Davis é uma excelente
atriz e você sabe disso, em How To Get Away With Murder, ela está arrasadora
(para variar). Não por acaso, ela ganhou este ano o prêmio de Melhor Atriz em Drama
pelo trabalho
nesta série no SAG Awards, premiação feita pelo Sindicato dos Atores. Annalise Keating é uma mulher de personalidade forte, gélida, aparência
intimidante e cercada de conflitos pessoais arrepiantes, que também nos dão
bons momentos na série.
O núcleo masculino: Wes, Connor e Asher
O elenco jovem também é
talentoso e os dramas pessoais de cada um deles são sempre bons de acompanhar. Dentre os cinco
alunos estagiários de Annalise - Wes, Laurel, Asher, Connor e Michaela - dois se destacam. Wes (Alfred Enoch), inicialmente
o renegado pelo grupo e querido pela advogada, engrena um romance com uma
das suspeitas por um crime, é o personagem com quem mais nos identificamos no começo. Segundo, tem o Connor Walsh (Jack Falahee), personagem
homossexual que usa o seu charme e sorriso para fazer sexo com estranhos e conseguir
informações de casos jurídicos para derrubar o oponente. Falahee - astro em
potencial - transita entre o “desespero” e o “carismático/sensual” sem esforço algum.
A primeira temporada de How
To Get Away With Murder foi absolutamente fantástica, sem nenhum episódio “meia boca”
ou dispensável. O final da temporada foi
tão perturbador como o início, e o melhor de
tudo, a série foi renovada para a segunda temporada, que deve estrear em
outubro. Para quem ainda não viu o seriado, eu recomendo e assino embaixo. Confira o trailer.
A série estreia no Brasil esta semana no canal Sony.