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29 de março de 2015

The Rover – A Caçada






Em um mundo pós-apocalíptico, dois homens foras da lei transitam em um cenário desértico desolador numa perseguição violenta e angustiante no filme The Rover – A Caçada (The Rover, 2014), último trabalho do diretor David Michôd, responsável pelo brutal Reino Animal


Guy Pearce (do excelente Os Infratores) e Robert Pattinson estrelam esse western australiano, cuja trama é simplória. Um homem (Pearce) tem seu carro roubado por uma gangue e toma como refém o irmão (Pattinson) de um dos criminosos. Juntos, partem no encalço da gangue. 


A relação entre os dois homens é cercada de tensão a todo o momento e de poucas palavras. Enquanto o personagem de Pearce faz o tipo explosivo e imprevisível, Pattinson é o retrato da inocência que foi arruinada pelo colapso que o mundo sofrera, é um criminoso meio dissimulado, mas tem bom coração. Ambos os personagens são desconfiados, por isso, nunca prevemos suas ações, também pudera, no mundo em que eles vivem, as leis inexistem.

 Pearce vive um homem destemido e explosivo


A saga dos dois homens que não têm nada a perder não seria menos desconfortável sem o cenário em que transitam. Na visão de Michôd, o mundo pós-colapso tem o calor e o sol escaldante do deserto australiano, corpos pendurados nas estradas e os poucos habitantes que restaram se escondem dentro de suas casas com um olhar vazio, como se desejassem a morte. 

  Pattinson: sujo e com sangue nas mãos


The Rover traz atuações impecáveis de Pattinson e Pearce. O ex-Edward Cullen encara um papel desafiador, não muito agradável e fisicamente muito diferente de seu antigo personagem “vampiro”, com direito a um corte de cabelo horrível e dentes nojentos.  Já Guy Pearce, bom, é aquele ator que sempre está ótimo em qualquer filme, mas  que ainda não teve seu talento reconhecido, ao menos, pelos gigantes da indústria do cinema. Por fim, The Rover – A Caçada é uma obra fílmica ímpar que merece ser mais apreciada.  Assista ao trailer.


NOTA: 8,0


22 de março de 2015

Glee - A série que mostrou que ser diferente é legal chega ao fim




“Glee é sobre abrir a si mesmo para a felicidade” , diz uma personagem no último episódio de Glee e foi justamente este sentimento que a série provocou no público nas seis temporadas. A produção da Fox marcou e mudou vidas de uma geração e mostrou aos jovens razões de ser diferente e aceitar a si mesmo, mais que isso, alegrou a vida de muita gente - incluso a minha - com muita música boa.

Após seis anos, Glee (2009-2015) terminou esta semana nos EUA e deixou a sua marca na história da TV. A comédia/drama musical se sobressaiu pela coragem e ousadia de tratar temas fortes e polêmicos como o bullying, homossexualidade e gravidez na adolescência para uma audiência bem jovem, mas a partir de um roteiro muito adulto para o público ao qual se destinava.  Se hoje há mais abertura para personagens gays nos seriados americanos, Glee contribuiu bastante nessa questão. 

O coral canta Don´t Stop Believin: O início de  tudo

Com um elenco sincronizado e incrivelmente talentoso, personagens cativantes, músicas populares e um humor irônico e tão sádico a ponto de tirar sarro até do próprio universo da série, a criação de Ryan Murphy conquistou a todos de imediato. A estreia aconteceu em 2009 e assistindo aos dois últimos episódios é impossível dizer Adeus e não se emocionar. Vendo os últimos capítulos, recordei do início da série, me lembro onde eu estava seis anos atrás, dos meus sonhos naquela época e percebo que muitos deles eu não alcancei,  percebo que hoje, tenho planos distintos daqueles que eu tinha, mas como diz aquela música: "Don´t Stop Believin".

Sobre as temporadas, bem, é certo dizer agora que o autor Ryan Murphy não consegue manter a qualidade de uma história por muito tempo, mesmo que ela tenha ótimos personagens e uma premissa com bastante potencial. Glee foi vítima dessa “inabilidade” de Murphy. Consciente do seu problema com enredos a longo prazo, Ryan teve a ótima ideia de criar uma série de terror chamada American Horror Story, com uma história que se limitava a apenas 13 episódios. Foi bom durante os primeiros anos, mas a  julgar pela fraca temporada de Freak Show, ele já está perdendo a “mão” aí. Mas eu gosto do Ryan, ele é inteligente, corajoso e mais importante, muito criativo.  

Lea Michele homenageia Britney Spears

Bem, voltando a Glee, as duas primeiras temporadas foram excelentes, cheio de momentos antológicos como o Kurt dançando Single Ladies no estádio de futebol, o  seu primeiro beijo, os episódios especiais de Madonna e Britney Spears, sem falar na homenagem ao filme The Rocky Horror Picture Show - que eu nem sabia de sua existência até ver o episódio. No entanto, a ideia de colocar novos personagens no Glee Club não agradou o público e a partir da terceira temporada Glee virou uma bagunça, histórias mal desenvolvidas e preguiçosas e para piorar, a morte trágica de Corey Monteith deixou todos os produtores sem saber o que fazer com o universo glee. A sexta e última temporada tirou os veteranos de Nova York e colocou-os de volta no McKinley High School e nos trouxe aqueles bons e divertidos episódios novamente, além de um desfecho perfeito e emocionante.

A respeito das músicas. Ah, as músicas. As versões de Glee, ás vezes, eram até melhores que as originais. Quanta cultura musical eu absorvi, quantos artistas eu conheci através da série e quantas bandas ficaram conhecidas mundialmente depois que suas canções ganharam  as vozes do clube do coral, como a  banda indie Fun., por exemplo, dona do hit We Are Young.  



Alguém conhecia o Journey aí? Pois é, Don´t Stop Believin  do Glee chegou ao topo das paradas e ninguém conhecia a versão original do grupo dos anos 80, não importa, a versão do coral até hoje encanta e emociona.  A sequência com a música Bohemian Rhapsody até hoje me arrepia, ainda me divirto muito com o clipe de Run Joey Run e a coreografia sensual  de Push it,  adoro o mashup  de Rumor Has It/Someone Like You da Adele, a linda versão de Keep Holding On – versão original é da Avril Lavigne mas ninguém sabia -  e a já clássica versão de Sue Sylvester para Vogue, da Madonna. Bom, impossível descrever tantos momentos inesquecíveis aqui.

Os personagens eram o maior trunfo do seriado. Um grupo de desajustados e “perdedores” que rapidamente me encantou: o deficiente físico Artie Abrams (Kevin McHale), a gótica Tina (Jenna Ushkowitz), a loira burra Brittany (Heather Morris), a negra com vozeirão Mercedes (Amber Riley), o sofisticado e gay Kurt Hummel (Chris Colfer), o quarterback popular e grandalhão Finn Hudson (Cory Monteith) e tantos outros. Mas o que segurou mesmo a série nos seus momentos mais difíceis foram o carisma e o apego a personagens como a irritante/egoísta e aspirante a diva Rachel Berry (Lea Michele) e a impagável e sádica vilã Sue Sylvester (Jane Lynch), sempre com seus comentários ácidos e nonsenses. Glee conquistou o público principalmente por valorizar e mostrar perfis não populares e excluídos da sociedade -  gays, japoneses, cadeirantes, gordos -  e ofereceu a eles um olhar otimista sobre a vida. 

Adeus: elenco se reúne para a última foto

A série inovou  em seu formato e vai deixar saudades por tudo o que significou para TV - trouxe o gênero musical de volta ao mainstream, abrindo caminho para séries semelhantes como a ótima Empire, atual sucesso da Fox americana - e  principalmente para a audiência, os 45 minutos de duração do episódio significavam mais que um simples momento de escapismo, era um instante de alegria, um sopro de esperança, um afago para toda a audiência, especialmente para aqueles desajustados que se viam representados ali dentro do seriado.

E a última performance foi assim:




8 de março de 2015

Kingsman: Serviço Secreto – Genial e divertido






Em 2010, Matthew Vaughn nos trouxe um novo olhar sobre os filmes de super-heróis com o violento e sensacional Kick-Ass, este ano, o diretor inglês lança Kingsman: Serviço Secreto (Kingsman: The Secret Service, 2015) e dá novamente o seu “toque particular”, dessa vez, aos super espiões, prestando uma bela e explosiva homenagem às histórias de espionagem do cinema e da TV.


Kingsman tem muitos atrativos, o principal deles é o ator principal, Colin Firth. Conhecido por papéis nobres e sofisticados como o Rei George VI em O Discurso do Rei, o astro seria uma escolha improvável para interpretar um agente secreto em um filme do gênero, mas ao vê-lo na tela em ação, defendemos e aplaudimos a escolha do inglês com vivacidade, afinal, o jeito ‘’nobre” de Firth - e do seu personagem - é o disfarce perfeito para um espião.

  "A conduta faz o homem", ensina o espião


Elegância, charme, um irresistível sotaque britânico e um guarda-chuva multiuso como arma mortal caracterizam os espiões de Kingsman: Serviço Secreto, mas Vaughn não esquece de homenagear os famosos agentes secretos que nós conhecemos, e faz questão de incluir em diálogos espertos e divertidos menções a Jason Bourne, Jack Bauer e ao James Bond, obviamente. Na trama, Galahad (Firth) é incumbido de achar um novo candidato a agente secreto. O jovem escolhido a tornar o novo Kingsman é Eggsy (Taron Egerton, ator de séries de TV e que estrelará este ano, ao lado de Tom Hardy, o thriller Legend) impulsivo, advindo dos subúrbios e de uma família problemática. 


É gostoso acompanhar a transição do garoto pobre sem expectativas na vida em um cavalheiro espião elegante, permitindo ao diretor a discussão de temas como os estereótipos impostos pela sociedade, como o “garoto que é ignorante porque é pobre” e os “ricos dotados de inteligência e bom caráter” apenas por terem mais privilégios que outras pessoas. 

  Eggsy becomes a real Kingsman!


O elenco conta com nomes de peso como Michael Caine e Mark Strong no núcleo dos agentes e Samuel L. Jackson como o vilão megalomaníaco exuberante e engraçado. No entanto, não é Valentine (personagem de Jackson) quem nos dá calafrios quando aparece em cena, esta responsabilidade está com a sua assistente, Gazelle (Sofía Boutella), uma mulher com o olhar tão assustador quanto o seu par de pernas metálicas e letais. A primeira cena em que ela mostra as suas habilidades é perturbadora. 


Kingsman: Serviço Secreto é genial, divertido, impactante e ainda consegue livrar-se de clichês dos filmes de ação. A habilidade de Vaughn em construir cenas super violentas sem “tarantinizar” é impressionante, a sequência na igreja é insana e muito bem filmada. Com um currículo curto, mas invejável e composto por cinco ótimos filmes – Nem Tudo É o Que Parece, Stardust: O Mistério da Estrela, Kick-Ass, X-Men: Primeira Classe e Kingsman - Matthew Vaughn vem se consolidando como um dos melhores e mais criativos diretores da atualidade. Confira aqui o trailer do filme.



NOTA: 10,0

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1 de março de 2015

How To Get Away With Murder – A Primeira Temporada






A mistura de drama jurídico, suspense e mistério, além de uma protagonista (anti-heroína) forte resultou em uma das séries mais aclamadas dos últimos tempos, How To Get Away With Murder (2014 - ?). O seriado é mais um sucesso televisivo criado por Shonda Rhimes, responsável também por Grey´s Anatomy e Scandal. 


Viola Davis (dos filmes Histórias Cruzadas, Dúvida) vive a advogada renomada Annalise Keating, professora de uma universidade no qual as vagas para atuar no seu escritório são disputadas a socos e pontapés pelos estudantes de Direito. Logo no primeiro episódio, Annalise entra na sala e destaca com altivez o nome da disciplina: “Como fugir de um assassinato impune” - título original do programa. 


How To Get Away With Murder foca no envolvimento da professora Annalise e dos seus cinco estagiários em um misterioso assassinato. Esta é a trama da primeira temporada, que terminou recentemente e conta com 15 episódios eletrizantes e bem amarrados.  Não posso falar muito da história sem que revele surpresas da série, afinal, um dos seus grandes méritos está em não economizar nas reviravoltas, todo episódio somos surpreendidos com uma informação nova, uma revelação bombástica, nos deixando aflitos e com uma vontade enlouquecedora de ver o próximo capítulo.

A ala feminina de HTGAWM:  Laurel, Annalise e Michaela


A história é contada com idas e vindas no tempo, alterna flashes da noite do assassinato com outros momentos ocorridos três meses antes do crime e assim, aos poucos, vamos montando um quebra-cabeça que só será resolvido totalmente no final da temporada. Obviamente, a produção tem os seus “casos da semana” que nada tem a ver com a trama principal, mas os episódios, dinâmicos e ágeis, nunca nos deixam esquecer-se do verdadeiro mistério da série.


Viola Davis é uma excelente atriz e você sabe disso, em How To Get Away With Murder, ela está arrasadora (para variar). Não por acaso,  ela ganhou este ano o prêmio de Melhor Atriz em Drama pelo trabalho nesta série no SAG Awards, premiação feita pelo Sindicato dos Atores. Annalise Keating é uma mulher de personalidade forte, gélida, aparência intimidante e cercada de conflitos pessoais arrepiantes, que também nos dão bons momentos na série.

 O núcleo masculino: Wes, Connor e Asher


O elenco jovem também é talentoso e os dramas pessoais de cada um deles são sempre bons de acompanhar. Dentre os cinco alunos estagiários de Annalise - Wes, Laurel, Asher, Connor e Michaela  - dois se destacam. Wes (Alfred Enoch), inicialmente o renegado pelo grupo e querido pela advogada, engrena um romance com uma das suspeitas por um crime, é o personagem com quem mais nos identificamos no começo. Segundo, tem o Connor Walsh (Jack Falahee), personagem homossexual que usa o seu charme e sorriso para fazer sexo com estranhos e conseguir informações de casos jurídicos para derrubar o oponente. Falahee - astro em potencial - transita entre o “desespero” e o “carismático/sensual”  sem esforço algum. 


A primeira temporada de How To Get Away With Murder foi absolutamente fantástica, sem nenhum episódio “meia boca” ou dispensável. O final  da temporada foi tão perturbador como o início, e o melhor de  tudo, a série foi renovada para a segunda temporada, que deve estrear em outubro. Para quem ainda não viu o seriado, eu recomendo e assino embaixo. Confira o trailer.

A série estreia no Brasil esta semana no canal Sony.
  

NOTA: 10,0

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