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14 de junho de 2015

Sense8 - A incomparável e fascinante série das Wachowski




Já é um fato. Sense8, nova série da Netflix, já pode ser considerada a redenção das irmãs Lilly e Lana Wachowski, que desde o fim da trilogia Matrix, vem colecionando desastres cinematográficos em termos de crítica e bilheteria, como o ruinzinho O Destino de Júpiter. Ousada, libertadora, intrigante e envolvente, Sense8 é incomparável e mostra que as diretoras sabem construir uma história apoiada em personagens fortes sem precisar de pirotecnias e efeitos especiais, marca registrada da maioria de suas produções, além dos já citados acima, incluo ainda o morno A Viagem e o estonteante Speed Racer


Em se tratando das Wachowski nada é tão simples assim, sempre em seus projetos há um pouco de rebeldia, um desejo de fazer algo inovador e de sempre superar um projeto anterior. Em Sense8, a ambição não está nos efeitos visuais, mas na múltipla narrativa, que envolve oito personagens, cada um deles em um canto do mundo e sem relação alguma. É claro que todos eles terão suas vidas unidas em algum momento, pois eles têm algo em comum. E aí reside o desafio das cineastas, contar uma história ambientada em locações reais de diversas cidades ao redor do mundo. Imagine o trabalho de logística que tiveram.



Um ator mexicano que esconde um romance amoroso. Uma coreana executiva que luta vale tudo. Uma DJ islandesa. Um arrombador de cofres alemão. Uma indiana farmacêutica com o casamento arranjado. Um motorista de van e fã do Van Damme em Nairóbi. Um policial em Chicago. Uma transexual em São Francisco.  Todos eles são sensates, uma espécie evoluída de seres humanos que tem o dom de compartilhar sentimentos, lembranças e habilidades entre eles. 


Sense8, como se pode perceber, é uma série multicultural e uma das principais qualidades do seriado é a abordagem honesta e sem exageros de tantas culturas distintas. Não vou me ater à história, veja por si mesmo, mas digo que os oito personagens são apaixonantes e cada um deles tem uma história que nos envolve profundamente. Me encanta a trama da transexual Nomi e a caliente narrativa do astro de ação, Lito. 



Além das Wachowski, que dirige a maioria dos 12 episódios da primeira temporada, os cineastas Tom Tykwer (Corra Lola, Corra) e James McTeigue (V de Vingança) também colaboram na direção. Com um roteiro das irmãs em conjunto com J. Michael Straczynski (Guerra Mundial Z), Sense8 tem momentos inesquecíveis, alguns catárticos e violentos – como todas as sequências de luta que envolve Sun ou o motorista de Nairóbi, a cena de Lito “evocando” o Neo de Matrix numa cena destruidora de ação, outros incrivelmente picantes, como o sexo “grupal” entre alguns sensitivos e ainda há aqueles momentos emocionantes e inexplicáveis, como o karaokê coletivo com a música What´s Up, clássico da 4 Non Blondes - veja a cena abaixo - e o nascimento dos sensitivos ao som de uma ópera. 


Sense8 é ambiciosa e ao mesmo tempo simples, seu enredo flui de forma orgânica, sem reviravoltas grandiosas e incoerência. A questão principal aqui são os personagens, os assombros do passado, o medo do futuro desconhecido e incerto e a “descoberta” da necessidade de ajudar um ao outro.

Lito e Wolfgang: vai uma ajudinha ai?


O elenco é quase totalmente desconhecido, exceto por Naveen Andrews de Lost e Daryl Hannah de Kill Bill. Miguel Ángel Silvestre (Lito) foi visto em Os Amantes Passageiros; Doona Bae (Sun) esteve nos filmes A Viagem dos Wachowski e em O Hospedeiro; Aml Ameen (Capheus) participou de Maze Runner:Correr ou Morrer; Jamie Clayton (Nomi) esteve na série Transform Me; Tina Desai (a  inidiana Kala) atuou em O Exótico Hotel Marigold 1 e 2; Brian J. Smith (Will Gorski) tem o currículo mais extenso, participou de séries como Defiance, The Good Wife, Gossip Girl e SGU Stargate Universe; Tuppence Middleton (Riley) esteve em O Destino de Júpiter e O Jogo da Imitação; entre todos esses, o mais conhecido para mim é o alemão Max Rielmet (Wolfgang), eu já o tinha visto no intenso drama Queda Livre (Freier Fall),  no qual vive um romance homossexual tórrido.

 Os 8 "sensates"


Sense8 é perfeita, a melhor obra das Wachowski em anos, digna de todo o reconhecimento da crítica e do público, é hora de nos esquecermos de todos os tropeços que as irmãs cometeram no passado, Lana e Lilly reencontraram o tom e a “inspiração” na telinha. Acho que este é o momento de darem um tempo das megaproduções cinematográficas. Por fim, a sensação que fica após ver toda a primeira temporada de Sense8 é que a série da Netflix é a materialização das ideias de seus criadores em sua forma mais pura e cristalina. 

Confira um dos grandes momentos da série:





NOTA: 10,0

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27 de maio de 2014

CUIDADO: Filmes gays em cartaz!





Desinformação, machismo, homofobia, intolerância, junta tudo isso e mistura, o resultado foi a polêmica envolvendo o drama Praia do Futuro no qual espectadores saíram da sala do cinema ao ver o “viril Capitão Nascimento” fazendo sexo com outro homem. O cara que sai da sala por ter medo de ver uma cena de sexo entre homens precisa ir correndo pra terapia”, comentou o crítico de cinema e diretor Pablo Villaça, concordo com ele.


Realmente não entendo a polêmica e o comportamento das pessoas que saíram da sessão e muito menos daquelas que reagiram carimbando o ingresso com um aviso sobre as tais cenas. Que mundo eles vivem? Que país é esse? Este não é o primeiro filme - e nem vai ser o último - que têm cenas de amor entre homens. Praia do Futuro está aí para comprovar o quanto retrógrado e machista é o Brasil, mas a polêmica também mostrou o outro lado, o apoio à campanha #homofobianãoéanossapraia promovida pela produção do longa de Karim Ainouz tem sido um sucesso retumbante, o que demonstra que nem tudo está perdido neste país de (muita) gente de mentalidade rasa e hipócrita.


Por apoio à causa, resolvi listar cinco bons filmes que retratam o amor entre homens ou entre mulheres de forma pura e escancarada, humana e realista. AVISO: Os filmes contêm cenas de sexo! Rs.




Um Estranho no Lago (2013) – Aqui há cenas explícitas de sexo entre homens - e que pode surpreender a quem não está familiarizado com o gênero - mas que não soam pornográficas em nenhum momento, mas bastante naturais. Este filme francês é um suspense cuja locação é uma só: os arredores de um lago onde homens ficam nus, tomam banho de sol e procuram aventuras sexuais com desconhecidos. Franck (Pierre Deladonchamps) é um desses banhistas que frequenta o lago, entre flertes ali e acolá, o homem testemunha um assassinato  perpetrado justamente pelo cara pelo qual está atraído. Um suspense bem orquestrado e que te deixa aflito todo o tempo por nunca saber o que vai acontecer com o protagonista.



Queda Livre (Freier Fall, 2013) – Considerado a versão alemã de O Segredo de Brokeback Mountain, Queda Livre narra a aventura amorosa complicada entre dois policiais, sendo um deles casado com uma mulher. Apesar do machismo está presente na vida dos dois homens, o relacionamento entre Marc e Kay (Max Riemelt, o Wolfgang de Sense8) é inevitável e a atração que sentem um pelo outro é maior do que o medo de serem descobertos pelos colegas do trabalho ou pela família. É uma típica história de amor proibida, repleta de conflitos e um fim trágico. Um dos meus filmes favoritos sobre o tema.



 

Azul é a Cor Mais Quente (2013) – Obviamente que um dos filmes gay mais falado dos últimos tempos estaria nesta lista. Embora as cenas calientes entre mulheres curiosamente causem menos alvoroço que aquelas protagonizadas por homens, esse drama francês impressiona pela abordagem crua do tema e por apresentar uma das sequências de sexo lésbico mais longas e espontâneas da história do cinema. Adéle é uma garota de 15 anos, tímida e que parece se sentir sempre deslocada em relação ao restante do mundo, se apaixona por Emma, uma linda mulher de cabelos azuis com quem logo engata uma relação intensa. As descobertas de um novo mundo para Adéle preenche as três horas de duração do filme que além de edificar um retrato detalhado da protagonista, tem cenas marcantes como a do encontro do café e claro, as cenas tórridas de amor entre as duas.



Weekend (2011) - O amor entre dois homens masculinos e barbudos é o mote desse drama hiper realista.  O longa britânico narra a relação entre Glenn e Russell. Eles se conhecem numa balada e logo iniciam um relacionamento. Entre sexo, confidências e discussões, aos poucos vai ficando claras as diferenças que há entre eles. Dos filmes que retratam a temática homoafetiva, Weekend é o que mais se aproxima da realidade, com muita simplicidade e com apenas os dois protagonistas em cena, o drama se concentra precisamente na relação entre eles enquanto estão se conhecendo e descobrindo os pontos positivos e negativos de cada um. 



De Repente, Califórnia (Shelter, 2007) – Dos cinco filmes da lista, este é o único que não tem cenas de sexo, mas isso não o diminui de modo algum. Esta é uma pequena e admirável obra do cinema. A história é simples e comovente. Shelter acompanha a relação entre dois jovens surfistas, Zach e Shaun. Sem qualquer cena que possa ser considerada “imprópria” – nada que já não tenha sido mostrado na novela Amor à Vida e seriados por aí - Shelter trata com leveza a questão do preconceito e aborda o amor entre dois homens de uma forma que não constrange ninguém e de maneira sensível.

No post A Temática Gay no Cinema e na TV, você confere outros filmes imperdíveis e bem legais sobre a questão homoafetiva.
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