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12 de março de 2014

Believe - A série de Alfonso Cuarón



Quem viu Gravidade (e Filhos da Esperança), vai reconhecer na primeira cena de Believe (2014), uma característica marcante do oscarizado cineasta Alfonso Cuarón, as tomadas longas e sem cortes. No início da série, apenas uma câmera passeia pelo carro e mostra os três personagens dentro do veículo segundos antes de um acidente, a engenhosa sequência - sem cortes - é daquela que merece até replay, eu fiz isso.

Cuarón dirige o primeiro episódio, além de ser criador da série ao lado de Mark Friedman (The Forgotten). J.J Abrams também é um nome que chama a atenção nos créditos do seriado, mas ele é produtor executivo, ou seja, é o cara da grana que “banca” a série e não participa muito da parte criativa.

Na trama, Tate (Jake McLaughlin, de filmes como Selvagens e Protegendo o Inimigo) é um prisioneiro condenado à morte que é recrutado para cuidar de uma garota com poderes especiais. Bo (Johnny Sequoyah) é a garota com dons extraordinários, habilidades estas que até ela mesma desconhece. Com a ajuda de Milton Winter (Delroy Lindo) e Channing (Jamie Chung), Tate deve evitar que a menina caia nas mãos de um misterioso homem, que obviamente, só quer explorar os poderes de Bo a seu favor.

Bo está em perigo.

O piloto empolga, é bem sucedido na apresentação dos personagens e nas muitas cenas de ação, no entanto, o tom dramático e tocante no fim do episódio me lembrou a horrível Touch, série melodramática protagonizada por Kiefer Sutherland. Não será bom se Believe se habituar a mostrar Bo usando seus poderes em prol de estranhos, com o intuito apenas de provocar (forçadamente) lágrimas na audiência. Isso não deu certo com Touch, por que daria agora? Bom, ao menos Bo é uma personagem esperta e carismática, já acostumada com a sua vida atribulada e perigosa, ao contrário do garoto irritante da série finada.

 Não se sabe ainda que estrutura a série vai apresentar - a estreia ocorreu na semana passada -  mas o foco deve ser no interessante relacionamento entre Bo e Tate e como eles vão agir para se esconder da polícia e de sequestradores, e considerando apenas este plot, Believe já possui bastante potencial. Se o programa vai decolar ou não, apenas o tempo vai dizer, por ora, eu gostei do piloto e estou curioso para saber o que vem a seguir.

A série estreia este mês na Warner Channel.


13 de outubro de 2013

Gravidade



Uma obra de arte. O filme do ano. Da década. Faltam adjetivos e títulos para caracterizar o novo trabalho do cineasta mexicano Alfonso Cuarón. Gravidade (Gravity, 2013) é um ensaio poético e de visual arrebatador sobre o renascimento.

A trama deste drama espacial se concentra na Dra. Ryan Stone (Sandra Bullock) e no comandante da missão Matt Kowalsky (George Clooney). Após serem atingidos por uma chuva de lixo espacial, os dois ficam a esmo vagando na imensidão escura do espaço. A situação em si já é desesperadora, mas Cuarón faz tudo ficar dez vezes pior a ponto de nos deixar à beira de um ataque cardíaco.

Oscar para ela!

O diretor usa a chuva de destroços espaciais como uma metáfora para algumas adversidades pelo qual a personagem de Sandra passou na vida. E mesmo que elas sejam dolorosas, sempre há a chance do renascimento, de voltar a viver plenamente. As cenas de “renascimento” são belíssimas e antológicas. Como o momento - cheio de significados - em que vemos pela primeira vez a Dra. Stone sem o traje de astronauta ou a cena comovente da lágrima flutuando. Na verdade, Gravidade é inteiro e tecnicamente lindo. Os longos planos sequência e as coreografias espaciais são outros deleites da ficção científica.

Quanto aos únicos dois personagens do drama, faltam elogios à atuação marcante de Sandra Bullock. Mostrando mais uma vez que seu talento não se restringe a papéis em comédias românticas. A campanha Oscar de Melhor Atriz para Sandra já começou. Já Clooney, está charmoso como sempre, ele é o alívio cômico responsável por deixar a sua colega de trabalho, e o público, um pouco menos aflitos nesta situação aterradora.

Gravidade é mais uma grande obra a figurar na filmografia de Cuarón ao lado de E Sua Mãe Também, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban e Filhos da Esperança. Uma perfeição cinematográfica inigualável e uma experiência emocionalmente impactante.

                                                                                                   

 NOTA: 10,0                                      
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