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1 de junho de 2014

The Normal Heart





No ano passado Behind the Candelabra, telefilme protagonizado por Michael Douglas e Matt Damon e baseado na vida do pianista Wladziu Liberace conquistou a crítica e abocanhou inúmeros troféus nas premiações da televisão americana. Este mês, outro drama gay produzido pela HBO estreia com a expectativa de repetir o mesmo caminho de sucesso, The Normal Heart (2014) é uma poderosa obra, interpretada com muita paixão e dedicação pelos seus dois atores principais, Mark Ruffalo (Os Vingadores) e Matt Bomer (da série White Collar).


The Normal Heart se passa nos anos 80 e conta sobre o início da epidemia do vírus da AIDS nos EUA. O mundo extravagante e alegre da comunidade gay é acometido por uma série de mortes inexplicáveis do qual ninguém sabe como e onde se contrai o tal vírus. Ruffalo interpreta Ned Weeks, ativista que faz de tudo para alertar os companheiros da doença e para que o governo pare de ignorar a epidemia e o público gls, que naquela época, era visto com desprezo pelo restante da sociedade, além de serem tratados como únicos disseminadores da doença.

 Matt Bomer já bem magro, na pele de um portador de HIV


Felix (Bomer) é o repórter de uma importante publicação que se envolve amorosamente com o ativista Ned Weeks. Charmoso e esbelto no início, Felix se torna a forte e moribunda imagem de um portador de HIV na última hora do filme. Assim como Matthew McConaughey em Clube de Compras Dallas e Christian Bale em O Operário, Matt Bomer encarou a ideia de perder dezenas de quilos para o seu personagem e o resultado é surpreendente e impactante. Ruffalo e Bomer devem ganhar prêmios por suas grandes atuações nas premiações do Emmy, Globo de Ouro, entre outras.


A produção da HBO é dirigida pelo ousado Ryan Murphy, criador das séries Glee e American Horror Story e diretor de Comer, Rezar e Amar, não por acaso, o elenco tem bastante gente conhecida e amiga dele como a Julia Roberts, que vive a médica Emma Brookner, a única pessoa do seu meio que se esforça para tentar compreender o vírus HIV, Jonathan Groff, já participou de Glee e hoje está na excelente Looking, Jim Parsons, o Sheldon Cooper de The Big Bang Theory e o projeto de astro Taylor Kitsch, da série Friday Night Lights e dos blockbusters John Carter e Battleship, irreconhecível na pele de Bruce, um dos homossexuais ativistas e que se culpa por transmitir o vírus a quase todos os seus namorados.

 Ruffalo e Bomer: no amor e na guerra


The Normal Heart não é um drama ausente de falhas, peca por forçar diálogos longos e histéricos demais com o intuito de chamar a atenção do público para o tema em questão, porém, não diminui a força que o filme apresenta advinda principalmente de seus personagens intensos e da história comovente. Foi um período vergonhoso para a humanidade, no qual a sociedade fechou os olhos para os portadores do vírus por puro preconceito e ignorância, e não se importavam sequer com a quantidade imensa de vítimas que a AIDS fazia todos os dias. Simplesmente não havia humanidade aí. Eu recomendo o filme, já em exibição no canal HBO.


NOTA: 7,5


9 de abril de 2012

Espelho, Espelho Meu



Era uma vez, num reino muito, muito distante, uma linda princesa que vivia sofrendo nas mãos de sua madrasta cruel, até que um dia, ela se apaixona por um belo príncipe e blá blá blá. A história é batida, todos nós a conhecemos e já vimos no cinema centenas de adaptações deste conto, porém, nenhuma delas  tinha em seu elenco, a linda mulher Julia Roberts.  Em Espelho, Espelho Meu (Mirror Mirror, 2012) é a atriz de boca grande que rouba a cena, como a madrasta má e alucinada da Branca De Neve.

Depois do sucesso da série de fantasia Once Upon a Time, que recicla grande parte dos personagens dos contos de fadas, inclusive a Branca de Neve, o cinema também decidiu criar outras releituras para o conto da princesinha orfã esse ano, além desse filme, o sombrio Branca de Neve e o Caçador, estrelado pela Kristin Stewart, também aportará nas salas escuras brevemente.  Vale abrir um parênteses aqui: Confesso que estou com medo de que a Stewart  “estrague” a personagem, e para isso acontecer não basta muito, é só ela fazer aquela “cara de dor” presente em toda a saga Crepúsculo.


Angelical, beleza, simpatia, carisma, Lily Collins exala tudo isto na sua versão da Branca de Neve no divertido Espelho, Espelho Meu, dirigido por Tarsem Singh, responsável pelos interessantes A Cela e Imortais.  Lily dá vida à princesa que vive  trancada no castelo pela sua madrasta malvada (Julia Roberts). Depois de desafiar a mulher perversa,  Branca é expulsa do castelo e encontra no bosque adoráveis figurinhas pequenas, os sete anões, com características bem distintas  daquelas apresentadas na série de sucesso e em outros filmes. Os anões protagonizam as cenas mais engraçadas da produção, quando  Roberts não está em cena, claro.


O príncipe charmoso e bobão é vivido por Armie Hammer (os gêmeos de A Rede Social e do recente J. Edgar) que faz um belo casal com a Branca de Neve, e apesar de sua atuação agradar em alguns momentos, em outros, exagera demais nas “caras  e bocas”, mas nada que comprometa o resultado final, porque na verdade, o longa é exagerado, inocente e descaradamente infantil mesmo.


Todo o elenco está ótimo, até o ajudante da madrasta, vivido por Nathan Lane, tem seus bons momentos, mas é Julia Roberts e sua versão maluca e excêntrica da rainha má que se destaca. Logo no início, já rimos com ela e seu comentário irônico  – narrado em off -  sobre a tal história. Ela diz algo assim: “Era uma vez um povo que vivia feliz, cantavam e dançavam o dia inteiro. Sim, ninguém tinha emprego lá, por isso eles cantavam e dançavam  todo o dia...”. Roberts está muito à vontade no papel, é visível ver o quanto está se divertindo com a personagem, e nós também adoramos vê-la em cena.



Espelho, Espelho Meu cumpre o que promete, é bobinho sim, mas diverte e encanta. Mesmo sendo voltado para o público infantil, não tem como não agradar os mais grandinhos. As mudanças acerca dos personagens, principalmente os anões, que aqui não são mineiros, mas ladrões aventureiros, foram bem-vindas e evitou que a adaptação  se tornasse  monótona e "mais do mesmo".  Mas  não se preocupem, o final da história permanece o mesmo, com aquele tradicional happy end bem fofo e com direito até a número musical!
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