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24 de setembro de 2017

mãe!


Darren Aronofsky não faz filme de fácil digestão: Pi, Réquiem para um Sonho, Fonte da Vida e Cisne Negro são obras desconcertantes, divisivas e polêmicas. Se você é um apreciador do repertório do cineasta, certamente você vai adorar sua mais nova criação: mãe! (mother!, 2017), se não, vai odiá-lo com todas as suas forças (bem, hoje em dia, não se precisa de muito para se odiar algo né!). mãe! é – no melhor sentido – desagradável, claustrofóbico, desconfortável, um chute no estômago. mãe! não é um filme de terror, como o marketing diz ser, embora haja momentos e artifícios que evoquem uma produção do gênero.

mãe! é sobre a Criação e o Criador, a alegoria religiosa presente na obra é incontestável, ainda que permita interpretações múltiplas, o fanatismo religioso e a devoção a celebridades/deuses são claramente explicitados. Jennifer Lawrence vive a mãe. De acordo com alguns dicionários, mãe significa amor, proteção, alimentação. Indo ainda mais longe, a deusa Kali, a mãe segundo os hindus, representa criação, preservação, destruição. E todos esses elementos são representados pela figura da protagonista ou pela narrativa.

28 de maio de 2016

Love e o cinema sem vergonha






Com o sucesso do post Shame e o cinema sem vergonha, que traz filmes que abordam o sexo de forma escancarada e natural, listei outras obras que celebram/problematizam o que há de melhor na vida, mesmo que muitos, em pleno século 21, teimam em discordar, ao menos de forma pública. 



Love (2015) – O filme de Gaspar Noé que causou polêmica no ano passado pelas cenas tridimensionais de sexo (super) explícito - realmente acho estranho a sociedade se chocar com cenas de sexo, sendo que é algo que “supostamente” faz parte da nossa rotina. A história é sobre a relação conturbada entre o americano Murphy (Karl Glusman) e a francesa Electra (Aomi Muyock), que entre brigas e juras de amor, fazem muito, mas muito sexo – a primeira cena é impressionante. O mais interessante de Love, é que o sexo é apresentado por inúmeras perspectivas (há o sexo mais amável, o selvagem, a dois, a três, em todas as posições e em ambientes diversos), no entanto, devido à longa duração do filme, chega um momento em que não aguentamos mais, nem as cenas picantes, nem as lamentações do protagonista. 



Ninfomaníaca Vol. 1 (2013) –  Essa obra sexual de Lars Von Trier é bem menos subversiva e chocante do que aparenta ser – tendo como parâmetro, é claro, o perturbador Anticristo, do mesmo diretor. O Vol. 1 pode ser considerado como um romance, com mais cenas de sexo do que os filmes convencionais, é verdade, pois a protagonista Joe acredita que o amor é um empecilho para as relações sexuais. Nessa primeira parte, é narrada a jornada triste e constrangedora da protagonista, seus casos sexuais e a busca contínua pela satisfação sexual. As figuras aludidas ao sexo, as cenas despudoradas - não vulgares - de sexo e o elenco bem à vontade, composto por Shia LaBeouf, Charlotte Gainsbourg e Uma Thurman, são os acertos da obra.



Ninfomaníaca Vol. 2 (2014) – Bem inferior ao primeiro capítulo, esse volume destoa muito da primeira parte, tem menos sexo e mais sadomasoquismo. Joe, a protagonista, agora luta contra a degradação física e psicológica e a sociedade, que a julga simplesmente como uma viciada e banaliza a sua condição. Repleto de cenas desconfortáveis – principalmente aquelas em que Jamie Bell surge como uma opção de curar a “doença” de Joe com o “tratamento de nós” – o Vol. 2 pode ser irregular, mas junto com o Vol. 1, constrói uma obra ousada, indiscutivelmente, cujo mérito é provocar a reflexão sobre o sexo, o nosso corpo e a perspectiva da sociedade sobre essa questão. Boatos que há uma versão sem cortes muito mais provocante e picante do que a versão que foi exibida nos cinemas...ui!

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