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9 de agosto de 2015

Quarteto Fantástico – Não é o pior filme de super-heróis




O novo Quarteto Fantástico (2015) está sendo apedrejado pela mídia e público desde a sua estreia, convenhamos, não é para tanto, eleger o longa do Josh Trank como o pior filme de super-heróis da história é um exagero tremendo, afinal, esse título é de Batman & Robin e nenhum outro tira. 


O diretor Josh Trank (do bacaníssimo Poder Sem Limites) revelou que o estúdio Fox interferiu na parte criativa do filme e que a versão que ele tinha em mente, nunca será vista. Bom, essa confusão envolvendo o cineasta e a Fox fica clara quando sobem os créditos finais. Quarteto Fantástico, o reboot, é “incompleto”, tem um final abrupto - certamente refilmagens de última hora ocorreram, prejudicando a versão que Trank tinha imaginado para a produção - efeitos especiais duvidosos e uma única e longa sequência de ação, o que  foge completamente  à regra dos últimos filmes de super-heróis.




Comparando ao primeiro Quarteto Fantástico, esta nova versão é mais séria e sombria, já o outro com o Chris Evans e Jessica Alba tem uma estrutura mais convencional dos filmes do gênero, é mais divertido e os protagonistas são bem mais carismáticos.


O elenco é competente, Miles Teller (Sr. Fantástico), Jamie Bell (Coisa), Kate Mara (Mulher Invisível), Michael B. Jordan (Tocha Humana) e Toby Kebbell (Destino) dão conta do recado e atribuem carga dramática ao texto. Apesar do filme priorizar o lado humano dos personagens, deixando o lado “super-herói” para segundo plano, o grupo não criou empatia, faltou química entre o quarteto, o roteiro até tenta “ser engraçado” em alguns momentos, mas é em vão.



Apesar do resultado frustrante, Quarteto Fantástico não é tão ruim quanto dizem, é mais um suspense que um filme de super-herói a la Os Vingadores. O desenrolar da história é bem construída e não cansa o espectador enquanto a ação não começa, o visual dos heróis não decepciona, há boas ideias, como o fato de os heróis serem usados como arma militar pelo governo, mas quando o filme começa a empolgar, já é o fim, daí a sensação de que houve confusão nos bastidores é inevitável.

Obviamente, esta não é a versão que o diretor queria, e nem a gente. Mas eu te digo uma coisa, horrível mesmo é Batman & Robin, dentro do universo Marvel, Homem de Ferro 3 é bem mais enfadonho. Agora, pior que tudo isso, é que com as péssimas críticas, a Fox fará em breve mais um reboot do Quarteto Fantástico não tão fantástico assim...



NOTA: 6,0

4 de março de 2012

Poder sem limites




Grandes poderes exigem grandes responsabilidades, e limites também.  Os adolescentes Matt, Andrew e Steve não sabem disso – eles nunca viram Homem-Aranha - mas aprendem essa lição da pior forma possível. No ótimo Poder sem Limites (Chronicle, 2012), os três garotos ganham poderes extraordinários ao encontrar um objeto luminoso e estranho enterrado numa floresta.

Poder sem Limites é mais um filme que tem como característica aquele estilo documental, com os próprios atores usando a câmera, que vem sendo incansavelmente explorado em produções de terror de baixo orçamento como Atividade Paranormal, Apollo 18 e outras bem ruinzinhas. Mas surpreendentemente essa ficção pseudo-documental  traz um novo fôlego a um gênero que supostamente estava fadado à mesmice e à falta de originalidade.


Após o contato com o tal objeto misterioso, os jovens ganham poderes telecinésicos e começam a brincar uns com os outros. A primeira parte da película mostra Matt (o metido a sábio), Andrew (o nerd tímido) e Steve (o esportista e garanhão) treinando suas novas habilidades, como mover e destruir objetos e parar uma bola no ar.  As cenas em que eles usam seus poderes para fazerem “pegadinhas” com as pessoas são hilárias.

A segunda parte se revela um filme de super-herói de qualidade impressionante, cenas de ação intensas e muito bem filmadas e “planejadas”, considerando a estética adotada, como por exemplo, no momento em que a ação é mostrada através  das câmeras de rua, dos celulares e de imagens televisivas. Um sequência incrível.



Josh Trank, o diretor que é novato no ramo cinematográfico, certamente depois desse competente trabalho, no qual conseguiu efeitos especiais espetaculares com um orçamento tão apertado (estimados 10 milhões), receberá  milhares de convites para comandar filmes de grande orçamento, ou no mínimo, vai ensinar aos executivos de Hollywood como criar efeitos especiais decentes e convincentes com pouco dinheiro. Apenas não entendo como ainda existem megaproduções de 200 milhões de dólares com efeitos tão medíocres. Aprendam com Josh gente!

Não pensem que Poder sem Limites é apenas sobre adolescentes irresponsáveis com superpoderes. Existe sim uma carga dramática envolvida. Acompanhamos também o amadurecimento e a dolorosa transformação dos personagens. Impossível não se identificar ou não gostar dos protagonistas, e mesmo quando um deles ruma para caminhos tortuosos, torcemos pelo seu happy end, afinal, nem todo herói é super.


Assista ao filme sem expectativas, e sairá da sala satisfeito. Descontraído, engraçado, despretensioso, o filme mais divertido do ano.

Quatro filmes no estilo "gravação amadora", que você precisa ver antes de morrer:


A Bruxa de Blair (1999) – O precursor do gênero. Você nunca mais vai acampar depois desse filme. E o final aterrorizante, você nunca mais esquecer.






Cloverfield: Monstro (2008) - A primeira ficção do gênero e produzida por J.J. Abrams (Lost). Godzilla “comeu poeira” depois desse thriller realista e caótico sobre um monstro que destrói a cidade de Nova York.





REC (2007) – A versão  espanhol original.  A perfeita combinação de câmera tremida,  zumbis surgindo na escuridão claustrofóbica, resulta num dos filmes de horror mais assustadores da década.






Atividade Paranormal (2009) – Apesar da premissa batida, câmeras escondidas  numa casa para gravar acontecimentos estranhos e sobrenaturais, o suspense cumpre o que promete, assusta, e muito. Você nunca mais vai olhar para uma porta aberta do mesmo jeito. Ah, não veja o filme sozinho.

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