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8 de dezembro de 2011

Ataque ao prédio


O mundo está nas mãos de jovens criminosos 




As produções inglesas têm o grande mérito - sim, é algo positivo - de mostrar a juventude através de um prisma realista, crua e um pouco pessimista. Veja o caso de Misfits, série que tem como protagonistas, delinquentes juvenis que recebem poderes extraordinários enquanto fazem serviço comunitário. Apesar do elemento fantástico aqui, a realidade e o comportamento dos jovens não são nada glamourosos, como os jovens ricos e bonitos dos seriados americanos. Ah, outro bom exemplo é Skins, que trata de um grupo de adolescentes vindo de famílias disfuncionais cuja rotina se resume a baladas, sexo, drogas e ... mais sexo. 

A mais recente produção da terra da rainha, o divertido filme Ataque ao Prédio (Attack the Block, 2011) não foge desse estilo britânico, é mais um exemplar dessa quebra de padrão elucidada por protagonistas anti-heróis, que vivem nas marginais das grandes cidades, nada semelhante aos personagens estereotipados das produções americanas.  (Só para constar, adoro programas americanos tá, mas como um curioso com C maiúsculo, também amo descobrir e assistir às produções de outros países.)


Quer saber como as produções inglesas podem ser tão "liberais" artisticamente? Lá vai. Você veria, numa série americana, por exemplo, jovens assaltantes maconheiros salvando o planeta de uma invasão alienígena?

Nem é preciso pensar muito né? NO.  Então, essa é a trama de Ataque ao Prédio, dirigido pelo estreante Joe Cornish -  esse cara vai longe hein! - e produzido pelo visionário Edgar Wright (Todo Mundo quase Morto, Scott Pilgrim contra o Mundo). 

O longa já vale ser visto só pela premissa tão incomum. Ataque é bastante movimentado e já começa com a gangue, formado por esses jovens aspirantes a criminosos, moradores da parte pobre na zona sul de Londres, assaltando uma moça indefesa. Minutos depois, um meteoro cai na rua e logo eles descobrem o tal alienígena. Não demora muito para o líder do grupo, Moses (John Boyega), uma versão teen do Jay-Z, matar o bicho. Também não tarda muito para que a moça assaltada se alie aos moleques e comece a lutar contra os macacos-pretos de dentes fosforescentes, que invadem o prédio onde moram


Aquele humor britânico cheio de sarcasmo e os diálogos politicamente incorretos não poderiam faltar em Ataque ao Prédio - "Que tipo de alien cai justo num bairro pobre de Londres!". E não esperem efeitos especiais grandiosos, eles existem e são decentes, as criaturas do espaço sideral  tampouco decepcionam. Outro ponto positivo na produção, é o tratamento dado à história, tudo é crível demais, o ambiente, o contexto social e principalmente os personagens, que por serem meninos de rua acostumados com a violência, não demonstram, na maioria das vezes, medo algum da criatura, perseguindo-a incansavelmente e munindo-se de qualquer objeto ao alcance, nesse cenário, nem desconfiamos da coragem dos moleques. Tudo é verossímil.



Se no início do filme é difícil nos identificar com os personagens,  causando certa estranheza – será que esses assaltantes juvenis serão os heróis? Afee! - isso é superado após uns 15 minutos de projeção. No fim, estamos torcendo loucamente pela gangue e sentimos muito a cada membro “abatido” na caçada aos aliens. 

Ataque ao Prédio é uma agradável película, é original, envolvente e tem aquele ritmo frenético dos filmes de Guy Ritchie, além de ser mais divertido que os últimos filmes hollywoodianos de invasão alienígena, como o cansativo Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles (2011) e Skyline (2010), este, um retalho de clichês mal aproveitados. Confira aqui o TRAILER. 


9 de janeiro de 2011

Misfits: Delinquentes com superpoderes

Conheça Misfits, seriado britânico que mistura ficção, drama
e muito humor negro





Há um ano eu postava aqui no blog sobre Skins, seriado britânico exibido pelo Canal E4 e de enorme sucesso por lá. E eis que meu primeiro post no blog neste ano de 2011 é de novo sobre outra produção britânica, exibida no mesmo canal e tão fantástica quanto o seriado citado acima. Misfits, esse é o nome da série. Ela teve início em 2009, recentemente terminou a sua segunda temporada e já foi dado sinal verde para a terceira, a ser exibida no fim do ano.

Resumidamente, a trama de Misfits é sobre cinco jovens delinquentes que após uma tempestade recebem poderes extraordinários. Como diz a crítica especializada, é uma mistura de Heroes com Skins.


A história de pessoas normais que ganham poderes especiais alterando assim toda a sua vida já foi contada na TV e no cinema inúmeras vezes. As semelhanças com Skins, portanto, são o que atribuem ao programa um tom de originalidade, pois a única relação que há entre Misfits e Heroes é o fato de os protagonistas terem superpoderes.


Os personagens principais são jovens infratores que se conhecem num local onde realizam serviço comunitário. Então, espere diálogos repletos de palavrões e humor negro em um sotaque britânico bem carregado. Apesar da história com teor fantástico, Misfits mostra uma realidade bem crua, uma cidade aparentemente suja, famílias disfuncionais, sem falar nas drogas e no sexo, elementos que possuem um papel fundamental na história dos personagens principais, resultando em cenas impróprias para menores de 18 anos.


Conheça agora os cinco distintos personagens e seus respectivos poderes:



Nathan (Robert Sheehan) – É o personagem mais irritante e ao mesmo tempo o mais carismático e divertido. Irreverente, debochado, tem o poder da....bom, seu poder só é revelado no fim da primeira temporada, não vou estragar a surpresa.









Simon (Iwan Rheon, antes de ser aquele vilão maravilhoso em Game of Thrones) – Introspectivo, fala pouco, tem a cara pálida e se comporta –  e se veste – como um psicopata. Tem o poder da invisibilidade.










Curtis (Nathan Stewart-Jarrett) – Tem o dom de voltar o tempo. É o mais “normal” de todos e logo inicia um namoro com a companheira Alisha.










Alisha (Antonia Thomas) – A sexy do grupo. Seu poder é bizarro: ela dá tesão a quem a toca, vulgarmente falando. A pessoa que toca na jovem sofre uma intensa excitação e geralmente começam a agarrá-la fortemente a fim de sexo.





Kelly (Lauren Socha) – Dona de um sotaque estranho, é a briguenta e desbocada do quinteto. Tem o poder de ler a mente alheia e geralmente não consegue segurar os pensamentos dos amigos, garantindo situações divertidíssimas.






Misfits – que já ganhou o Bafta de melhor série dramática – possui apenas seis episódios por temporada, pouco para quem está acostumado com o padrão americano geralmente composto por 12 ou 22 episódios por ano, mas a vantagem é que você pode ver uma temporada inteira em apenas um dia, garanto que irá se divertir muito. 

O seriado é bizarro, inovador, divertido, insano, politicamente incorreto, com personagens bem delineados, uma trama cheio de surpresas – até zumbis aparecem aqui –, uma trilha sonora com o melhor do cenário musical britânico e um estilo muito particular que a difere das produções televisivas americanas. Vale a espiada!

Veja o trailer:


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