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18 de outubro de 2015

A Colina Escarlate - uma história de amor e fantasmas




Guillermo del Toro é, antes de ser um bom contador de histórias macabras, um artista dos mais virtuosos devido a sua habilidade em idealizar cenários sombrios e ao mesmo tempo deslumbrantes, tais elementos são suficientes para ir ao cinema testemunhar suas obras de arte fílmicas, a última delas é A Colina Escarlate (Crimson Peak, 2015), que estreou essa semana.


A Colina Escarlate une o que há de melhor dos dois melhores filmes do cineasta, tem-se aqui o clima de suspense e alguns elementos fantasmagóricos de A Espinha do Diabo e a caprichada e riquíssima direção de arte que lembra O Labirinto do Fauno.  Diante disso, é inegável relatar que a mansão dos Sharpes, personagens de Jessica Chastain e Tom Hiddleston e construída especialmente para o filme, é o maior atributo dessa história de amor e obsessão permeada por fantasmas assustadores, impregnados de uma gosma vermelha e que obviamente já está na lista de criaturas mais horripilantes do cinema de Del Toro. 



Em tempos de remakes de filmes de terror  e de outros que se sustentam em sustos fáceis e imprevisíveis, A Colina Escarlate tem o mérito de ser uma história original do diretor. Os filmes de Guillermo nunca são puramente histórias de terror, A Espinha do Diabo usa como ambiente um orfanato assombrado para contar a história de sobrevivência de um garoto abandonado; já O Labirinto do Fauno, tem como pano de fundo a guerra civil espanhola para narrar a história de uma garotinha que encontra num mundo fantástico um meio de fugir da crueldade humana. 



No novo filme, temos uma história de amor, protagonizada por Mia Wasikowska, que vive Edith, uma jovem aspirante à escritora que se apaixona pelo misterioso Thomas (Hiddleston). Uma série de acontecimentos, que não vale citar aqui, levam os dois a mudarem para uma mansão macabra habitada por seres terríveis e pela gélida Lucille, interpretada por Jessica Chastain, em mais uma atuação magnífica.


Apesar das incontáveis qualidades, A Colina Escarlate tem um roteiro arrastado inicialmente, e peca pela previsibilidade em alguns momentos, mas ainda assim, é uma obra soberba feita por um gênio inigualável do universo fantástico e maior expoente do gênero de horror atual.


NOTA: 8,0

26 de julho de 2013

A Espinha do Diabo


O cineasta Guillermo del Toro adora colocar adoráveis crianças sensíveis, doces e aparentemente inocentes em cenários sombrios, violentos e assustadores. Penso até que ele deve ter sofrido algum trauma na infância. Verdade ou não, seus supostos traumas foram elementos cruciais para o desenvolvimento de seus melhores filmes até hoje, o premiado O Labirinto do Fauno (2006) e o pouco conhecido A Espinha do Diabo (El Espinazo del Diablo, 2001). O interessante é que ambos foram rodados na Espanha, são as obras-primas do diretor, na minha opinião. Hellboy I e II também são excelentes produções e parece que o seu último filme, Círculo de Fogo (Pacific Rim), tem tudo para ser um dos melhores do ano (surte com o trailer). Enquanto Círculo de Fogo não chega nos cinemas, conheça um pouco de A Espinha do Diabo, que segundo o próprio realizador, é o primeiro bom filme de sua carreira.

O menino que assombra...

A Espinha do Diabo é um drama. Não, é um suspense. Ou seria um filme de fantasia com toques de drama e paranormalidade? Na verdade, o longa espanhol é uma fusão de todos esses gêneros. Em relação à trama, não é aconselhável dar muitos detalhes, mas o que você, leitor, precisa saber é: Em tempos de guerra, na Espanha, Carlos, um menino de 11 anos é deixado por seu tutor num orfanato para meninos, localizado no meio do nada, em um deserto. Lá, o garoto começa a ouvir sussurros e começa a ser assombrado pelo fantasma de outro garoto. Na instituição, também vive a diretora Carmem, o professor Casares, a jovem Conchita e o ambicioso Jacinto, personagem que será o pivô de muitas reviravoltas na trama e protagonista das cenas mais tensas e angustiantes do filme.

... e Carlos, o garoto que é assombrado.

Outra coisa que você precisa saber. Não se amedronte pelo título do filme e nem espere por carnificina e demônios chifrudos. A Espinha do Diabo conta uma bela e comovente história de sobrevivência, é verdade que assusta em alguns momentos, no entanto, a película é capaz de nos causar sentimentos diversos, raiva, medo, alegria, tristeza e uma ligeira simpatia por todos os personagens mirins,  incluso o fantasminha que assombra o orfanato.

Infelizmente é um daqueles filmes que poucos conhecem, é raro de se encontrar nas lojas, e acredite, até na web é difícil achá-lo. É Del Toro em sua melhor forma, usando os artifícios que são a sua marca registrada: cenários sombrios, clima de fantasia ou horror conectado a um mundo cruel e realista, e claro, as crianças indefesas, mas que no mundo deltoriano, são crianças que apesar dos muitos infortúnios que a vida lhes obriga a passar, carregam consigo uma esperança imensa e um forte desejo de seguir em frente.

Veja o trailer:


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