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21 de agosto de 2017

Um Contratempo – um exercício de percepção



Talvez você não saiba, mas o cinema espanhol tem uma contribuição bastante significativa ao gênero suspense/mistério e que deveria ser mais prestigiada pelo público em geral, posso citar alguns exemplares de língua espanhola que compensa qualquer possível trabalho de ter que procurar tais obras na web, por exemplo, as obras-primas de Guillermo Del Toro A Espinha do Diabo e O Labirinto do Fauno, A Pele que Habito de Pedro Almodóvar, do diretor Alejandro Amenábar tem os ótimos Tesis – Morte ao Vivo e Preso na Escuridão (Abra Los Ojos, que ganhou versão péssima com Tom Cruise chamada Vanilla Sky), o tenso REC e o elogiado El Cuerpo, este último, do promissor Oriol Paulo, que também é o responsável pelo thriller mais surpreendente que você verá neste ano, Um Contratempo (Contratiempo, 2016), disponível na Netflix e objeto principal dessa crítica.


Graças à sua disponibilidade na famosa plataforma on-line, Um Contratempo tem ganhado aos poucos reconhecimento e um público cativo. Não me espanta se o filme espanhol brevemente ganhar um remake “meia boca” de Hollywood e o diretor Paulo for convidado para assumir outra refilmagem desnecessária, impedindo o cineasta de trabalhar em projetos originais e possivelmente mais interessantes.

18 de outubro de 2015

A Colina Escarlate - uma história de amor e fantasmas




Guillermo del Toro é, antes de ser um bom contador de histórias macabras, um artista dos mais virtuosos devido a sua habilidade em idealizar cenários sombrios e ao mesmo tempo deslumbrantes, tais elementos são suficientes para ir ao cinema testemunhar suas obras de arte fílmicas, a última delas é A Colina Escarlate (Crimson Peak, 2015), que estreou essa semana.


A Colina Escarlate une o que há de melhor dos dois melhores filmes do cineasta, tem-se aqui o clima de suspense e alguns elementos fantasmagóricos de A Espinha do Diabo e a caprichada e riquíssima direção de arte que lembra O Labirinto do Fauno.  Diante disso, é inegável relatar que a mansão dos Sharpes, personagens de Jessica Chastain e Tom Hiddleston e construída especialmente para o filme, é o maior atributo dessa história de amor e obsessão permeada por fantasmas assustadores, impregnados de uma gosma vermelha e que obviamente já está na lista de criaturas mais horripilantes do cinema de Del Toro. 



Em tempos de remakes de filmes de terror  e de outros que se sustentam em sustos fáceis e imprevisíveis, A Colina Escarlate tem o mérito de ser uma história original do diretor. Os filmes de Guillermo nunca são puramente histórias de terror, A Espinha do Diabo usa como ambiente um orfanato assombrado para contar a história de sobrevivência de um garoto abandonado; já O Labirinto do Fauno, tem como pano de fundo a guerra civil espanhola para narrar a história de uma garotinha que encontra num mundo fantástico um meio de fugir da crueldade humana. 



No novo filme, temos uma história de amor, protagonizada por Mia Wasikowska, que vive Edith, uma jovem aspirante à escritora que se apaixona pelo misterioso Thomas (Hiddleston). Uma série de acontecimentos, que não vale citar aqui, levam os dois a mudarem para uma mansão macabra habitada por seres terríveis e pela gélida Lucille, interpretada por Jessica Chastain, em mais uma atuação magnífica.


Apesar das incontáveis qualidades, A Colina Escarlate tem um roteiro arrastado inicialmente, e peca pela previsibilidade em alguns momentos, mas ainda assim, é uma obra soberba feita por um gênio inigualável do universo fantástico e maior expoente do gênero de horror atual.


NOTA: 8,0

10 de outubro de 2014

The Strain - Uma arrepiante primeira temporada







Vampiros linguarudos, decapitações, perda de genitais, holocausto, muito sangue e muito terror e suspense numa das melhores séries estreantes do ano, The Strain. A série de terror do canal FX é baseada na obra literária Trilogia da Escuridão, composto pelos capítulos Noturno, A Queda e Noite Eterna, todos os três livros escritos por Guillermo del Toro e Chuck Hogan. 


Del Toro e Hogan recebem a ajuda do escritor Carlton Cuse, responsável por séries cultuadas como Lost e Bates Motel para dar vida a uma assombrosa Nova York à beira do apocalipse e infestada de vampiros que aniquilam - ou contaminam - suas vítimas com suas línguas enormes e nojentas.


A primeira temporada de The Strain tem 13 episódios já exibidos nos EUA, e no plano geral, diria que foi uma ótima e arrepiante temporada, embora os últimos quatro episódios tenham demonstrado uma preguiça bem grande por parte dos roteiristas, incluso o final morno.



Para quem não viu a série, ela tem como premissa a disseminação de um vírus que transforma os moradores de Manhattan em uma espécie de vampiro mais assustador do que o tipo comum que a gente está acostumado a ver, com línguas gigantes e que pegam no seu pescoço e suga todo o seu sangue, ou seja, o perigo é maior, a  vítima não precisa estar tão perto assim para levar uma mordida, quer dizer, uma linguada.


Entre os protagonistas estão Eph Goodweather (Corey Stoll, de House of Cards), que já no primeiro episódio é convocado a investigar um avião que chegou com todos os seus passageiros mortos, e que vamos descobrir mais tarde, nenhum deles está mesmo morto. Eph se junta mais tarde a um caçador de vampiros, de nome Abraham Setrakian (David Bradley), que já conhece essas criaturas desde o holocausto. As cenas de flashbacks com este personagem enquanto vivia num centro de concentração nazista, é de apavorar, não só pelo ambiente, mas por que une o terror humano daquela época com a presença horripilante de uma criatura chamada O Mestre.

Do lado do bem: Eph e Setrakian


Quem já viu algum filme do Guillermo del Toro, Hellboy ou O Labirinto do Fauno, sabe que o cara é expert em esboçar criaturas assustadoras, o Mestre não é diferente. Eu já ficava com calafrios quando apenas o seu vulto surgia em cena, quando ele mostra a cara pela primeira vez, a sensação ao ver seu rosto não chega a ser tão ruim, mas é um ser monstruoso e dá medo.


Do grupo do mal, o alemão Eichorst (Richard Sammel) é o que mais se destaca, tem um olhar amedrontador, é tipo um discípulo do Mestre. É um vampiro como outro qualquer, mas se veste como um homem de negócios para poder colocar o plano em prática - inundar o mundo com vampiros - e oferece dinheiro e poder aos humanos em troca de favores.


Do lado da escuridão: o vampiro Eichorst


O principal mistério do início da temporada da série, e o mais bacana também, é descobrir em que tipo de criatura os infectados irão se transformar, o momento é que uma das vítimas percebe que perdeu suas genitais é chocante. 


O roteiro pode ser falho ás vezes, nem todos os personagens podem te agradar, mas é o clima de suspense frequente que fisga o espectador. Há momentos memoráveis como a sequência em que uma garota vampira persegue o seu pai, ou quando a  esposa  tranca o marido em uma casinha quando ver a criatura em que ele se transformou, as cenas noturnas no dormitório do centro de concentração, enfim, The Strain segue a linha de outras séries do canal como American Horror Story e não poupa sangue, violência e horror.


Para quem é fã do gênero, não tem razão para perder o seriado. O episódio 8, Creatures of The Night, ambientado integralmente em uma loja de conveniência, no qual todo o grupo estão presos na loja e cercado por vampiros sedentos do lado de fora, é uma pequena obra do terror da TV, angustiante e ousado, um dos melhores capítulos da temporada.

Horror: Alguém sortudo levando uma linguada!


A primeira temporada de The Strain teve um desfecho muito preguiçoso, com as mesmas pontas soltas lá do início da série e quase nada resolvido, mas a luta de espadas de Setrakian e o grupo contra o poderoso Mestre foi de prender a respiração. Mesmo assim, The Strain é uma boa surpresa da televisão em 2014, como uma série de terror ela tem seus méritos dentro do que se propõe a cumprir, que é a de aprisionar o espectador na poltrona, deixá-lo sem fôlego e causar espanto. 


A série de Del Toro foi renovada para a sua segunda temporada. Aqui no Brasil, The Strain começa a ser exibida em janeiro, no canal FX.


NOTA: 8,0

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12 de agosto de 2013

Círculo de Fogo (Pacific Rim)



“Hoje nós vamos cancelar o apocalipse”. A frase já entrou para a história do cinema, assim como “I´m your father”, de Star Wars. Ela é dita pela personagem de Idris Elba no novo filme do inventivo cineasta Guillermo del Toro, Círculo de Fogo, (Pacific Rim, 2013).

Del Toro faz uma belíssima e colorida homenagem aos filmes de criaturas gigantes, e quem conhece os outros trabalhos do cara - Hellboy, O Labirinto do Fauno, entre outros - sabe que ele é especialista no assunto e muito criativo na construção de monstros. E eles estão aqui, em grande escala e muito bem esboçados.  Mais que uma aventura deliciosa e empolgante, Círculo de Fogo satisfaz, principalmente, aquele público que cresceu assistindo séries japonesas como Jiraya, Jaspion, Changeman, e por que não, Power Rangers, a premissa “monstros gigantes versus robôs” do filme, lembra muito estes antigos programas. Assistir a Círculo de Fogo é uma experiência saudosista que ressuscita e atende a nossos anseios mais infantis.

Hunnam e Rinko vão à luta.

Em um futuro distante, robôs colossais de metal são criados para enfrentar monstros gigantescos chamados de Kaiju e que frenquentemente saem do oceano pacífico e vão às cidades causando destruição em massa. Visto como único meio de enfrentar os Kaijus, foram criados robôs, os Jaegers, controlados por humanos. Cada robô é comandado por duas pessoas que precisam estar conectados mentalmente para fazer o Jaeger funcionar e lutar.  É aqui que entra o elemento humano do filme, que mesmo não sendo o principal atrativo no caso de uma produção com ênfase em criaturas gigantes, o diretor faz questão de desenvolver algumas personagens, mesmo que de uma forma não muito aprofundada. 

O elenco mostra competência, Charles Hunnam (Sons of Anarchy), Rinko Kikuchi (Babel), Rob Kazisnky (True Blood), Idris Elba (Luther) e Ron Perlman, o Hellboy,  dão vida às personagens que nos fazem vibrar e roer as unhas nos momentos mais tensos da produção. O arco dramático que envolve a personagem de Rinko,  é o mais interessante, a sequência em que ela, ainda criança, é perseguida por um Kaiju, é assustadora.  Esta cena não poderia faltar em um filme de Del Toro não é, como  eu já havia citado no post sobre A Espinha do Diabo, o cineasta adora colocar crianças em situações aterradoras, e nós espectadores, como consequência, ficamos sempre morrendo de aflição.

Mesmo com uma trama tão fantasiosa, o realismo está presente e fica por conta de uma impecável direção de arte e riquíssima em detalhes,  isso pode ser evidenciada nos cenários sombrios, nas ruas, o galpão dos Jaigers e principalmente os robôs enormes. Eles são pesados, possuem falhas e carcaças enferrujadas, bem diferente dos robôs “limpos”, ágeis e brilhantes de Transformers.



O confronto entre os seres colossais, para quem foi ao cinema apenas por isso, não desaponta em nenhum momento. As cenas de batalhas são grandiosas e incrivelmente arrebatadoras, elas empolgam de um jeito que você vai ficar dando soco no ar dentro do cinema - sim, eu fiz  isso.  Círculo de Fogo é fantástico, um “respiro de originalidade” - na medida do possível - dentre tantas sequências e remakes hollywoodianos que permeiam os cinemas este ano, repletos de clichês e tão amarrados à uma estrutura narrativa já esgotada. 

Guillermo Del Toro está à vontade, sua paixão pela fantasia e por este mundo de criaturas impressionantes e assustadoras é visível em cada frame, em cada ângulo e detalhe, em cada cena elaborada com esmero e que merecem ser contempladas com mais calma em duas ou três sessões. Eis aqui, mais uma obra-prima a acrescentar na sua invejável filmografia.

28 de agosto de 2011

Os filmes mais injustiçados - Parte 2




E segue a lista dos filmes mais ignorados ou esquecidos do grande público ou pela crítica.  A lista inclui uma comédia polêmica, um drama melancólico, uma ficção sombria e um suspense de primeira. 



Dogma (1999)




Essa comédia de Kevin Smith causou um rebuliço imenso entre os católicos. O filme teve sua exibição proibida na maioria dos cinemas – principalmente nos multiplexes de shoppings. A Igreja Católica proibiu a sua exibição em todo o país - um exagero! Enfim, a polêmica é porque a trama narra a história de dois anjos (interpretado por jovenzinhos Matt Damon e Ben Affleck) que foram expulsos do céu e que para voltar, eles precisam achar uma “brecha” no dogma da igreja! 

A Igreja é forte demais para ser abalada por um simples filme de ficção, por que tanto medo? Nem quero saber, mas o que interessa é que o longa é muito divertido, um pouquinho violento, tem um ótimo elenco, e ainda temos Alanis Morrissette (foto) no papel de.... Jesus! Infelizmente, devido à grande polêmica, Dogma, ao menos no Brasil, nunca foi lançado em DVD.

O Assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford (2007)





Tem o Brad Pitt com uma interpretação assustadora - talvez a melhor atuação de sua carreira - e melancólica de Jesse James e que já vale o filme inteiro. Mentira, o filme não é só de Pitt, Casey Affleck, que interpreta o assassino Robert Ford, está incrível, ele até foi indicado ao Oscar naquele ano. Mas o Brad foi ignorado pela Academia, assim como o filme e o diretor Andrew Dominik.

O Assassinato passou despercebido pelos cinemas, o que é uma pena, talvez por ser mais centrado na relação entre James e Robert, ser mais melancólico e psicológico e ter menos ação - sim , esse é um ponto positivo. Porém, é um belíssimo filme, Pitt consegue dizer algo com apenas um olhar, é espantoso, ademais, a obra tem uma linda fotografia que casa bem com as paisagens bucólicas.


Cidade das Sombras (Dark City, 1998)


Filme sombrio considerado – hoje em dia - uma mistura de Matrix e O Show de Truman. Cidade das Sombras foi lançado antes de Matrix, logo não pensem que é uma cópia, talvez seja o contrário, quem sabe as Wachowski tenham emprestado algumas ideias dessa engenhosa ficção estrelada por Jennifer Connelly e Rufus Sewell. 

Cidade das Sombras é dirigida por Alex Proyas, na época em que fazia bons filmes, como o ótimo O Corvo. Numa cidade onde é sempre noite, Murdoch (Sewell) é perseguido por seres tenebrosos e que sempre à meia-noite faz a cidade parar e as pessoas dormirem para roubar as suas lembranças, mas Murdoch é o único que fica acordado, enquanto a cidade dorme e seres carecas alteram toda a sua estrutura. Excelente filme, a estética inovadora e surreal é seu maior trunfo, mas também pode ser o motivo pelo fracasso do filme nas bilheterias lá fora e sua consequente queda no "abismo do esquecimento" do público brasileiro.



A Espinha do diabo (El Espinazo del diablo, 2001)




A primeira obra-prima de Guillermo del Toro, antes da sua segunda, O Labirinto do Fauno. E esse também é protagonizado por uma criança. Sim, Del Toro gosta de colocar doces crianças em situações assombrosas. A Espanha está passando por um período turbulento, é época de Guerra Civil, e Carlos, um menino de 12 anos, é deixado num orfanato situado no meio do deserto. 

Lá, o garoto começa a ver gente morta, quer dizer, ele começa a ser perseguido por um fantasma de um outro menino, com sangue pairando sobre sua cabeça. Bom, a trama pode parecer nada original, mas a história trilha caminhos dramáticos e violentos, envolvendo os personagens adultos. No fim, o fantasminha será a coisa menos assustadora do filme. A Espinha do Diabo é o tipo de filme que mereceria igual notoriedade de O Labirinto, mas quase ninguém o conhece, é uma obra surpreendente, que assombra e emociona o espectador ao mesmo tempo.

Confira a PARTE 1 dessa lista.

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