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21 de março de 2012

Shame e o cinema sem vergonha


Com a estreia de Shame, filme que trata sobre compulsão sexual, me senti inspirado a escrever algo sobre o tema, sexo. Então selecionei algumas películas "picantes", outras nem tanto, que abordam a sexualidade  seja de uma forma direta ou indireta, mas que têm aquelas cenas bem sensuais e bastante sem vergonha que a gente gosta de ver. Atenção: Os próximos filmes contêm cenas inadequadas para menores de 18 anos, como por exemplo, sexo explícito, nu frontal, atores "pornôs", violência sexual, intrigas, libertinagens em grupo e o beijo lésbico mais invejável do cinema.



Shame (2011) – Michael Fassbender (X Men: Primeira Classe) em certa cena protagoniza um dos momentos mais perturbadores do filme, em um ménage à trois, seu personagem faz sexo com intensidade e raiva, sua feição demonstra um misto de prazer e de dor, pois é neste momento que ele percebe que realmente tem um problema, um vício que é mais forte que ele. Brandon (Fassbender) é viciado em sexo, do tipo que contrata prostitutas diariamente, se masturba em todos os lugares possíveis e tem o PC sujo, repleto de obscenidades. Sua solidão e privacidade acabam quando ele recebe a visita inesperada de sua irmã Sissi (Carey Mulligan, de Drive). As causas dessa compulsão sexual de Brandon é implícita (eu tenho alguns palpites bem controversos), porém  os efeitos deste comportamento foram priorizados pelo diretor Steve McQueen (Hunger, também com Fassbender, tem crítica AQUI) que os estampam na tela. Provocante, forte, reflexivo, Shame ainda apresenta atuações intensas de Fassbender e Mulligan, ambos bem à vontade nas cenas de nu frontal.



Segundas Intenções (1999) – Kathryn (Sarah Michelle Gellar) é mimada, sexy, dissimulada e perigosa.  Num dado momento ela se deita em cima de Sebastian (Ryan Phillippe) e se esfrega  nele, em meio a gemidos e conversas sussurradas ela faz movimentos sensuais e bem sugestivos, levando-o à loucura. Em outra cena inesquecível, Kathryn ensina a inocente Cecile (Selma Blair) a beijar, algum tempo depois elas protagonizam uma das cenas de beijo lésbico mais bacanas e sensuais do cinema. Este thriller cheio de intrigas ainda conta com Reese Whiterspoon, como objeto de desejo de Sebastian e de repulsa de Kathryn, the bitch. Segundas Intenções tem a trilha sonora cheia de hits dos anos 90 como a música Bitter Sweet Symphony, do The Verve. Vem ver o beijo AQUI!



Boogie Nights: Prazer sem Limites (1997) – Mark Walhberg interpreta Eddie, um lavador de pratos sem perspectiva de vida. Seu encontro com um magnata da indústria pornográfica transforma radicalmente sua vida. Eddie muda de nome, passa a se chamar Dirk Diggler e se converte num dos maiores atores pornôs da década de 70. Ele é dono de um enorme talento, se é que me entendem. Ah, e sim, não se preocupem, o seu “instrumento de trabalho” é mostrado, não se assustem. Num mundo regado a muito sexo, drogas e disco music, acompanhamos a trajetória de Eddie, os seus tempos de glória até a sua decadência. Wahlberg prova que é um bom ator quando se tem um diretor exigente e não é ofuscado em nenhum momento pelo elenco estelar que inclui Julianne Moore, Burt Reynolds, Don Cheadle, Philip Seymour Hoffman e muitos outros. Assista ao trailer.



De Olhos bem fechados (1999) - Num certo momento deste drama bizarro de Stanley Kubrick, o personagem de Tom Cruise chega numa mansão luxuosa, ele está usando máscaras, assim como todos os outros convidados dentro do casarão. O que parece ser um culto satânico, logo se transforma numa orgia sexual generalizada protagonizadas por homens da alta sociedade, desnudos e apenas com máscaras tapando seus rostos para preservarem suas identidades, realizam sexo em duplas, em grupos e estão despidos de qualquer racionalidade.  Toda essa cerimônia sexual começa a atormentar o Dr. Bill (Cruise) deixando-o reflexivo, confuso, mais atento ao mundo de intrigas, sexo e repleto de mistérios que ele antes não conseguia enxergar. De Olhos bem Fechados não é um filme fácil, seu ritmo é lento e seus personagens complexos, em sua essência trata-se de uma obra sobre desejo, traição, relacionamentos e mostra como a natureza humana pode ser sombria. Tem trailer AQUI!



Anticristo (2009) – No prólogo deste polêmico filme de Lars Von Trier somos agraciados com uma cena belíssima de sexo explícito em câmera lenta e em preto e branco entre os personagens de Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg. No entanto, as cenas de sexo na meia hora final do longa  já não nos excita, nos repugna, choca e nos faz querer desviar os olhos da tela. Este thriller psicológico conta a vivência do casal numa cabana perdida no meio do mato, levada lá pelo marido com o propósito de curar a depressão da personagem de Charlotte, devastada após a morte do filho. O estado emocional e psicológico da mulher agrava lentamente e ela começar a forçar o marido a fazer sexo para compensar a dor que está sentindo. Anticristo é um filme corajoso, violento, com uma carga emocional fortíssima, cenas brutais de sexo que permearão sua mente por semanas. A fotografia, o clima melancólico e quase sufocante, culpa também do ambiente onde se passa a trama, além das atuações dos protagonistas são os pontos fortes do filme. VEJA o trailer.

16 de outubro de 2011

HUNGER

  • Hunger está na lista dos 100 melhores filmes britânicos de todos os tempos da revista Empire. Ocupa a posição 65.

Perturbador e violento, filme conta a história de um ativista do IRA que fez greve de fome


Há 30 anos, Bobby Sands, integrante do IRA, um exército paralelo que lutava pela separação da Irlanda e do Reino Unido, transformaria-se num símbolo da luta pela independência da nação irlandesa. Como uma forma de protesto, Bobby fez greve de fome, e após 66 dias em jejum, morreu aos 27 anos na prisão onde se encontrava.

Há 3 anos, os últimos momentos de vida de
Bobby Sands foram retratados em Hunger (2008), uma chocante película dirigida por Steve McQueen com uma interpretação marcante e intensa de Michael Fassbender, que dava vida ao ativista-mártir.

Hunger, primeiro filme de McQueen, um artista plástico, angariou dezenas de prêmios em festivais mundo afora, colocou Fassbender no radar de Hollywood, que nesse ano também recebeu elogios calorosos da
imprensa pelo seu “Magneto”, em X-Men: Primeira Cla
sse.




Mas focando no polêmico Hunger, pode-se dizer que é um filme-arte perturbador, cuja imagens são feitas para chocar e os diálogos são q
uase inexistentes. O longa é dividido em três partes. 


A primeira concentra-se em alguns ativistas presos numa cela escura, suja - e repugnante – e sendo violentados pelos soldados. 

A segunda é uma longa conversa entre Bobby Sands (Fassbender) e o padre, no qual conta sobre a ideia da greve de fome. Praticamente, é nessa cena de mais de 20 minutos sem cortes, com a câmera estática, que os diálogos estão concentrados. O mais impressionante é que esse bate-papo extenso em nenhum momento fica chato.

No terceiro ato, estão as cenas mais fortes e agonizantes do filme, vemos a degradação física e o sofrimento de Bobby, até o seu último suspiro. Fassbender está incrível e magricela de verdade, é notável a sua total “entrega” ao personagem.




Como artista plástico, o diretor McQueen fez algo
parecido com suas obras, destacou a parte visual na fita – a cela suja, a magreza dos presos, o nu frontal - utilizando-se da câmera parada em alguns momentos. O diretor optou também por focar no físico, na dor, na violência realista, não no teor político da história. Enfim, Hunger é pesado, realista demais, brutal, com uma quase ausência de trilha sonora, mas encaro isso como algo “positivo”, é um filme incomum que conta uma história real, de um homem cuja luta merece ser conhecida e lembrada.




Em time que está ganhando....conhece
essa expressão né? Esse ano a dupla Fassbender/McQueen voltaram com o filme Shame, e como era de se esperar, o longa está arrancando elogios por onde passa. Já até cogita-se uma indicação ao Oscar para o Fassbender. Fique alerta, você ainda vai ouvir muito falar desse cara aí.


Falando de magricelas do cinema,
Christian Bale já ficou assustadoramente magro em O Operário.



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