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9 de agosto de 2014

O perturbador Miss Violence





“O filme da garota que comete suicídio na sua festa de aniversário”, assim é conhecido o drama grego Miss Violence (2013), e como se percebe, é um filme pesado, perturbador e chocante. 


Sem rodeios, a primeira cena do drama já é impactante: Angeliki está de aniversário, ela completa 11 anos, a família está reunida e todos comemoram e se ajeitam para tirar fotos, mas Angeliki parece estar alheia a toda aquela festividade, com um semblante tristonho a garota caminha para a sacada do prédio e se joga. Assim tem início Miss Violence,  vencedor do prêmio de Melhor Direção, para Alexandros Avranas, no Festival de Veneza do ano passado.


Se você pensa que o começo do filme é forte demais, o pior está por vir, quanto mais conhecemos a família de Angeliki, imersa num ambiente depressivo cheio de regras e punições, mais assustados e revoltados, nós ficamos.

 Uma família anormal; um ambiente opressor


O cotidiano dessa família esquisita é comandado com severidade pela figura do avô (Themis Panou, ganhador do prêmio de Melhor Ator no Festival de Veneza)  um homem misterioso, que impõe um clima de autoritarismo e perversidade na casa.  Se as ações cruéis do avô revolta o espectador, a passividade da família nos indigna ainda mais, isso é claramente visto na personagem de Eleni, mãe da garota suicida, controlada cegamente pelo pai e que finge não ver e saber das atrocidades que ele comete.


Com a câmera atuando como se fosse os olhos de alguém escondido dentro da casa com o intuito de desvendar o motivo do suicídio de Angeliki e a fotografia pálida, sem vida, apenas acresce mais a sensação de depressão e mal estar no público.  Avranas realizou um trabalho ímpar, impacta não por cenas sangrentas, mas por tratar de temas tabus, como o suicídio e violência doméstica de uma forma muito crua.

 Risos forçados antes da tragédia doméstica


Com poucos diálogos, o diretor deixa que as imagens falem por si e mostrem o que há de errado com a família, impossível é não se surpreender e se chocar com as revelações. Miss Violence é um chute no estômago, te atormenta, mas proporciona uma experiência intensa e inesquecível.


NOTA: 9,0

5 de janeiro de 2010

Anticristo: Uma experiência chocante


O longa Anticristo do controverso diretor Lars Von Trier pode não ser o melhor filme em sua filmografia e nem um dos melhores do ano, mas com certeza irá encabeçar a lista dos filmes mais violentos e polêmicos da história do cinema. Não, não é exagero. Se você é uma pessoa normal - nesse contexto, essa palavra significa que se a pessoa não é um cinéfilo, não conhece o diretor e muito menos seus filmes anteriores, e adora filmes de terror com crianças pálidas, ou meninas cabeludas, no qual o mal perde no final e tudo acaba no "e foram felizes para sempre" -  vai "morrer" de arrependimento se conferir o longa-metragem sem um pouco de conhecimento prévio.

Apesar de ser tratado como um filme de terror, Anticristo - título um tanto incoerente com a tramau - pode ser descrito como um drama psicológico, denso, recheado de brutalidades: sexo explícito - com closes - , (muita) masturbação, mutilação vaginal, e...melhor parar por aqui. Resumo: cenas chocantes permeiam os últimos - e angustiantes - trinta minutos do filme.

E a história? Bom, após a perda do filho - esse fato é mostrado na lindíssima sequência inicial, numa impecável fotografia preto e branco  e em ritmo lento - o casal, vivido por Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg, que não possuem nomes no filme - se mudam para uma cabana no meio da floresta, se isolam ali com a intenção de curar a mulher que está com depressão profunda e consumida pela dor. O homem, que é terapeuta, tenta ajudá-la com exercícios psicológicos, mas a situação dela piora progressivamente. E como.


Bizarro não?

Pode-se dizer que é um filme de arte, com cenas chocantes que até lembram um filme-trash, esteticamente belo, mas que não vai agradar aos desavisados que alugarem Anticristo pensando que é mais um inofensivo filme de terror. Von Trier merece crédito por sua coragem, por realizar um filme tão ímpar. Não é seu melhor longa, mas com certeza é o mais polêmico. Para mim, é o filme mais chocante que vi em toda minha vida, é realmente uma experiência fortíssima e infelizmente algumas cenas, que de tão brutais, ficarão na sua cabeça durante dias.
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