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10 de fevereiro de 2014

The Spectacular Now



O complicado momento de transição da juventude para a vida adulta é discutida sem obviedades no independente The Spectacular Now (2013), queridinho da crítica em festivais no ano passado e assinado pelos mesmos roteiristas do melancólico 500 Dias Com Ela.

Na trama Sutter (Miles Teller, de Projeto X) é um jovem festeiro, o cara popular da escola, o engraçadinho da turma, aparenta ser alguém “vazio”, mas por trás da fachada de nice guy se esconde um ser complexo, com problema de autoaceitação e síndrome de Peter Pan. Aimee (Shailene Woodley, de Os Descendentes) é a garota meiga que vai abalar o mundo de Sutter e ajudá-lo a enfrentar seus medos mais profundos.

The Spectacular Now pode parecer à primeira vista apenas mais um filme de romance juvenil, mas há muito mais nas entrelinhas que se pode imaginar.  Os personagens são investigados com profundidade e subjetividade, sendo assim pessoas com os quais podemos facilmente nos identificar. O desenvolvimento da relação amorosa de Sutter e Aimee flui de maneira natural e soa muito verdadeira. Se no início o interesse de Sutter pela garota é duvidosa, não demora muito para ele se render ao encanto de Aimee e perceber que a vida é mais complicada do que pensa e que o  “viver agora” não basta apenas.

Aimee e Sutter vivem um "espetacular agora".

O diretor James Ponsoldt (Smashed) acertou na escolha dos protagonistas, Shailene e Miles possuem uma química perfeita, o ator mostra bastante potencial para ter uma carreira sólida no cinema ou na TV. Já a jovem atriz, este ano estreia Divergente, um possível sucesso do ano. Os diálogos espertos e a incrível habilidade de James em evitar as armadilhas de clichês, seja na construção dos personagens ou no desenvolvimento da trama, distingue esta obra independente de tantas outras do gênero, que em sua maioria e ao contrário desta, são mais rasas que o pires da minha avó.

Sensível, honesto e bem humorado, The Spectacular Now (ainda sem título em português) é ideal para quem curte filmes que retratam a juventude, e mais, ensina muito sobre a vida e que o futuro, somos nós que fazemos.


NOTA: 7,5

1 de fevereiro de 2012

Os Descendentes e a corrida de Clooney



A corridinha de George Clooney pelas ruas da vizinhança em Os Descendentes, já é o suficiente para ele levar o “careca dourado” de Melhor Ator no próximo dia 26 de fevereiro na cerimônia do Oscar.

Clooney está estupendo, despido da imagem de galã e daquele sorriso encantador que ele sempre está exibindo frente às câmeras, não que ele seja exibido, é pura simpatia mesmo. Não sei por que a imprensa adora “superlativar” as coisas, afirmando que esta é  “a melhor atuação da carreira de Clooney”, porque não é, é sim, mais  uma das suas brilhantes atuações, ele também estava muito bem em Syriana, Amor sem Escalas,  Onze Homens e um Segredo...

Bom, esse enfoque exacerbado no ator, que ás vezes até esquecem o filme propriamente dito, rendeu um bem humorado cartaz publicado no site The Shiznit, no qual  cartazes dos longas indicados ao Oscar recebem “frases divertidas”  e muito sinceras sobre os favoritos da premiação. O pôster de Os Descendentes, nesta versão irônica (foto abaixo),  vem com os dizeres: “Olhe, George Clooney é um bom ator”. Quer saber o que os outros cartazes dizem? Clique aqui! O resultado é hilário.



Retornando ao tema principal. Ok, o ator/diretor está excelente em Os Descendentes (The Descendants, 2011), é fato,  mas  não carrega o filme sozinho. Shailene Woodley, que interpreta Alex, a filha adolescente de Matt King (Clooney), também brilha ao lado do galã, seja nos momentos dramáticos ou nos cômicos. A garota já pode ser considerada um “tesouro” encontrado, e com um futuro promissor na telona, já que na telinha, ela já é um pouco conhecida, é  protagonista da série teen,  A  Vida Secreta de uma Adolescente Americana.

George e Shailene: química irretocável.

E o filme? Bom, indicado a cinco Oscars (Filme, Ator, roteiro adaptado, montagem e diretor  para Alexander Payne) Os Descendentes narra o drama de Matt, descendente de uma família rica e advogado, que tem de lidar com as duas filhas mal educadas e  “auto destrutivas”, depois que sua mulher sofre um acidente e entra em coma. A situação piora quando ele descobre que a mulher o estava traindo. O que ele faz? Ele sai correndo pelas ruas da vizinhança. Esta cena bastante divertida, é desde já antológica, inesquecível.

A relação  entre Matt e as filhas sempre foi algo distante, por isso há um esforço de sua parte em educá-las, além de se "espantar" ao perceber o quanto são desbocadas. Este é o plot principal da película, e responsável pelos momentos de risos e choros.

Quem disse que é fácil ser pai?

Apesar de ser um drama, e abordar temas nada fáceis, a trilha sonora suave e havaiana e o cenário paradisíaco do Havaí como pano de fundo, faz desse favorito ao Oscar, um filme gostoso de ver,  leve, descontraído, simples.  Payne merece todo o crédito por contar – com sucesso - uma história singela, acima de tudo, humana, sobre temas tão subjetivos como o autoconhecimento, a paternidade, tolerância, questões financeiras e principalmente, sobre aquele momento quando a vida pede algumas mudanças.
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