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17 de setembro de 2014

Chris Evans comanda uma revolução em Expresso do Amanhã




O subgênero “filmes (pós) apocalípticos” ganhou recentemente uma estupenda e surpreendente adição, Expresso do Amanhã (Snowpiercer, 2013), do inventivo Bong Joon-ho - diretor coreano dos ótimos O Hospedeiro e Mother. Estrelado pelo Capitão América Chris Evans, a produção conta a história dos poucos sobreviventes de um desastre que dizimou quase totalmente a raça humana e congelou por completo o planeta. Os que restaram, agora vivem a bordo de um trem que nunca para, o Snowpiercer.


A humanidade e a barbárie nela incrustada se limitam então, aos vagões da máquina, forte o bastante para destruir o gelo que surge em seu caminho. Em uma clara analogia e crítica à nossa sociedade, os tripulantes são separados por classes sociais. Os mais abastados estão nos primeiros vagões, já os mais pobres, estão lá no fundão, em vagões sujos e escuros, se alimentam de uma barra de gelatina preta e nojenta, além de viverem com medo e sujeitos a punições violentas. 


A esperança de um mundo (vagão) melhor, ou seja, a saída daquele lugar asqueroso nos fundos para a “primeira classe” do trem, está embutida no líder Curtis (Chris Evans, numa performance notável e mostrando que é um ator versátil e capaz de interpretar papéis mais sérios), que logo inicia uma revolução sangrenta e imprevisível rumo à dianteira e ao encontro do misterioso Wilford (Ed Harris), o criador da máquina.

Evans e Bell, sujos e sedentos por uma ascensão social


A cada vagão que descobrimos, avançando junto com a camada mais baixa, ficamos impressionados, cada um tem a sua própria beleza e particularidade, como o vagão-aquário e o vagão-escola, este último, cenário de um dos momentos mais perturbadores do filme, no qual, crianças idolatram Wilford de uma forma assustadora, como na época do nazismo.


Expresso do Amanhã tem um toque de surrealismo que o diferencia de outros filmes de ação, a sequência de luta com os mascarados portando machados, filmada com estilo e engenhosidade pelo diretor, utilizando-se da câmera lenta sem abusar, é dessas que a gente fala “Uau! Que genial”. Lembra muito a cena de pancadaria de Oldboy.


Este é o primeiro longa falado em inglês do cineasta sul-coreano, por isso o elenco é cheio de rostinhos conhecidos, além do Chris Evans, tem o Jamie Bell (Billy Elliot, As Aventuras de TinTim), John Hurt (Doctor Who), Octavia Spencer (Histórias Cruzadas), e a melhor participação de todas, Tilda Swinton (Precisamos Falar sobre Kevin) interpretando a detestável Sra. Mason, contudo, também é responsável por exalar um humor estranho no filme. A atriz está excelente no papel e irreconhecível, eu só notei que Swinton, era a atriz por trás dos dentes postiços e óculos fundos da personagem, após verificar a ficha técnica da produção. Rs.

Tilda Swinton no centro. Detestável e irreconhecível!


Expresso do Amanhã é um baita filme, um longa de ação pós-apocalíptico com muito a dizer, muito a ensinar, a violência não é gratuita e fala de manipulação coletiva e de desigualdades sociais sem enganação e com uma clareza absurda. É uma obra que merecia mais atenção do público, mas certamente logo deve ganhar o status de cult. 

A compra dos direitos do filme pela Weinstein Company, impediu o seu sucesso internacional. A empresa adiou o seu lançamento nos EUA para fazer cortes e torná-lo mais acessível ao público americano. Bobagem! Parece que a remontagem acabou, Expresso do Amanhã está previsto para chegar aos cinemas brasileiros em outubro. Bom, eu não acredito que isso aconteça, mas graças à web, a ficção se encontra disponível para download,  quem sabe você encontre a versão sem cortes.


NOTA: 8,0

26 de agosto de 2014

Picante e sangrenta, True Blood chega ao fim




“When you came in the air went out, and every shadow filled up with the doubt…I wanna do bad things with you”, há sete anos True Blood estreava na HBO e de cara já me enamorei  pela música de abertura do seriado, countryzinho bacana  de Jace Everett , canção que  me  fez cantarolar todas as noites de domingo no início da exibição desta série bizarra, divertida, violenta e muito sensual. 


Com muito sangue, sexo (muitos peitos e bumbuns de fora, rs) e humor negro, True Blood (2008-2014) conquistou o público e a crítica aos poucos, mas ao fim da primeira temporada, todos já a amavam. Para quem não aguentava ver os “vampiros” brilhantes e certinhos de Crepúsculo, que naquela época já era uma febre, a série baseada nos livros de Charlaine Harris, tornou-se a opção mais adulta e ousada para os fãs das criaturas noturnas e um “afago” para os revoltados que pensavam que a releitura demasiadamente delicada de Stephenie Meyer era uma afronta à mitologia dos vampiros. Vou falar a verdade, Meyer errou feio ao denominar seus personagens vegetarianos de “vampiros”, eles podiam ser qualquer coisa, menos isso.


True Blood transformou-se num fenômeno e em um grande sucesso comercial para o canal HBO, abrindo as portas para a produção de outros programas similares como The Vampire Diaries e The Originals. O programa “ressuscitou” a carreira de Anna Paquin, que já ganhou o Oscar de Atriz Coadjuvante aos 12 anos pela sua interpretação no filme O Piano, mas antes da série, participava apenas como coadjuvante na franquia X-Men como a mutante Vampira.  Anna levou até o Globo de Ouro de Melhor Atriz por dar vida à carismática garçonete/fada Sookie Stackhouse. A série ainda alavancou a carreira do até então desconhecido Alexander Skargard, o charmoso vampiro Eric, antes de atuar na série e num filme de Lars Von Trier, seu trabalho mais relevante era a sua aparição marcante no ótimo clipe de Paparazzi, de Lady Gaga.

Esses rostinhos deixarão saudades...


A série de Alan Ball (criador da excelente Six Feet Under) agradou nas primeiras três temporadas, depois disso tudo desandou. Allan Ball deixou a série, e então, tudo virou uma bagunça. E ficava pior a cada temporada. As histórias foram ficando menos empolgantes e os desfechos, decepcionantes, Tara (Rutina Wesley) perdeu a graça, o casal Bill (Stephen Moyer) e Sookie começou a irritar e foram acrescentadas centenas de seres mágicos de uma diversidade assustadora, fadas, lobisomens, mulher-pantera, bruxas, muitos deles nem lembro mais, para você ver o quão irrelevantes se tornaram.


No entanto, se a trama era capenga demais para segurar o espectador por sete anos, as cenas bizarras e sangrentas, diga-se trash,  e sobretudo as personagens cercadas de mistérios e vidas esquisitas, eram a razão pelo qual nunca abandonei o seriado. A ingenuidade do devasso Jason (Ryan Kwanten), a desbocada Arlene (Carrie Preston), a atrapalhada Sookie, o sedutor Eric Northman, o divertido Lafayette (Nelsan Ellis), a doce e exótica Jessica (Deborah Ann Woll) e até dos gritos histéricos da Ginger (Tara Buck) sentirei falta, eles sempre foram os maiores trunfos da série. Ah, claro que não esqueci a preferida do público, a vampira Pam De Beaufort, que nos fazia chorar te tanto rir com suas frases debochadas e sarcásticas. Eu até escolhi algumas para relembrar:


“Eu também adoro uma vagina francesa, Eric...”


“É como ser chutada na vagina como um canguru, né?”


“Eu estou usando um agasalho do Walmart por vocês. Se isso não é demonstração de espírito de equipe, eu não sei o que é.”


“Para mim, a maioria dos vampiros é tão irritante quanto os humanos.”


“Eu não sei o que eu tenho que faz as pessoas acharem que quero ouvir seus problemas. Talvez eu sorria demais. Talvez eu use muito rosa. Mas lembre-se de que eu posso arrancar sua garganta se for preciso. E também saiba que eu não sou uma prostituta. Isso foi há muito, muito tempo.“


“Olhe para você, e agora olhe pra mim. Quem tem bom gosto aqui?”



A última temporada apenas confirmou o que a gente já sabia há alguns anos, os sinais de desgaste que o programa apresentava tornou-se muito mais evidente nestes últimos capítulos. A sétima temporada foi marcada por poucos momentos realmente importantes  - exceto pela impagável dupla, Eric e Pam, salvando a temporada do desastre total - mortes súbitas de personagens queridos e tramas mal desenvolvidas que terminavam sem qualquer aprofundamento e de forma repentina, a  sensação é que os roteiristas estavam cansados da série e inventaram histórias sem nexo, ação e pouco sangue, apenas para preencher os 10 episódios.

 Momentos que só TB proporcionava para você, rs.


O episódio final de True Blood foi bem morno e choroso, parecia mais um final de novela global com casamento, novos pares românticos e um jantar reunindo todo o elenco na derradeira cena.  Ao menos, um momento bizarro e nojento - do tipo que eu adorava na série – marcou esse último capítulo, aquele em que Sookie está toda ensanguentada dentro de um caixão, num cemitério. O sangue? Ah, era do grande amor da sua vida. São imagens como esta que True Blood fez história e conquistou o mundo.


A série vampiresca teve mais baixos que altos, é verdade, mas tem seus méritos, como as personagens cativantes com sotaque caipira, a ousadia nas cenas de nudez e sexo, além das sequências violentas. Mas True Blood fincou seus “dentes” na história da teledramaturgia por ter um universo muito próprio e singular, mesmo recheado de criaturas fantásticas, a série  abordou temas pertinentes do mundo real, como preconceito, vícios, homossexualismo, politicagem e religião, com muito humor e acidez. As aventuras da fada telepática e seus amores vai deixar saudades, mas já estava mesmo na hora de dizer adeus. Descanse em paz!

A querida Anna Paquin deixou um último recado aos fãs da série, agradecendo todo o apoio e o carinho do público. Clique  aqui e confira!

24 de abril de 2014

Fargo, a série, é sensacional!



 

Um dos melhores filmes da década de 90, Fargo, criação inspirada dos irmãos Coen, agora se tornou uma série de TV. Independente se você viu o longa-metragem ou não, só tenho uma coisa a dizer: a adaptação de TV do filme sangrento e cínico é, no mínimo, sensacional. Toda esta exaltação levando em consideração apenas o primeiro episódio.


Assinado por Noah Hawley, de Bones, e com os Coen na produção executiva, Fargo terá 10 episódios na primeira temporada. O ótimo Martin Freeman (o Dr. Watson de Sherlock e  Bilbo de O Hobbit) e o experiente Billy Bob Thornton estrelam esta série que chegou com um piloto arrasador e causando um alvoroço na mídia especializada.


Denominado The Crocodile´s Dilemma, o episódio inicial é quase um filme, tem mais de 1 hora de duração. De início somos apresentados ao protagonista, Lester Nygaard (Freeman, no papel que foi de William H. Macy na obra original), um homem deprimido, sem ambições, que vem sendo diminuído por todos que topam com ele, da mulher que não perde uma oportunidade em compará-lo ao irmão, salientando sempre a sua decepção com o marido, até o colega valentão da escola que ressurge em sua vida apenas para agredi-lo moral e fisicamente. 

 Martin e Billy: dupla improvável!


Depois de uma “leve” discussão com o colega grandalhão, Lester vai parar no hospital com o nariz quebrado. Lá, ele encontra com Lorne (Thornton), um homem tão frio quanto as paisagens geladas de Minnesota. Um breve conversa entre os dois homens é o bastante para transformar a rotina da pequena cidade gelada de Bemidji e dos homens envolvidos, então  segue-se após o encontro, uma sequência de mortes intermináveis e inesperadas - para um primeiro episódio -  deflagradas por Lester e Lorne. 


Algo que você precisa saber antes de ver Fargo: não se apegue a nenhum personagem - exceto o protagonista - pois provavelmente ele estará morto até o final do episódio. A trama intrincada e repleta de surpresas avança tão rapidamente, acontecem tantas coisas, que dá a impressão que não sobrará mais nada a ser contado nos próximos capítulos. Embora a inspiração da minissérie seja o longa de 1996, o seriado do FX toma emprestado da obra original a ambientação gelada da pacata cidade, o estilo dos personagens do interior, o humor negro e a violência não gratuita. Os protagonistas e as situações envolvendo os mesmos, e por fim o desenrolar da história, são totalmente diferentes, mas não muito menos envolventes que no filme.



Martin Freeman e Billy Bob Thornton já são motivos suficientes para conferir o drama, ambos estão soberbos em seus papéis. Frio, monossilábico e misterioso, Lorne (Billy) é do tipo que quer mesmo ver o circo pegar fogo, ainda assim, nos faz rir muito em alguns momentos. Já Lester (o Martin), é o introspectivo, tem medo de tudo e todos, é um personagem incômodo, cômico, e mesmo escolhendo seguir um caminho mais perverso, ainda  vamos torcer muito por ele.


Com apenas um episódio exibido, Fargo já é uma baita surpresa da televisão, e ainda que os próximos episódios não sejam excelentes e tão inteligentes como este primeiro, a série vai passar longe, mas bem longe, da mediocridade e do convencional.
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