Páginas

Mostrando postagens com marcador Rachel McAdams. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rachel McAdams. Mostrar todas as postagens

6 de novembro de 2016

Doutor Estranho



O universo Marvel acaba de ser expandido no cinema com a chegada de Doutor Estranho (Doctor Strange, 2016), dirigido por Scott Derrickson, vindo de filmes de terror como O Exorcismo de Emily Rose e A Entidade. A julgar pelo universo místico do super-herói e as influências em nível hard de A Origem, vistas em trailers (na sala de cinema, ressalto), esperava que este fosse o “divisor de águas” dentre os filmes da Marvel, mas não é, Doutor Estranho diferencia-se estilisticamente de outros exemplares do gênero, porém o visual arrojado e de “encher os olhos” esbarra na estrutura acomodada presente nas histórias de origem de super-heróis.

O início impressiona. De cara, ficamos encantados e pasmos com as cidades que se dobram. Mas logo, o filme segue a “fórmula Marvel” – fase de descontentamento do protagonista, chance de redenção, fase de treinamento, conflito, (re)início de um nova vida – que já conhecemos demasiadamente, tornando, muitas vezes, a história aborrecida. 

24 de julho de 2011

Meia-noite em Paris



No longa Meia-noite em Paris (Midnight in Paris, 2011), em certo momento, os personagens falam sobre a inevitável insatisfação das pessoas a respeito do tempo em que vivem. Nunca estão satisfeitos com a época vigente, alguns alegam que nasceram na década errada, outros acreditam que antigamente eles eram mais felizes e concluem que o “hoje” não é tão interessante assim. Bom, espere passar alguns anos e sua perspectiva mudará.


Essa conversa então permite a nós espectadores refletirmos sobre o assunto. Leva-nos à conclusão de que devemos aproveitar ao máximo o período – o hoje – em que vivemos, para que no futuro, possamos lembrar desse tempo com alegria e satisfação, diminuindo assim aquela sensação de que “deixou passar algo” ou “era mais feliz antigamente”.


Nesse novo filme de Woody Allen, o personagem Gil, vivido por Owen Wilson, pensa assim. Seu sonho era ter vivido nos anos 20, em Paris, cercado de artistas e escritores como Hemingway, Fiztgerald, Picasso, Miró, entre outros. Bom, seu sonho torna-se realidade.
Carla Bruni-Sarkozy conta-lhe uma história.


Gil é um roteirista de Hollywood em busca de inspiração para escrever um romance, ele está na linda Paris com a noiva Inez (Rachel McAdams) e seus pais. Cansado de aturar as visitas aos museus com um amigo pedante e pseudointelectual de sua noiva, Gil sai à noite pela bela cidade francesa. Num certo momento, para um carro, e salta um homem o convidando para entrar e ir a uma festa. Ele nem desconfiava que as pessoas que ele conheceria naquela noite são os seus maiores ídolos.

Ernest Hemingway (escritor de O Velho e o Mar), F. Scott Fiztgerald (O Grande Gatsby, O curioso caso de Benjamim Button), Picasso, Miró, o músico Cole Porter, o diretor de cinema Buñuel, Salvador Dalí – numa cena engraçadíssima - e outros tantos nomes importantes das artes e da literatura, todos as pessoas que Gil admira de repente começam a fazer parte de sua vida.

Adrien Brody, como Dalí, em cena cômica.


Pode-se dizer que Meia-noite em Paris é um filme culto, voltado aos intelectuais, ou aos pseudointelectuais, pois irão se deliciar com as aparições dos artistas e brincar de “quem é esse?” a cada novo personagem histórico que surgir na telona. Porém, é um filme também para quem quer conhecer esses caras tão importantes da literatura ou das artes, certamente os não cultos sairão do cinema com uma vontade imensa de saber mais sobre as obras de Hemingway ou por que Dalí era tão fascinado por rinocerontes.

Citando esses tantos nomes intelectuais pode até parecer que o filme é chato. Engano seu. Meia-noite em Paris em uma comédia deliciosa, divertida, charmosa e apaixonante, assim como a cidade de Paris, que não é tratada apenas como uma cidade ao fundo, aqui ela é tão protagonista quanto Owen Wilson – charmoso e brilhante no papel do confuso Gil. Com tantos filmes barulhentos com “classificação livre” nesse período de férias, assistir a um filme de Woody Allen faz até bem à saúde, ao corpo, à alma, e nesse caso, poderemos sair do cinema um pouco mais cultos.

16 de janeiro de 2010

Intrigas de Estado

O thriller mostra a antiga e a nova forma de fazer jornalismo 


No thriller Intrigas de Estado (State of Play, 2009), o eterno gladiador Russel Crowe interpreta o jornalista Cal MacAffrey - gordo e com os cabelos tão desordenado quanto a sua mesa de trabalho. Ele investiga o assassinato de uma mulher, amante do seu amigo, o deputado Collins, vivido por Ben Affleck. Claro que a situação se complica ainda mais quando o jornalista descobre que está diante de uma grande conspiração envolvendo uma grande empresa, políticos e outros assassinatos. Para quem curte uma investigação na tela, um bom suspense, reviravoltas em torno dos personagens, bem ao estilo de Todos os Homens do Presidente, este filme cumpre bem com tudo isso e ainda tem mais. Intrigas de Estado discute um tema atual. O longa tem como pano de fundo a questão sobre as novas ferramentas usadas no ramo jornalístico, ou seja, o declínio do jornal impresso e a ascensão de novas mídias como o blog.

Della Frye (Rachel McAdams, aquela que está na telona agora em Sherlock Holmes e do bacana Diário de uma Paixão) trabalha no mesmo jornal que Cal MacAffrey, mas ela é inexperiente, jovem e blogueira. Geralmente suas matérias publicadas no seu blog são carregadas de sensacionalismo. Mas sua editora Cameron Lynne vivida por Helen Mirren, fala bem dela: "ela é esfomeada, barata, e produz matéria a cada hora".

Já o (velho) jornalista (especialista em matérias especiais, geralmente longas) que está trabalhando há quinze anos no jornal, ela o classifica como um profissional "super-alimentado, caro demais e muito demorado". Percebe-se então, essa disputa entre estes dois jornalistas que usam ferramentas diferentes e com maneiras tão distintas de trabalhar, durante todo o filme. Claro que eles terminam por ajudar um ao outro, mas a discussão foi lançada e é conveniente nos perguntarmos: vale mais uma matéria num blog, que rapidamente é esquecida, ou uma matéria com mais detalhes e profundidade num jornal impresso?

"Querida, isso é matéria pra jornal."


Leia agora, algumas pérolas disparadas pela editora-chefe, frases que faço questão de exibi-las aqui, pois mostram situações que, com certeza, devem acontecer nas redações de qualquer jornal de qualquer lugar do mundo.

A editora-chefe diz para o jornalista Cal:

"Engraçado, toda vez que seu amigo (deputado Collins) entra em campanha, você canta o nome dele até fazermos a cobertura, e quando ele faz alguma coisa (ela fala de um escândalo nada favorável ao deputado), que realmente chegue a vender alguns exemplares, você fica mudo. Isto é incompatível."


Ou seja, a partir daí, é possível denotar que a imprensa adora uma notícia ruim, ou melhor, os leitores. Eles adoram ver desgraça na capa do jornal. Noticia boa, não vende. É fato.

Outra frase memorável:

"Nossos patrões estão com uma ideia absurda. Querem que a gente dê lucro". (referindo-se à mídia impressa)


Isto nem necessita de comentários, todos sabem que a venda de jornais está caindo progressivamente, a cada ano. E com a correria do mundo atual, ler notícias na internet é mais rápido, cômodo e não suja as mãos haha (ok, este último fator é pra gente fresca, mas acredite, tem gente que usa esse argumento). Mas ainda acho que o veículo impresso, não desaparecerá tão rápido assim, acredito que ainda vai sobreviver por algum tempo, sua credibilidade continua inabalável. 

Enfim, Intrigas de Estado é um ótimo filme, funciona como entretenimento, mas também faz uma análise sobre os meios de comunicação nos dias de hoje, sua rotina, os novos meios e seu funcionamento. Isso o faz obrigatório para estudantes e profissionais dessa área. Não tenho dúvida que ele logo será exibido nas salas de aulas para os estudantes de comunicação de todo o mundo.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...