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9 de julho de 2012

O Espetacular e simpático Homem-Aranha



O reboot do filme do “amigo da vizinhança” surpreende, diverte, mas eu continuo achando que recontar a história de origem do homem-aranha ainda é desnecessário, um indício de preguicite aguda em Hollywood. Por que não continuar a saga do aracnídeo com novas aventuras, já que faz apenas cinco anos que a trilogia interpretada pelo Tobey Maguire chegou ao fim? Falta de imaginação à parte, o que vale é que este “novo começo” comandada pelo diretor de 500 Dias Com Ela, Marc Webb, apesar de previsível e um roteiro bem redondinho, é bem agradável. O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man, 2012) traz um novo fôlego à franquia, e isso se deve em grande parte ao carisma dos atores principais, Andrew Garfield e Emma Stone.

Se você não curtiu a escolha de Garfield (A Rede Social) para o papel de Homem-Aranha na época em que ele foi selecionado, é porque obviamente você é daquelas pessoas  que adoram julgar as coisas antes de vê-las. O jovem ator conseguiu atribuir outra personalidade ao herói, esqueça o jeito bobalhão de Maguire, o ‘novo’ Spider-Man,  ainda um pouco bobo, é bem mais malandro, debochado, destemido, e  tem uma doçura genuína no rosto do rapaz que cria uma empatia imediata com o personagem, e compensa até o roteiro ligado no “piloto automático".



A nova queridinha do cinema, Emma Stone, está radiante como sempre, ela interpreta Gwen Stacy, está loira e bem diferente de sua personagem bitch de A Mentira, e sua relação com o Peter Parker se mostra bem mais aprazível e menos complexa (isso é bom) que a do casal da franquia dirigida por Sam Raimi.

O roteiro foi feliz ao criar novas (e boas) situações para momentos que o público já conhecia, como  a cena em que Parker é mordido pela aranha, ou a cena em que Peter começa a treinar suas habilidades pela primeira vez, nesta segunda versão, o momento de descoberta de poderes tem a linda música Til Kingdom Come do Coldplay ao fundo,  uma sequência bem montada e engraçada, e bem superior à do primeiro longa. 


   
Se Marc Webb acerta na trilha sonora pop/rock/indie, nos diálogos afiados, e na construção do relacionamento entre Stacy e Parker,  o diretor se mostra bem limitado nas cenas de ação, não há nada bem elaborado aqui, porém é compreensível, é um diretor de comédia né gente, mas não se preocupem, as cenas de ação são divertidas e empolgam, principalmente a do metrô, impagável.

O Espetacular Homem-Aranha não é assim, espetacular, nem superior ao filme de Sam Raimi, mas consegue retomar a franquia de forma positiva e promissora, e Andrew Garfield nos apresenta uma performance digna de calar a boca de muita gente que torcia o rosto para ele e para o filme, seu Homem-Aranha se mostra bem mais simpático que o de Tobey Maguire, embora eu ainda goste bastante da versão deste.

6 de setembro de 2010

A Vida em Preto e Branco


O que você faria se tivesse acesso a um controle remoto mágico que o fizesse entrar na TV? Ou melhor, te transformasse num personagem daquele seriado que tanto ama?

Com certeza iríamos fazer muitas mudanças na história original, iríamos colocar em prática tudo aquilo que falamos e opinamos quando estamos sendo telespectador de um programa.

Bom, isso é o que fazem os protagonistas do simpático filme A Vida em Preto e Branco (1998). Aqui, os irmãos David (um Tobey Maguire pré-Homem Aranha) e Jennifer (Reese Whiterspoon, pré-Legalmente Loira) são transportados para um seriado de TV em preto e branco, passado nos anos 50 chamado Pleasantville – nome original do filme.
David e Jennifer logo se tornam os personagens Bud e Mary Sue respectivamente. E não demoram muito para eles alterarem o universo da série. A cidade de Pleasantville é perfeita, todos são excessivamente felizes, não há sexo e nada de sentimentos negativos ou qualquer tipo de acidente, seja ele provocado pela natureza ou não. Para se ter uma ideia, nesta cidade, o principal - e único - trabalho dos bombeiros é salvar os pobres gatinhos presos nas árvores.

Mary-Sue vai ser aquela que vai “corromper” as pessoas e infringir as leis da decência comum na cidade. É ela que vai dar uma cor – literalmente e metaforicamente – na vida cinza e preto e branco dos cidadãos de Pleasantville. Tudo começa quando ela leva seu namoradinho (um Paul Walker magricela e pré-Velozes e Furiosos) para a Alameda dos Amantes, lugar aonde os jovens vão para conversar, pegar nas mãos e....só. 

Bom, isso acontecia até a Mary-Sue fazer com que seu namorado sinta emoções e sensações nunca antes conhecidas. Logo, todos os jovens estão experimentando formas de prazer e descobrindo suas potencialidades. Mas a cada quebra na conduta dos moradores, o universo – as pessoas e seu comportamento, a cidade – do seriado começa a ser alterado e colorido.




A inocência, a felicidade, e a vida perfeita livre de qualquer problema dos cidadãos de Pleasantville começam a ser substituídos por violência, repressão, e despertando a ira dos mais conservadores. Logo, os “coloridos” são repreendidos pelos “cinzas” por aderirem à liberdade individual, por suprirem seus desejos sexuais e saírem de suas zonas de conforto.


A Vida em Preto e Branco, filme de Gary Ross, pode ser de doze anos atrás, mas os temas discutidos aqui nunca ficarão “velhos”. E esse filme trata de questões como acesso à cultura, igualdade, censura, liberdade de expressão sempre de uma maneira engraçada, leve e original. 

A direção de arte é magnífica – as cenas que mesclam cenários pretos em branco com objetos coloridos são quase uma obra de arte – e os atores dão um show. Além de Whiterspoon e Maguire, Joan Allen, William H Macy e Jeff Daniels se destacam em seus personagens. Uma agradável película que merece ser vista inúmeras vezes.
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