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16 de novembro de 2015

Garota Sombria Caminha Pela Noite




Em 2009, o filme sueco Deixa Ela Entrar surpreendeu os cinéfilos por lançar um novo e ousado olhar sobre o tema “vampirismo” , este ano, uma obra peculiar chama a atenção por também apresentar uma outra reinvenção do vampiro, personagem icônico do cinema de horror. Garota Sombria Caminha Pela Noite (A Girl Walks Home Alone At Night, 2014), é uma produção iraniana realizada em parceria com os Estados Unidos, mesclando características do cinema noir com o terror, é uma das obras mais estranhas e belíssimas do ano.

Dirigido por Ana Lily Amirpour, Garota Sombria Caminha Pela Noite é considerado o primeiro filme iraniano de vampiro, é todo filmado em um estonteante preto em branco e traz um balé de sombras e contrastes que nos deixam maravilhados, tem toda aquela cara de filme estrangeiro e “artístico”, é dessas obras que já nascem “cults”, destinadas a quem gosta de apreciar um cinema diferenciado.


Na trama, uma garota sombria (interpretada por Sheila Vand) caminha com um xador – aquele traje que cobre quase todo o rosto das mulheres muçulmanas – preto pelas ruas da cidade opaca de Bad City à procura de vítimas para sugar o seu sangue. O filme é todo estranho, mas é uma estranheza fascinante e curiosa, a cidade, por exemplo, é quase um personagem, com suas ruas vazias, uma vala cheia de cadáveres e habitada por pessoas marginalizadas – prostitutas, cafetões, traficantes, parece então ser o cenário ideal para hospedar uma vampira, de bom gosto musical e que segue uma conduta própria. Quando a garota conhece Arash (Arash Marandi), um jovem traficante - em uma sequência de encher os olhos, tamanha a beleza - um novo sentido é dado à sua vida, até então, solitária e limitada a encontros furtivos e violentos com gente problemática. 


Garota Sombria Caminha Pela Noite é mais um filme de valor estético e menos de conteúdo, há possibilidades para muitas leituras, é verdade, mas a sua história é bem simples, o desenrolar da história segue numa linha plana que incomoda e pode inquietar o espectador mais exigente, no entanto, as cenas de suspense e da garota caminhando pela noite são de arrepiar, e a fotografia preto e branco potencializa ainda mais essa sensação desconfortável.

A produção iraniana pode ser dedicada a um público muito específico, alguns desavisados podem não gostar do filme, mas Garota Sombria Caminha Pela Noite tem a seu favor o fato de ser uma obra original, o visual impecável, a reinvenção de uma das criaturas mais famosas do cinema de horror e o principal, uma estranheza que fascina e aquele senso de “novidade” que não vemos no cinema mainstream.  Assista AQUI o trailer.

NOTA: 8,0

19 de março de 2014

Um Drink no Inferno



Onde você estava no ano de 1996? Muitos de vocês, leitores, nem tinham nascido, né verdade? Neste ano estreava o sangrento Um Drink no Inferno (From Dusk till Dawn), filme protagonizado por Quentin Tarantino e George Clooney, mas que aqui no Brasil não fez muito barulho, o que dificilmente não aconteceria se fosse hoje, mas era uma época diferente e muita coisa mudou desde então, inclusive as carreiras do cineasta e do ator.

Tarantino, em 1996, ainda era considerado um cineasta “alternativo demais” para Hollywood, escreveu o roteiro de Um Drink no Inferno numa época em que estava colhendo os frutos de um de seus primeiros sucessos, Pulp Fiction. Já George Clooney era o galã da série E.R. – Plantão Médico, estava longe ainda de se tornar um ator/diretor de primeira linha do cinema. O mesmo digo de Tarantino, atualmente um dos caras mais influentes e requisitados da indústria cinematográfica, e olha, quem diria, seus filmes são sinônimos de boa bilheteria e indicações ao Oscar.

Tarantino e Clooney: dupla perigosa

Ao longo do tempo o filme foi ganhando fãs e se tornou um cult, um clássico que será revisitado a partir deste mês numa adaptação para a TV.  Um Drink no Inferno, a série, estreia no canal El Rey nos EUA no início do mês, no Netflix chega no dia 19 março. O “gancho” perfeito para eu falar um pouco sobre esta pérola do cinema, que mesmo 18 anos após seu lançamento continua divertido e surpreendente.

Robert Rodriguez, diretor de Sin City, Machete e Planeta Terror, comanda  Um Drink no Inferno. Tarantino (se aventurando na frente das câmeras) e Clooney interpretam os irmãos Richie e Seth Gecko, dois criminosos fugitivos que espalham sangue e violência por todos os lugares que passam. No caminho, eles sequestram uma família e partem para o México, onde os irmãos receberão uma quantia alta de dinheiro de um mafioso chamado Carlos. Mal sabe eles que o bar marcado para o encontro é um “inferno”, e a partir daqui, o filme toma uma reviravolta inesperada e surpreendente. Bem, considerando que você não sabe nada, nada mesmo, sobre a história do cult movie.

Salma Hayek sendo estonteante

É um filme atípico, com duas partes distintas. O início soa mais como um road movie violento e  “sério”, no estilo Tarantino, já a segunda parte, é um trash nojento típico de Rodriguez  e que convenhamos, ele sabe fazer muito bem.

As muitas qualidades do longa, além do roteiro, é ver George Clooney interpretando um  cara violento, sem sorrisos largos. Sua relação com o irmão, os diálogos irônicos, dão o tom cômico na película. Importante notar também a desconstrução do personagem de Clooney ao longo do filme, que passa de vilão a mocinho no final, mas sem deixar em nenhum momento de ser um tipo fácil de gostar.

A produção também foi um divisor de águas para Salma Hayek, sua aparição breve mas muito sensual, lançou a atriz latina aos holofotes de Hollywood. Para quem admira o trabalho de Tarantino hoje e do astro de Onze Homens e um Segredo, Um Drink no Inferno continua sendo uma obra imperdível, divertido, violento, despudorado, para curtir sem grandes expectativas e não levar muito a sério.


NOTA: 8,5

25 de novembro de 2012

Amanhecer Violento (1984)




WOLVERINES! Estudantes vão à guerra lutar contra soldados soviéticos e cubanos em solo americano no cult Amanhecer Violento (Red Dawn, 1984). Charlie Sheen e Patrick Swayze – bem jovenzinhos – lideram o grupo de colegiais que adotam o nome de Wolverines, se munem de armas  e causam mais estragos que seus inimigos militares.

John Milius é quem comanda a fita de ação, ele também dirigiu Conan, O Bárbaro e recentemente roteirizou Roma, uma série épica e ousada da HBO. Milius não quer saber de conversa e de apresentar os personagens antes que a ação aconteça, e logo nos primeiros minutos de filme já tem correria, explosões, tiroteios e tudo mais.

Astros dos anos 80 reunidos: Swayze, C. Thomas Howell e Sheen.

Amanhecer Violento é um filme de ação quase ininterrupta, a cena inicial no qual os alunos têm sua aula interrompida por pára-quedistas soviéticos que caem do céu e já saem atirando em todo mundo,  é emblemática e forte, imagina a repercussão que a produção teve naquela época em que o comunismo era o maior medo dos EUA e do mundo.

O desenvolvimento e os dramas vividos pelos personagens são explorados nos intervalos entre as empolgantes e explosivas cenas de combate, uma boa sacada do diretor, atribuindo à produção agilidade e dinamismo, sem nunca cansar o espectador. A maior falha do roteiro deste clássico oitentista é a forma rápida e absurdamente fácil com que os estudantes manuseiam as armas e realizam estratégias de guerra bem superiores que os próprios soldados soviéticos. Bom, ignorando isto, Amanhecer Violento é um competente filme de ação com um pano de fundo político,  e ainda conta com toda aquela vibe dos anos 80 e um elenco muito conhecido nos dias de hoje.

Inimigos comunistas em momento de extermínio

Patrick Swayze  - forçando o choro – é o líder do grupo junto com seu irmão, vivido Por Charlie Sheen, ambos contracenam com Lea Thompson (que faria a trilogia De Volta para o Futuro no ano seguinte) e Jennifer Grey, sim, aquela que anos mais tarde dançaria The Time of My Life com o Patrick em Dirty Dancing, e que ao lado de Sheen, faria uma das cenas – aquela na delegacia - mais cômicas do cinema no clássico Curtindo a Vida Adoidado.


Remake chega aos cinemas atrasado, mas com astros em ascensão

Filmado há dois anos e após passar por problemas de ordem financeira, a nova versão de Amanhecer Violento chega finalmente este mês nos cinemas americanos. O inimigo agora são os norte-coreanos, e os jovens guerreiros da vez são o astro de Thor, Chris Hemsworth e Josh Hutcherson, do bonzinho Jogos Vorazes.  Este é o momento ideal para lançar o remake, sendo que seus protagonistas estão em evidência por conta de seus últimos trabalhos.  Veja aqui o trailer cheio de tensão do remake, a prévia do original você confere aqui!

1 de março de 2012

DRIVE



Sabemos que o ator é realmente bom na arte da interpretação quando seu personagem consegue expressar seus sentimentos e comunicar algo, sem precisar utilizar nenhuma ou pouquíssimas palavras. Se é assim, Ryan Gosling é um ator diferenciado, e une-se a Brad Pitt e ao ganhador do Oscar 2012, Jean Dujardin. Em O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford, Pitt diz muito apenas com o seu olhar melancólico. Já o francês, sua expressividade em O Artista lhe valeu uma estatueta. Talvez pelo filme ser mudo e exigir bem mais de suas expressões faciais, ele não deveria estar aqui, seria injusto com seus colegas não? Mas o tema aqui não é este, e  sim o elogiado Drive.

Como dito, Ryan Gosling é um ator ímpar, mesmo com poucos diálogos, ele atribui uma dimensão tremenda ao seu personagem -  sem nome -  em Drive, produção  aguardadíssima que estreia – definitivamente -  esta semana no Brasil. Drive é dirigido pelo dinamarquês Nicolas Winding Refn, o mesmo diretor do surreal Bronson, aquele filme com o Tom Hardy que comentei aqui num post mês passado. Nicolas ganhou o prêmio de Melhor Diretor em Cannes por este thriller.




Gosling é o “driver” (motorista em português).  Seu personagem é um dublê de filmes de ação, trabalha como mecânico e ainda atua como motorista de fuga de roubos quando é solicitado. E ele tem as suas próprias regras: “Não me envolvo no serviço, me fala a hora e o lugar e eu estarei lá. E me responsabilizo apenas em levá-lo a um lugar seguro. Eu dou apenas 5 minutos para o serviço”.



Porém, o controle que ele detinha sobre sua vida solitária e seus serviços é perdido no momento em que decide ajudar o marido de sua vizinha, interpretada por uma angelical Carey Mulligan (Educação). A partir desse momento, tudo é muito imprevisível, violento e intenso. O diretor fez jus ao prêmio recebido em Cannes, pois nas mãos de outro, o filme seguiria num ritmo frenético com cenas de ação pitorescas, aqueles momentos clichês típicos dos blockbusters hollywoodianos. Não é o que acontece. Drive está mais para uma obra de Tarantino, claro, com bem menos diálogos, mas igualmente visceral.




O “motorista” é um personagem complexo, um cavaleiro solitário, um anti-herói,  sempre com um palitinho no canto da boca e a sua inseparável jaqueta prateada, que é maravilhosa. Tais  características já o torna um dos personagens mais icônicos do cinema. Aliás, pela vestimenta, percebe-se o quão “enrascado” está o protagonista, pois a  jaqueta  vai ficando mais suja cada vez  que os problemas se intensificam.

Além de Gosling e Mulligan, o elenco secundário é bem respeitoso e com rostinhos bem conhecidos da telinha, como o Bryan Cranston (o protagonista de Breaking Bad), Christina Hendricks (a ruiva voluptuosa de Mad Men) e Ron Perlman (o Hellboy).


Coadjuvantes de luxo: Mulligan, Cranston e Hendricks.

Drive é  cult, original, contundente,  uma obra obrigatória para quem quer fugir do  “cinema lugar-comum” que infesta os multiplexs. Gosling, mais uma vez, está soberbo, ele assusta e cativa ao mesmo tempo.  Suas cenas quando está atrás do volante são tão tensas e admiráveis quanto aquelas em que não diz uma palavra sequer. Os enquadramentos em primeiro plano e os closes quase estáticos em seu rosto e no de Mulligan expressam mais que mil palavras. 

Ah, e a trilha sonora? Fantástica e de grande importância na trama. A  trilha de Cliff Martinez é composta por hits eletrônicos da melhor qualidade e com  melodias  grudentas e suaves, como a faixa Under Your Spell, do Desire, que você escuta aí no vídeo.


Outra coisa. Se você ficou fascinado pela jaqueta prateada. Uma boa notícia.  Ela pode ser adquirida no site da Steady Clothing, clique aqui e seja um driver de verdade.


30 de maio de 2010

LOST: Ame ou Odeie

O seriado que quebrou os paradigmas da TV causa frustrações generalizadas com o seu fim. Mas e dai? Outro programa semelhante dificilmente surgirá.



"Nem tudo será respondido", essa foi uma afirmação declarada pelos produtores de Lost, Damon Lindelof e Carlton Cuse para tentar diminuir as expectativas de muitos lostmaníacos por aí, principalmente aqueles que estavam enlouquecendo - e enlouqueceram durante os seis anos da série - criando e inventando as teorias mais inusitadas para o seriado. LOST NÃO É NOVELA DAS OITO. É óbvio que uma série como esta, no qual desde o primeiro ano estava nos deixando confusos, era de se esperar que o seu desfecho não seria dado mastigadinho para o público. Ah, quanta inocência! Mas a outra ideia dos produtores com certeza vai ser acatada por milhões de pessoas ao redor do mundo, a de que Lost será algo para ficarmos discutindo por muito e muitos anos. Ah, isso já está acontecendo.


Toda essa discussão pós-Lost somente é mais um dos muitos elementos implantados pela série, que somado à forma inteligente de contar as inúmeras histórias e à sua "vida fora da TV", fazem deste programa um "divisor de águas" na história da televisão mundial. Além, é claro, de ser o seriado mais cultuado, imitado, parodiado e comentado da TV. E assim será por muitos anos pela frente. Alguém duvida? Muitos o amam, outros o odeiam, mas o que importa é que falem do programa, não é?




Esse trio deixará saudades.

Quando penso nos milhões de fãs que "torraram" seus neurônios ao longo das seis temporadas para tentar decifrar os enigmas da ilha e que por isso estavam com altíssimas expectativas para confirmarem suas teorias, imagino o quão frustrante foi para eles. Mas como já disse, eles foram avisados pelos produtores, logo não sei porque o ódio mortal pelo seriado agora. Dai eu lhes pergunto: E a jornada não valeu a pena? É necessário mesmo odiar o programa pelo seu final, "bonitinho", simplório e sem (muitas) perguntas respondidas?

Pessoalmente, acho que essa foi uma ótima estratégia dos produtores - como se precisasse - para atribuir uma vida mais longa à serie, não na TV, mas nos inúmeros blogs e fóruns da internet, nas discussões no seu grupo de amigos, no trabalho, nos outros programas televisivos. Enfim, em todos esses lugares falarão da série e ainda se discutirão as muitas teorias acerca do final. É o típico caso em que "cada um" interpreta o fim à sua maneira. Assim ocorrerão com as perguntas não respondidas.

Alguns já devem tê-las descobertas, outros vão querer rever todas as temporadas com olhos minuciosos para tentar descobrir algo "novo". Conseguirão? Lógico que sim. Já foi divulgado o lançamento do super Box da ultima temporada de Lost lá nos EUA: 24 de agosto de 2010. Segundo Damon e Carlton, o DVD terá 20 minutos de materiais extras com explicações sobre algumas questões sobre o seriado. Sei, acreditam?



OMG, vamos guardando dinheiro...


A jornada de Kate, Jack, Sawyer - e sua mania hilária de apelidar seus amigos, Sun, Jin, Claire, Hurley, Ana Lucia, Penny, Locke, Desmond, Charles, Sayid, Ben , Juliet, Richard, Jacob e de tantos outros é o mais importante de Lost. Acompanhar esses personagens - que já fazem parte da cultura popular - e seus respectivos dramas - no passado, no presente e no futuro - é o que importa definitivamente. Esses personagens tão diferentes, enigmáticos, apaixonantes, carismáticos e além de tudo, humanos, sempre foram o atrativo principal do programa. Se as meninas deliravam por Jack e Sawyer, os homens babavam pela Kate e a Juliet. Se os meninos se empolgavam com as cenas de luta e de ação, as garotas suspiravam pelo triângulo  Jack/Kate/James, ou pelo invejável romance de Desmond e Penny. E quem não ria das tiradas sarcásticas de Sawyer? E os mistérios da ilha? Pois é, vou sentir saudades de tudo isso.

Ben, um dos personagens mais marcantes da TV.

O último episódio foi emocionante sim, não apenas pelas emotivas cenas do capítulo final, mas porque é uma "despedida" das dezenas de personagens que a cada semana marcaram presença na nossas casas, e que através de uma caixinha preta implantada na sala ou nos nossos quartos, nos proporcionaram raros e tensos momentos, alguns surpreendentes e ainda inesquecíveis, outros confusos, outros descontraídos, e muitos momentos comoventes. Lost nos deixou mal acostumado. É por tudo isso, pela jornada em todos esses anos que sentirei saudades. Mas esse sentimento não será maior porque a série ainda não acabou. E nem vai acabar. Claro, como obrigação de fã, comprarei todas as temporadas em DVD e relembrarei esses momentos quando eu quiser. E também porque Lost vai ficar na boca do povo por muito tempo, e sem exageros, eternamente. Namastê! Outro fenômeno igual a este show, dificilmente surgirá.

Locke, o homem da fé, outro personagem fantástico.



O final irritou até Hitler. Não acredita? Veja AQUI esse vídeo hilário!

9 de maio de 2010

O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus

Um filme de Heath Ledger e amigos
O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus está sendo chamado constantemente pela mídia de "o último filme de Heath Ledger", mas é bem mais que isso. É também o mais recente, inusitado e o mais fantasioso filme de Terry Gilliam. Obras complexas como o cult Brazil - alguém viu? Recomendo. - e Os Doze Macacos  - aquele com Brad Pitt e Bruce Willis - fazem parte da filmografia desse diretor que não costuma fazer longas muito "fáceis" para o grande público. 

Talvez Os Irmãos Grimm seja o mais comercial de seus trabalhos, aquele de mais fácil compreensão, e o mais fácil de gostar. Mas Gilliam não está preocupado em agradar, e graças a isso seus filmes são sempre inovadores, fantásticos, ímpares, loucos. Apenas recomendo ás pessoas que desconhecem o trabalho do diretor e que queiram assistir à Dr. Parnassus - ou qualquer outro filme - para relaxar a mente, "comprar" a ideia, sonhar, e entrar sem medo - assim como faz alguns personagens no longa - no mundo imaginário do Dr. Parnassus (Christopher Plummer). Um mundo colorido e bizarro repleto de águas vivas coloridas e flutuantes, balões voadores em forma de rostos humanos, sapatos de salto alto gigantes, escadas sem fim rumo ao céu e muitos outros elementos peculiares que só deveriam sair da mente de Gilliam.


Uma arte conceitual do filme. Uauu!


É inevitável falar desse filme sem citar o azar que teve o diretor durante as filmagens do filme. Ou seja, a perda do seu astro principal, Heath Ledger. O ator estava em uma pausa das filmagens quando morreu de uma overdose acidental de remédios, em janeiro de 2008. Na verdade, Gilliam tem um histórico enorme de fatos azarentos que sempre lhe acompanham em seus projetos, mas que eu não acho relevantes mencioná-los no momento. Por causa da tal tragédia a produção foi paralisada. Mas a genialidade do diretor juntamente com a disposição de alguns amigos dele e de Ledger, o filme foi salvo. E aí entra os atores Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell, substituindo o amigo. Mas essa mudança de atores prejudica o filme? Em nenhum momento.


Los amigos!


A trama nos apresenta a uma trupe de teatro ambulante sem sucesso em atrair público e sem dinheiro comandada por Parnassus e completada por Valentina (Lily Cole), Anton (Andrew Garfield) e o anão Percy (Vernie Troyer). As coisas mudam quando entra em cena o personagem Tony (Ledger) que com seu charme e muita lábia começa a atrair as pessoas e logo elas são convidadas a entrar no espelho. Do outro lado do espelho está um mundo fantástico no qual a imaginação da própria pessoa que entrou se torna realidade. 

É justamente no "outro lado do espelho", onde você pode sentir, ter e ser quem quiser, que entra em cena os amigos de Ledger. Tony a cada vez que entra no espelho mágico mostra uma faceta diferente - e coerente claro, com a trama. Depp é o Tony romântico, Law é o sonhador, e Farrell dá vida ao Tony ambicioso. Voltando ao enredo, Dr. Parnassus tem uma dívida com o diabo, e se ele não conseguir 5 almas em dois dias, ele levará sua filha Valentina. Para garantir surpresas, não comentarei nada mais.


O último "Ledger" na telona!


É o trabalho, visualmente falando, mais delirante do diretor. Os cenários bonitos e coloridos faz um contraste com a feia e suja realidade da cidade de Londres, a fotografia em um tom meio "sujo" é um dos muitos atributos desse filme, que ainda arruma espaço para fazer uma crítica à sociedade do consumo e aos seres humanos que por viverem sempre com tanta pressa, não têm tempo para sonhar.


O Mundo Imaginário  do Dr. Parnassus (2009) é um dos melhores filmes de Gilliam, louco - no bom sentido - e genial, assim como o próprio diretor. Mas infelizmente, é também o último longa de Ledger, mas é um ótimo filme para encerrar uma carreira na telona e mais um personagem memorável a adicionar em sua curta filmografia.

14 de fevereiro de 2009

O cult Donnie Darko



Depois de ter seu quarto destruído por uma turbina de avião, é isso mesmo, o adolescente Donnie Darko, que tambem é o nome do filme, começa a ter visões de um coelho monstruoso que o incita a fazer atos destrutivos, potencializando sua personalidade anti-social e excêntrica.

Para piorar, o coelho fala pra ele que o mundo vai acabar em poucos dias. Junte isso a uma professora conservadora que acha que tudo se resume em amor e medo, um guru fundamentalista, teorias de viagens no tempo, uma trilha sonora deliciosa dos anos 80 e mais um monte de fatos e personagens que se eu contasse, perderia toda a graça.


Jake Gyllenhaal está perfeito como o garoto problemático, aliás ele é um dos poucos atores jovens - senão o único - que teve seu trabalho reconhecido não por estrear comédias bobas adolescentes, mas por intensas atuações em filmes menores, a maioria deles sendo dramas, bons dramas. A partir desse cult, ele foi chamado para produções maiores, como o apocalíptico O Dia depois de Amanhã, que o tornou enfim um astro hollywoodiano e ainda recebeu elogios da crítica especializada e uma indicação ao Oscar pelo intimista e polêmico O Segredo de Brokeback Montain.


Donnie Darko é para ver, rever e rever de novo, pois o final deixa certas perguntas no ar, isso é o melhor do thriller, cada vez que você assiste terá uma teoria diferente e uma nova leitura para analisar.

O seu final emocionante é embalado pela música Mad World, de Tears for Fears, mas na voz de Michael Andrews, que fez a música parecer melhor que a original. Uma experiência bizarra, marcante, interessante e diferente.

Ah, e você vai olhar um coelho de um modo totalmente diferente após ver este filme!
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