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10 de setembro de 2014

The Leftovers: Minhas impressões sobre a primeira temporada






Chegou ao fim no último domingo a primeira temporada de The Leftovers (2014). A série é criada por Damon Lindelof, de Lost, e Tom Perrotta, e baseado no livro Os Deixados Para Trás, de Perrotta. 

Analisando os 10 episódios, cheguei a conclusão que, The Leftovers é uma série difícil e subjetiva, nem tudo está à mostra, nem tudo é explicado, mas apresentou uma primeira temporada bem satisfatória e um final digno. Em um resumo genérico, a série da HBO tem a seguinte particularidade, analisar o comportamento humano diante de tragédias inexplicáveis. 


Para quem não está familiarizado com a série, ela narra a vida de moradores de uma cidade do interior dos EUA e como eles reagem ao acontecimento misterioso do fatídico dia 14 de outubro, no qual 2% da população do mundo desapareceu, assim, de repente, sem deixar rastros. Para quem lê a Bíblia, a este fato tem-se o nome de Arrebatamento,  no qual prega que Jesus virá buscar aqueles que lhe pertencem, enquanto outros continuarão na Terra, período denominado de Grande Tribulação (!!!).

As fumantes do  grupo dos Culpados Remanescentes


A maneira como cada um se comporta diante desse acontecimento mesmo três anos após à Partida dos entes queridos, é o que move The Leftovers. Alguns ainda estão em depressão, outros acham que aqueles que foram “deixados para trás” são pecadores, e os que partiram, “foram salvos”, uns começam a seguir líderes religiosos, uns não sentem nada, e tem aqueles que entram para um culto no qual se vestem de branco, fumam sem parar, fazem voto de silêncio e invadem as casas alheias para roubar fotos e pertences daqueles que sumiram.


O que mais intriga na série é este grupo de apoio chamado de Culpados Remanescentes. Os integrantes possuem uma abordagem ousada e irritante de conseguir adeptos, ficam perseguindo os outros em qualquer lugar, encaram suas “vítimas” de forma amedrontadora, com olhar de indiferença, cigarro na mão, exalando fumaça da boca. E o propósito da “seita” ainda é mais ridículo, querem evitar que as pessoas esqueçam o que aconteceu e utilizam meios brutais para isso. Essa questão fica clara no último episódio da temporada, norteado por momentos decisivos e impactantes. 

 Kevin Garvey (Justin Theroux): louco ou salvador?


Mas então eu fico pensando, eu tenho o direito de esquecer o dia fatídico e a dor que ele me proporciona, se aquilo está me causando mal, eu posso perfeitamente superar e seguir em frente. No entanto, os Culpados Remanescentes têm essa missão "equivocada" de sempre relembrar o “sumiço” e os “desaparecidos”. Enfim, é por provocar esta e outras questões que The Leftovers é muito única e destinada para gente grande, que gosta de apreciar uma história original e com profundidade narrativa.


A primeira temporada não foi perfeita, tem alguns aspectos negativos como a narrativa lenta em alguns episódios, personagens que têm atitudes extremas sem sentido e subtramas que ao longo da temporada, perderam a força e ficaram desinteressantes, como a história do guru que acha que tem poderes e engravidou várias mulheres com um propósito que ainda desconheço. Os pontos marcantes de The Leftovers ficam por conta daquelas cenas macabras e esquisitas que não tem explicação alguma, por enquanto, como a matança de cachorros pelo delegado Kevin e seu “amigo” (imaginário?), a personagem de Liv Tyler tentando cortar uma árvore para provar, não sei o que, para a “seita” ou para ela mesma. 

 Integrantes da seita sendo hostilizados

 Quanto aos pontos positivos, além da história em si, ficam por conta da trilha sonora arrepiante - a inesquecível  versão instrumental de Nothing Else Matters do Metallica no último episódio - e dos personagens bem caracterizados. Aí se destaca o protagonista Kevin (Justin Theroux, competente), vivendo um conturbado e complexo ser humano, que em meio às loucuras que faz e vê, tenta ter uma relação normal com sua filha (chata), após a mulher ter abandonado ele para viver no “culto”. E também a personagem de Nora (Carrie Coon), uma mulher depressiva que perdeu no “dia do arrebatamento” os dois filhos e o marido de uma só vez. Aliás, é dela, algumas cenas mais emocionantes e angustiantes da série.


Com mais altos, que baixos, a primeira temporada foi muito boa, instigante, provocante. Do início lento até os últimos três e ótimos episódios, muito intensos e reveladores por sinal, The Leftovers me conquistou, finalizou algumas tramas e definiu um novo rumo para os personagens de forma aceitável no último capítulo, vislumbrando então, uma segunda temporada mais sólida e centrada mais nas dúvidas que não foram respondidas até então. 

NOTA: 8,0

26 de janeiro de 2013

J. J. Abrams - Todos querem um pedaço do gênio!




Jeffrey Jacob Abrams é o homem de ouro de Hollywood da atualidade, e isto ninguém pode contestar. Todo mundo quer uma fatia da sua mente brilhante. De quem estamos falando mesmo? Ah, é o J. J. Abrams, roteirista, produtor e diretor, que recentemente divulgou que vai assumir a nova versão de Star Wars. Com a sequência de Star Trek estreando este ano, a gente ainda vai ouvir falar muito desse cara – como se isso já não acontecesse, a cada dia leio uma notícia de uma nova série que vai produzir.

Abrams é um dos homens mais requisitados da indústria do cinema, e agora um dos mais poderosos, pois será responsável por duas das maiores sagas do cinema: Star Trek e Star Wars.

Seus filmes são garantia de público e de boas críticas,  ele é um incansável nerd que vem colecionando hits tanto na TV quanto no cinema. Sou um fã confesso do diretor desde a polêmica Lost, é o cara do suspense, do mistério, da ficção científica, suas obras são envolventes, fantasiosas, repleto de efeitos especiais, mas ele sempre faz questão de humanizar seus personagens. Se eu tinha revirado o olho com a notícia do remake de Star Wars, com Abrams no comando, minhas esperanças foram recuperadas, In Abrams I Trust. Confira abaixo, os seus melhores trabalhos como produtor e diretor.


Lost (2004 – 2010) – Esta é a série que é massacrada até hoje em razão de seu final um tanto comum demais para os espectadores que esperavam algo mirabolante em seu desfecho, talvez porque já estavam (mal) acostumados com as inúmeras surpresas que a série nos proporcionou em suas seis temporadas. Deixando isso de lado, Lost é uma das melhores e mais criativas séries da televisão, inovadora em sua narrativa, seu mundo ficcional não se limitou à TV e foi parar na web, em HQs, e em outras mídias, transformando-a em um fenômeno estrondoso, e levou o nome de Abrams aos ouvidos dos figurões de Hollywood. Sua vida nunca mais foi a mesma. Além de produtor da série, J. J. dirigiu os dois (ótimos) primeiros episódios da série.



Alias (2001 – 2006) – Antes de Lost, Abrams já havia criado uma das séries de espionagem mais bacanas da TV, Alias Codinome: Perigo, estrelada por Jennifer Garner, e que contou também com a  participação de um (ainda) desconhecido Bradley Cooper. Jennifer vive Sidney Bristow, uma jovem agente secreta da CIA mas que tem que atuar como uma agente dupla, complicando ainda mais a sua vida pessoal e as suas missões espetaculares e eletrizantes. Com uma trama complexa e muitas reviravoltas, Alias continua sendo um bom programa para quem curte o gênero. Abrams atuou na série como produtor, além de roteirizar alguns episódios.



Fringe (2008 – 2013) – Fringe foi a primeira série cuja campanha de marketing antes de sua estreia usou o nome de J. J. Abrams – “do mesmo produtor de Lost” - como chamariz nos comerciais e nos trailers do programa, aumentando as expectativas do público para a nova atração scifi.  Fringe estreou com uma recepção morna da crítica, embora tenha obtido sucesso em termos de audiência. Ao longo das temporadas, o quadro se inverteu, o público abandonou o seriado enquanto a crítica aclamava-o cada vez mais. Resumindo, Fringe, cujo final foi exibido este mês nos EUA, ganhou status de cult e terminou como sendo uma das séries de ficção científica mais originais e surpreendentes já produzidas. A série já deixa saudades.



Star Trek (2009) – Se o nerd conseguiu reinventar essa franquia de forma bem sucedida, apresentou a nave Enterprise e seus tripulantes para um novo público e conquistou novos trekkers, por que não considerá-lo para re(filmar) uma outra grande franquia do cinema criada por George Lucas? Star Trek foi uma grande surpresa para mim naquele ano, claro que eu confiava no talento do diretor, mas o único filme da saga que tinha visto, eu tinha odiado, então, eu fiquei um pouco sem expectativas em relação à ele. Resultado: tornei-me um trekker de carteirinha, e aguardo ansiosamente pela sua sequência, Além da Escuridão, que estreia em junho. Após dirigir Missão Impossível III e com esta produção no currículo, J.J. se consagrou como um dos melhores e mais competentes diretores de filmes de ação e aventura.



Cloverfield – Monstro (2008) – Com uma excelente campanha de marketing, que deixava todo mundo afoito morrendo de curiosidade para ver o filme,  a fita de monstro no estilo “câmera na mão” foi mais uma prova de que o nome J. J. Abrams, que assinava a produção, significava grande sucesso comercial.  Com um orçamento baixo, Cloverfield se tornou um sucesso de bilheteria. Abrams reinventou mais uma vez, realizou uma ficção científica com elementos do subgênero “pseudo-documental” e agradou a todos. Caótico e realista, Cloverfield deve ganhar uma sequência em breve.



Super 8 (2011) – Esta deliciosa aventura infanto-juvenil no estilo anos 80, foi escrita e dirigida por J. J., é uma homenagem descarada a um dos seus maiores ídolos, Steven Spielberg e à sétima arte. Produzida por Spielberg, Super 8 mistura humor, aventura e cenas de ação de tirar o fôlego de forma equilibrada, sem nunca deixar de lado os personagens e seus dramas pessoais, este é o estilo de Abrams, é sua marca registrada, assim como  Star Trek, Super 8 é um filme divertido, indicado para todos os públicos, inteligente e envolvente, é justamente isto que se deve esperar de Star Wars VII.


Nosso gênio homenageado não para. Vai produzir a série Believe, em parceria com o diretor Alfonso Cuáron, e outra sobre uns robôs policiais, que terá como produtor principal,  J. H. Wyman, de Fringe. O cara não é foda?

25 de setembro de 2012

A temática gay no cinema e na TV



Com a estreia da série The New Normal, mais um fruto do insaciável Ryan Murphy, criador de Glee e American Horror Story, cuja trama  gira em torno de um casal de gays que desejam ter um filho por meio de uma barriga de aluguel, selecionei alguns filmes e seriados que tratam sobre a questão da orientação sexual de maneiras distintas, alguns de formas escancaradas e realistas, outros de um modo singelo e sem pieguices.






C.R.A.Z.Y. - Loucos de Amor (2005) – Este poético e agradável filme canadense narra a vida de Zac, desde seu nascimento, em pleno dia de natal, nos anos 60, até os anos 80, quando chega à vida adulta e quando assume sua verdadeira sexualidade. O filme enfoca muito nos conflitos familiares, Zac é um dos cinco filhos, e o seu relacionamento com os outros quatro irmãos não é tão aprazível, no entanto, a estranha e às vezes cômica, relação dele com o pai, é o fio condutor da trama de Loucos de Amor. Ao som de clássicos de Pink Floyd, David Bowie e The Doors - a trilha sonora é um elemento fundamental no filme - acompanhamos Zac em sua jornada numa vida permeada de dúvidas e desejos reprimidos. Assista uma das minhas cenas preferidas AQUI.


Weekend (2011) – Longa britânico e premiado em vários festivais ano passado, Weekend é um drama intimista e bem realista sobre dois caras, Russell, tímido e solitário, e Glen, o extrovertido, que se conhecem numa balada. Os dois vivem uma semana intensa, cheia de descobertas e muitos momentos de DR´s (discussão de relação).  Entre sexo, conversas banais e algumas confidências, a relação dos protagonistas vai se desenvolvendo e ficando mais forte, assim como vai ficando mais evidente as diferenças que há entre eles. Veja o trailer legendado.


Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right, 2010) – Julianne Moore e Annette Bening são duas mulheres bem-sucedidas e são um casal, e tem dois filhos concebidos por inseminação artificial por um doador desconhecido. A vida desta família tão moderna, muda quando entra em cena o tal “doador”, pai dos adolescentes, vivido por Mark Ruffalo. O filme inova por mostrar um casal de lésbicas como protagonistas, e surpreende ao contar essa história de uma forma descontraída, sem nunca se resvalar para o melodrama. Um elenco incrível, e um novo olhar sobre as novas relações familiares que estão surgindo neste novo século. Trailer aqui!


Será Que ele é? (In and Out, 1997) – Muito auê na época de lançamento deste filme, tudo pela cena do beijo entre Kevin Kline e Tom Selleck.  Acredito que foi um dos primeiros filmes sobre a temática gay indicado ao Oscar. Há muita sensibilidade na trama sobre a vida de um professor, vivido por Kline - ótima atuação, por sinal -, que tem sua sexualidade questionada pela cidade dias antes de seu casamento. Momento hilário:  a cena em que o protagonista faz um teste para tirar suas dúvidas sobre sua sexualidade. Faça o teste também! A questão aqui é tratada com leveza, recomendado para todos os públicos.



Deuses e Monstros (Gods and Monsters, 1998) – Ian McKellen (Saga X-Men) e Brendan Fraser (A Múmia) protagonizam este drama de Oscar, adulto, e baseado na vida do diretor James Whale, que ficou famoso por filmes de terror, como Frankenstein. Ao olhar na janela, James começa a se interessar pelo seu jardineiro e ex-fuzileiro Clayton (Fraser), talvez atraído pelos atributos físicos do rapaz. Com uma vida sem muito propósito, e sem o refinamento do diretor, Clayton fica amigo de James, mesmo o jovem não lidando muito bem com a homossexualidade. A relação dos dois vai se intensificando até ser rompida de forma perturbadora, culminando em um desfecho trágico. Destaque para a cena da entrevista/strip tease. Confira uma crítica em vídeo do longa.


De Repente, Califórnia (Shelter, 2007) -  Com um clima bem The O.C.,  praia, sol, surf music, gente jovem e bonita, Shelter é um “achado”,  tem uma história simples, e conta com protagonistas carismáticos, que nos faz torcer muito por um final feliz. Zach é um garoto de baixa renda, trabalha como atendente numa lanchonete, é talentoso, gosta de surfar e pintar os muros das ruas, porém, vive com uma irmã baixo astral e sugadora de energia,  que o usa para cuidar de seu filho enquanto vai namorar. A vida de Zach se transforma quando ele conhece o irmão de seu amigo, Shaun, surfista e bem-sucedido na carreira. Sem qualquer cena que possa ser considerada “imprópria”, Shelter é direto, trata de forma leve a questão do preconceito e aborda o amor entre dois homens de uma forma que não constrange ninguém, e ainda emociona. Dá uma espiada no trailer!


O Segredo de Brokeback Mountain (2005) – O longa mais conhecido e bem-sucedido da lista. Um retrato melancólico e humano da relação entre duas pessoas apaixonadas. Bom, nem vou falar muito sobre a trama, todos já sabem. Vale mais a pena destacar a interpretação estupenda de Heath Ledger, como um cowboy raivoso e reprimido, e de Jake Gyllenhaal, que vive o sentimental e o mais passional da relação. Com uma direção irretocável de Ang Lee, uma trilha sonora fantástica de Gustavo Santaolalla, atuações inspiradas de todo o elenco e um final comovente, é definitivamente uma das obras-primas do novo século, e sua influência reflete até hoje no cinema.  Se os filmes sobre a questão da homossexualidade estão saindo da obscuridade e ganhando as salas de cinema e conquistando festivais, é porque Brokeback teve bastante participação nesse processo.


FIQUE DE OLHO EM: Keep The Lights On, filme de temática gay queridinho da crítica e sensação do ano nos festivais mundo afora. Veja o trailer.


NA TELINHA


Will & Grace – A série mais popular a ter nos papéis principais, personagens gays. Will e Grace são dois amigos inseparáveis, junto com o atrapalhado Will e Karen, que só de ouvir sua voz fina dá vontade de rir, os quatro se metem nas mais hilárias situações. A sitcom terminou em 2006 e teve oito temporadas. Vários artistas participaram do show, mas o episódio em que Jennifer Lopez atuou, no qual Jack substitui um dos dançarinos da cantora, é impagável. Veja a cena. Compre, alugue, ou baixe, você vai morrer de rir.


Modern Family – Impossível dizer qual o núcleo familiar mais engraçado desta premiada série, mas vamos nos ater ao tema, e priorizar o casal Cameron -  o dramático -  e Mitchell -  o advogado, mais contido e mais responsável que o parceiro. A série enfoca o envolvimento deles na criação de um bebê vietnamita que acabaram de adotar.  As situações  que envolvem o “filho” do casal são certamente as mais engraçadas, como vestir a criança como se fosse uma celebridade, até peruca de Donna Summer a menina já usou. Umas das melhores séries cômicas do momento. Imperdível.


The New Normal – A série estreou este mês, é mais uma cria de Ryan Murphy (Glee), e depois de conferir os dois primeiros episódios, parece que o programa vai engrenar, é divertido, dinâmico e o elenco é carismático. A trama gira em torno do casal Bryan e David, que apesar de serem bem sucedidos na carreira e na relação a dois, sentem que algo está faltando, daí resolvem ter um filho, e contatam uma mulher para que sirva de barriga de aluguel. Uma das boas estreias da TV este ano. Trailer legendado.


14 de julho de 2012

The Newsroom: o jornalismo em pauta





“Não fazemos boa televisão, fazemos o noticiário”. Mackenzie MacHale





A cena que abre a nova série da HBO, The Newsroom, foi o suficiente para eu colocar o programa na minha watchist semanal. Criada por Aaron Sorkin (roteirista de A Rede Social), The Newsroom começa com um debate político, no qual o âncora de um telejornal, Will McAvoy (Jeff Daniels, excelente), se esforça através de muito cinismo e piadinhas para manter-se neutro em questões políticas, até uma estudante perguntar a ele porque o Estados Unidos é o melhor país do mundo. O jornalista tenta se esquivar da pergunta, mas logo deixa sua passividade de lado e dispara dados e argumentos que explicam o porquê o EUA NÃO é o melhor país do mundo, deixando todos de boca aberta. 

Emily e Jeff: sinto cheiro de Globo de Ouro vindo...

The Newsroom é de longe, a melhor série estreante do ano, e olha que já estamos na metade do ano e já tivemos muitas estreias, mas infelizmente nenhuma delas correspondeu às expectativas. O seriado se passa na redação de um telejornal, Will é o âncora furioso e arrogante de quem todos têm medo, sua vida e rotina muda quando sua ex, Mackenzie Machale (Emily Mortimer, de Ilha do Medo) torna-se a sua mais nova produtora. A dupla apresenta uma química irretocável, é uma delicia vê-los numa mesma cena. 

O elenco ainda conta com o blogueiro Neal (Dev Patel, finalmente em algo relevante após o hit Quem Quer ser um milionário?), Maggie (Allison Pill, dos ótimos Querida Wendy e Scott Pilgrim Contra o mundo), assistente de Will, mas cujo nome ele ainda desconhece, e o produtor-assistente de Mackenzie Jim Harper (John Gallager Jr.), também responsável pelas cenas cujos diálogos com sua colega Maggie, devem ser os mais rápidos – e por isso, tão surpreendentes - da televisão.

Maggie, a jovem jornalista leal, e  Neal, o blogueiro.

Acompanhar o ritmo frenético dos diálogos nessa série não é uma tarefa fácil, pode ser mentalmente exaustivo, porque os personagens falam até enquanto andam. Lembra da cena de abertura de A Rede Social, aquela cena em que o protagonista tem uma conversa bem longa com sua namorada numa velocidade espantosa? Pois é, esses diálogos acelerados, afiados e inteligentíssimos, são o maior trunfo da série.

O programa é ambientado no ano de 2010, e o derramamento de petróleo no Golfo do México naquele ano (se lembra?) é a notícia que faz toda a redação trabalhar unida e exaustivamente  para dar a informação em primeira mão. O jornalismo pode ter ficado em segundo plano nos primeiros dois episódios – exceto pelos momentos de tensão que rola em alguns momentos nos bastidores do telejornal -  em virtude dos dramas pessoais, como a relação de amor e ódio entre Will e Mackenzie, e a tensão sexual entre Maggie e Jim, mas isso não é defeito algum. O personagens são todos cativantes, cultos (até demais) e apaixonados pelo que fazem,  Maggie,  por exemplo, acredita no jornalismo honesto, sem ferir pessoas, impossível não se identificar com ela.

Elenco rindo à toa. A audiência da estreia da série foi altíssima.

The Newsroom estreou no mês passado e já foi renovada para sua segunda temporada, é engraçada, inteligente, sagaz, e muito bem produzida, e claro, deve abocanhar muitos troféus nas próximas premiações, principalmente Jeff Daniels e Emily Mortimer, ambos em performances competentíssimas. É uma série que pode não mostrar a redação como ela é realmente, mas para o roteirista Aaron Sorkin, isto é apenas uma forma dele descarregar suas ideologias e suas críticas contra a sociedade e a política americana.

Outra série que aborda os bastidores do jornalismo já foi pauta aqui no blog, a britânica The Hour, ambientada nos anos 50 e muito bem aceita entre a crítica especializada. Leia mais aqui!


17 de fevereiro de 2012

5 séries para você esquecer da folia do carnaval!


O Cinemidade selecionou 5 ótimos seriados para você que não curte ir atrás do trio elétrico, tampouco gosta de cair no samba e odeia as transmissões dos desfiles na Sapucaí.

 Se passar o feriadão estirado no aconchego do sofá é tudo o que pretende fazer, esse post é todo seu, leitor. Selecionei 5 programas que farão você se divertir sem sair de casa. Escolhi séries de estilos bem diferentes, destinadas a faixa etárias distintas, a fim de abranger um público maior e para ninguém se sentir "excluído" hein.  Então, esqueça o tumulto do carnaval e veja as dicas:



1- Awkward – Comédia adolescente desbocada e politicamente incorreta sobre a vida de Jenna Hamilton, uma garota que passa de “a invisível do colégio” para a “louca-suicida” depois de quebrar o braço num acidente no banheiro.  A série da MTV tem todos aqueles estereótipos típicos de comédias teen,  a protagonista “loser”,  o bonitão popular pelo qual ela é apaixonada e a rival implicante, que aqui difere um pouco, ela não é loira e gostosa, é morena e se sente culpada por suas formas arredondadas.  Mas o ritmo ágil de Awkward e as situações bizarras e divertidas em que Jenna e seus amigos sofrem,  livram-na de cair na armadilha dos clichês, e  aos poucos a série vai criando  a  sua própria “cara” e seu jeito deturpado de mostrar a adolescência e todos os momentos e sentimentos típicos desta fase. A trilha sonora descolada com o melhor do rock/pop/indie atual,  e o carisma da personagem principal faz da série um programa pra lá de descontraído.  A série já encerrou a primeira temporada, a segunda deve ter início este ano. Clique aqui e  veja um trailer "falso", mas bem mais completo que o oficial.





 2- Six Feet Under  (A Sete Palmos) – De uma série teen para uma produção adulta, mais sombria e com aquela qualidade HBO.  Exibida de 2001 a 2005, este  premiado seriado de humor negro apresenta uma família proprietária de uma funerária e mostra a rotina no local, como a visita diária de pessoas,  geralmente abaladas após a morte de um ente querido, e que precisam de ajuda para organizar o velório. Ok, a história pode parecer mórbida, mas nem por isso deixa de ser divertida. Michael C. Hall (antes de viver o serial killer Dexter) é um dos protagonistas da série, ele interpreta David, um homossexual reprimido que tem um caso com um policial. Temas como a morte, religião, homossexualismo e drogas são abordados aqui. Para quem curte um programa original, com humor negro e bem incomum, Six Feet Under é uma boa opção. Todas as temporadas já estão disponíveis em DVD. Assista a um vídeo do drama.






3- Fringe – A melhor série de ficção científica da atualidade, isso é a coisa mais fácil de dizer sobre o programa, porque é difícil comentar sobre Fringe quando a cada temporada a série muda de foco e nos apresenta a uma narrativa totalmente diferente da temporada anterior. Criada por J J Abrams, o mesmo de Lost, a série começou um pouco irregular, mas a partir do final da primeira temporada foi ficando cada vez melhor, mais intrigante  e viciante. Em um resumo bem superficial mesmo, a trama principal trata de uma divisão do FBI, a Fringe, que é responsável por casos sobrenaturais e de natureza desconhecidas. A descoberta de uma “realidade alternativa” dá uma reviravolta incrível na história e que surpreende até hoje, em sua quarta temporada. As três primeiras temporadas já saíram em DVD por aqui. Veja o trailer legendado do thriller.






 4- Modern Family – Esta é a série que anda roubando todos os troféus nas últimas premiações de TV,  merecidamente.  Modern Family tem  11 personagens fixos que formam os  3 núcleos familiares. Tem o casal Phil e Claire com seus três filhos adolescentes, o casal gay Mitchell e Cameron com a filhinha vietnamita adotada, e por fim, tem o Jay, o patriarca da família, casado com a exuberante Gloria, uma colombiana bem mais nova que ele e mãe de um menino super adulto chamado Manny. Difícil dizer qual parte da família é a mais engraçada, porém, arrisco a dizer que Phil, o pai dos adolescentes, tem mais momentos memoráveis. A cena em que ele canta e dança uma música do High School Musical na frente dos filhos, só para mostrar que é o “pai antenado”, é impagável. Esta comédia familiar muito moderna é uma delícia de ver. Risadas garantida,  pode apostar que serão os 20 minutos mais rápido e mais engraçado do seu dia. Ótima para esquecer o carnaval e a rotina. Assista a essa hilária cena de mímica.






5- Alias – Que tal um pouco de ação e conspiração? Antes de Lost, J.J. Abrams já tinha criado uma das séries de espionagem mais bacana dos últimos anos, e ainda lançou  Jennifer Garner ao estrelato.  Sidney Bristow, vivida por Jennifer, é uma espiã dupla da CIA, que foi recrutada quando ainda estava na faculdade. Seu maior problema -  e o do espectador também - é saber em quem confiar, essa sensação de insegurança que acomete a personagem é algo recorrente em toda a série. A trama é recheada de cenas de luta e reviravoltas na história (que fica mais complexa a cada temporada), mas a melhor coisa mesmo é ver Sidney em ação, esbanjando sensualidade e fica melhor ainda quando ela se disfarça dos mais variados tipos para conseguir o seu objetivo. Alias foi exibida entre 2001 e 2006, teve cinco temporadas, mas confesso, as 3 primeiras são as melhores. Todas já estão disponíveis em DVD no Brasil. Olha aqui um vídeo com os momentos mais eletrizantes da série.


E aí gente. Estas foram as dicas de seriados para você que deseja passar o carnaval na companhia de personagens bem mais interessantes do que alguns foliões né!? Agora é só preparar a pipoca e apertar o play!

11 de janeiro de 2012

O Sherlock Holmes da TV


Nos dois últimos anos, coincidentemente, o primeiro post do ano relacionado aos seriados tem sido sobre programas britânicos, primeiro falei sobre Skins, no ano seguinte citei Misfits, e agora é a vez de Sherlock, seriado da BBC que traz o detetive Sherlock Holmes e todo seu poder dedutivo para o século 21.


O Sherlock da TV é muito diferente da versão do Guy Ritchie, que é protagonizada pelo Robert Downey Jr. As explosões, o ritmo frenético e as excessivas cenas em slow-motion dão lugar a uma trama bem mais complexa, além do personagem ter um espaço maior dedicado às suas deduções fantásticas durante as investigações, resultando em cenas bem-humoradas e divertidas entre o arrogante detetive e o seu simpático amigo Dr. Watson, que por si só, já valem conferir o programa.

Benedict Cumberbatch dá vida ao enigmático e inteligentíssimo personagem criado há séculos pelo Sir Arthur Conan Doyle, e olha, me atrevo a dizer que seu Sherlock pálido e de olhos esverdeados,  é bem distinto e mais misterioso que a versão hollywoodiana. Você pode não conhecer o ator de nome, mas você pode reconhecê-lo caso assista ao novo filme de Spielberg, Cavalo de Guerra ou o elogiado O Espião que sabia demais, ambos em cartaz nos cinemas.



Já o seu amigo John Watson, é interpretado por Martin Freeman, que se você não se lembra de tê-lo visto em O Guia do mochileiro das galáxias, isto vai mudar rapidinho, pois em breve ele se tornará estrela de grande porte internacional,  por que? Ah,  ele será o protagonista do aguardado O Hobbit: Uma jornada inesperada, dirigido pelo Peter Jackson, com estreia marcada para o fim deste ano -  ah, seu colega de cena Benedict também está no longa, eles são mesmo inseparáveis hein! 



Voltando ao tópico principal, a série britânica Sherlock tem na sua primeira temporada, apenas 3 episódios, mas  são longos episódios de 90 minutos, ou seja, praticamente um longa-metragem. Talvez essa duração seja um aspecto que não favoreça a série, principalmente para quem está acostumado com episódios de 40 a 50 minutos,  e alguns podem sentir-se entediados com a trama. Admito que isso acontece, há momentos cansativos em algum episódio, no qual tudo que desejamos é que o detetive desvende logo tudo e acabe o episódio.

Mas isso nem é um problema, quando se tem outros bons aspectos na série, como o clima de suspense, as cenas tensas, a química existente entre os dois protagonistas, as cenas em que Holmes faz as suas deduções e descreve as pessoas só de olhar "de relance" para elas, e vai falando tão rápido que nem o cara da legenda consegue alcançar, são esplêndidas, e até compensa o ritmo lento.


Sherlock está atualmente em sua segunda temporada, e se você curte os filmes americanos do detetive, vale espiar esse seriado também, são visões diferentes de um personagem ímpar, genial e carismático, e isto se deve a maior parte pelos competentes atores que o interpretam.
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