Páginas

Mostrando postagens com marcador CBS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CBS. Mostrar todas as postagens

18 de julho de 2014

Extant - Uma nova série enigmática






O gênero ficção científica e de suspense são os meus preferidos, razão mais que suficiente para eu começar a ver uma série ou um filme. Extant, novo seriado do canal CBS estrelado por Halle Berry, é o típico caso em que eu não poderia tardar muito em conferir a produção para saciar a curiosidade e satisfazer a minha ansiedade. Com uma trama futurística que mescla scifi e mistério, Extant tem produção executiva de Steven Spielberg, embora ele não contribua na parte criativa, o cara é meu ídolo e vejo tudo em que está envolvido.


As primeiras impressões são baseadas nos dois primeiros episódios da temporada, que terá 13 no total. Logo de cara, percebe-se que Gravidade e o seu sucesso retumbante teve muita influência na concepção do seriado, é impossível não se lembrar do filme de Alfonso Cuáron nas cenas de Halle Berry no espaço. Falando nisso, o visual futurístico e o design da nave espacial são alguns dos pontos fortes da atração televisiva.

Berry recebe visita inesperada no espaço


A história é sobre Molly Woods (Berry), uma astronauta que volta a Terra depois de passar mais de um ano no espaço, numa missão solitária. O problema é que a moça retorna grávida da missão. No piloto, as visões que Molly tem de um homem chamado Marcus, um amor do passado provavelmente já falecido, confunde o espectador e não temos certeza se Molly está tendo alucinações ou é tudo real.  Já no segundo episódio, já conseguimos elaborar algumas teorias, e começamos a pensar que o “homem” que ela viu no espaço, pode não ser exatamente um “fantasma” e que ela não esteja tão louca assim.


O que é certo mesmo, até este momento, é que Molly é envolvida numa trama de conspiração  de grande dimensão abrangendo o suicídio de um colega de trabalho, uma empresa bilionária e tecnologias de ponta. Goran Visnjic (de E.R.) interpreta o marido de Molly, Pierce Gagnon  (o menino estranho de Looper, aquele filme bacana de ação com Joseph Gordon-Levitt e Bruce Willis) é Ethan, o filho androide do casal.  Com uma atuação comedida e expressões sutis, assim como pede a personagem, o garoto promete roubar a cena da atriz oscarizada. Ethan é um personagem bastante promissor na série, sua história deve tomar mais espaço nos próximos capítulos, quando se deve discutir a coexistência entre humanos e robôs, sendo estes tratados não como máquinas, mas como uma companhia ideal para os humanos mais solitários.

 O tema homem vs máquina também é abordado na série


A história é intrigante e repleta de mistérios e perguntas, do jeitinho que eu gosto, no entanto, achei o piloto morno, ainda que tenha seus bons momentos. Mas, se o piloto não conseguiu segurar minha atenção, o segundo episódio conseguiu o feito e me deixou mais afoito pelos próximos acontecimentos. E Halle Berry demonstrou de verdade que já mereceu o Oscar que ela tem na sua estante.  Não tenho a mínima ideia do que vai acontecer. É uma série que demanda muita originalidade e bom senso dos roteiristas, espero que não enrolem muito em responder as perguntas e na solução dos mistérios. Extant tem tudo para agradar e conquistar o público que aprecia o gênero, boas doses de suspense, uma trama enigmática e reflexiva, principalmente, quando abordar a relação homem versus máquina.

16 de setembro de 2012

Elementary traz um Sherlock Holmes superficial e chato




Com o som da música Young Blood do grupo The Naked and Famous nos momentos iniciais de Elementary, já pude prever que o seriado seria desprovido de qualquer resquício de originalidade. Não é pela música, ela é ótima, mas porque este hino indie já tocou em milhares de outros seriados antes, fato que confirma a preguiça que acometeu não só os responsáveis pela trilha sonora, mas os roteiristas também. É, parece que a tentativa da CBS de criar um Sherlock Holmes americano e repetir o sucesso da série britânica Sherlock falhou, não que eu tivesse alguma esperança, como já tinha dito NESTE POST meses atrás.

A série estreia dia 27 de setembro, mas já caiu na rede e todo mundo já viu e estão lixando o programa sem piedade, a crítica tem razão, o piloto de Elementary não empolga em nenhum momento, é sonolento e a história é fraquíssima, digna dos CSI´s da TV. Acredito que ninguém quer mais um drama policial na telinha, já não existem o bastante?

O Sherlock da série britânica e o detetive na versão americana

Comparar esta versão com a série Sherlock é inevitável, contudo, muitas das características que fizeram deste um programa envolvente, inovador e surpreendente, inexiste no programa americano. A começar pelo protagonista, enquanto o detetive interpretado por Benedict Cumberbatch na série inglesa encanta pela sua irreverência, egocentrismo e sarcasmo, o Sherlock de Jonny Lee Miller (Sombras da Noite) é tedioso, previsível (aquele diálogo no qual ele diz para sua parceira que foi no Google que encontrou informações sobre o seu pai, ilustra bem isso), e seus poderes dedutivos se mostram bem limitados. Em Sherlock, ficamos extasiados com as cenas em que o detetive mostra seus poderes de dedução, somado com os diálogos rápidos e os textos surgindo na tela, é sempre um dos momentos mais extraordinários do episódio, o que não acontece na versão americana.

Liu e Miller, falta carisma

Outro pecado de Elementary foi escolher uma mulher para ser o parceiro de Holmes, um crime à obra de Sir Conan Doyle, claro que se Lucy Liu (As Panteras), a versão feminina de John Watson, que agora se chama Joan Watson, mostrasse alguma química com Jonny Lee e fosse menos inexpressiva,  o “estrago” seria menor.  Nem é preciso dizer que a versão masculina vivida por Martin Freeman na série britânica é bem superior, seu personagem é mais vivo e complexo, tanto o personagem quanto o ator possuem mais carisma que todo o elenco de Elementary, não à toa ele atravessou o oceano e foi parar em Hollywood, este ano ele protagoniza um dos filmes mais aguardados do ano, O Hobbit: Uma Jornada Inesperada.

Em resumo, Elementary é tão ruim quanto esperávamos, o piloto não tem sequer um “gancho” para prender o espectador até o próximo capítulo, um erro grotesco, já que se trata do primeiro contato com o público. A série até pode melhorar ao longo da temporada, mas não acompanharei. Se você não conhece Sherlock, dê preferência a ela.

18 de maio de 2012

Sherlock Holmes, John Watson e o bromance



Frodo e Samwise na trilogia O Senhor dos Anéis, Maverick e Goose em Top Gun – Ases Indomáveis, JD e Turk na série Scrubs,  Dr. House e Dr. Wilson em House. O que eles têm em comum? O bromance (brother + romance),  que em português livremente significa “amor de irmão”, é um termo  para definir aquela relação forte de amizade e companheirismo entre dois homens, é um relacionamento íntimo, mas sem a parte sexual obviamente.

Os personagens citados acima descrevem bem este termo que já fora mencionado até pelo grego Aristóteles. O filósofo descreve os adeptos do bromance como “aqueles que desejam o bem dos seus amigos por causa dos amigos que são mais verdadeiramente amigos, porque cada um ama o outro pelo que ele é, e não por qualquer qualidade incidental”.


Esta frase pode exemplificar muito bem a relação carinhosa entre Frodo e Sam em O Senhor dos Anéis. Ambos personagens não tem vergonha alguma de demonstrar afeto um pelo outro e Sam, tampouco se incomoda em saltar na cama de Frodo e lhe dar um caloroso abraço de amigo. A amizade entre eles renderam vários comentários e vídeos de paródias na internet que brincavam com a possibilidade de que os dois fossem gays e só isto justificaria o grande amor que havia ali. Besteira! Todos nós temos uma amizade mais intensa por alguém do mesmo sexo, e como disse Aristóteles, é desse jeito porque são nossos verdadeiros amigos. Esse tipo de relacionamento foi tema principal da comédia Eu Te Amo, Cara com Paul Rudd e Jason Seigel.


O bromance em Sherlock

Após essa introdução que julguei necessária, vamos ao objetivo do post, que é comentar um dos bromances mais interessantes e bem sucedidos da TV, a relação entre Sherlock Holmes e John Watson. Para quem assiste à fantástica série, sabe que o relacionamento entre Holmes e Watson é indiscutivelmente a melhor coisa do seriado, nesta segunda temporada, o bromance está bem mais evidente, isso dá espaço para muitas cenas engraçadas e sempre quem ouve as piadinhas é o carismático Dr. Watson (Martin Freeman), que até já cansou de afirmar que eles não são um casal e ele não é gay.


No primeiro episódio da segunda temporada, A Scandal in Belgravia, o detetive arrogante e gênio, vivido pelo excelente Benedict Cumberbatch, pela primeira vez, se vê apaixonado pela vilã atraente Irene Adler, que aparece peladinha na frente de Holmes. Esta foi uma forma, talvez, dos criadores do programa de responder à imprensa, que anda debatendo a sexualidade de Sherlock e a de seu parceiro, Watson.  



Steven Moffat, o criador da versão britânica atual, provavelmente, também queria apenas escancarar esse assunto de uma vez por todas e conseguiu fazê-lo de uma forma inteligente, de um jeito que tais “detalhes” não atrapalharão  o desenvolvimento do protagonista. Confesso que curti ver um Sherlock mais “humano”, morrendo de amores pela moça, o que tornou esse episódio o mais divertido de todos, mas acredito que sua relação com Watson é muito bem construída e com a inclusão de uma relação mais íntima com uma mulher, provavelmente a série poderia cair num lugar comum,  e toda a excentricidade e frieza que tanto amamos no detetive, poderia estar ameaçada, isto não seria legal.


Watson de saias

Foi justamente para evitar esse tipo de comentários sobre a sexualidade de Sherlock Holmes, que a CBS escalou uma mulher para ser a parceira dele no remake americano intitulado Elementary. WHAT? Pois é. Vocês sabem, a audiência americana é bem mais conservadora que a inglesa. Lucy Liu, aquela de As Panteras, foi a escolhida e viverá a Watson de saias e olhinhos puxadinhos.  Jonny Lee Miller (de Eli Stone, e acho que ele foi uma boa escolha) viverá o detetive. Esta semana saiu o preview do Sherlock Holmes de Nova York, assista aqui!



Este remake está me parecendo muito boring e “mais do mesmo”. Não sei qual será a diferença entre esta versão e as outras centenas de séries que existem por aí com estrutura semelhante: um homem e uma mulher que passam o dia investigando crimes. Os fãs não gostaram nada disso, e com razão, “afeminizar” o Dr. Watson é uma mudança bem radical, Sir Arthur Conan Doyle deve estar se descabelando lá no além. O bromance entre a dupla de protagonistas masculinos na série inglesa é o grande diferencial de Sherlock perante os outros seriados, mas os americanos não pensaram duas vezes antes de se desfazer desse elemento que é a principal característica dos contos originais de Doyle.

A segunda temporada de Sherlock deve sair em  DVD e Blu Ray este mês aqui no Brasil. E uma das razões pelo qual esta temporada é bem superior que a primeira, além do roteiro melhor desenvolvido e de mais ação, é justamente essa relação de amor fraterno entre o detetive Holmes e o seu amigo John Watson, que se mostra cada vez mais intensa, porém, com muito mais atritos que na temporada anterior. Até pedir desculpas ao seu amigo, Holmes é obrigado a fazer, um momento raro.


Holmes versão 2012

Já que estamos comentando sobre a nova temporada, vamos falar dela.  O segundo ano da série, já traz no seu primeiro episódio, A Scandal in Belgravia, altas doses de sensualidade com a presença da atriz Lara Pulver, como a vilã Irene Adler (foto). Holmes fica todo apaixonado pela moça, até o seu celular ganha um toque assim, um pouco erótico, que rende boas gargalhadas ao espectador. Um episódio divertidíssimo e um desfecho estranhamente cool.


Em The Hounds of Baskerville, o terror psicológico dá o tom do episódio. Aqui, mais uma vez, a relação dos dois é colocada em prova e Holmes está louquíssimo atrás de cigarros.  No último episódio, The Reichenbach Fall, o melhor de toda a série até agora, o seu rival número um, o debochado e ultra perigoso Jim Moriarty (Andrew Scott, perfeito) retorna para acabar com a reputação e a vida de Sherlock. Um episódio cheio de reviravoltas, surpreendente, um final chocante, porém, previsível.

Nesta segunda temporada, Holmes está dez vezes mais frio, mais arrogante e excêntrico, o que não significa que ele não seja cômico.  Seus momentos de “exibição”, quer dizer,  de dedução,  seja “trabalhando” numa cena de crime ou “despindo” alguém com seu poder mental, continuam nos deixando de boca aberta. Mas como já disse, e repito, o bromance entre ele e o Dr. Watson, potencializado pela química entre os atores e os diálogos inteligentes só engrandece a série e nos faz desejar que a BBC encomende mais episódios nas próximas temporadas, porque cá entre nós, três episódios de 90 minutos por ano, ainda é muito pouco.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...