Vendido como “suspense espacial”, Passageiros (Passengers,
2016) está mais para “romance espacial”, tendo isso em mente, fica mais fácil
você gostar do filme e evita frustrações. Dirigido por Morten Tyldum (O jogo da
imitação), Passageiros é um sci-fi raso, repleto de clichês e não traz nenhuma
novidade ao gênero.
Chris Pratt e Jennifer Lawrence protagonizam essa história de
romance no espaço, e ainda bem que eles possuem química em cena e convencem
como casal apaixonado, pois é claro que os dois astros mais queridos e
cultuados de Hollywood do momento não estão juntos aqui à toa. Felizmente, o
carisma dos atores evita que o filme seja um total fiasco.
Rua Cloverfield, 10 – Filmado secretamente, a sequência de
Cloverfield pegou todos de surpresa. O trailer foi divulgado em janeiro e a
estreia é em março, assim PÁPUM. Segundo a prévia, uma mulher é prisioneira
de um homem que acredita que o mundo está inabitável, por isso a mantém em
cativeiro, mas Mary Elizabeth Winstead (Scott Pilgrim) resolve enfrentar o
sequestrador e ver por si própria esse mundo inóspito. J.J. Abrams foi o produtor.
Midnight Special – A história de um garoto com superpoderes que tem
um pai que faz de tudo para protegê-lo não parece ser muito original, mas a
direção de Jeff Nichols (de O Abrigo e Mud) pode nos surpreender. No elenco, estão Joel Edgerton, Michael
Shannon e Kirsten Dunst. A estreia está prevista para março.
E quem diria, Guardiões da
Galáxia (Guardians of the Galaxy, 2014), filme de heróis desconhecidos que a
Marvel desenterrou lá dos quadrinhos sessentista é uma grata e divertidíssima
surpresa, a melhor do ano. Com uma árvore falante, um guaxinim e uma garota
verde como protagonistas, eu não esperava muito da produção, nunca me animei com
os trailers, mas a marca Marvel fez com que eu não perdesse o otimismo, afinal,
o estúdio não errou feio até agora e está muito bem cercada de pessoas criativas
e respeitosas com as obras adaptadas, como James Gunn, diretor do
ótimo filme Seres Rastejantes e desta incrível aventura espacial.
O início de Guardiões da Galáxia
já dá o tom bem humorado que a trama vai seguir: Peter Quill (Chris Pratt,
hilário, personagem feito sob medida para o ator que já participou de séries
como The OC. e do elogiado filme O Homem que Mudou o Jogo) dançando ao som de
Come and Get Your Love, do grupo Redbone, enquanto procura por um poderoso
artefato. Desde já, uma cena antológica.
Peter, também chamado de Star
Lord, conhece seus amigos não convencionais numa prisão. Com a companhia de
Groot (Vin Diesel), Gamora (Zoe Saldana, que entra aqui na sua terceira
franquia de sucesso, além de Avatar e Star Trek, tá podendo hein!), Rocky Racum
(Bradley Cooper, com voz irreconhecível) e o brutamontes Drax (Dave Bautista),
Peter vai combater inimigos poderosos como Ronan, o Acusador (Lee Pace), que
deseja a todo custo acabar com a raça do povo Xandarians, mas para isso,
precisa do objeto que está sendo protegido pelos cinco amigos.
A história é ágil, muito bem
contada e o longa muito bem produzido, os efeitos visuais arrasadores, o
humor é certeiro e sutil-destaque para a piada com Kevin Bacon - mas é pelo elenco entrosado e a relação entre
os cinco personagens e claro, a deliciosa trilha sonora com hits dos anos 70
que Guardiões da Galáxia é tão apaixonante, já é considerado pela mídia especializada,
como um dos melhores filmes da Marvel, perdendo apenas para Os Vingadores.
Apesar dos cinco personagens serem
muito diferentes, gerando discussões a todo o momento, logo eles se tornam uma
família e percebem que precisam muito um do outro, e a amizade torna-se tão
forte em apenas duas horas de filme que até para nós, espectadores, é como
conhecêssemos os guardiões há muito tempo, são personagens cujo carisma pode
ser comparado à Han Solo e sua trupe em Star Wars ou até mesmo aos amigos de
Os Vingadores.
Já as músicas da fita cassete de
Peter Quill, coletânea carinhosamente chamada de Awesome Mix Vol 1, é sensacional, de outra galáxia. De
Jackson 5, David Bowie a The Runaways, a trilha nostálgica é uma eficiente
ferramenta para conferir humor ou sentimento de calmaria entre as cenas mais
explosivas. Se você acha que uma aventura espacial recheado de seres bizarros
não combina com uma trilha descolada dos anos 70 e 80, obviamente ainda não viu
Guardiões da Galáxia. Eu saí da sala do cinema cantarolando as músicas.
Sem
dúvida GG é mais um grande acerto da Marvel, uma aventura despretensiosa
protagonizada por figuras esquisitas, como a árvore chamada Groot, mas que
carrega consigo mais humanidade que muitos super-heróis por aí.
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