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9 de julho de 2013

Homens de Aço

Superman -  O Filme  x  Superman - O Retorno



Superman - O Filme (Superman - The Movie, 1978) primeiro longa-metragem que levou o icônico super-herói dos quadrinhos para as telonas permanece atemporal mesmo 35 anos depois de sua estreia. Comandado por Richard Donner, diretor de longas inesquecíveis como Radio Flyer e Os Goonies, a produção tem como maior trunfo o ator Christopher Reeve, em uma atuação perfeita e inigualável como o atrapalhado Clark Kent e o Superman. O jovem astro e na época desconhecido, ofuscou grandes monstros do cinema como Marlon Brando e Gene Hackman.

Lois "voa" com o super-homem.

A adaptação tem uma estrutura narrativa bem redondinha e abrangente, começa com os pais do homem de aço em Krypton, depois vemos a adolescência do Clark e depois segue com o protagonista já como o repórter do Planeta Diário e suas aventuras pela cidade com a capa vermelha. O diretor ainda fez questão de apresentar, mesmo que por pouco tempo, personagens importantes que fazem parte do universo do super-herói, como Lana Lang e o General Zod.




Gene Hackman está muito à vontade na pele do vilão Lex Luthor, mais bem humorado e menos ameaçador. Lois Lane, é vivida por Margot Kidder. A personagem causa simpatia imediata com o espectador. A cena em que ela entrevista o super-herói na sacada do prédio é engraçadíssima.  Superman - O Filme retrata bem a origem do homem de aço, é uma aventura leve, divertida, cujo único defeito fica por conta dos longos monólogos de Jor-El, interpretado por Brando.  Por fim, um filme obrigatório.

Melhor momento: Uma desajeitada Lois Lane entrevista o Superman.





Lançado em 2006, Superman - O Retorno (Superman Returns) dividiu a crítica especializada, os fãs reclamaram da falta de cenas de ação e de lutas épicas, refletindo na bilheteria mundial que não impressionou a Warner.  Dirigido por Bryan Singer (X-Men), a nova aventura tem muito do primeiro filme, Superman (1978), alguns diálogos do longa original são reproduzidos novamente pelo novo herói agora encarnado por Brandon Routh e até as falas de Marlon Brando  - e  até o próprio  ator -  marcam presença na continuação.


Singer fez uma “homenagem” à produção dos anos 70, mas não agradou a todos. Os fãs têm razão,  o cineasta preferiu seguir a linha “drama familiar” e focar mais na complexa relação entre Superman e Lois Lane. Ao invés de combates grandiosos entre herói e vilão - no caso, o Lex Luthor - o filme, em sua última meia hora exagera na carga dramática e o diretor quase mata o super-herói, não uma, mas duas vezes em menos de 15 minutos.  Tanta vulnerabilidade não foi aprovada pelos fãs e público em geral.

Bryan Singer dá umas dicas para os atores.

Quanto aos atores, Brandon Routh se saiu bem, emprestou charme e simpatia ao Clark Kent/Superman, já a versão de Lex Luthor do Kevin Spacey, deixou a desejar, demonstrou-se caricata e me fez sentir falta do Lex bem humorado  de Gene Hackman.  Já Kate Bosworth, apesar da boa atuação, fez a Lois Lane mais chata de todas as versões existentes, seja da TV ou do cinema. Apesar dos tropeços, eu gosto de Superman - O Retorno,  é um bom filme, tecnicamente impecável, dirigido com competência e zelo por Singer, e claro, a fita também tem lá seus momentos marcantes.

Melhor momento: A sequência da queda do avião. Fantástica.

4 de julho de 2013

Smallville e o jovem Homem de Aço



Para comemorar a chegada do aguardado O Homem de Aço, a versão mais moderna e realista  do super-herói comandada por Zack Snider (300, Watchmen) e com Henry Cavill (da ótima série The Tudors, e do sucesso Imortais) vestindo a  capa vermelha, resolvi homenagear a série de TV que contribuiu muito para evitar que o super-herói caísse no esquecimento na década de 2000,  já que as tentativas cinematográficas de levar o herói às telonas naquele tempo se tornaram um pouco "infrutíferas" para o personagem da DC Comics, sim, me refiro ao filme Superman - O Retorno.



A série, bom, você já sabe, é Smallville (2001-2011).  Bem escrita e muito bem produzida por Alfred Gough e Miles Millar, o seriado contou os dramas, as aventuras e desventuras do super-herói na adolescência. Smallville durou 10 anos, 10 temporadas e teve mais de 200 episódios, que com certeza fez parte da rotina  de muita gente por aí,  eu por exemplo, que assistia sagradamente à série no SBT todo os domingos. Tom Welling mostrou ser bom ator e carisma de sobra ao viver o protagonista Clark Kent na série, os coadjuvantes eram uma atração à parte,  a repórter atrevida Chloe (Allison Mack) - a minha preferida -, a doce Lana Lang (Kristin Kreuk), a descolada e engraçada Lois Lane (Erica Durance) e claro, o excelente Michael Rosenbaum, que deu vida ao ambíguo e complexo personagem de Lex Luthor. Listei os episódios e as cenas mais marcantes da série, é claro que em dez anos muita coisa ficou de fora, mas resolvi me apegar aos momentos ainda vívidos na minha mente e outros que de alguma forma são particularmente especiais.



      1- O “S” no peito/Clark salva Lex (1x1 Pilot) – O primeiro episódio de Smallville tem tantos momentos memoráveis que foi tarefa dificílima escolher somente um ou dois. Há a eletrizante e bem produzida chuva de meteoros e a bela cena em  que  o menino Clark encontra Martha e Jonathan Kent pela primeira vez no milharal. Mas dois grandes momentos se destacam, como a sequência em que Lex atropela Clark e o nosso jovem herói o salva da morte, começando aí uma relação de amizade estranha permeada com uma eterna desconfiança entre os personagens. Para mim, a relação entre o protagonista e o antagonista sempre foi uma das estruturas narrativas mais bem trabalhadas e interessantes na série. Outro momento clássico é quando Clark aparece com o “S” no peito amarrado num tronco no meio do milharal, fruto de uma brincadeira dos colegas do colégio. Para quem sempre foi fã do super-herói, foi um acontecimento simbólico, significava a primeira vez que o “S” era visto em seu peito, exprimia o “nascer” de um símbolo do grande herói que o mundo logo conheceria.



    2- Clark tem sua identidade revelada (1x09): No episódio Rogue, Smallville presenteia os fãs com outra cena impressionante, Clark Kent para um ônibus desgovernado no centro de Metrópolis. Se o próprio Clark não tinha ideia do potencial de seu poder e se impressionou com o estrago que causou no ônibus, imagina nós, espectadores. Não só por isso Rogue é um excelente episódio da primeira temporada, pela primeira vez os super poderes do rapaz são descobertos. O grande feito de Clark na cidade é visto por um policial corrupto que começa a chantageá-lo e obrigando-o a cometer delitos, colocando em risco a sua identidade e toda a sua família. Phelan, o policial, é o cara sortudo, descobriu o segredo de Clark sem querer, algo que Lex Luthor mataria - e matou - qualquer um por essa informação.



       3-  O irmão adotivo de Clark (1x16): Em Stray, décimo sexto episódio de Smallville, a Família Kent ganha um novo membro, Ryan, um menino com a habilidade de ler pensamentos. Fugindo do padrasto que usa os poderes especiais do garoto para cometer roubos, Ryan acaba encontrando com Martha por acaso, ela o leva para casa e rapidamente o menino cria fortes vínculos com Clark e toda a família. O episódio é uma delícia de se ver, os segredos que Ryan revela dos amigos de Clark gera momentos hilários e inquietantes na série, é um episódio que fala sobre família, amor fraterno, segredos e mostra como a vida de Clark seria diferente, e bem mais fácil, se ele tivesse um irmão para compartilhar seus sentimentos e segredos. Difícil é não conter as lágrimas, uma que seja, quando o garoto se despede de Clark, com a linda canção Superman, do grupo Five For Fighting de fundo (ouça aqui!), este momento me marcou muito. Gostaria de destacar, a trilha sonora da série é fantástica, atemporal e sempre oportuna, uma das qualidades do programa.



     4- Clark entra no tornado para salvar Lana (1x21): Tempest é um episódio inesquecível, intenso, decisivo, fortes emoções e Remy Zero tocando no baile de formatura.  Remy Zero? Não sabe? Ah, é a banda que canta a música de abertura da série, “Somebody saaaaave me...”. Enquanto Jonathan, pai de Clark, tenta proteger o segredo de seu filho de um jornalista inescrupuloso, Clark deixa a querida Chloe sozinha no baile para salvar Lana que está sendo sugada por um tornado assustador. Sem pestanejar, Clark entra no tornado e... continua na próxima temporada. Um dos melhores e mais angustiantes season finales da TV, sem dúvida. Veja AQUI a cena do Remy Zero cantando no baile.



    5- O encontro com Christopher Reeve (2x17): Um dos momentos mais emblemáticos da segunda temporada de Smallville foi a ilustre participação do super-homem mais famoso do cinema, Christopher Reeve. Convenhamos ninguém melhor que o eterno Superman – do filme de Richard Donner, de 1978 - para trazer ao Clark notícias de Krypton e dizer que o seu verdadeiro nome é Kal-el. Durante as filmagens de Rosetta, nome do episódio, a produção se deslocou de Vancouver até Nova York para gravar com o ator, todo esse esforço foi para que Reeve poupasse forças, em razão de seu estado de saúde. Tetraplégico desde 1995, Christopher morreu em 2004, quase dois anos depois de sua primeira aparição em Smallville. Os fãs da série e do super-herói o agradecem.


      
        6- A morte de Jonathan Kent (5x12): Certamente um dos melhores e mais bem realizados episódios de Smallville. Intitulado Reckoning, este foi o 100º episódio da série, repleto de reviravoltas, viagem no tempo e com You´re Beautiful de James Blunt tocando a todo instante. Finalmente Clark contou sobre suas raízes kryptonianas ao seu grande amor, Lana, e a pediu em casamento, porém, nada sai como ele havia imaginado. E tem mais, Clark - e nós também - sofre com uma grande perda, o pai, Jonathan Kent. A última cena do episódio, onde todos estão no velório em uma paisagem no qual o preto das vestimentas em razão do luto se contrasta com o branco dos flocos da neve, é uma das sequências mais bonitas e emocionantes do programa. Palmas para a produção e direção de arte.



   7- Lex mata o pai (7x16): No episódio Descent, Lex Luthor se transforma finalmente na verdadeira definição do mal. Lex sempre foi o personagem mais intrigante da série, Michael Rosenbaum fez um  trabalho surreal com o personagem, os diálogos e as cenas com o seu “amigo” e inimigo, Clark Kent, repleta de cinismo, falsidade e ambiguidade, na maioria das vezes, eram os melhores momentos do seriado. Lex foi escalando a montanha para o lado sombrio desde o início da série, chegando ao ápice da maldade na sétima temporada, mais especificamente, quando empurra o seu pai Lionel Luthor de um prédio. Lex está totalmente sedento por poder e controle, mas  psicologicamente descontrolado e profundamente infeliz. E nesse episódio, damos um ”adeus” definitivo ao careca/playboy/milionário e “gente boa”, na medida do possível, que ele tentou ser nas primeiras temporadas.


Para finalizar a homenagem, a cena mais aguardada por todos os fãs de Smallville, a imagem abaixo dispensa texto né!

Cena final do último episódio da série.
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