Páginas

Mostrando postagens com marcador Documentário. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Documentário. Mostrar todas as postagens

20 de abril de 2012

A Vida em Um Dia



O documentário A Vida em Um Dia (Life in a Day, 2012) é resultado de uma ideia ousada e fascinante desenvolvida pelo canal You Tube com a ajuda de dois grandes cineastas, Ridley Scott e Tony Scott.  A ideia era que no dia 24 de julho de 2010, os internautas deveriam mandar seus vídeos mostrando a rotina e o que tinha acontecido com eles naquele dia. O resultado foi assombroso.  Chegaram 80 mil vídeos de mais de 190 países, significando um total de 4500 horas de gravação.

Quase dois anos depois, o documentário de 95 minutos chega hoje aos cinemas. Kevin MacDonald, diretor de O Último Rei da Escócia e Intrigas do Estado, foi o responsável por sintetizar milhares de horas de gravação em apenas uma hora e meia, além de escolher os momentos mais marcantes, emocionantes e curiosos da vida dessas centenas de pessoas que enviaram as imagens



O resultado final é simplesmente lindo.  O documentário não tem um roteiro ou formato definido e nem um personagem central, são apenas cenas do cotidiano de gente como a gente. No dia 24 de julho de 2010, que era um sábado, somos testemunhas do nascimento de uma girafa, vemos o pai  -  o único representante do Brasil  - cair enquanto filma o nascimento de seu filho,  nos surpreendemos com as histórias do coreano que viaja de bicicleta há nove anos pelo mundo, acompanhamos o primeiro “barbear” de um adolescente, conhecemos o cativante menino que ganha a vida trabalhado como engraxate, rimos com um pedido de casamento repentino, entramos na casa de um pai viúvo que mora com seu filho pequeno, e  que todas as manhãs o pai o faz tocar um objeto dourado que fica ao lado da foto de sua mãe, e  ainda  nos emocionamos com um jovem que declara sua homossexualidade para a sua avó por telefone.



Estas e muitas outras cenas ou histórias são apresentadas aqui. Além disso, três perguntas norteiam o documentário: O que você carrega no seu bolso? Do que você tem mais medo? O que você mais ama?. As respostas são divertidíssimas e muito diversificadas. Impossível não nos “incluirmos” e não respondermos,  para nós mesmos, a estas perguntas.


A Vida em um Dia é mais que um documentário, é uma celebração à nossa existência, é um incentivo a reflexão sobre nossas atitudes e nossas vidas. É um agradável passeio por culturas tão distintas, uma visita à vida de pessoas tão únicas. Algumas imagens até são simples demais, mas é aí que está toda a graça da produção, que não tem pretensão alguma, além de mostrar alguns momentos da vida de milhares de pessoas espalhadas pelo mundo, suas tristezas e alegrias, do modo como elas são.



Se A Vida em um Dia não estiver no cinema da sua cidade, não se preocupe. O documentário completo está disponível no You Tube.  Ah, para a legenda, basta clicar no botão CC (closed caption) na parte inferior do vídeo para ativá-la. Clique aqui e viva um dia na vida dessa gente como a gente.

26 de março de 2012

Paraíso Perdido: a justiça falha e tarda


Documentário mostra a conturbada jornada de três jovens condenados a prisão perpétua por um crime que não cometeram, culpa de uma sociedade que exigia justiça às pressas




Paraíso Perdido 3: Purgatório (Paradise Lost 3: Purgatory, 2011), indicado ao Oscar de Melhor Documentário este ano,  é a terceira parte que trata sobre o caso do assassinato de três crianças que chocou os Estados Unidos nos início dos anos 90. Porém, aviso que não é necessária assistir aos primeiros documentários para entender a história, as sequências apenas acrescentam novas informações  acerca do caso, e considerando isto, Paradise Lost 3, é o que oferece uma visão mais abrangente.

O documentário começa com cenas fortes advindas de gravações da polícia. Stevie, Christopher e Michael, meninos de 9 anos de idade, são encontrados mortos num rio, nus, com mãos e pés amarrados. Alguns deles tiveram seus órgãos reprodutores arrancados. Se uma criança é vítima de um crime brutal já é o suficiente para chocar a comunidade, imaginem o que acontece se o número de vítimas infantis sobe para três.

Os três de West Memphis!

Bom, o que aconteceu na pequena cidade de West Memphis colocou em prova a credibilidade do sistema jurídico e da polícia local, ainda revelou os medos e preconceitos de uma sociedade que, apavorada e indignada pelo evento, clamava desesperadamente por justiça e pressionava as autoridades para encontrar os culpados.

Com a mídia em peso na cidade para reforçar a pressão em cima das autoridades, a polícia chegou a três suspeitos: Damien, Jason e Jessie. Bem, ninguém tinha nada concreto contra os três jovens, mas eles foram interrogados por motivos rasos assim mesmo, baseados no histórico e no comportamento “incomum” que tinham.

Damien, vida interrompida por 18 anos!

Damien era o típico cara que se vestia de preto e adorava heavy metal. Era o suficiente para afirmarem que ele fazia rituais satânicos no quintal de casa. Jason,  era seu amigo, os dois viviam sempre juntos, o bastante para a polícia prendê-lo também. O terceiro, Jessie, o mais conturbado, devido a uma “deficiência mental”, foi interrogado por 12 horas pela polícia, um ato desonesto e injusto, já que ele era menor de idade e estava sem a presença de um advogado.  

A essa altura, a polícia estava completamente satisfeita com os jovens suspeitos e não estava procurando mais ninguém, com isso, a cidade toda estava nervosa querendo a condenação dos três o mais rápido possível, sem deixar vazão para refletirem se eles realmente eram os culpados, apenas queriam culpar alguém.

Todos foram vítimas!

Em resumo, mesmo com provas tão duvidosas e artificiais,  os três  foram condenados. Damien foi condenado à morte por injeção letal, Jason seu amigo, pegou prisão perpétua, assim como Jessie, que após ficar 12 horas num interrogatório, deu um depoimento afirmando que seus companheiros tinham realmente matado os garotos, o que depois provou ser uma mentira e mais uma artimanha das autoridades para encerrar logo o caso.

Após o julgamento, a história dos três condenados de West Memphis  ganhou notoriedade pública. Eddie Veder,  Johnny Depp e  várias  bandas de  rock comentaram sobre o assunto e tiveram papel fundamental na jornada dos jovens e na sua libertação. O primeiro documentário da HBO sobre o acontecimento apenas trouxe mais “luz” sobre  o caso e incentivou a realização de um novo julgamento, pois novas  provas  iam surgindo frequentemente e  cada vez  mais a responsabilidade dos três jovens pelos crimes era colocada em dúvida.

Em 2010, os três tiveram um novo julgamento. Provas de DNA revelaram que nenhum deles tiveram relação com o assassinato. Em setembro de 2011, após 18 anos presos, Jason, Damien e Jessie foram libertados.

Jason, no meio, após a libertação, com os diretores do doc.

Paraíso Perdido 3: Purgatório é emocionante, conta algo inacreditável, mas felizmente real. O doc vai além da saga dos três jovens acusados de um homicídio triplo, fala de preconceito e desmascara  aquela convenção de que a justiça (principalmente a americana) é perfeita e que a polícia é competente. Mas a culpa  não se restringe somente às autoridades. O povo que, apesar de terem suas razões para culpar os jovens, se torna uma ameaça “nuclear” quando consumido pela fúria. A sociedade fica cega e irracional, e piora quando um “suposto” ritual satânico, como neste caso, é envolvido no processo.

Daí tudo ocorre como um efeito dominó. O poder público se revolta e comove, a mídia potencializa estes sentimentos e as autoridades se sentem pressionadas a agirem com rapidez - e consequentemente com maior tendência a cometer erros e ilegalidades no caminho. Bom, foi isso o que aconteceu.  A justiça falhou, e quase acabou com a vida dos três jovens, que somente agora, (re)começam a viver plenamente suas vidas. VEJA um vídeo.

Para ajudar os “três de West Memphis” com as despesas judiciais, foi criado o site WM3 (clique aqui e conheça),  feito por  pessoas simpatizantes  com a causa e revoltadas  com a condenação injusta. 

6 de março de 2012

Não pergunte, Não fale!




“Quero lutar pelo país, protegê-lo, mesmo que ele não faça o mesmo por mim”. Oficial dispensado por ser gay.





A Estranha História de Não Pergunte, Não Fale (The Strange History of 
Don´t Ask, Don´t Tell, 2011) é um documentário produzido pela HBO que narra a complicada e absurda evolução da lei que proibia homossexuais de se alistarem no Exército ou na Marinha, obrigando-os a mentirem sobre sua orientação sexual.

A produção traz depoimentos emocionantes de oficiais dispensados e revelam situações constrangedoras e desumanas. O doc inclui também a discursão no senado americano sobre a DADT (Don´t  Ask, Don´t Tell) e mostra também o esforço enorme de pessoas que lutaram por muitos anos para a  lei ser revogada, o que aconteceu apenas em  2010.




A proibição de homossexuais começou na Segunda Guerra Mundial, mas ganhou espaço na mídia apenas nos anos 90. Em 1993, depois de muita polêmica, o presidente americano da época, Bill Clinton, aceitou o alistamento de gays e lésbicas nas forças armadas, e declarou  que eles seriam julgados pela conduta moral, não pela orientação. Mas nesta lei havia uma condição,  os soldados homossexuais não poderiam falar sobre sua orientação. Bom, a  lei era um mito.

As declarações dos soldados neste documentário mostram que a lei DADT apenas piorou a vida deles, pois tornaram-se alvos de perguntas pessoais constantemente, conviviam com a desconfiança dos colegas caso não possuíssem um anel de noivado, não fossem casados, ou qualquer outra questão semelhante. A perseguição continuou, os  soldados  começaram a viver como se estivessem realmente em um campo minado, pensamentos suicidas surgiam, e não poderiam confiar mais nos colegas,  pois qualquer um poderiam demonstrar atitudes anti-gays e deletá-los.

“A lei força a mentira, a não-integridade”, diz um oficial.

Nome: Patrick Murphy: Objetivo: Abolir a lei do DADT.

Um dos momentos mais chocantes e tristes do doc é o depoimento no senado de uma lésbica que foi dispensada por admitir sua homossexualidade.  A cena é revoltante. A mulher, que serviu duas décadas no exército, é humilhada por engravatados intolerantes que a tratavam como criminosa. “Lembro-me de ficar calada num instante, porque aquilo foi doloroso”, diz ela.

A Estranha História de NPNF, ainda acompanha a trajetória de Patrick Murphy, um ex-militar e agora político, e que ao lado de Barack Obama,  faz  o "impossível" para  revogar a lei.  Outro personagem-real  apresentado aqui é o oficial da alta patente Victor Fehrenbach.  Seus mais de 10 anos de serviço militar e sua participação nas guerras no  Iraque e no Afeganistão, arriscando a  sua vida para proteger o país, não valeu de nada quando começou a ser investigado e descobriram sobre sua orientação sexual. Ele foi expulso de imediato, e seu histórico militar totalmente ignorado.

Oficial Victor: Anos de serviço militar, mas não escapou da intolerância...

Em apenas pouco mais de uma hora de documentário, adentramos em um mundo doente,   estranho,  que nos dá até um certo desgosto  de morarmos nele e sentir desprezo pela raça humana. Constantemente ficamos espantados com as revelações e pensamos “O que? Não, eles não fizeram isso! Sério? Isso é injustiça”.  Injustiça como a do soldado que luta pelo país, indo à guerra,  sofre, sangra, fica longe de sua família,  e quando volta para casa, é dispensado por ser gay. Pois é, isso também aconteceu. Outras informações bombásticas e  polêmicas são apresentadas em A Estranha História do NPNF, mas é melhor que você veja por si mesmo, e  reflita.

Quase duas décadas depois, a lei DTDA foi abolida em dezembro de 2010, às  vésperas do Natal. O presidente Barack Obama assinou o documento e disse: "Seu país precisa de você, seu país quer você, e teremos a honra de recebê-lo nas posições dos melhores militares que o mundo já conheceu".

Obama assina a revogação da lei em dezembro de 2010.

Bom, é um assunto espinhoso e delicado que suscita questões diversas e infinitas. Com a revogação da lei nos EUA, será que as coisas melhoraram para os oficiais gays? E aqui no Brasil? O Exército brasileiro aceita homossexuais?  Se o assunto ainda não “pipocou” de  forma intensa na mídia nacional, talvez as Forças Armadas do Brasil seja mais flexível à essa questão, ou escondem bem este assunto da imprensa, ou talvez os soldados tenham adotado a lei do Não Pergunte, Não Fale. Mas algo me diz  que esse tema ainda vai ser discutido no país, e muito.

Quem tiver assinatura do canal HBO, não perca esse incrível documentário, que não apenas fala sobre os gays e a luta contra a repressão nas Forças Armadas, mas é um estudo impressionante sobre o ser humano, política,   intolerância, persistência, injustiça, preconceito, e  acima de tudo, aceitação.

5 de outubro de 2009

Distrito 9

LEITURA PARA HUMANOS E NÃO-HUMANOS!

Já vi tantos filmes e seriados retratando os alíens e sua chegada (geralmente catastrófica) à terra de tantas formas diferentes que nem imaginei uma abordagem mais "original" sobre o tema. São milhares de longas cuja a premissa bàsica é: "aliens caçam seres humanos", e é surpreendente que em tantos anos, ninguém pensou em inverter os papéis. Bom, alguém apareceu, Neill Blomkam, este é o nome da figura que construiu um filmaço sobre a premissa invertida "humanos caçam aliens". A ideia genial de Neil nos apresenta a um mundo no qual os alienígenas sofrem abusos diários dos humanos, são violentados e roubados pelas autoridades, e são trancafiados em uma zona pobre de Johannesburgo, na África do Sul. Pronto! Nesse contexto, é inevitável torcer contra os seres humanos. Me refiro à DISTRITO 9, um dos melhores filmes do ano.

É o primeiro trabalho do diretor, que convenhamos, começou muito bem. É  ficção cientifica com toques de documentário, trilha de documentário, atores desconhecidos, o que só aumenta a sensação de realidade transmitida pela fita. Distrito 9 começa com relatos de pessoas que tiveram contatos com os langostinos (como são conhecidos os visitantes), moradores da favela falam sobre a relação tempestuosa com os intrusos, agentes do governo comentam como eles chegaram alí 20 anos atrás, desnutridos e indefesos, e que por alguma razão a nave-mãe não é capaz de se movimentar.

Resultado: os ets terão que viver em uma terra estranha, se alimentar apenas de comida de gato e do lixo produzido por humanos, sendo violentados, tendo suas armas tecnologicamente mais avançada que a nossa, roubada pelos figurões de grandes empresas para o intuito, claro, de ganhar dinheiro, e tendo que viver sob alvo de discriminação e de pedras (interessante, Mario Vargas Llosa conta algo parecido em seu livro Israel-Palestina: Paz ou guerra Santa).



Enfim, se tornam seres inferiores porque foram privados de auxilio á saude, comida, lugares decentes para viver, são esquecidos pelo governo. Algo semelhante ocorre com alguns povos do planeta. É praticamente a nossa realidade, mas somos inferiores a qualquer tipo de ser vivo que exista pois marginamos e discriminamos os indivíduos de nossa própria espécie! Que vergonha! Como um excelente produto do gênero, Distrito 9 é entretenimento, mas também é uma dura crítica à nossa sociedade.


Apesar de o roteiro seguir rumos previsíveis, não é o suficiente para tirar o brilho do filme. O personagem principal Wikus, interpretado pelo novato Sharlto Copley, é tão carismático que até nos angustia ver seu personagem trilhar caminhos tão inimagináveis e dolorosos. Os efeitos não decepcionam (Neil fez milagre com apenas 30 milhões de orçamento) assim como as cenas incríveis de ação. Uma fita ímpar. Já é de se esperar uma sequência, já criei expectativas imensas sobre ela e por qualquer outro futuro trabalho do diretor.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...