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2 de outubro de 2016

Destino Especial


Apontado por mim, nesse post, como um dos filmes de ficção científica mais promissores do ano, Destino Especial (Midnight Special, 2016) superou as minhas expectativas, e melhor ainda, a obra scifi mostra a faceta spielberguiana de Jeff Nichols, cineasta de marca autoral e responsável pelo desconcertante O Abrigo.

Michael Shannon (sempre ótimo em cena) encabeça o elenco e interpreta Roy, pai de um garoto com poderes extraordinários e que tenta, a todo custo e com um amor e dedicação incondicional, proteger o seu filho. Com uma força sobrenatural capaz de derrubar satélites da atmosfera da Terra, Altom (Jaeden Lieberher) é visto pelo governo americano como uma arma, já para um grupo de religiosos, ele é um salvador. Para fugir de toda essa gente, Roy, com a ajuda do amigo Lucas (Joel Edgerton), parte numa jornada repleta de desafios e descobertas.

17 de dezembro de 2014

Êxodo: Deuses e Reis - Grandioso e decepcionante




O novo trabalho do cineasta Ridley Scott, o épico bíblico Êxodo: Deuses e Reis (Exodus: Gods and Kings, 2014), infelizmente ainda não é a obra que vai tirar o diretor da “má fase” que está passando. Scott já concebeu obras magníficas como Gladiador e Blade Runner, nos últimos anos, porém, está envolto em um ciclo interminável de filmes razoáveis, como os últimos O Conselheiro do Crime e Prometheus. Apesar de sua grandiosidade e do espetáculo visual, Êxodo: Deuses e Reis decepciona.


O épico é protagonizado por Christian Bale, que ao contrário de Scott, está em um ótimo momento na carreira, sendo este filme, apenas um pequeno “arranhão” na sua filmografia. Eu digo pequeno porque, a atuação de Bale é indiscutivelmente um dos pontos fortes da produção. É notável o esforço de Bale na composição do seu Moisés, os gestos, o modo de falar, tudo isso é incorporado cuidadosamente para que o público veja ali na telona o icônico personagem bíblico, e não Bruce Wayne.

Ramsés e Moisés: irmãos e inimigos


Êxodo: Deuses e Reis acompanha a famosa trajetória de Moisés, que libertou o povo Hebreu da escravidão, guiou o povo pelo deserto, atravessou o Mar Vermelho e com o auxílio de Deus, esculpiu a tábua com os 10 mandamentos. Então, você pensa, “quem diria que o Batman algum dia iria escrever as leis de Deus em uma pedra”. Pois é...


Além de Bale, os cenários grandiosos e detalhistas e os efeitos visuais arrebatadores merecem destaque, Ridley Scott é mestre em produzir épicos, todo mundo sabe. A cena da abertura do Mar Vermelho e as sequências das pragas, por exemplo, são fantásticas.

 Bale: um dos poucos motivos para ver o filme



Êxodo tem seus bons momentos, mas os defeitos são tantos que eles acabam prevalecendo e amontoando-se sobre as qualidades. A história, que começa de maneira apressada demais, torna-se arrastada e cansativa no segundo ato do filme. O ritmo melhora apenas quando o clímax está se aproximando, até lá o público ficou impaciente. Quanto ao antagonista, Ramsés, é insosso e impotente, graças à equivocada interpretação do Joel Edgerton (Guerreiro). Para piorar o quadro, vale destacar o mau uso de Sigourney Weaver, cuja personagem aparece duas vezes de forma relâmpago, sem motivo algum.


Apontando estas falhas e atributos de Êxodo: Deuses e Reis, a impressão que ficou após o término da sessão, é que o filme foi idealizado às pressas, preocuparam-se muito com o visual e menos com o ser humano à frente das câmeras e o desenvolvimento da história. Mas se você é fã de Christian Bale ou gosta - muito - de obras bíblicas, vale a pena conferir. Mas ressalto que Noé, lançado no primeiro semestre e de temática semelhante, é muito superior. Ah, o 3D é horrível e quase imperceptível.


NOTA: 6,5

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Noé 



9 de fevereiro de 2012

Tom Hardy em dose dupla!


Bronson e Guerreiro. Dois filmes que mostram os motivos de Christopher Nolan ter escolhido o ator para viver o vilão do novo Batman

 
A distribuidora perdeu muito dinheiro ao não lançar Guerreiro (Warrior, 2011), drama familiar sobre dois irmãos lutadores de MMA nos cinemas. Motivo? O esporte MMA (Artes Marciais Mistas) está em evidência e porque o filme tem poder suficiente para agradar tanto aos admiradores do vale-tudo, quanto aqueles que desconhecem o esporte, afinal, o filme vai além das intensas cenas de luta no ringue.


Guerreiro, já disponível em DVD no país, narra a jornada de dois irmãos separados por conflitos familiares, Tommy (Tom Hardy) e Brendan (Joel Edgerton), ambos lutadores de MMA, que devido a  algumas circunstâncias retornam ao ringue. Nick Nolte (indicado ao Oscar pelo seu papel aqui) é o pai negligente e alcoólatra dos lutadores.

Gavin O´Connor (diretor de Força Policial) usa o estilo documental para filmar as incríveis cenas de lutas, tornando-as realistas e impressionantes. É inevitável não gritar, xingar, pular, torcer pelos irmãos na hora do combate violento.

O drama dos personagens e as cenas de luta são priorizadas no longa, e o fato de ambos personagens já terem no passado uma relação com o MMA, quase excluiu da história as cenas de treinamento, ato que pode ser rejeitado para quem pensa que o filme vai mostrar uma visão mais profunda do esporte. 


Tom Hardy, pela sua cara típica de Bad Boy e aquele físico monstruoso (que já podemos notar nas fotos de divulgação de Batman: The Dark Night Rises), presta uma enorme densidade ao seu personagem,  porém,  quem rouba a cena é o seu colega de cena, Joel Edgerton, que interpreta o irmão Brendan, o professor, cuja atuação convence mais e tem aquela simpatia e carisma que falta no irmão. 

Ressalvas à parte, Guerreiro é imperdível, comovente, uma história bem contada que seduz o espectador desde os seus primeiros minutos. Veja o trailer.



Insano,  insólito,  e com um estilo bem próprio, Bronson (2008) nos faz lidar com emoções bem diferentes daquelas do drama de MMA. Dirigido pelo diretor do recente Drive, Nicolas Winding Refn, o longa  é baseado numa história verídica de Michael Peterson, considerado o prisioneiro mais violento do Reino Unido.


Tom Hardy interpreta o tal Bronson do título, o homem, o mito, a celebridade. O rapaz teve uma infância normal, na escola, sofria bullying de alguns garotos, mas na hora da briga ele nunca era a vítima. No decorrer do tempo, ele foi tomando gosto pelas brigas e aos 19 anos foi preso por roubar alguns poucos dólares de uma agência de correio. Pegou sete anos de prisão.  Foi no presídio que ele adotou o codinome de Charles Bronson – em homenagem ao ator de filmes de ação -  e se “apegou” estranhamente ao confinamento. No total, ele ficou preso por 34 anos, 30 deles,  ficou recluso na solitária.


O filme não segue uma narrativa comum e passeia pela mente perturbada do protagonista. As cenas em primeiro plano de Bronson, diante de uma plateia, onde conta a sua história fazendo caras e caretas, são as melhores cenas de Bronson, graças ao seu  talentoso intérprete. Ao contrário de seu papel em Guerreiro, aqui Hardy brilha indiscutivelmente, ele é o maior trunfo do filme, sem a  sua atuação inspirada de um anti-herói psicótico e tão complexo, a fita não teria tanto impacto.


O mais incrível é que esta história absurda é real, o cara realmente existe e está vivo até hoje. Bronson, o filme, ás vezes nos dar a impressão de que o diretor deixou muita coisa de fora acerca do personagem, pois Charles Bronson é uma figura bastante conhecida lá no Reino Unido há décadas, influenciou muitos outros prisioneiros a fazerem manifestações e inspirou várias obras literárias.

Porém, o retrato psicológico dado por Refn surpreende, resulta numa produção interessante, diferente, repleta de cenas de violência, nudez frontal, com um personagem de caráter único, cujo gesto de afeto era o equivalente a dar porrada em quem aparecesse no seu caminho.

Esta obra é rara de se encontrar no mercado brasileiro, mas assista ao trailer e fique com um gostinho.





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