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14 de fevereiro de 2014

The After: A série apocalíptica de Chris Carter



Oito estranhos se encontram por razões sobrenaturais - e intrigantes - no estacionamento de um edifício. Eles estão presos ali. Incomunicáveis com o mundo exterior, a tensão é crescente, tudo que eles querem é sair dali. Porém, mal sabem eles que lá fora a situação é caótica, o pânico tomou conta da multidão que se aglomera nas ruas e helicópteros colidem acima das cabeças desses reles mortais que a esta altura, já não sabem mais o que fazer ou para onde ir. É o início do apocalipse. Esta é a premissa e um resumo dos primeiros minutos de The After, a aguardada e nova empreitada de Chris Carter, mente genial por trás de Arquivo X, uma das melhores séries da história da TV.



Carter também dirige o primeiro episódio, são 54 minutos muito bem preenchidos com muita tensão, ação, suspense, desespero e um finalzinho chocante pra deixar o espectador morrendo de vontade de ver o próximo capítulo. Como fã de Arquivo X, eu aprovei o piloto, um eficiente exemplar sci-fi do jeitinho que eu gosto. Mas não simpatizei muito com os personagens, apesar de serem figuras interessantes, como o palhaço gay. Mas há uma exceção, D. Love, o ex-presidiário que se diz inocente, me chamou a atenção, é ele quem faz realmente as coisas acontecerem. Mas não se pode desenvolver tantos personagens em um só episódio, o foco do piloto foi mesmo mostrar o medo e a fragilidade humana em condições extremas, e isso, Carter soube transmitir com maestria.



Se depender dos fãs de Arquivo X, The After tem futuro certo, mas infelizmente há um “se” nessa história.  A série foi encomendada pela Amazon (futura concorrente da Netflix) e o público é que vai decidir se The After ganha temporada completa ou não. Ou seja, se você ficou afobado para ver o segundo episódio, pode esperar sentado numa cadeira bem macia. O piloto foi feito apenas para avaliação. O público dos Estados Unidos e da Alemanha votarão nos pilotos de séries e se gostarem do que assistiram, o programa será aprovado. Outros projetos encomendados pela Amazon são Mozart in the Jungle, protagonizado por Gael Garcia Bernal e Transparent, série cuja trama envolve um personagem que fez mudança de sexo.


Para fãs de ficção científica, The After não desagrada e Chris Carter está merecendo mesmo retornar à TV em grande estilo. 

O retorno do seriado, previsto para o início de 2015, com novos oito episódios, não vai mais acontecer. A Amazon cancelou The After, e  por enquanto, não deu nenhuma explicação aos fãs sobre a decisão. Uma pena. (Post atualizado no dia 25 de janeiro de 2015)
 
Assista a prévia:


17 de novembro de 2011

CONTÁGIO

Nada espalha mais que o medo. Nada é mais assustador que o próprio ser humano.





É impossível ver Contágio (Contagion, 2011) e não sair paranoico da sala de cinema. Pior ainda, é se deparar com pessoas tossindo próximas a você, depois de ver 1h40m de filme no qual a tosse é posta como uma das principais provas da contaminação da doença – sim, isso aconteceu comigo infelizmente, mas calma gente, estou bem, não tossi hoje, haha.

A culpa desse sentimento pós-sessão é do diretor Steven Soderbergh (Traffic, Erin Brockovich, Onze homens e um segredo, entre outros) que atribuiu à história um realismo assustador, fazendo-nos acreditar que algum dia, algo parecido pode acontecer na vida real. Oh wait, já aconteceu, a gripe H1N1! Pois é...

Damon recebe uma notícia nada boa...

Contando com um elenco invejável, Matt Damon, Gwyneth Paltrow, Marion Cotillard, Kate Winslet, Lawrence Fishburne, Jude Law e muito mais, todos eles de suma importância para a trama – se tem alguém que sabe trabalhar com um elenco grande e de peso, é Soderbergh - , o filme narra desde o primeiro paciente contaminado até o vírus matar milhões de pessoas ao redor do mundo e as cidades virarem um caos. Em Contágio, você verá o apocalipse chegando lentamente, vitimando pessoas normais, e ao contrário de The Walking Dead, elas morrem e não ressuscitam depois.

Não é mais um zoombie-movie, mas acredite, seres humanos descontrolados conseguem ser bem mais assustadores que os mortos-vivos. Como diz o cartaz do longa, “Nada se espalha como o medo”, acredito que realmente o medo pode ser considerado neste filme o grande vilão, até mais que o próprio vírus, as pessoas perdem a razão quando devem enfrentar uma situação inesperada com o qual não possuem o mínimo controle, elas ficam perigosas, egoístas, gerando aquele caos incontrolável.
O caos instalado!

O drama mostra esse desespero das pessoas quando a doença se alastra e chegam ao limite de depender do exército para comer, ok, algumas dessas “cenas de desespero” aqui talvez sejam um pouco exageradas, mas completamente presumíveis na realidade. Os ótimos Ensaio sobre a Cegueira (2008) e O nevoeiro (2007), também abordam esse viés psicológico da raça humana, mostrando que nós, terráqueos, podemos facilmente transformar-se em “monstros” em situações-limites.

Ai que dó, Kate! Bela sequência!

Em Contágio há cenas memoráveis, como aquela em que a médica interpretada por Kate Winslet sabe que foi contaminada, ou da personagem de Paltrow caindo no chão com convulsões, há uma trilha sonora bem tensa, discussões interessantes sobre conspiração farmacêutica – Vick Vaporub se beneficiou da gripe espanhola, um prato cheio para quem curte conspirações hein! - , e a questão da prioridade dada à elite em relação à vacina, são coisas que nos faz refletir bastante.

Ah, e como já disse, todo aquele realismo que fará você ficar um pouquinho paranoico - evite passar as mãos no rosto, cuidado com as mãos de quem a aperta, lave-as depois, fica longe de gente tossindo, e por aí vai...mas espere, isso nem é paranoia, é realidade, muita gente faz isso desde a explosão da gripe suína! Vixi.....o apocalipse está perto e ele virá na forma discreta de um minúsculo ser vivo!

26 de março de 2010

O Livro de Eli



Já perceberam que Hollywood adoram destruir o planeta? Com certeza sim. E como tem outros tantos filmes retratando a "vida" num mundo pós - apocalíptico? Bom, a lista é longa: Independence Day, Mad Max, Eu Sou a Lenda, Wall-E, A Estrada e outros tantos. Pois é, a idéia de como o mundo vai acabar ou em como seria a vida após uma tragédia global é algo que fascina, e muito os responsáveis pelos "espetáculos" que vemos na salas escuras do cinema. O Livro de Eli, estrelado por Denzel Washington, é mais uma produção que mostra a humanidade - ou o que resta dela - num mundo devastado por uma catástrofe - algo não explícito nesse filme.

Em O Livro de Eli (The Book of Eli, 2010), dirigido pelos irmãos Hughes ( responsáveis pelo ótimo Do Inferno), o mundo é acinzentado, feio, seco, a grande maioria das pessoas são analfabetas, sujas, não conhecem várias tecnologias existentes hoje, como o Ipod. Ou seja, a civilização regrediu centenas de anos. Voltou aos tempos onde quem tem a informação tem poder.


Carnegie, vivido pelo ótimo Gary Oldman, é a única esperança de uma pequena cidade, no qual é o prefeito. Não porque houve uma eleição, mas porque ele tinha informações essenciais para a sobrevivência da raça humana. Apenas ele sabia o lugar onde existia água, algo precioso naquelas circunstâncias. Mas para ele dominar o lugar e por seqüência o mundo , ele está obcecado em encontrar um livro. Não é um livro qualquer, é a Bíblia. Ele acredita que os escritos da Bíblia tem poder suficiente para seus desejos ambiciosos, como ter a humanidade a seus pés. Mas esse livro sagrado é raro. Mas como já diz o título do filme, Eli possui o livro. E o xerife fará de tudo para pegá-lo.


Eli em uma das melhores cenas do filme.

Parece um pouco simples a trama, mas não se engane. Não é mais um filme de "gato e rato". O longa induz ao espectador a se fazer várias perguntas e tem conteúdo suficiente para criar discussões em grupo por várias horas. Outro ponto alto, são as cenas de luta impressionantes, e muito bem coreografadas, Eli deixa o Neo de Matrix no chão. O final surpreendente e anti-holywoodiano são outros bons motivos que diferencia este filme daqueles outros citados lá no início, e o torna único e obrigatório para qualquer pessoa, independente da religião.
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