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29 de novembro de 2016

A Chegada


Desde que chamou a atenção de Hollywood com o elogiado Incêndios, o cineasta Denis Villeneuve vem construindo uma filmografia impecável e de dar inveja, seu último filme, o sci-fi A Chegada (Arrival, 2016), é mais um trabalho imperdível desse diretor que até agora não “errou a  mão”.

Em A Chegada, pode-se perceber traços de outros filmes de Villeneuve, o suspense psicológico de Os Suspeitos, o toque enigmático de O Homem Duplicado e a tensão de Sicario: Terra de Ninguém dão o tom nessa ficção científica de sensibilidade ímpar e com pose de clássico.


15 de agosto de 2015

Missão: Impossível – Nação Secreta - Um filme de ação diferenciado




Tom Cruise é o ator mais corajoso do cinema, isso é inquestionável, que outro astro arrisca a vida dispensando dublês pulando de arranha-céus e se pendurando em aviões em movimento? A arrepiante sequência inicial de Missão: Impossível - Nação Secreta (Mission: Impossible - Rogue Nation, 2015) é justamente essa do avião, que por si só, já vale a pena ver o filme. Esse é o quinto capítulo de uma das franquias mais sólidas do cinema, que até agora, não tem sequer um filme ruim.

Brian De Palma, John Woo, J. J. Abrams e Brad Bird foram os diretores que já imprimiram o seu estilo em cada um dos filmes da saga de Ethan Hunt,  agora, Christopher McQuarrie (do ótimo Jack Reacher, também com o Tom Cruise e a exuberante Rosamund Pike) dá o seu toque em Missão: Impossível - Nação Secreta e realiza uma obra baseada em um jogo de aparências repleto de intrigas no qual ninguém é confiável.


Na trama, a MI6 é desmantelada e obriga Ethan Hunt a agir sozinho, além de perseguir uma rede criminosa chamada Sindicato, o agente ainda é caçado pela CIA. Ethan continua contando com a ajuda de Jeremy Renner (Brandt), Ving Rhames (Luther) e Simon Pegg (Benji), que ganha maior destaque na série - ebaaa - e é responsável pela parte cômica. Mas com os recursos escassos, Hunt vai precisar também da ajuda da misteriosa e sedutora Ilsa Faust, personagem de Rebecca Ferguson (de The White Queen e Hércules) que rouba a cena e os nossos corações.  

McQuarrie já se mostrou um diretor de ação diferenciado em Jack Reacher, em Nação Secreta, ele cria as sequências de suspense e de ação mais fantásticas e engenhosas do ano: a longa sequência nos bastidores de uma ópera, a missão de Hunt debaixo d´água - que nos deixa até sem fôlego - e a visualmente bela sequência em Londres. 


As cenas de ação diferenciadas e detalhadamente planejadas, a recusa do uso de dublês, a escolha minuciosa do diretor, entre outras coisas, apenas ressalta a preocupação do Tom em estar sempre renovando a franquia e entregar aos fãs nunca o “mais do mesmo”, mas o melhor filme da saga ou o melhor filme de ação do momento, por isso, apesar de ser o quinto capítulo, Nação Secreta, que já pode ser considerado um dos melhores da franquia, revigora a série e traz um genuíno filme de ação, sem excessos e com a proposta de dar ao espectador algo mais substancial e diferente das produções recentes do gênero.

E Tom Cruise, claro que eu ia falar dele, bom, o ator com 53 anos continua em plena forma e perfeito na pele do herói e mostra que ainda tem pique para mais algumas sequências. E que venham mais boas e surpreendentes missões impossíveis pela frente...Veja o trailer!

NOTA: 9,0

1 de fevereiro de 2014

Trapaça


Já nos primeiros minutos de Trapaça (American Hustle, 2013), elogiado drama indicado a dez Oscars este ano, somos apresentados a um dos melhores trunfos do filme, Christian Bale, surpreendente e brilhante em um papel cômico. Bale ganhou uns quilinhos e uma pança enorme, na primeira cena do filme, seu personagem surge lutando com seus poucos fios de cabelo para encobrir a calvície.  Simplesmente pitoresco!

David O. Russell é um diretor talentosíssimo, sua maior habilidade é tirar o melhor dos atores com os quais trabalha, assim é Trapaça, cujo ponto forte é a notável atuação do elenco e consequentemente, os personagens que interpretam. É aquele típico filme no qual grande parte do público vai sair do cinema comentando sobre situações específicas de algum personagem e não pela história em si, como por exemplo, a cena do Bale que eu falei no início ou o momento em que Jennifer Lawrence canta Live and Let Die loucamente.

Trapaça com elegância

Então já que a principal qualidade do drama é o elenco afiado, vou me ater a ele. Como já disse Bale (nosso eterno Batman) está um arraso, sua capacidade de mudar o físico para um personagem apenas o eleva ainda mais a astro de primeira grandeza, um dos mais destemidos de sua geração. Bradley Cooper, de cabelos enroladinhos, tem uma performance que também merece reconhecimento, embora ele exagere nas caras e bocas em alguns momentos. O fato é que, Cooper tem talento e pode sim ter uma carreira séria e diversificada na tela do cinema (Favor, assistam O Lugar Onde Tudo Termina) e se desvirtuar de papéis em comédias, gênero pelo qual ficou famoso.


No time das mulheres, Amy Adams sensualiza a cada frame, ah aqueles decotes.  Jennifer Lawrence, é sem dúvida o grande chamariz do filme, mostra novamente porque é uma das atrizes mais talentosas e carismáticas do momento. Quem for ao cinema com o único intuito de ver a atriz de Jogos Vorazes não se arrependerá. Não é exagero dizer que a narrativa torna-se mais envolvente quando a sua personagem Rosalyn, esposa de Irving (Bale), entra em cena. Instável, cômica e complexa na pele de Rosalyn, Lawrence ganha a simpatia de todos com um papel tão ousado, é muito bom vê-la em ação.

Em resumo, Trapaça é uma comédia sobre vigaristas que envolvem a polícia, políticos e gângsteres ambientada nos anos 70, por isso a trilha nostálgica e tão conhecida é um pequeno deleite. O. Russell tem um enredo engenhoso e inteligente na mão, mas que poderia ter melhor resultado se a história fosse condensada e mais dinâmica, porém, a riqueza dos protagonistas torna todo o resto em algo não muito relevante. É um bom trabalho do diretor e um dos melhores filmes do ano, mas não o melhor para ganhar o Oscar.


NOTA: 8,0

14 de novembro de 2010

Ben Affleck - A reviravolta de um ator

Ben Affleck mostra suas armas e se consagra como diretor 
com o thriller Atração Perigosa

A crítica especializada adora “malhar” a atuação do Ben Affleck seja lá qual for o filme. Parece até um complô coletivo da imprensa. Tudo bem, ele pode parecer inexpressivo em alguns filmes, mas ele é um bom e eficiente ator, e ainda tem carisma. Mas felizmente, Ben é mais talentoso em outras funções. Se ele deixa a desejar na frente das câmeras, é atrás delas que tem maior êxito, sendo roteirista e diretor.
Em 2007, o garoto que há mais dez anos ganhou o Oscar de Melhor Roteiro com o seu amigo Matt Damon por Gênio Indomável, lançou o seu primeiro filme como diretor: Medo da Verdade. O longa foi elogiado pela crítica – é verdade, o filme é surpreendente - e deu ao ator a chance e a confiança de se aventurar novamente na direção.

Este ano Affleck lançou seu segundo filme, Atração Perigosa (The Town, 2010), e o sucesso de público e – de novo - da crítica mundial atribuiu muito mais que notoriedade e uma mudança na visão da imprensa, que até agora, enxergavam Affleck apenas como um ator mediano e ex-marido de Jennifer Lopez. Ben é visto agora como um ator que deu uma virada na carreira, um diretor competente e que ainda tem muito a revelar. 
Ambientado na cidade de Boston - lugar perfeito para a história, Atração Perigosa (que tradução hein....) é um drama policial envolvente, cenas de ação empolgantes, um elenco de primeira e interpretações marcantes. Affleck interpreta MacRay que se envolve com Claire (Rebecca Hall, encantadora), a gerente de banco que ele fez de refém no dia do roubo. MacRay e seus amigos – assaltantes - descobrem que ela mora na vizinhança e que a qualquer momento ela pode reconhecê-los. Assim, MacRay aceita vigiar a garota para checar se ela ajudará a Polícia. Logo, o assaltante se envolve com a ex-refém tornando a história interessante, instigante e sedutora.

Elenco bonito na estreia do filme.

Jon Hamm (o Don Draper da cultuada série Mad Men) interpreta o chefe da polícia que caça a gangue de assaltantes, a Gossip Girl Serena, Blake Lively (mostrando que além de linda, tem talento) é a antiga namorada de MacRay,e finalizando o super elenco, Jeremy Renner (Guerra ao Terror) interpreta o amigo explosivo e também participante do grupo de assaltantes.

Gossip Girl encontra um Mad Man!

Sabe aquele ditado que diz, "ninguém é bom em tudo"? Talvez isso se aplique ao Ben Affleck, ele é bom ator, mas é ótimo diretor. Ou talvez seja só a mídia criticando alguém, afinal, ela precisa criticar alguém, e infelizmente o escolhido foi o Ben, mas ele mostrou um “algo a mais” que muitos não contavam: talento na direção. Enfim, longa vida à carreira de Affleck como ator, roteirista e principalmente como diretor. Esse garoto vai longe....

10 de fevereiro de 2010

A briga pelo Oscar 2010 em um ano sem novidades


Curiosamente, este ano os dois filmes com maior número de indicações (nove cada um) são longas que possuem disparidades gigantescas. Um deles é sucesso absoluto, já bateu todos os recordes possíveis, inclusive de filme mais visto nos EUA e o de maior bilheteria da história (por enquanto está na casa dos impressionantes 2,2 bilhões no mundo) ultrapassando o antes inalcançável, Titanic. Ou seja, todos estão vendo Avatar de James Cameron. Já o seu concorrente pelas estatuetas douradas, é um filme que praticamente ninguém viu. Pelo menos ainda. É o drama Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow (que acredite, já foi esposa de Cameron) já lançado em DVD aqui no Brasil e lá fora, faturou míseros 16 milhões nas bilheterias, mas por causa das indicações ao Oscar está ganhando uma segunda chance, voltando às salas de cinema.

Avatar pode até (e merece) levar os prêmios técnicos da premiação, mas não o prêmio de "melhor filme" . E digo que o drama denso de guerra também não é bom o suficiente para levar o maior prêmio da noite. Para quem desconhece esse filme, Guerra ao Terror (The Hurt Locker) acompanha o dia a dia de homens que estão no Iraque desempenhando a perigosa e imprevisível função de desarmar bombas. Cenas tensas permeiam todo o filme, é de roer as unhas. Destaque para a complicada relação entres os três personagens principais que precisam conviver com a personalidade forte do protagonista, o impulsivo William James (Jeremy Renner, indicado ao Oscar de melhor ator, ele arrasa realmente), o especialista em desarmar bombas que adora "bancar o Rambo", deixando seus amigos nervosos e com a maior vontade de socar a cara dele. Sim, é um ótimo filme, mas não é filme de Oscar.

Jeremy Renner, interpretação inspirada.

Confesso que o ano está fraquíssimo em relação aos longas indicados. Não tem nenhum em que eu esteja torcendo fervorosamente e nenhuma produção me fez pensar após sair da sala de cinema: "Meu Deus, que maravilha, esse filme tem que levar todos os prêmios". Isso aconteceu ano passado, com o maravilhoso Quem Quer ser um Milionário?. Mas tenho o meu preferido de 2010: Amor Sem Escalas. Sei que dificilmente esse belo longa protagonizado por George Clooney irá levar alguma coisa, mas esse realmente merece ser premiado como Melhor Filme. 

A história sobre um homem solitário que viaja para todos os lugares demitindo pessoas, agradou os críticos e o público. Tem uma direção segura de Jason Reitman, ótimas interpretações de todo o elenco. É um drama leve e inteligente, e ainda apresenta uma abordagem de temas tão oportunos e atuais que incitam o espectador a refletir sobre suas ações. A produção tem todos os requisitos para levar a maior estatueta da noite do dia 7 de março, mas sinceramente penso que não vamos ouvir aquela famosa frase: E o Oscar vai para...Amor Sem Escalas.
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