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29 de novembro de 2016

A Chegada


Desde que chamou a atenção de Hollywood com o elogiado Incêndios, o cineasta Denis Villeneuve vem construindo uma filmografia impecável e de dar inveja, seu último filme, o sci-fi A Chegada (Arrival, 2016), é mais um trabalho imperdível desse diretor que até agora não “errou a  mão”.

Em A Chegada, pode-se perceber traços de outros filmes de Villeneuve, o suspense psicológico de Os Suspeitos, o toque enigmático de O Homem Duplicado e a tensão de Sicario: Terra de Ninguém dão o tom nessa ficção científica de sensibilidade ímpar e com pose de clássico.


17 de fevereiro de 2014

Ela (Her)



O criativo diretor Spike Jonze explora em várias camadas os relacionamentos amorosos no tocante Ela (Her, 2013). Durante o filme acompanhamos o nascer e o desabrochar de uma história de amor entre um homem e um sistema operacional, vislumbramos um pouco as consequências de um relacionamento já terminado e há ainda um terceiro que já mostra sinais de desgaste.  É um tema difícil de falar, eu sei, você sabe, mas Jonze conseguiu dizer muito sobre o amor e a difícil tarefa de manter uma relação a dois.

Na verdade, falar sobre o amor envolvendo a tecnologia é um caminho já trilhado pelo cineasta. Anos atrás, Jonze dirigiu um curta, o espetacular Estou Aqui, um história comovente sobre dois robôs que se apaixonam. Se não viu, assista aqui!



Voltando a Ela, Joaquin Phoenix é Theodore, um homem melancólico e solitário, ainda bastante magoado com a separação da mulher. Até que um dia ele instala um sistema operacional em seu computador. A tal tecnologia tem a linda voz de Scarlett Johansson e a capacidade de evoluir e aprender de acordo com a interação que tem, nesse caso, o Theodore. Não basta muito tempo para que ele volte a sorrir e a viver mais por conta da relação agradável e “perfeita” com o computador.

Uma das muitas questões que o roteiro proporciona a gente pensar, é que as pessoas evoluem e se num relacionamento uma das partes não consegue acompanhar as mudanças do parceiro, a relação está fadado ao fracasso. Outra boa sacada do roteiro é tratar a relação homem x computador de forma natural, sem preconceitos, afinal, hoje em dia ter uma relação virtual não é mais uma novidade. No entanto, Jonze faz questão de mostrar, de forma sucinta, que as interações na vida real ainda são insubstituíveis.



Joaquin Phoenix, como sempre, está esplêndido em sua atuação, interagindo na maioria do tempo com uma voz sussurrando no ouvido. É um papel muito diferente do que ele vem fazendo ultimamente. Já a moça da voz, Johansson, mereceria até um prêmio especial por sua colaboração aqui, sua voz transmite alegria, tristeza, espontaneidade, compreensão e afeição não apenas a Theodore, mas ao público também, impossível não reagir a este casal improvável do cinema. Destaque também para a participação de Amy Adams -  sem os decotes e a sensualidade de sua personagem em Trapaça -  amiga do protagonista e que lentamente vai ganhando importância na trama.

Com sensibilidade e muitas cores, além de personagens tão vulneráveis e humanos, Spike Jonze tornou a sua love story um instrumento poderoso, profundo e reflexivo acerca das relações contemporâneas, sejam elas virtuais ou reais.


NOTA: 9,5

1 de fevereiro de 2014

Trapaça


Já nos primeiros minutos de Trapaça (American Hustle, 2013), elogiado drama indicado a dez Oscars este ano, somos apresentados a um dos melhores trunfos do filme, Christian Bale, surpreendente e brilhante em um papel cômico. Bale ganhou uns quilinhos e uma pança enorme, na primeira cena do filme, seu personagem surge lutando com seus poucos fios de cabelo para encobrir a calvície.  Simplesmente pitoresco!

David O. Russell é um diretor talentosíssimo, sua maior habilidade é tirar o melhor dos atores com os quais trabalha, assim é Trapaça, cujo ponto forte é a notável atuação do elenco e consequentemente, os personagens que interpretam. É aquele típico filme no qual grande parte do público vai sair do cinema comentando sobre situações específicas de algum personagem e não pela história em si, como por exemplo, a cena do Bale que eu falei no início ou o momento em que Jennifer Lawrence canta Live and Let Die loucamente.

Trapaça com elegância

Então já que a principal qualidade do drama é o elenco afiado, vou me ater a ele. Como já disse Bale (nosso eterno Batman) está um arraso, sua capacidade de mudar o físico para um personagem apenas o eleva ainda mais a astro de primeira grandeza, um dos mais destemidos de sua geração. Bradley Cooper, de cabelos enroladinhos, tem uma performance que também merece reconhecimento, embora ele exagere nas caras e bocas em alguns momentos. O fato é que, Cooper tem talento e pode sim ter uma carreira séria e diversificada na tela do cinema (Favor, assistam O Lugar Onde Tudo Termina) e se desvirtuar de papéis em comédias, gênero pelo qual ficou famoso.


No time das mulheres, Amy Adams sensualiza a cada frame, ah aqueles decotes.  Jennifer Lawrence, é sem dúvida o grande chamariz do filme, mostra novamente porque é uma das atrizes mais talentosas e carismáticas do momento. Quem for ao cinema com o único intuito de ver a atriz de Jogos Vorazes não se arrependerá. Não é exagero dizer que a narrativa torna-se mais envolvente quando a sua personagem Rosalyn, esposa de Irving (Bale), entra em cena. Instável, cômica e complexa na pele de Rosalyn, Lawrence ganha a simpatia de todos com um papel tão ousado, é muito bom vê-la em ação.

Em resumo, Trapaça é uma comédia sobre vigaristas que envolvem a polícia, políticos e gângsteres ambientada nos anos 70, por isso a trilha nostálgica e tão conhecida é um pequeno deleite. O. Russell tem um enredo engenhoso e inteligente na mão, mas que poderia ter melhor resultado se a história fosse condensada e mais dinâmica, porém, a riqueza dos protagonistas torna todo o resto em algo não muito relevante. É um bom trabalho do diretor e um dos melhores filmes do ano, mas não o melhor para ganhar o Oscar.


NOTA: 8,0

16 de julho de 2013

Homem de Aço renasce em filme grandioso!



O visionário Zack Snyder toma atitudes corajosas para (re)contar a história do super-herói mais famoso do mundo e surpreende. Super-homem finalmente ganhou um longa-metragem correspondente à sua grandeza, O Homem de Aço (Man of Steel, 2013) é frenético, intenso, exagerado - no bom sentido - e a ação é desenfreada e quase ininterrupta, um presente para os fãs que reclamaram da falta de cenas de lutas e batalhas épicas no filme anterior, Superman - O Retorno.  Snyder não poupou nas cenas de ação, e ele ainda queria mais. O cineasta revelou que na tela, está apenas a metade do que ele e sua equipe tinham preparado.

Kal-El tenta parecer um ser "normal".

O diretor sabia o grande desafio que tinha em suas mãos quando aceitou comandar esse reboot, os últimos filmes do super-herói não agradaram muito os fãs. Snyder compreendeu que era necessário dar um novo fôlego ao homem de aço e para isso, era preciso excluir alguns elementos do universo do herói incansavelmente explorado nos longas anteriores, como a escolha de Lex Luthor como vilão, a Kryptonita, e até a clássica, mas cansativa, trilha de John Williams. Para mim, Snyder foi feliz ao tomar estas decisões.  Outro grande acerto de O Homem de Aço é a narrativa não-linear, flashbacks apresentando a infância e a adolescência de Clark Kent contornam todo o filme, funcionando como momentos de calmaria entre o barulho das cenas de ação.

Amy Adams como Lois Lane.

O elenco da super-produção também foi muito bem escolhido. Foi muito bom ver Russell Crowe, como Jor-El, lutando com vontade como há tempos não se via, desde Gladiador? Lois Lane ganhou uma intérprete que esbanja carisma, Amy Adams deu a sua própria versão da repórter, mais guerreira, corajosa e mais forte que as versões anteriores.  Kevin Costner e Diane Lane, que vivem os pais adotivos de Clark, Jonathan e Martha Kent, também estão ótimos em seus personagens. São eles responsáveis pelos momentos mais emotivos do longa. Michael Shannon faz de General Zod, o vilão mais temível de todos os filmes do super-herói, e por fim, Henry Cavill, o intérprete de Kal-El/Clark Kent, impressiona, embora absurdamente musculoso, o ator mostra que não integrou a série The Tudors à toa por 4 anos, e faz um herói cheio de sentimentos e em busca das respostas certas para a sua existência na Terra.  

Quem disse que Superman não pede carona.

Zack Snyder, ao lado do produtor Christopher Nolan, responsável por dar um certo ar de realismo na trama, criaram um reboot que também fez questão de humanizar o super-herói, fato que fica evidenciado nos momentos de “andarilho” de Clark, nas cenas que refletem a preocupação com seus dilemas morais e na belíssima sequência em que veste pela primeira vez o uniforme. Ah, sem falar na singela cena em que Clark entra na igreja para pedir conselho ao padre. O diretor estava sim, preocupado com o cara por trás do mito, e não só com as cenas de ação espetaculares e bem comandadas. (Michael Bay deveria pegar umas dicas com Zack de como filmar sequências de ação sem cansar o espectador).

Zack Snyder e Henry Cavill. 

O Homem de Aço é um dos melhores filmes do ano e do super-herói com certeza. Assim como o S que estampa o peito do uniforme do herói difunde a esperança em um mundo não muito justo, também tenho esperança de que a sequência dessa aventura aconteça muito em breve, aqui neste mundo real.



4 de dezembro de 2011

O retorno sensacional de Os Muppets



 
Há 12 anos afastados do cinema e do show business, os Muppets, os fantoches mais fofos e queridos da TV, criados nos anos 50 por Jim Henson, o mesmo criador de Vila Sésamo, voltaram com TUDO no divertidíssimo filme Os Muppets (The Muppets, 2011), e estão dispostos a conquistar o seu espaço no mundo pop atual. Acho que isso já está acontecendo...

O filme pode ser uma grata surpresa para os mais jovens - como eu, por exemplo, que conhecia os bonecos mas pouco lembrava das aventuras que assistia quando criança  -  e para os mais crescidinhos,  uma sessão nostálgica, uma  oportunidade de rever os personagens que os alegravam quando pequenos. Os Muppets é dedicado para todos os públicos e faixas etárias,  abrangência  que  Hollywood deseja sempre inserir em seus blockbusters, mas que raramente consegue realizar algo agradável e agradar  a todos os públicos simultaneamente.  

 Eles tiram sarro de tudo, nem Crepúsculo ficou de fora!

 





















As crianças “abraçarão” o filme por causa do aspecto “fofo”, dos olhos arregalados, da boca grande dos fantoches e das suas aventuras e loucuras, enquanto os jovens e os adultos irão  se deliciar com as piadas inteligentes, as referências aos anos 80 e as hilárias participações especiais, como o Jim Parsons (o Sheldon de The Big Bang Theory) e a melhor de todas, na minha opinião,  a Emily Blunt, interpretando a sua personagem de O Diabo veste Prada, só que agora, ela é a assistente da Miss Piggy, dona da Vogue-Paris. Impagável!


A metalinguagem utilizada em Os Muppets é o grande fator responsável por 98 minutos de diversão e risadas, as piadas que fazem sobre eles mesmos são os pontos altos e os mais engraçados da fita, como o momento em que eles tiram sarro do próprio número musical e num outro instante em que um dos muppet tem a brilhante ideia de usar a edição para “apressar” a história. RI MUITO!. Tal recurso metalinguistico também é fruto de um roteiro muito inteligente escrito por Jason Segel, que também atua no filme, ele é o Gary,  par romântico de Mary, vivida pela simpática e talentosa Amy Adams. 

 Kermit e Miss Piggy parodiando o cartaz de Os Homens que não amavam as mulheres. Adorei!

 





















Mas, e a trama? Basicamente é o que mencionei no primeiro parágrafo, ou seja, ela é equivalente à realidade: os muppets precisam voltar ao mundo pop depois de anos afastados e esquecidos do grande público, isso é só o que você precisa saber, vá ao cinema sem medo de ser feliz e dê boas risadas, se livre daquele preconceito de que o filme é “infantil”, você irá se divertir tanto quanto o seu filho - caso você tenha algum - talvez até mais que ele. O único defeito de Os Muppets é que você fica com a sensação de “quero mais” após  o happy and beautiful end!

Bom, os muppets não estão apenas nos cinemas, a internet está aí para saciar nossa sede pelos queridos fantoches. Olha o que encontrei!

Miss Piggy se jogando descaradamente pro eterno superman, Christopher Reeve, hilário!


  


E a divertida versão-muppet de Bohemian Rhapsodia, do Queen:



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