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4 de setembro de 2016

Hardcore: Missão Extrema


Em tempos em que os filmes de ação se resumem basicamente a filmes de super-heróis e de agentes (Kingsman, Jason Bourne), é reconfortante saber que, fora do mainstream, tem gente no cinema trabalhando para trazer inovação a esse gênero tão subestimado e oferecer ao público uma obra desafiadora, ousada e diferente de qualquer filme de ação que você tenha visto ultimamente, é o caso de Hardcore: Missão Extrema (Hardcore Henry, 2015), do estreante  diretor russo Ilya Naishuller – que também roteirizou o longa – e protagonizado por Sharlto Copley (Distrito 9, Elysium).

Sabe esses vídeos em que uma pessoa com uma câmera GoPro atrelada à cabeça realiza perigosas aventuras de bike ou esportes radicais e nos deixam tontinhos, parece até que estamos ali com ela? Pois então, Hardcore: Missão Extrema utiliza esse recurso de uma maneira bastante eficiente durante todo o filme, colocando o espectador sob a perspectiva do personagem principal Henry.

20 de setembro de 2015

Maze Runner: Prova de Fogo - Ordinário, mas divertido




No ano passado, o público aprovou mais uma adaptação juvenil, Maze Runner: Correr ou Morrer, baseado na obra de James Dashner. Estrelado pelo promissor Dylan O´Brien, de Teen Wolf, o filme teve êxito por ter uma premissa intrigante e um mistério crescente que segurava a atenção do espectador do início ao fim. Um ano após essa agradável surpresa juvenil, estreia a continuação, Prova de Fogo (Scorch Trials, 2015), que se distancia dos acontecimentos do livro e prefere se afogar nos clichês do gênero cinematográfico, tornando-a assim, inferior ao antecessor.


O fato é que Maze Runner: Prova de Fogo é uma aventura ordinária, convencional demais e que por mais que as sequências de ação sejam bem produzidas e de tirar o fôlego -  a cena do vidro, a do túnel, da tempestade, são ótimas -  elas são enfiadas goela abaixo à força para entreter o público-alvo, só por isso, não importa se tais cenas precisam ter algum sentido dentro da história. Pra que sentido, né? Pois o público só quer mesmo é ver o Dylan O´Brien correr....



Prova de Fogo começa bem, com Thomas (O´Brien) e  seus amigos enclausurados em uma fortaleza cercada de mistérios e incertezas, mas a previsibilidade ganha força quando os jovens sobreviventes do labirinto - aaaah, que saudades do labirinto, da Clareira... – enfrentam os perigos do deserto e de uma sociedade colapsada e desconfiada em meio a construções em ruínas. 


No primeiro Maze Runner, Thomas lutava não só contra criaturas horrendas, mas também contra o conformismo e a resistência daqueles que tinham medo de sair da Clareira, agora, o protagonista, destemido como sempre, tem que lidar com o desconhecido num mundo perverso e  ainda carrega consigo a responsabilidade de manter vivos todos os seus amigos que o seguem, mesmo sabendo que ele não tem plano algum.



Apesar de tudo o que citei e do final bagunçado, Prova de Fogo não é um filme ruim, diverte pacas, se salva pelos personagens carismáticos, o cenário distópico impressionante, as já citadas sequências de ação e deixa o público com altas expectativas para o próximo capítulo, que tem muito potencial para ser superior a este. Confira AQUI o trailer.


NOTA: 6,5

15 de agosto de 2015

Missão: Impossível – Nação Secreta - Um filme de ação diferenciado




Tom Cruise é o ator mais corajoso do cinema, isso é inquestionável, que outro astro arrisca a vida dispensando dublês pulando de arranha-céus e se pendurando em aviões em movimento? A arrepiante sequência inicial de Missão: Impossível - Nação Secreta (Mission: Impossible - Rogue Nation, 2015) é justamente essa do avião, que por si só, já vale a pena ver o filme. Esse é o quinto capítulo de uma das franquias mais sólidas do cinema, que até agora, não tem sequer um filme ruim.

Brian De Palma, John Woo, J. J. Abrams e Brad Bird foram os diretores que já imprimiram o seu estilo em cada um dos filmes da saga de Ethan Hunt,  agora, Christopher McQuarrie (do ótimo Jack Reacher, também com o Tom Cruise e a exuberante Rosamund Pike) dá o seu toque em Missão: Impossível - Nação Secreta e realiza uma obra baseada em um jogo de aparências repleto de intrigas no qual ninguém é confiável.


Na trama, a MI6 é desmantelada e obriga Ethan Hunt a agir sozinho, além de perseguir uma rede criminosa chamada Sindicato, o agente ainda é caçado pela CIA. Ethan continua contando com a ajuda de Jeremy Renner (Brandt), Ving Rhames (Luther) e Simon Pegg (Benji), que ganha maior destaque na série - ebaaa - e é responsável pela parte cômica. Mas com os recursos escassos, Hunt vai precisar também da ajuda da misteriosa e sedutora Ilsa Faust, personagem de Rebecca Ferguson (de The White Queen e Hércules) que rouba a cena e os nossos corações.  

McQuarrie já se mostrou um diretor de ação diferenciado em Jack Reacher, em Nação Secreta, ele cria as sequências de suspense e de ação mais fantásticas e engenhosas do ano: a longa sequência nos bastidores de uma ópera, a missão de Hunt debaixo d´água - que nos deixa até sem fôlego - e a visualmente bela sequência em Londres. 


As cenas de ação diferenciadas e detalhadamente planejadas, a recusa do uso de dublês, a escolha minuciosa do diretor, entre outras coisas, apenas ressalta a preocupação do Tom em estar sempre renovando a franquia e entregar aos fãs nunca o “mais do mesmo”, mas o melhor filme da saga ou o melhor filme de ação do momento, por isso, apesar de ser o quinto capítulo, Nação Secreta, que já pode ser considerado um dos melhores da franquia, revigora a série e traz um genuíno filme de ação, sem excessos e com a proposta de dar ao espectador algo mais substancial e diferente das produções recentes do gênero.

E Tom Cruise, claro que eu ia falar dele, bom, o ator com 53 anos continua em plena forma e perfeito na pele do herói e mostra que ainda tem pique para mais algumas sequências. E que venham mais boas e surpreendentes missões impossíveis pela frente...Veja o trailer!

NOTA: 9,0

7 de junho de 2015

A Espiã Que Sabia De Menos






Quem acompanha o Cinemidade sabe que não se vê por aqui críticas de comédias, as razões são diversas. Primeiro, porque é um gênero muito desfavorecido de originalidade, segundo, porque eu não aprecio o humor do tipo pastelão, o que envolve a maioria das produções - odeio filmes de Adam Sandler e similares -  e prefiro comédias que possuam um humor mais irônico e inteligente, como os filmes do Paul Feig, diretor do ótimo Missão Madrinha de Casamento e do divertidíssimo A Espiã Que Sabia De Menos (Spy, 2015).


Depois do impressionante Kingsman: Serviço Secreto, A Espiã Que Sabia De Menos é mais um bem sucedido derivado do gênero de filmes de espionagem que estreou nos cinemas este ano. Esqueça as comédias de espionagem protagonizadas pelo Mr. Bean, Paul Feig eleva o nível e estabelece um humor que não subestima nossa inteligência, afiado e brinca com estereótipos sem ofender ninguém.

  Cooper em ação e disfarçada como uma boa agente

Melissa McCarthy – que faz a gente rir sem se esforçar muito – é a estrela da comédia que ainda traz um Jason Statham desbocado e hilário - acredite se quiser - um Jude Law  charmoso, como sempre, e Rose Byrne (Vizinhos, Sobrenatural) impagável na pele de uma bitch glamourosa e criminosa. E ainda tem a desconhecida Miranda Hart, roubando a cena como Nancy, a agente destrambelhada e amiga de Susan Cooper (McCarthy).


Na trama, Cooper é uma agente da CIA que trabalha no porão da agência auxiliando os agentes de campo nas missões ultra perigosas. Um dia, Susan torna-se a única esperança da agência para impedir que um ataque terrorista se concretize e então, ela recebe a missão e sai do porão para viver aventuras inimagináveis.

Uma dupla improvável e explosiva


A Espiã Que Sabia De Menos traz cenas de ação e de luta bem elaboradas e sem exageros, a história se desenvolve de forma fluída, as reviravoltas da trama não são incoerentes, o enredo prende o espectador até a improvável - mas aguardada, por mim ao menos - cena final e tem Melissa McCarthy dando o seu melhor em cada cena, cada diálogo. Os momentos em que Susan xinga sem piedade a personagem vilã de Rose Byrne para diminuir a sua moral, rendem boas  gargalhadas. Já no aguardo da sequência. Confira AQUI o trailer.


NOTA: 8,0

17 de maio de 2015

Mad Max: Estrada da Fúria - Uma obra-prima enlouquecida




Trinta anos após o fim da trilogia Mad Max (1979, 1981 e 1985) eternizada por Mel Gibson, o diretor George Miller retorna ao universo apocalíptico que o consagrou no quarto capítulo Mad Max: Estrada da Fúria (Fury Road, 2015) e brinda o mundo com uma obra-prima espetacular e enlouquecida. 


Com um roteiro depurado minimamente e com poucos diálogos, Mad Max: Estrada da Fúria foi desenvolvido sob a perspectiva de que é a imagem que conta a história, por isso, nosso deslumbre com o aspecto técnico e visual é constante e crescente no decorrer da aventura,  ficamos fascinados com os designs dos carros e motos, as acrobacias automobilísticas,  as  paletas de  cores que preenchem a tela e os aspectos dos seres deformados que nos assustam, não pela feiura, mas pela ferocidade. 



A trama é simples. Max (Tom Hardy) se envolve em uma perseguição promovida por Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne) com o objetivo de deter a Imperator Furiosa (Charlize Theron), que rouba o harém privado do líder provocando a ira de várias “tribos” do deserto.  Além de castigar os poucos sobreviventes do “apocalipse”, Immortan ainda detém o controle de um bem muito precioso, a água.
 

George Miller passou anos redigindo o roteiro deste filme e esperando o momento certo para filmá-lo, passou uma década, veja só, dedicado a animação Happy Feet – e à sequência – e fica até difícil imaginar que o universo brutal de Mad Max e os pinguins fofos e dançantes saíram da mesma mente. 


As filmagens de Estrada da Fúria ocorreram entre julho e dezembro de 2012 e passou por várias atribulações e adiamentos. Mesmo assim, Miller, além do feito de ressuscitar/renovar uma franquia com um filme acima da média, homenageia o cinema de ação com sequências eletrizantes, tornando as cenas de ação da série Velozes e Furiosos “pobres” e “preguiçosas”.  As cenas de perseguição são longas e nunca soam repetitivas, e acredite, toda a maluquice faz sentido e ficamos tão “enlouquecidos”  quanto  o guitarrista deformado do grupo kamicrazy. 

 Miller arrisca não somente na ação, mas também subverte as expectativas do público em relação aos personagens, nada de romance entre Max e Furiosa, a fuga do clichê também se dá no destaque à figura feminina de Furiosa - uma mulher forte e sofrida, vivida com impetuosidade por Theron - restando ao protagonista Max, papel de coadjuvante, mas sem nunca deixar de ser relevante. 



Mad Max: Estrada da Fúria é uma obra furiosa, impecável, pujante como um soco, já estreia com o título de melhor blockbuster do ano e não só isso, ainda revigora o gênero de filmes de ação/aventura que parece fadado a fórmulas já desgastadas. Confira AQUI uma prévia do filme.


NOTA: 9,5


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