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11 de março de 2017

Kong: A Ilha da Caveira



Em 2005, Kong: o rei dos macacos voltou aos cinemas em uma aventura grandiosa pelas mãos de Peter Jackson, dois anos após o fim da trilogia de O Senhor dos Anéis. King Kong é grandioso mesmo, em vários sentidos, além da duração de mais de 3 horas de filme, a obra tem a magnificência a qual Jackson impôs em suas obras tolkienianas. Apesar de pouco lembrado hoje em dia, King Kong continua com sua aura épica, é um drama que explora a fundo seus personagens, e também uma aventura de tirar o fôlego, com sequências de ação memoráveis e efeitos visuais estarrecedores, típico de uma obra de Jackson.  

Doze anos depois, o macaco mais emblemático do cinema retorna, imenso, em Kong: A Ilha da Caveira (Kong: Skull Island, 2017), sem a cara de “clássico” do épico de Jackson, mas ainda assim, é uma empolgante e despretensiosa aventura.

9 de outubro de 2016

O Lar das Crianças Peculiares


No início da nova obra de Tim Burton, O Lar das Crianças Peculiares (Miss Peregrines home for peculiar children, 2016), há uma cena em que o protagonista percorre pelas ruas escuras de um subúrbio, que logo nos remete ao cenário de Edward, Mãos de Tesoura, representando um bom indício do que vem a seguir, correto? Não. Infelizmente, o filme é menos burtoniano do que se esperava, é mais uma aventura infantil/juvenil de super-herói previsível, cujo roteiro segue à risca a cartilha de filmes do gênero.

Tim Burton parecia o sujeito perfeito para transpor o material literário de Ransom Riggs para o cinema, a história de tom macabro sobre crianças marginalizadas com poderes extraordinários, parece mesmo uma obra com a qual ele se envolveria, mas O lar das crianças peculiares não tem a bizarrice típica do cineasta,  é divertida e infantil – isso fica claro na sequência de luta entre esqueletos e os monstros Etéreos –, Burton dá o seu “toque” apenas em momentos pontuais.


8 de março de 2015

Kingsman: Serviço Secreto – Genial e divertido






Em 2010, Matthew Vaughn nos trouxe um novo olhar sobre os filmes de super-heróis com o violento e sensacional Kick-Ass, este ano, o diretor inglês lança Kingsman: Serviço Secreto (Kingsman: The Secret Service, 2015) e dá novamente o seu “toque particular”, dessa vez, aos super espiões, prestando uma bela e explosiva homenagem às histórias de espionagem do cinema e da TV.


Kingsman tem muitos atrativos, o principal deles é o ator principal, Colin Firth. Conhecido por papéis nobres e sofisticados como o Rei George VI em O Discurso do Rei, o astro seria uma escolha improvável para interpretar um agente secreto em um filme do gênero, mas ao vê-lo na tela em ação, defendemos e aplaudimos a escolha do inglês com vivacidade, afinal, o jeito ‘’nobre” de Firth - e do seu personagem - é o disfarce perfeito para um espião.

  "A conduta faz o homem", ensina o espião


Elegância, charme, um irresistível sotaque britânico e um guarda-chuva multiuso como arma mortal caracterizam os espiões de Kingsman: Serviço Secreto, mas Vaughn não esquece de homenagear os famosos agentes secretos que nós conhecemos, e faz questão de incluir em diálogos espertos e divertidos menções a Jason Bourne, Jack Bauer e ao James Bond, obviamente. Na trama, Galahad (Firth) é incumbido de achar um novo candidato a agente secreto. O jovem escolhido a tornar o novo Kingsman é Eggsy (Taron Egerton, ator de séries de TV e que estrelará este ano, ao lado de Tom Hardy, o thriller Legend) impulsivo, advindo dos subúrbios e de uma família problemática. 


É gostoso acompanhar a transição do garoto pobre sem expectativas na vida em um cavalheiro espião elegante, permitindo ao diretor a discussão de temas como os estereótipos impostos pela sociedade, como o “garoto que é ignorante porque é pobre” e os “ricos dotados de inteligência e bom caráter” apenas por terem mais privilégios que outras pessoas. 

  Eggsy becomes a real Kingsman!


O elenco conta com nomes de peso como Michael Caine e Mark Strong no núcleo dos agentes e Samuel L. Jackson como o vilão megalomaníaco exuberante e engraçado. No entanto, não é Valentine (personagem de Jackson) quem nos dá calafrios quando aparece em cena, esta responsabilidade está com a sua assistente, Gazelle (Sofía Boutella), uma mulher com o olhar tão assustador quanto o seu par de pernas metálicas e letais. A primeira cena em que ela mostra as suas habilidades é perturbadora. 


Kingsman: Serviço Secreto é genial, divertido, impactante e ainda consegue livrar-se de clichês dos filmes de ação. A habilidade de Vaughn em construir cenas super violentas sem “tarantinizar” é impressionante, a sequência na igreja é insana e muito bem filmada. Com um currículo curto, mas invejável e composto por cinco ótimos filmes – Nem Tudo É o Que Parece, Stardust: O Mistério da Estrela, Kick-Ass, X-Men: Primeira Classe e Kingsman - Matthew Vaughn vem se consolidando como um dos melhores e mais criativos diretores da atualidade. Confira aqui o trailer do filme.



NOTA: 10,0

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5 de março de 2014

Robocop (2014)



O perverso filme de Paul Verhoeven, Robocop (1987) é ainda um filmaço, infelizmente muitos ainda têm preconceito contra a obra, pensando que ela nada mais é que uma fita de ação oitentista descerebrada, pelo contrário, é um filme inteligente, ousado, com um texto ácido e crítico acerca da sociedade, e por fim, violentíssimo, uma qualidade de alguns filmes do cineasta. O que quero dizer é, mesmo que você confira o novo Robocop (2014), dirigido por José Padilha, também deve assistir a versão clássica, pois são duas obras completamente diferentes, exceto, o próprio protagonista, o policial do futuro.

O Robocop do Zé têm muito em comum com as suas obras anteriores, os dois Tropa de Elite, como a câmera nervosa, o subtexto político e principalmente o protagonista Alex Murphy. O cara é um policial incorruptível e um pouco “esquentado”, assim como o Capitão Nascimento. E por essas e outras razões, a nova versão não pode ser chamada de remake, pois se assemelha mais à Tropa que a obra original de Verhoeven.



O roteiro é original, mas a premissa é a mesma, um policial sofre um atentado e fica inválido, a única maneira de mantê-lo vivo é torná-lo uma máquina. A ênfase na relação de Murphy e sua família após tornar-se o Robocop, a tentativa da esposa em continuar tendo o marido por perto é característico da versão de Padilha, assim como a preferência do diretor em se concentrar na vingança pessoal do protagonista e dar menos enfoque ao trabalho diário do policial do futuro nas ruas. Se isso foi uma boa ideia, eu penso que sim, o roteiro de Joshua Zetumer é inteligente, dinâmico e difícil de prever as ações, exceto, pela parte final, boba e previsível.

Quanto aos temas sociais debatidos, Padilha usa Pat Novak, personagem de Samuel L Jackson (um Datena da vida) para arremessá-los na tela. Além de abordar a relação homem x máquina e o uso desta última em benefício dos humanos, se discute também uma gama de temas, o papel da mídia tendenciosa (incluso o próprio programa de TV de Novak), corrupção na esfera pública, ganância corporativa e outras questões moldam o enredo, que é intrincado demais para um filme de ação, e a meu ver, ficou devendo cenas de ação mais empolgantes.


O Robocop realista do cineasta brasileiro tem inúmeras qualidades, um elenco de renome e inspirado (Jackson, Gary Oldman, Michael Keaton, Abbie Cornish e Joel Kinnaman, escolha certeira de Padilha para viver o policial, eu já gostava do ator na série The Killing), sequências bem produzidas como o tiroteio ás escuras e o momento (engraçado até) em que Robocop captura “oficialmente” o seu primeiro criminoso durante a sua apresentação ao público. Padilha estreou muito bem em Hollywood, isto é motivo para nos orgulhar. Mas no término da sessão, fiquei com uma sensação de que “faltou algo”, além da vontade de rever o original.



NOTA: 7,5
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