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20 de abril de 2010

O cinema nos videoclipes



De Michael Jackson a Lady Gaga




Foi-se o tempo em que o papel dos videoclipes se limitava somente a divulgar a música de trabalho de um artista, sendo apenas exibido nos canais especializados como a MTV e VH1. Hoje, alguns paradigmas foram quebrados. Quem disse que os vídeos não podem ter uma história, com diálogos, ação, drama, personagens, como um curta-metragem, e ser bem mais longo que as músicas? E daí que a MTV cortar o vclipe se ele durar quase 10 minutos? Temos a internet pra ver e rever o vídeo - sem cortes -  quantas vezes quisermos. Nestes dias atuais, a internet tem um peso imenso na divulgação de um novo vídeoclipe, principalmente se o artista está no auge. No mês passado estreou o segundo clipe que Jonas Akerlund dirigiu para a diva do pop eletrônico atual Lady Gaga, Telephone, com a participação da Beyoncé e que tem a duração de exatamente 9 minutos e 31 segundos. É quase uma obra-prima.

Assista o clipe insano e engraçado de Gaga! Clique aqui!


Telephone,  é uma extensão de sua intérprete: ousado, extravagante, colorido, frenético, irônico, polêmico e cheio de referências cinematográficas - a caminhonete usada por Honey B. ( personagem de Beyoncé) é a mesma do filme Kill Bill de Tarantino, e a amizade que se desenvolve entre as duas no clipe, nos faz lembrar a linda e forte parceria de Thelma & Louise


O grupo Black Eyed Peas entrou na onda de clipes/curtas metragens e realizou o futurístico Imma be Rocking that body. O grupo teve uma bela sacada: unir duas músicas em um mesmo vídeo, cuja duração é de pouco mais de 10 minutos. O clipe tem robôs, efeitos especiais competentes e visual que lembra os filmes G.I Joe e Transformers. Okos robôs aqui são um pouco mais magros que aqueles do Michael Bay, mas é inevitável a comparação.



Clique aqui e veja o video inovador do BEP.




Sempre surgem clipes revolucionários, épicos, longos, que são mais que uma forma de divulgação da música, é a união entre o cinema e a música cada vez mais forte. Os artistas que realizam estes trabalhos são sempre visionários, originais e apostam na inovação e na quebra de certos padrões determinados pela sociedade. Por que não ousar? Wake me up When september ends, do Green Day é um belo curta dramático com produção digna de um blockbuster. É sobre um jovem casal apaixonados que são separados pela guerra. A dupla é vivida por dois promissores atores de Hollywood, Jamie Bell (Billy Elliot) e Evan Rachel Wood (Aos treze, Across the Universe). 


Justin Timberlake também entrou na onda. Ele chamou a sexy Scarlett Johansson para participar de seu curta musical/trágico, What Goes Around...Comes Around, de quase 10 minutos, outro trabalho excepcional. Mas isso não é novo. Se esses artistas são visionários, é porque tiveram influências de um outro grande artista inovador e que já fazia essa revolução lá nos comecinho dos anos 80. Ele mesmo, Michael Jackson.



Se emocione com o clipe do Green Day, aqui!


Tudo começou com ele, com o clássico Thriller, clipe/curta de terror mais aclamado e imitado da história da música. E adivinha de quem é o clipe mais longo da história: É Ghosts! Com 40 minutos de duração, também do rei do pop. Esse longo vídeo de terror foi co-escrito por ninguém menos que Stephen King, dirigido por Stan Winston (responsável pelos efeitos especiais e criação de figuras simbólicas do cinema como Exterminador, Alien, Predador) e até Steven Spielberg deu o seu "toque mágico" no média metragem. 


O resultado final é enlouquecedor, cheio de efeitos arrebatadores (para a época) e cenas impressionantes que só poderia sair do Mr. Jackson. É notável ver o quanto o cinema influenciou, de alguma forma, em todos esses vídeos citados, e sem dúvida essa contribuição é mais que aceita e ainda nos irá proporcionar no futuro produções ainda mais sofisticadas e ousadas. Não é de se espantar se algum dia os videoclipes invadirem as salas escuras do cinema. E não seria uma má idéia.


Veja na íntegra, sem cortes, Ghosts do MJ, 40 minutos de terror:

9 de abril de 2010

Frost x Nixon

No início dos anos 70, durante a campanha eleitoral, cinco pessoas do Partido Republicano foram presas por colocarem aparelhos de escuta no escritório do Partido Democrata dos Estados Unidos. Os jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein se interessaram pelo caso, passaram meses investigando e acabaram por serem responsáveis pela renúncia do presidente Richard Nixon, que sabia das operações ilegais. Esse é o famoso escândalo do caso Watergate. Em 1976, esse caso foi fielmente retratado no clássico Todos os Homens do Presidente (All the President´s Men), dirigido por Alan J. Pakula, e protagonizado por Robert Redford e Dustin Hoffman, como os repórteres investigadores. Até hoje esse filme é considerado obrigatório para profissionais e estudantes de jornalismo.





No ano de 1974, Nixon foi o primeiro presidente americano a renunciar o seu cargo, deixando a população indignada e revoltada por ele não ter tido o julgamento que merecia, além de nem sequer pedir desculpas aos seus eleitores. E ainda foi perdoado pelo seu sucessor Gerald Ford, pelas suas transgressões. Quase três anos depois de sua abdicação, no dia 19 de maio de 1977 , Nixon falou à imprensa pela primeira vez depois de abandonar a Casa Branca, protagonizando uma das entrevistas mais bem sucedidas da história. Essa outra parte da vida do polêmico Richard Nixon é o tema de outro filme tão indispensável quanto aquele dos repórteres: Frost/Nixon (2008) de Ron Howard, diretor de filmes de grande apelo comercial como O Código Da Vinci, Anjos e Demônios do vencedor do Oscar Uma Mente Brilhante e do emocionante A Luta pela Esperança.


David Frost (Michael Sheen) é um apresentador de um programa de auditório na Austrália , ao assistir a dramática saída do presidente na televisão, ver a chance de "reacender" sua carreira nos Estados Unidos, entrevistando uma das personalidades mais controversas da época. Nixon (interpretação magnífica de Frank Langella) ainda atormentado pelo Watergate, sente que essa entrevista é a oportunidade de melhorar a sua imagem e de se tornar "presidenciável" novamente nas próximas eleições. Pagando do seu próprio bolso e recebendo "não" de todas as emissoras e de patrocinadores que não confiam no seu "projeto", Frost não se detém e não desanima, e segue em frente com a tal entrevista, mesmo a imprensa não acreditando no seu potencial como entrevistador, e acharem que ele será "bonzinho demais" com o entrevistado.

Duelo de gigantes: A hora da verdade!

Chega o dia da entrevista. O duelo de gigantes começa. Parece até uma luta de gladiadores. Para o povo americano, a entrevista é o julgamento que Nixon nunca teve e a oportunidade de dizer finalmente a verdade. As cenas da entrevista são o ponto alto do filme. Não que o restante do longa seja descartável. Pelo contrário, Howard e sua direção segura somado a um roteiro ágil, resulta num trabalho surpreendente, longe de ser chato e sonolento, como se presume quando o tema do filme é sobre política ou envolve personalidades do meio.


A humanização do ex-presidente na produção é outro destaque. Langella faz um trabalho exemplar livrando o seu personagem de cair na caricatura, como torná-lo o vilão da história. Mas o ator dá vida a um homem comum, educado, de aparência tranquila mas cansada, ambicioso, manipulador, oras irônico e oras engraçado, porém, é um homem que cometeu erros , graves erros. E é a imagem de homem devastado, com uma expressão de derrota em sua face, que Nixon mostra diante das câmeras no ato final. É a imagem que fala mais que as palavras que o povo gostaria que ele dissesse. É a expressão de alguém que carregará consigo um fardo imenso por toda a sua vida.
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