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25 de novembro de 2011

Tarde Demais - Um novo olhar sobre massacres nas escolas

Drama Tarde Demais trata de massacres nas escolas sob uma nova perspectiva





O tema do drama Tarde Demais (Beautiful Boy, 2010) é polêmico e de tempos em tempos impregna os noticiários por dias ou até semanas, são os massacres em escolas ou universidades promovidos por alunos ou ex-alunos, como no caso da tragédia ocorrida no mês de abril deste ano no Rio de Janeiro.

Se o contundente Elefante (trailer aqui), longa de Gus Van Sant baseado no massacre ocorrido em Columbine (EUA) em 1999, enfoca no dia a dia da escola, mostrando os alunos antes do fatídico incidente, em Tarde Demais, acompanhamos os dias seguintes dos pais de Sammy, que não é uma das vítimas do massacre apresentado no filme, mas o assassino que vitimou 17 alunos e depois cometeu suicídio.


Bill (Michael Sheen, de A Rainha) e Kate (Maria Bello de Marcas da Violência) são os pais que vivem esse momento dramático e inexplicável, afinal, nenhum pai espera que seu filho vai fazer algo do gênero, principalmente quando ele liga para a mãe na noite anterior à matança, dizendo que está tudo bem, quando realmente não está.

A questão que percorre todo o filme é: Os pais são ou não, culpados por tal comportamento do filho? Enquanto o pai acredita, inicialmente, que ele deu uma boa educação e atenção ao filho, não falhou em nada, pensa que isso às vezes acontece e não há explicação, Kate é atingida pela dúvida de que seu papel como mãe foi falho em algum momento, e se culpa por não ter percebido nada de errado com o filho, apenas sabia que ele era tímido demais e um pouco calado.

Além de lidar com todas essas emoções, o casal ainda tem que se desdobrar para fugir dos repórteres, que cercam sua casa a fim de entrevistas, da televisão, no qual o vídeo do filho no momento da carnificina é exibido a todo o momento, dos curiosos insensíveis, e ainda precisam esforçar-se para que o casamento, já esfacelado antes da tragédia, permaneça em meio a tantas crises pós-tragédia.

O toque documental dado ao filme nos dá a sensação de que tudo é real, é como acompanhássemos de perto o drama familiar da vizinha da frente. Tarde Demais é comovente, mostra outro lado desses massacres, que acontecem por aí todo o tempo. Confira AQUI o trailer.


22 de novembro de 2011

AMANHECER PARTE 1 - O MELHOR E O PIOR


Há quase 3 anos, eu postava aqui no blog sobre um modesto filme de vampiros chamado Crepúsculo, era uma resenha positiva hein veja aqui, era a época pré-fenômeno, eu nem imaginava que a saga Twilight, os livros, os filmes e claro, os atores envolvidos, transformaria-se num sucesso estrondoso e tão duradouro. Bom, cá estamos em 2011 e estamos já na quarta sequência da saga, Amanhecer – parte 1, de longe bem superior que as duas partes anteriores juntas, em termos técnicos, o melhor de todos.
Se eu tinha gostado de Crepúsculo e dos personagens neste primeiro capítulo, comecei a mudar de ideia nas películas posteriores, Lua Nova e Eclipse, me desculpem os fãs, mas ambos são intragáveis. Ainda que Amanhecer tenha seus defeitos, tem coisas positivas também, como a produção mais caprichada e a Bella bebendo True Blood, quer dizer, sangue mesmo. Bom, listei os prós e contras a fim de ser democrático, não quero agir como alguns “críticos” que só apontam os “componentes ruins” por vergonha ou para não discordar dos amigos da profissão, então vamos lá:

O melhor:

- Bella (Kristin Stewart) parou de chorar: Graças a Merlin a fase suicida e indecisa da garota, respectivamente de Lua nova e Eclipse, ficaram no passado. Ela agora é uma mulher casada e está esperando um bebê-sanguessuga, sem espaço para crises existenciais - irritantes - envolvendo ela e seus garotos.
- Avanço na história: Depois de dois filmes maçantes nos quais NADA acontece e tudo fica estacionado, Amanhecer finalmente mostrou mais consistência na trama, os personagens Bella e Edward evoluíram e muita coisa aconteceu, nem sei se vai restar algo para contar na parte dois – não, não li o 3 últimos livros - , mas esse avanço é certamente o que o torna, a melhor adaptação da saga até agora, só não entendo por que tanta enrolação nos filmes anteriores... 
- Ausência dos Volturi: Se esse clã de vampiros “poderosos” causou certa expectativa de vermos cenas de ação sangrentas em Lua Nova, essa ideia desceu ralo abaixo no filme seguinte. Eles não fazem mal algum, são personagens descartáveis que apenas servem para causar uma leve “tensãozinha” nos Cullen para depois sumirem se achando os reis do mundo vamp. Aposto que ninguém sentiu falta deles nesta parte.



- Expectativas: Desde Crepúsculo não eram geradas tantas expectativas em torno de Bella e seu futuro. Não sei se o mérito é do diretor Bill Condon (Dreamgirls - Em busca de um sonho) ou do avanço da narrativa, mas aqui ficamos ansiosos e nos importamos realmente com o destino da protagonista. Questões de como será a sua lua de mel, o bebê maligno e sua possível morte no parto, cria até um sentimento de estima para com a personagem e nos faz querer ficar até o fim da sessão, algo que não aconteceu em Lua Nova.
- Edward no Rio: Pois é, Edward (Robert Pattinson) falando português, super bem, foi um dos momentos mais engraçados do longa. Mas fica a dúvida: será que foi ele mesmo ou usaram um dublador? Enfim, ouvirmos o “português” num filme de sucesso mundial, é no mínimo curioso.



O pior

- Atuação de Kristin: Seja feliz ou triste Bella está sempre com uma expressão de dor, de que comeu algo e não gostou. Não sei vocês, mas penso que a personagem já não apresenta o carisma mostrado em Crepúsculo, parece que no meio do caminho ela perdeu a empatia, a graça. A atuação contida da atriz talvez seja a causa.
- De onde vem o baby?: Como que um vampiro pode engravidar uma humana? Eu esperava uma explicação boa, não tão elaborada claro, mas, qualquer uma. Mas a explicação da escritora é que, não há explicação!? O que? Pois é, este e outros detalhes da trama são muito inverossímeis, mas não vou falar mal da imaginação fértil da escritora né, é um romance de fantasia e não há limites para isso.
- Cenas de lutas: Os efeitos especiais estão perfeitos, mas as cenas de lutas entre os lobos e os vampiros são confusas, não transmitindo ao espectador a dose certa de tensão desejada para o momento. Ficamos sem saber quem é quem, e quando começamos a nos empolgar, o momento acaba. Um desperdício de frames, estas seriam talvez as melhores cenas de toda a saga, se fossem bem filmadas.
- Jacob cry: A Bella para e o Jacob (Taylor Lautner) começa a choradeira. Jake é um dos personagens que evoluíram na trama, ele aceitou finalmente a relação de Bella e Edward, o casamento e a gravidez e tal, mas por que ele ainda chora? Ah cara supera isso por favor! Ainda bem que foram apenas alguns segundos de choradeira.
Agora vamos torcer para que o fim da saga, em 2012, termine de modo satisfatório.

17 de novembro de 2011

CONTÁGIO

Nada espalha mais que o medo. Nada é mais assustador que o próprio ser humano.





É impossível ver Contágio (Contagion, 2011) e não sair paranoico da sala de cinema. Pior ainda, é se deparar com pessoas tossindo próximas a você, depois de ver 1h40m de filme no qual a tosse é posta como uma das principais provas da contaminação da doença – sim, isso aconteceu comigo infelizmente, mas calma gente, estou bem, não tossi hoje, haha.

A culpa desse sentimento pós-sessão é do diretor Steven Soderbergh (Traffic, Erin Brockovich, Onze homens e um segredo, entre outros) que atribuiu à história um realismo assustador, fazendo-nos acreditar que algum dia, algo parecido pode acontecer na vida real. Oh wait, já aconteceu, a gripe H1N1! Pois é...

Damon recebe uma notícia nada boa...

Contando com um elenco invejável, Matt Damon, Gwyneth Paltrow, Marion Cotillard, Kate Winslet, Lawrence Fishburne, Jude Law e muito mais, todos eles de suma importância para a trama – se tem alguém que sabe trabalhar com um elenco grande e de peso, é Soderbergh - , o filme narra desde o primeiro paciente contaminado até o vírus matar milhões de pessoas ao redor do mundo e as cidades virarem um caos. Em Contágio, você verá o apocalipse chegando lentamente, vitimando pessoas normais, e ao contrário de The Walking Dead, elas morrem e não ressuscitam depois.

Não é mais um zoombie-movie, mas acredite, seres humanos descontrolados conseguem ser bem mais assustadores que os mortos-vivos. Como diz o cartaz do longa, “Nada se espalha como o medo”, acredito que realmente o medo pode ser considerado neste filme o grande vilão, até mais que o próprio vírus, as pessoas perdem a razão quando devem enfrentar uma situação inesperada com o qual não possuem o mínimo controle, elas ficam perigosas, egoístas, gerando aquele caos incontrolável.
O caos instalado!

O drama mostra esse desespero das pessoas quando a doença se alastra e chegam ao limite de depender do exército para comer, ok, algumas dessas “cenas de desespero” aqui talvez sejam um pouco exageradas, mas completamente presumíveis na realidade. Os ótimos Ensaio sobre a Cegueira (2008) e O nevoeiro (2007), também abordam esse viés psicológico da raça humana, mostrando que nós, terráqueos, podemos facilmente transformar-se em “monstros” em situações-limites.

Ai que dó, Kate! Bela sequência!

Em Contágio há cenas memoráveis, como aquela em que a médica interpretada por Kate Winslet sabe que foi contaminada, ou da personagem de Paltrow caindo no chão com convulsões, há uma trilha sonora bem tensa, discussões interessantes sobre conspiração farmacêutica – Vick Vaporub se beneficiou da gripe espanhola, um prato cheio para quem curte conspirações hein! - , e a questão da prioridade dada à elite em relação à vacina, são coisas que nos faz refletir bastante.

Ah, e como já disse, todo aquele realismo que fará você ficar um pouquinho paranoico - evite passar as mãos no rosto, cuidado com as mãos de quem a aperta, lave-as depois, fica longe de gente tossindo, e por aí vai...mas espere, isso nem é paranoia, é realidade, muita gente faz isso desde a explosão da gripe suína! Vixi.....o apocalipse está perto e ele virá na forma discreta de um minúsculo ser vivo!

11 de novembro de 2011

5 MOTIVOS PARA VER THE GOOD WIFE

Você conhece a série The Good Wife? Nunca ouviu falar? Ah, não tem problema, tudo que você precisa saber sobre ela estará escrito nas próximas linhas adiante.



Vou apresentar aqui 5 ótimas razões para você começar a acompanhar a série rapidinho. E se depois da leitura ainda não estiver
convencido em relação à qualidade do seriado, sinto muito, mas uma coisa é certa, quem vai sair perdendo, é você, baby!



 
Bom, The Good Wife é um dos melhores shows da atualidade, é fato, e eu lhes mostrarei os argumentos que provam isso. A série começou em 2009, mas só comecei a acompanhá-la este ano, alguns meses atrás. Sem expectativa alguma, lá vou eu ver a série, cuja tradução do título em português, "A boa esposa", aparenta ser um programa bem menos grandioso do que realmente é. Bem, fui ver TGW e... surpresa! De imediato fui “fisgado” pelo drama político/conspiratório/jurídico e pela personagem principal, Alicia Florrick. A trama principal, em um resumo bem resumido, conta a trajetória de Alicia, que retoma a sua carreira profissional, como advogada, após o escândalo sexual - e público - do marido/promotor Peter. Agora, vamos aos 5 motivos para você ver The Good Wife.

1-Julianna Margulies (Alicia Florick): Essa mulher merece todas as estatuetas que têm levado nas premiações de televisão dos EUA, o último que levou para casa foi o Emmy de melhor atriz, premiação realizada no último mês de setembro. Graças à competência e beleza da atriz, Alicia esbanja carisma e elegância. A personagem tem uma certa leveza que faz com que seus dramas pessoais - olha, não são poucos - , não a torne uma protagonista irritante e melodramática. Alicia também sabe ser sexy quando quer – e quando não quer também -, a sua risada espontânea e suas viradas de olho são outros pequenos detalhes que podem te fazer se apaixonar pela "boa esposa" e pela série.




2-Archie Panjabi (Kalinda Sharma): A personagem favorita de 9 entre 10 espectadores. Kalinda é enigmática, dúbia, sexy, uma investigadora competentíssima e super bem relacionada. Ela também é responsável pelos melhores diálogos do seriado: "Você é gay? Não, eu sou privada", responde ela á tal pergunta. Todo esse mistério em volta dela é um dos grandes trunfos da série, uma personagem complexa das mais agradáveis de se ver na telinha.



E ai de você se mexer em seu "calo", veja o que acontece.








3- Os coadjuvantes de luxo: A dupla de advogados Will Gardner (Josh Charles) e Diane Lockhart (Christine Baranski) são outros destaques da produção. Will é um possível futuro affair de Alicia, os dois tiveram uma história na juventude e agora que trabalham na mesma empresa, a atração entre eles é cada vez mais inevitável. Com o casamento em crise, e a campanha de eleição do marido, Alicia tem medo de tentar algo com o advogado. Os momentos de tensão sexual e os olhares trocados entre ambos, apesar de serem gestos bem discretos, são alguns dos melhores momentos da série.
Diane é a dona da firma de advocacia Stern/Lockhart/Gardner, é a mentora, a mulher com a gargalhada mais gostosa da TV, sim é verdade, assista e comprove. Nas subtramas que focam as crises internas ela se sobressai sempre graciosamente. Junto com o Will, ela também responde pelas melhores - e as mais tensas - cenas nos tribunais.




Ainda falando de coadjuvantes, tem ainda o loirinho que participava da fofa Gilmore Girls e que agora manda muito bem como um jovem ambicioso advogado e rival de Alicia nos tribunais: Cary Agos. Interpretado por Matt Czuchry seu personagem é um dos que mais evolue na trama, passa de "coadjuvante-dispensável" na primeira temporada, para posição de destaque na segunda, como um "vilãozinho" cínico, sempre disposto a atrapalhar a vida de nossa querida protagonista.
Merece uma menção honrosa, o Chris Noth, o Peter Florrick, e Alan Cumming, que dá vida ao hilário marqueteiro político Eli Gold, quase sempre roubando as cenas de seus colegas de cena.






4- A continuidade da trama: Fiquem tranquilos, The Good Wife não padece do mal do “caso da semana”, aqueles episódios do tipo aleatório e sem nenhuma conexão com a trama principal e que você pode ver a qualquer momento, da sua VIDA, que não fará diferença alguma. A palavra de ordem é continuidade. Os episódios não funcionam como uma “fórmula”, é claro que há o “caso da semana”, mas as inúmeras histórias paralelas sempre estão evoluindo em todos os episódios, sem exceções. A trama que trata da família de Alicia, as crises do escritório de advocacia, as eleições de Peter Florrick, os dramas dos personagens secundários estão sempre em movimento, e se você perder um episódio, ficará “boiando” no próximo que assistir.


5- Não é apenas uma série jurídica: Todas as tramas e ambientes diversos explicados no tópico anterior, apenas enriquecem o seriado e por isso ele vai além da premissa principal, esse é o diferencial de The Good Wife ante as outras séries jurídicas. Na verdade, não a vejo como uma "série de tribunal", é um drama político, inteligente, atual, porque aborda a crise americana, é também sobre a esposa que tem de sustentar a família enquanto o marido (uma figura pública) está na prisão, enfim, é sobre muito mais que aparenta ser, tem mais que "cenas jurídicas", embora ás vezes, elas sejam as mais empolgantes e divertidas da TV atualmente, sempre é bom ver Alicia atuando como advogada...

E aí, tá esperando o que? Vai ver! A série é exibida no Brasil pelo canal Universal, e recentemente teve início a terceira temporada do programa.

10 de novembro de 2011

It´s Billy. Billy Elliot.

  • Este filme está na posição 17 no top 100 da Empire dos melhores filmes britânicos de todos os tempos.





Se você pensa que Cisne Negro é o “filme de balé” mais cool dos últimos tempos, é porque não viu Billy Elliot, filme britânico lançado em 2001, e incontestavelmente um dos melhores e mais belos filmes daquele ano, e certamente, sem exageros, um dos melhores da década passada.


Billy Elliot, interpretado magnificamente por Jamie Bell, é um garoto de 11 anos que larga o boxe para se render ao ballet, ele enfrenta estereótipos, o pai, um mineiro de modos tradicionais e Tony, o irmão briguento , porém de muito bom gosto musical. Confere aí o que ele anda ouvindo:


Stephen Daldry é o responsável pela obra ser dotada de tanta sensibilidade e inteligência, advindo do teatro, este é seu primeiro trabalho como diretor de película, e até hoje, ainda é seu MELHOR TRABALHO. Daldry, obviamente tornou-se queridinho de Hollywood posteriormente ao sucesso desse longa, e realizou outras produções cultuadas como o (chato) As Horas (2002) e o (apenas bom) O Leitor (2008). Vale comentar que Billy Elliot foi completamente ignorado no Oscar daquele ano, pois é, um dos erros grotescos da Academia.

O ano é 1984, e enquanto o pai e o irmão estão ocupados com a greve dos mineradores numa pequena cidade britânica, pano de fundo da história, o garoto Billy está tendo aulas ás escondidas com a única pessoa que percebe a sua vocação pra dança, a professora de balé, vivida por Julie Walters.

Billy e seu pai, já ciente do talento do filho.

Como é um filme de dança, tem que ter música, e elas não poderiam ser melhores, como você já pode perceber no vídeo aí em cima. Os conflitos dos mineradores e os eletrizantes passos de dança do menino - estas são as melhores cenas - são embalados por raridades musicais dos anos 80, o melhor do punk rock, como The Clash e T. Rex, que predominam a trilha sonora. Escuta aí:


E esse início de filme é fabuloso:



Ah, e tem mais essa do The Clash, que toca num momento crucial do filme:




Billy Elliot é um filme de choro e risos fáceis - sempre escorrega uma lágrima quando eu assisto, e olha que vi o filme não menos que 9 vezes -, até os marmanjos vão chorar, bem dirigido, atuações impecáveis, e trata de questões tabus como o homossexualismo de maneira discreta e inocente, e claro, aborda ainda o preconceito da sociedade que infelizmente ainda insiste em “bater na tecla” sobre a questão do homem jogar futebol, e só as mulheres que devem aprender balé! Alguém ainda pensa assim?

...e Billy se sai melhor que todas as meninas juntas...

Jamie Bell, o menino que ganhou o Bafta – o Oscar da Inglaterra – de Melhor Ator por esse papel desbancando, acredite, Russel Crowe e Tom Hanks naquele ano, está grandinho e fez ótimos filmes depois, como o estranho Querida Wendy e o excelente King Kong, de Peter Jackson. Jamie, recentemente cedeu seus movimentos e sua voz ao Tintin no filme As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne, de Steven Spielberg, que logo estreará nos cinemas.

8 de novembro de 2011

O PALHAÇO DO SELTON MELLO


Eu sou palhaço, faço as pessoas rirem. Mas quem vai me fazer rir?”
Diz Benjamin a frase acima, com lágrimas nos olhos e numa crise de angústia e melancolia, que fica ainda mais evidente na face arredondada do ator Selton Mello e pela sua fala mansa.

O Palhaço (2011), escrito, dirigido e interpretado - com graça - pelo Selton Mello, é sobre um palhaço triste, ele está em busca de respostas sobre si mesmo e questiona se ser um artista de circo é mesmo a sua sina. Para piorar, Benjamin é pressionado a comprar um ventilador e incomoda-se por não ter identidade. É, a palavra “identidade” aqui apresenta ambiguidade, ou seja, o palhaço corre em busca tanto do seu documento pessoal quanto do seu “eu verdadeiro”, e para sair dessa crise e consertar sua vida, ele necessita “regularizar” as duas coisas.
Mello é um ótimo diretor, sabe por quê? Ele consegue contar uma história sobre um palhaço melancólico sem deixar o filme “carregado” e depressivo. Os diálogos, recheados de piadas das mais antigas e que todos devem conhecer, torna O Palhaço uma verdadeira diversão, e das mais animadas, as piadas, ás vezes, podem até não terem graça, mas é devido aos seus talentosos intérpretes que certamente irá fazê-los rir, como por exemplo, a cena com o Moacyr Franco, uma das mais engraçadas. Aliás, o comediante até levou o prêmio de melhor ator coadjuvante no Festival de Cinema de Paulínia esse ano.

"Você teria um sutiã para me dar?"

Este é o segundo longa do Selton Mello, o primeiro foi Feliz Natal (2008), um drama não tão comercial, mas também bastante elogiado pela crítica, fato que já o coloca como um dos diretores mais promissores do país. Espero que ele continue nesse “posto” por muito mais tempo – esqueça as novelas Selton, hehe - e nos presenteie com mais histórias emocionantes e originais como esta. Quem diria hein, o Chicó do Auto da Compadecida transformando-se num diretor de prestígio nacional....

3 de novembro de 2011

Gigantes de Aço: Pancadaria das boas



Gigantes de aço é de longe melhor que os dois últimos Transformers, oferece tudo que os barulhentos filmes do Michel Bay prometiam e não cumpriram: cenas de luta de robôs bem filmadas e sem exageros, e uma história que não põe os atores em segundo plano em função da exaltação dos efeitos especiais, exemplificada pelas cenas espetaculares visualmente, mas confusas demais, dos robôs da mega-produção. Quem quer Michael Bay fora do posto de diretor nos próximos Transformers levanta a mão! o/

Ah, o longa de Shawn Levy é também sobre o relacionamento pai-filho, promessa esta de uma dos fracassos da TV de 2011, Falling Skies, cuja trama principal é semelhante a Gigantes de Aço, porém, na série o pai é viúvo e deve cuidar de seus três filhos num cenário pós-apocalíptico e infestado por
alienígenas. Steven Spielberg é o produtor da série e claro, dramas paternais é algo recorrente em seus longas (Guerra dos Mundos), mas o fato é que essa história do pai e seus três filhos no seriado não me comoveu em nenhum momento dos 12 episódios, ao contrário deste filme, que emociona o público em apenas duas horas de exibição.

Help me Hugh, I´m lost!

Mas falaremos de Spielberg brevemente - sim, estou preparando algo sobre esse cara aí que eu adoro, apesar dos seus tropeços recentes - o papo aqui é sobre Gigantes de Aço (Real Steel, 2011) uma aventura no estilo “sessão da tarde” bem divertida, estrelada por Hugh Jackman (o pai negligente/canalha/teimoso, ótima interpretação hein Wolverine, arrasou!!), Dakota Goyo (o filho, tão fanático por boxe mecânico quanto o pai) e ainda tem uma coadjuvante “perdida”, mas de classe, a linda Evangeline Lily, a Kate de Lost, como a amiga/ficante de Charlie, o pai do garoto.


Pai e filho: têm mais em comum do que imaginam.

Querido leitor, não vou me ater à sinopse do filme, porque né, o texto vai ficar imenso e para que ler se você pode ver o “resumo” no trailer bem bonitinho e legendado aqui abaixo, não é verdade?




Para finalizar, Gigantes é um filme-família bem gostoso de ver, aborda a relação “pai e filho” sem ser piegas, é engraçado, o roteiro flui que é uma maravilha, destaques para as cenas de luta eletrizantes e que nunca cansam, são intensas – os robôs apanham sem dó nenhum - uma trilha sonora dançante - gente, o robô do menino até dança, e quando você menos perceber, estará fazendo o mesmo na poltrona do cinema – um elenco bem entrosado, e um final que fará você se debulhar em lágrimas, principalmente se você se identificar com a trama "família" retratada na fita.
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