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25 de outubro de 2014

Please Like Me - A versão gay e agridoce da juventude




Em 2013, a série australiana Please Like Me foi eleita por mim e muitos críticos pelo mundo como uma das melhores séries daquele ano, a dramédia então foi renovada para a segunda temporada, que terminou há algumas semanas, e a série agridoce e muito engraçada sobre jovens de 20 e poucos anos continua sendo uma das melhores coisas da TV em exibição no momento.

Se você curte seriados e nunca viu Please Like Me, - seja qual for o motivo, ele é injustificável - a primeira temporada tem apenas seis episódios de meia hora, você pode maratonar em algumas horas tranquilamente. Só pra atiçar a sua curiosidade, aqui vai um pequeno fragmento do que acontece nos primeiros capítulos: Josh, personagem principal, é abandonado pela namorada que diz pra ele: “Você é gay!”, mesmo custando um pouco para se aceitar, logo Josh beija um homem pela primeira vez mas tenta esconder sua sexualidade - não por muito tempo - e ainda recebe a notícia que sua mãe tentou se suicidar, isso, bem no dia de seu aniversário. Bem, se esta premissa não atraiu a sua atenção, você tem problemas. Mas, continue a leitura.

 Josh na piscina com os amigos 

Please Like Me foi criada, e é roteirizada e protagonizada por Josh Thomas, cujo personagem principal leva o seu nome mesmo, já que a série é baseada em estranhas experiências da sua vida. A maior qualidade da série é abordar temas tabus e delicados como suicídio, homossexualismo, relacionamentos na terceira idade e depressão, através de um olhar bem humorado, divertido, sempre com muita ironia e sagacidade.
 
O programa é exibido pelo canal americano Pivot, também coprodutor da série e recentemente chegou ao fim a sua segunda temporada, composta de agradáveis 10 episódios.  A segunda temporada começou com uma festa e terminou em um clima melancólico. Nesse meio tempo, Josh arrumou um “amigo com benefícios” e tentou namorar outro com problemas psicológicos, enquanto isso, a divertida Rose (Debra Lawrance), sua mãe, ficou internada numa clínica psiquiátrica e fez muitas amizades por lá. Já Tom (Thomas Ward), melhor amigo de Josh, foi dispensado por suas garotas e entrou em depressão. Bem, claro que acontece muito mais, mas não vou dar detalhes, tenho bom senso.

  Josh e sua mãe:  no melhor episódio da temporada



 O humor irreverente e ácido da série representado pelos diálogos idealizados por Josh Thomas é o maior trunfo de Please Like Me, as conversas diárias entre Josh e outros personagens são sempre o ponto alto dos episódios, são diálogos engraçadíssimos, sarcásticos e inteligentes. Separei algumas frases disparadas na série nesta segunda temporada:

“Há opiniões demais hoje em dia, Josh. Parece que todos acham que precisam opinar”.  Rose

“Outro dia, um político cristão disse que Deus enviou a AIDS para matar os gays....Na verdade, fico surpreso porque Ele não arranjou um plano melhor que a AIDS, não é muito eficiente, mata muitos africanos.” Josh

“Às vezes acho que eu seria mais feliz se gostasse de fazer sexo com prostitutas”. Tom

“Por que está ouvindo música triste? Deveria estar ouvindo música alegre, como Beyoncé. Sempre Beyoncé”. Josh

 Finalmente Josh tem um namorado. Ou não!

Outro aspecto a destacar em Please Like Me, e que a aproxima muito da série da HBO, Looking, é a forma realista que se trata os assuntos e os próprios personagens, são todos imperfeitos e suas vidas mais imperfeitas ainda. As reações e ações de Josh e seus amigos condizem corretamente com as pessoas que conhecemos na vida real. Josh, por exemplo, é muito inseguro, não acredita que alguém possa gostar dele ou queira namorar com ele, e isso nos irrita, mas ele também faz a gente morrer de rir, como no momento em que ele está preso no trânsito e precisa fazer xixi o mais rápido possível. Será que ele faz no carro? Ah, não conto. 

É por serem tão imperfeitos que rapidamente nos afeiçoamos ao Josh com seu sotaque peculiar e seus trejeitos estranhos e aos outros personagens. Please Like Me é simples e genial, muito bem escrita e produzida, tem uma trilha sonora descolada, situações hilárias e outras tão “reais” que não é difícil a gente se identificar com esse universo que mostra um grupo de jovens ainda perdidos na vida, e que fazem o máximo para adiar a vida adulta. Bom, nem preciso dizer que Please Like Me é uma série obrigatória para quem curte um drama, uma comédia, uma boa história e personagens cativantes.

A série foi renovada para a terceira temporada. Todos comemoram!

NOTA: 10,0

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21 de outubro de 2014

Mesmo Se Nada Der Certo é o filme mais delicioso do ano







Pode uma canção mudar uma vida? Sim, pode. A música é uma ferramenta poderosa de transformação do ser humano, eu acredito piamente nisso e John Carney também. Carney é o diretor da comédia romântica musical Mesmo Se Nada Der Certo (Begin Again, 2013), o filme mais delicioso do ano. 


Em resumo, Mesmo Se Nada Der Certo é uma história sobre duas pessoas perdidas na vida - Dan e Gretta - que encontram na música, um meio de ajustar suas vidas bagunçadas e uma oportunidade para recomeçar. Pode soar cafona dizer que este filme é sobre “o poder de transformação da música”, mas Carney conta essa história com tanta simplicidade e sinceridade, que é impossível não acreditar nesse poder, é inevitável não se envolver e se identificar com as personagens, principalmente se você é tão apaixonado por música quanto o diretor. John Carney é ex-baixista da banda The Frames e responsável por outro filme feito nos mesmos moldes, Apenas Uma Vez, ganhador do Oscar de Melhor Canção em 2008. 

 Keira Knightley mostra que tem uma bela voz


Na Natureza Selvagem, Quem Quer ser um Milionário, Billy Elliot e Guardiões da Galáxia, estes são algumas das produções que tem a música praticamente como um dos principais personagens da história, em Mesmo Se Nada Der Certo, as canções são tão importantes na trama quanto os protagonistas, interpretados por Mark Ruffalo e Keira Knightley, ambos inspirados.


Dan (Ruffalo) teve um dia terrível, ele é um produtor musical, uma sequência de situações embaraçosas o levou a um barzinho na cidade de Nova York, ali é onde ele tem o melhor momento do seu dia, quiçá, da sua vida. Ele vê Gretta (Knightley) tocando e cantando sozinha no palco, fica maravilhado com a garota tímida e tem uma epifania. Ele logo imagina todos os arranjos que a canção de Gretta pode ter e visualiza uma banda invisível acompanhando a moça. Uma das cenas mais encantadoras do filme. 

 Ruffalo e Knightley dividem o fone de ouvido


A partir de então, Dan e Gretta iniciam um relacionamento musical e profissional. Ela, deprimida, pois perdeu o namorado (Adam Levine, brincando de ser ator) para a fama, e Dan, um produtor amargurado mas muito perspicaz, tem na gravação do disco de Gretta a chance da autodescoberta, esquecer o passado e tentar seguir em frente.


Knightley está encantadora como a cantora indie de voz doce, Ruffalo está bem, ele está sempre bem, mas parece que já fez um personagem assim em algum outro filme, mas a química entre ele e Keira é inegável.


Mesmo Se Nada Der Certo é uma comédia romântica não muito romântica, Carney teve muito cuidado para não abraçar os clichês do gênero, ele soube muito bem usar o silêncio ou até mesmo as músicas, para expressar os sentimentos dos personagens, como quando Gretta canta no celular para o seu ex-namorado. Mais um momento incrível do longa.

 Levine também tem seus bons momentos no filme


Outra sequência inesquecível é quando Dan e Gretta estão passeando por Nova York dividindo o mesmo fone de ouvido e ouvindo as músicas preferidas dela, pra que diálogos, se as canções já dizem tudo?


Mesmo Se Nada Der Certo faz tudo na vida  parecer possível, nos enche de um otimismo que embriaga, é um filme sensível e gostoso de ver e ouvir, as canções são todas adoráveis e você vai correr atrás da trilha sonora assim que a história chegar ao fim.


NOTA: 9,0

Confira o clipe de Lost Stars, uma das viciantes e adoráveis músicas do filme.


 


16 de outubro de 2014

The Flash - A nova série da The CW pode ser melhor!




Pegando carona no sucesso de séries como Arrow, Marvel Agents of Shield e nos tantos filmes da Marvel, a The CW não perdeu tempo e correu para produzir a série sobre o herói mais rápido do mundo, The Flash, surgido nas HQs da DC Comics dos anos 40 e criada por Gardner Fox e Harry Lampert.

A nova série do The Flash – outra produção de TV do herói velocista aconteceu nos anos 90 – estreou este mês no canal CW com uma grande audiência, certamente seguirá o mesmo caminho de sucesso de  outras séries semelhantes da emissora como Arrow e Smallville. O Flash, ou melhor, Barry Allen, é interpretado por Grant Gustin, ator que já participou de Glee, 90210 e claro, de Arrow, como o próprio herói.

Vi os dois primeiros episódios, dirigidos por David Nutter, que não é qualquer um e já dirigiu episódios de séries cultuadas como Game of Thrones e Homeland, mas não me surpreendi, The Flash é divertido, agradável de ver, mas é muito convencional, culpa do padrão sustentado por fórmulas batidas do canal CW.


Bem, vamos falar sobre esse jeito CW de ser e fazer suas séries, que para mim, é algo muito preocupante e incômodo e foi o principal motivo que me fez abandonar Arrow e outras tantas por aí. Voltando ao tema, não aguento mais episódios no estilo “vilão da semana”, se em Smallville todos os vilões de Clark tinham algo a ver com a chuva de meteoros, em The Flash, todo projeto de vilão será relacionado com a tal explosão no laboratório. Quanta criatividade. 

Outro pecado da série é romantizar o enredo, por exemplo,  Barry Allen é apaixonado por sua melhor amiga e tenta esconder seus sentimentos dela. Isso é coisa de Malhação gente, sei que é preciso humanizar o personagem principal para o público se identificar com ele, mas isso é preguiça dos roteiristas, clichê demais. A The CW subestima muito a inteligência do seu público.


The Flash tem outros defeitinhos mas não vou enumerá-los todos. Sobre o primeiro episódio, ele funciona no piloto automático, tudo é previsível, no entanto, a história de origem do velocista é bem contada, tem humor e  ação na medida certa, o piloto é bem produzido, os efeitos especiais convencem e as atuações não comprometem em nada. Mas o maior acerto do canal foi escalar Grant Gustin para o papel principal. Grant imprime seu talento e carisma a um super-herói muito humano, atrapalhado, divertido, sarcástico e tem simpatia de sobra, Guntin parece não se esforçar muito para viver o herói mais veloz do mundo.


 A impressão que eu tive sobre a série, ao ver os dois primeiros episódios, é que The Flash pode melhorar. Digo isso levando em conta a mitologia do próprio herói, sua complexidade e os poderes que ele pode desenvolver. Errou quem pensa que Barry Allen só sabe correr, a supervelocidade é apenas uma, das muitas habilidades que possui. O Flash pode roubar a velocidade de outras pessoas e dar à outras, pode atravessar o universo, ele tem um incrível e poderoso movimento chamado de soco de massa infinita, e o melhor, Flash pode se mover tão rápido, mas tão rápido, a ponto de viajar no tempo. Se os roteiristas souberem usar toda essa gama de possibilidades do universo do herói, The Flash pode vir a ser muito superior a qualquer outro seriado do gênero. 

Eu sou otimista e continuarei assistindo ao seriado, pois apesar de não ousar muito e ter suas falhas, tem grande potencial e há muito material que pode torná-lo cada vez melhor.

The Flash estreia hoje, 16 de outubro, no canal Warner.


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10 de outubro de 2014

The Strain - Uma arrepiante primeira temporada







Vampiros linguarudos, decapitações, perda de genitais, holocausto, muito sangue e muito terror e suspense numa das melhores séries estreantes do ano, The Strain. A série de terror do canal FX é baseada na obra literária Trilogia da Escuridão, composto pelos capítulos Noturno, A Queda e Noite Eterna, todos os três livros escritos por Guillermo del Toro e Chuck Hogan. 


Del Toro e Hogan recebem a ajuda do escritor Carlton Cuse, responsável por séries cultuadas como Lost e Bates Motel para dar vida a uma assombrosa Nova York à beira do apocalipse e infestada de vampiros que aniquilam - ou contaminam - suas vítimas com suas línguas enormes e nojentas.


A primeira temporada de The Strain tem 13 episódios já exibidos nos EUA, e no plano geral, diria que foi uma ótima e arrepiante temporada, embora os últimos quatro episódios tenham demonstrado uma preguiça bem grande por parte dos roteiristas, incluso o final morno.



Para quem não viu a série, ela tem como premissa a disseminação de um vírus que transforma os moradores de Manhattan em uma espécie de vampiro mais assustador do que o tipo comum que a gente está acostumado a ver, com línguas gigantes e que pegam no seu pescoço e suga todo o seu sangue, ou seja, o perigo é maior, a  vítima não precisa estar tão perto assim para levar uma mordida, quer dizer, uma linguada.


Entre os protagonistas estão Eph Goodweather (Corey Stoll, de House of Cards), que já no primeiro episódio é convocado a investigar um avião que chegou com todos os seus passageiros mortos, e que vamos descobrir mais tarde, nenhum deles está mesmo morto. Eph se junta mais tarde a um caçador de vampiros, de nome Abraham Setrakian (David Bradley), que já conhece essas criaturas desde o holocausto. As cenas de flashbacks com este personagem enquanto vivia num centro de concentração nazista, é de apavorar, não só pelo ambiente, mas por que une o terror humano daquela época com a presença horripilante de uma criatura chamada O Mestre.

Do lado do bem: Eph e Setrakian


Quem já viu algum filme do Guillermo del Toro, Hellboy ou O Labirinto do Fauno, sabe que o cara é expert em esboçar criaturas assustadoras, o Mestre não é diferente. Eu já ficava com calafrios quando apenas o seu vulto surgia em cena, quando ele mostra a cara pela primeira vez, a sensação ao ver seu rosto não chega a ser tão ruim, mas é um ser monstruoso e dá medo.


Do grupo do mal, o alemão Eichorst (Richard Sammel) é o que mais se destaca, tem um olhar amedrontador, é tipo um discípulo do Mestre. É um vampiro como outro qualquer, mas se veste como um homem de negócios para poder colocar o plano em prática - inundar o mundo com vampiros - e oferece dinheiro e poder aos humanos em troca de favores.


Do lado da escuridão: o vampiro Eichorst


O principal mistério do início da temporada da série, e o mais bacana também, é descobrir em que tipo de criatura os infectados irão se transformar, o momento é que uma das vítimas percebe que perdeu suas genitais é chocante. 


O roteiro pode ser falho ás vezes, nem todos os personagens podem te agradar, mas é o clima de suspense frequente que fisga o espectador. Há momentos memoráveis como a sequência em que uma garota vampira persegue o seu pai, ou quando a  esposa  tranca o marido em uma casinha quando ver a criatura em que ele se transformou, as cenas noturnas no dormitório do centro de concentração, enfim, The Strain segue a linha de outras séries do canal como American Horror Story e não poupa sangue, violência e horror.


Para quem é fã do gênero, não tem razão para perder o seriado. O episódio 8, Creatures of The Night, ambientado integralmente em uma loja de conveniência, no qual todo o grupo estão presos na loja e cercado por vampiros sedentos do lado de fora, é uma pequena obra do terror da TV, angustiante e ousado, um dos melhores capítulos da temporada.

Horror: Alguém sortudo levando uma linguada!


A primeira temporada de The Strain teve um desfecho muito preguiçoso, com as mesmas pontas soltas lá do início da série e quase nada resolvido, mas a luta de espadas de Setrakian e o grupo contra o poderoso Mestre foi de prender a respiração. Mesmo assim, The Strain é uma boa surpresa da televisão em 2014, como uma série de terror ela tem seus méritos dentro do que se propõe a cumprir, que é a de aprisionar o espectador na poltrona, deixá-lo sem fôlego e causar espanto. 


A série de Del Toro foi renovada para a sua segunda temporada. Aqui no Brasil, The Strain começa a ser exibida em janeiro, no canal FX.


NOTA: 8,0

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