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22 de março de 2015

Glee - A série que mostrou que ser diferente é legal chega ao fim




“Glee é sobre abrir a si mesmo para a felicidade” , diz uma personagem no último episódio de Glee e foi justamente este sentimento que a série provocou no público nas seis temporadas. A produção da Fox marcou e mudou vidas de uma geração e mostrou aos jovens razões de ser diferente e aceitar a si mesmo, mais que isso, alegrou a vida de muita gente - incluso a minha - com muita música boa.

Após seis anos, Glee (2009-2015) terminou esta semana nos EUA e deixou a sua marca na história da TV. A comédia/drama musical se sobressaiu pela coragem e ousadia de tratar temas fortes e polêmicos como o bullying, homossexualidade e gravidez na adolescência para uma audiência bem jovem, mas a partir de um roteiro muito adulto para o público ao qual se destinava.  Se hoje há mais abertura para personagens gays nos seriados americanos, Glee contribuiu bastante nessa questão. 

O coral canta Don´t Stop Believin: O início de  tudo

Com um elenco sincronizado e incrivelmente talentoso, personagens cativantes, músicas populares e um humor irônico e tão sádico a ponto de tirar sarro até do próprio universo da série, a criação de Ryan Murphy conquistou a todos de imediato. A estreia aconteceu em 2009 e assistindo aos dois últimos episódios é impossível dizer Adeus e não se emocionar. Vendo os últimos capítulos, recordei do início da série, me lembro onde eu estava seis anos atrás, dos meus sonhos naquela época e percebo que muitos deles eu não alcancei,  percebo que hoje, tenho planos distintos daqueles que eu tinha, mas como diz aquela música: "Don´t Stop Believin".

Sobre as temporadas, bem, é certo dizer agora que o autor Ryan Murphy não consegue manter a qualidade de uma história por muito tempo, mesmo que ela tenha ótimos personagens e uma premissa com bastante potencial. Glee foi vítima dessa “inabilidade” de Murphy. Consciente do seu problema com enredos a longo prazo, Ryan teve a ótima ideia de criar uma série de terror chamada American Horror Story, com uma história que se limitava a apenas 13 episódios. Foi bom durante os primeiros anos, mas a  julgar pela fraca temporada de Freak Show, ele já está perdendo a “mão” aí. Mas eu gosto do Ryan, ele é inteligente, corajoso e mais importante, muito criativo.  

Lea Michele homenageia Britney Spears

Bem, voltando a Glee, as duas primeiras temporadas foram excelentes, cheio de momentos antológicos como o Kurt dançando Single Ladies no estádio de futebol, o  seu primeiro beijo, os episódios especiais de Madonna e Britney Spears, sem falar na homenagem ao filme The Rocky Horror Picture Show - que eu nem sabia de sua existência até ver o episódio. No entanto, a ideia de colocar novos personagens no Glee Club não agradou o público e a partir da terceira temporada Glee virou uma bagunça, histórias mal desenvolvidas e preguiçosas e para piorar, a morte trágica de Corey Monteith deixou todos os produtores sem saber o que fazer com o universo glee. A sexta e última temporada tirou os veteranos de Nova York e colocou-os de volta no McKinley High School e nos trouxe aqueles bons e divertidos episódios novamente, além de um desfecho perfeito e emocionante.

A respeito das músicas. Ah, as músicas. As versões de Glee, ás vezes, eram até melhores que as originais. Quanta cultura musical eu absorvi, quantos artistas eu conheci através da série e quantas bandas ficaram conhecidas mundialmente depois que suas canções ganharam  as vozes do clube do coral, como a  banda indie Fun., por exemplo, dona do hit We Are Young.  



Alguém conhecia o Journey aí? Pois é, Don´t Stop Believin  do Glee chegou ao topo das paradas e ninguém conhecia a versão original do grupo dos anos 80, não importa, a versão do coral até hoje encanta e emociona.  A sequência com a música Bohemian Rhapsody até hoje me arrepia, ainda me divirto muito com o clipe de Run Joey Run e a coreografia sensual  de Push it,  adoro o mashup  de Rumor Has It/Someone Like You da Adele, a linda versão de Keep Holding On – versão original é da Avril Lavigne mas ninguém sabia -  e a já clássica versão de Sue Sylvester para Vogue, da Madonna. Bom, impossível descrever tantos momentos inesquecíveis aqui.

Os personagens eram o maior trunfo do seriado. Um grupo de desajustados e “perdedores” que rapidamente me encantou: o deficiente físico Artie Abrams (Kevin McHale), a gótica Tina (Jenna Ushkowitz), a loira burra Brittany (Heather Morris), a negra com vozeirão Mercedes (Amber Riley), o sofisticado e gay Kurt Hummel (Chris Colfer), o quarterback popular e grandalhão Finn Hudson (Cory Monteith) e tantos outros. Mas o que segurou mesmo a série nos seus momentos mais difíceis foram o carisma e o apego a personagens como a irritante/egoísta e aspirante a diva Rachel Berry (Lea Michele) e a impagável e sádica vilã Sue Sylvester (Jane Lynch), sempre com seus comentários ácidos e nonsenses. Glee conquistou o público principalmente por valorizar e mostrar perfis não populares e excluídos da sociedade -  gays, japoneses, cadeirantes, gordos -  e ofereceu a eles um olhar otimista sobre a vida. 

Adeus: elenco se reúne para a última foto

A série inovou  em seu formato e vai deixar saudades por tudo o que significou para TV - trouxe o gênero musical de volta ao mainstream, abrindo caminho para séries semelhantes como a ótima Empire, atual sucesso da Fox americana - e  principalmente para a audiência, os 45 minutos de duração do episódio significavam mais que um simples momento de escapismo, era um instante de alegria, um sopro de esperança, um afago para toda a audiência, especialmente para aqueles desajustados que se viam representados ali dentro do seriado.

E a última performance foi assim:




21 de outubro de 2014

Mesmo Se Nada Der Certo é o filme mais delicioso do ano







Pode uma canção mudar uma vida? Sim, pode. A música é uma ferramenta poderosa de transformação do ser humano, eu acredito piamente nisso e John Carney também. Carney é o diretor da comédia romântica musical Mesmo Se Nada Der Certo (Begin Again, 2013), o filme mais delicioso do ano. 


Em resumo, Mesmo Se Nada Der Certo é uma história sobre duas pessoas perdidas na vida - Dan e Gretta - que encontram na música, um meio de ajustar suas vidas bagunçadas e uma oportunidade para recomeçar. Pode soar cafona dizer que este filme é sobre “o poder de transformação da música”, mas Carney conta essa história com tanta simplicidade e sinceridade, que é impossível não acreditar nesse poder, é inevitável não se envolver e se identificar com as personagens, principalmente se você é tão apaixonado por música quanto o diretor. John Carney é ex-baixista da banda The Frames e responsável por outro filme feito nos mesmos moldes, Apenas Uma Vez, ganhador do Oscar de Melhor Canção em 2008. 

 Keira Knightley mostra que tem uma bela voz


Na Natureza Selvagem, Quem Quer ser um Milionário, Billy Elliot e Guardiões da Galáxia, estes são algumas das produções que tem a música praticamente como um dos principais personagens da história, em Mesmo Se Nada Der Certo, as canções são tão importantes na trama quanto os protagonistas, interpretados por Mark Ruffalo e Keira Knightley, ambos inspirados.


Dan (Ruffalo) teve um dia terrível, ele é um produtor musical, uma sequência de situações embaraçosas o levou a um barzinho na cidade de Nova York, ali é onde ele tem o melhor momento do seu dia, quiçá, da sua vida. Ele vê Gretta (Knightley) tocando e cantando sozinha no palco, fica maravilhado com a garota tímida e tem uma epifania. Ele logo imagina todos os arranjos que a canção de Gretta pode ter e visualiza uma banda invisível acompanhando a moça. Uma das cenas mais encantadoras do filme. 

 Ruffalo e Knightley dividem o fone de ouvido


A partir de então, Dan e Gretta iniciam um relacionamento musical e profissional. Ela, deprimida, pois perdeu o namorado (Adam Levine, brincando de ser ator) para a fama, e Dan, um produtor amargurado mas muito perspicaz, tem na gravação do disco de Gretta a chance da autodescoberta, esquecer o passado e tentar seguir em frente.


Knightley está encantadora como a cantora indie de voz doce, Ruffalo está bem, ele está sempre bem, mas parece que já fez um personagem assim em algum outro filme, mas a química entre ele e Keira é inegável.


Mesmo Se Nada Der Certo é uma comédia romântica não muito romântica, Carney teve muito cuidado para não abraçar os clichês do gênero, ele soube muito bem usar o silêncio ou até mesmo as músicas, para expressar os sentimentos dos personagens, como quando Gretta canta no celular para o seu ex-namorado. Mais um momento incrível do longa.

 Levine também tem seus bons momentos no filme


Outra sequência inesquecível é quando Dan e Gretta estão passeando por Nova York dividindo o mesmo fone de ouvido e ouvindo as músicas preferidas dela, pra que diálogos, se as canções já dizem tudo?


Mesmo Se Nada Der Certo faz tudo na vida  parecer possível, nos enche de um otimismo que embriaga, é um filme sensível e gostoso de ver e ouvir, as canções são todas adoráveis e você vai correr atrás da trilha sonora assim que a história chegar ao fim.


NOTA: 9,0

Confira o clipe de Lost Stars, uma das viciantes e adoráveis músicas do filme.


 


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