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20 de maio de 2017

Garotos (Jongens)



Garotos (Jongens, Boys, 2014) conta a história da descoberta do amor entre dois garotos. Poderia parar aqui, essa linha já resume bem o filme, mas esse longa holandês tem algumas particularidades que o distingui de muitas obras que tratam de relação entre pessoas do mesmo sexo, então, escreverei mais. Garotos se destaca das demais produções de temática LGBT, principalmente, por não carregar aquela sensação de tragédia iminente que acomete a maioria dos filmes (O Segredo de Brokeback Mountain, Queda Livre, Além da Fronteira). Garotos é um “feel good movie”, ou seja, nos deixa com uma sensação boa após o seu término.

Sieger (Gijs Blom), um garoto de 15 anos, é o protagonista. Ele se apaixona pelo colega do time de atletismo Marc (Ko Zandvliet). O jeito autoconfiante e imprevisível de Marc são algumas das razões pelo qual Sieger começa a desenvolver sentimentos, até então desconhecidos, mais fortes e complexos por ele.



13 de maio de 2017

Alien: Covenant


Há cinco anos Ridley Scott retomava a franquia Alien com Prometheus, uma obra indigesta e confusa, ninguém “abraçou” o teor existencialista da ficção que apresenta apenas ameaças e promessas (não cumpridas). Agora, em Alien: Covenant (2017), Scott faz o oposto e literalmente “toca o terror” em um filme visceral e sangrento.

Alien: Covenant não é melhor ou tão bom quanto o original de 1979 (a crítica especializada é muito ingênua ao esperar isso), na verdade, não precisa ser, o mais importante é que Covenant é muito superior a Prometheus. E isso já basta.

24 de abril de 2017

Vida (Life) – Um suspense sci-fi imperdível e inesperado



Você bem sabe que, conforme Charles Darwin e sua teoria da seleção natural, os seres mais bem adaptados ao meio em que vivem possuem mais chances de sobrevivência em relação aos organismos menos preparados à adaptação. Bem, tendo como base esse conceito e a nova obra de Daniel Espinosa, a raça humana corre sérios riscos de extinção. Em Vida (Life, 2017), novo filme do diretor, duas formas de vida distintas travam uma guerra violenta pela sobrevivência. Quem ganha essa batalha? Bem, você terá de descobrir assistindo a este que já é um dos melhores filmes do ano que ninguém estava esperando e que quase ninguém vai ver.

Jake Gyllenhaal, Ryan Reynolds e Rebecca Ferguson estrelam esse suspense espacial que tem nome de drama existencial de Terrence Malick, mas se aproxima mais de um Alien dos antigos ou de uma ficção científica dos anos 80. Das boas. O título “Vida” pode parecer romântico, mas faz todo o sentido quando se assiste ao filme. Vida trata de um paradoxo sobre a vida, a obra expõe de forma bem clara a dualidade a respeito da vida, de um lado há a forma de vida que precisa aniquilar a outra para continuar o seu desenvolvimento natural, de outro, há a que tenta a todo custo manter a sua hegemonia, ou seja, sobreviver.

13 de abril de 2017

13 Reasons Why



Contém spoilers!
Precisamos falar de 13 Reasons Why. Quando Tyler (Devin Druid), o fotógrafo que é vítima frequente de bullying no colégio, abre uma caixa no seu quarto e vemos nela um pequeno arsenal, repleto de armas de diversos tipos, logo associei esse momento a obras cinematográficas que tratam de massacres em escolas, tipo de tragédia que pode surgir nas cenas da próxima temporada da série 13 Reasons Why (2017), novo hit do Netflix, que aborda temas difíceis como bullying, suicídio, estupro, entre outros. É como se 13 Reasons Why narrasse os bastidores, ou melhor, escancarasse as causas desse tipo de incidente que, de tempos em tempos, acontece, principalmente, em alguma escola americana, e que já foi retratado em dois filmes que expõem duas diferentes perspectivas sobre episódios violentos envolvendo adolescentes. Antes de falar da série, é importante fazer esse link com outras obras.

O filme Elefante, de Gus Van Sant, é baseado no massacre de Columbine, que ocorreu em 1999. A produção acompanha a rotina dos alunos na escola até a chegada de dois alunos, munidos de metralhadoras, eles causam um banho de sangue atirando para todos os lados e depois se matam. Já o drama Tarde Demais (Beautiful Boy) retrata a situação através das lentes dos pais de um garoto, que aqui já não é a vítima, mas o assassino que mata 17 alunos e se suicida logo após. O filme concentra-se na vida dos pais, que tentam buscar respostas para o ocorrido e refletem se o papel deles, como pai e mãe, foi falho em algum momento.



Violência física, psicológica e sexual podem sim ocasionar tragédias como essa de Columbine, bem como o suicídio de Hannah Baker (Katherine Langford), e quando se está no Ensino Médio, os problemas parecem ser maiores do que realmente são. E no caso de 13 Reasons Why, eles são mesmo. A série vai além de questões acerca do bullying e do suicídio, trata também de famílias disfuncionais (a do Justin, principalmente) de relações sociais baseadas em interesse, de ser invisível para outros, de amizades passageiras e frágeis, mentiras, machismo, e como esses fatores podem acarretar não apenas crises existenciais (isso é sério), mas atitudes extremas em um adolescente.

25 de março de 2017

Fragmentado de M. Night Shyamalan



Quantos retornos “à boa forma” M. Night Shyamalan terá? Meus caros, o diretor de O Sexto Sentido já fez as pazes com o sucesso e o “bom cinema” em 2015, quando lançou o ótimo suspense A Visita, seu filme mais relevante em 10 anos. A sua nova obra, Fragmentado (Split, 2017), apenas dá sequência à boa fase de Shyamalan e reafirma que ele percebeu que o seu forte são filmes pequenos, mais autorais e com menos interferência de estúdio.

Em Fragmentado, James McAvoy interpreta Dennis, Barry, Patricia, Hedwig, Kevin, Jade, Orwell e muito outros.  É um homem que possui 23 personalidades distintas e sequestra e mantém em cativeiro três jovens garotas para um fim “macabro”. Nem preciso comentar que McAvoy está estupendo em cena, poucos atores possuem a versatilidade e a expansão como ator para encarar esse desafio (né Mark Wahlberg!), mas McAvoy traduz esse desafio em uma atuação que impressiona a cada personalidade que surge. 

11 de março de 2017

Kong: A Ilha da Caveira



Em 2005, Kong: o rei dos macacos voltou aos cinemas em uma aventura grandiosa pelas mãos de Peter Jackson, dois anos após o fim da trilogia de O Senhor dos Anéis. King Kong é grandioso mesmo, em vários sentidos, além da duração de mais de 3 horas de filme, a obra tem a magnificência a qual Jackson impôs em suas obras tolkienianas. Apesar de pouco lembrado hoje em dia, King Kong continua com sua aura épica, é um drama que explora a fundo seus personagens, e também uma aventura de tirar o fôlego, com sequências de ação memoráveis e efeitos visuais estarrecedores, típico de uma obra de Jackson.  

Doze anos depois, o macaco mais emblemático do cinema retorna, imenso, em Kong: A Ilha da Caveira (Kong: Skull Island, 2017), sem a cara de “clássico” do épico de Jackson, mas ainda assim, é uma empolgante e despretensiosa aventura.

19 de fevereiro de 2017

Moonlight: Sob a Luz do Luar


Se há um filme capaz de tirar o Oscar de Melhor Filme de La La Land, na premiação deste ano, ele se chama Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight, 2016). A obra de Barry Jenkins sobre um rapaz negro e solitário em busca do seu eu verdadeiro possui uma delicadeza de partir o coração (esse termo pode ser piegas, mas é honesto).

A história do protagonista Chiron é dividida em três capítulos, “Little”, “Chiron” e “Black”, cada parte representa respectivamente a infância, a juventude e a vida adulta do personagem. Introspectivo e de poucas palavras, Chiron é também alvo de valentões. Moonlight inicia com o menino correndo de agressores e se trancando em uma casa abandonada. Logo, o garoto é libertado por Juan (Mahershala Ali, de Luke Cage), que logo se torna uma espécie de pai para Chiron. A ausência de uma figura paterna e o descaso da mãe, mais interessada em drogas, contribuem para que a relação entre Juan e Chiron se fortaleça, mas não diminui, portanto, a solidão do protagonista durante a sua vida.

28 de janeiro de 2017

Sob a Sombra


O terror de viver no meio de uma guerra, tendo de conviver com explosões e mísseis caindo na vizinhança, parece até fazer parte da rotina de mãe e filha, no entanto, a possibilidade de estar vivendo com “espíritos” na sua própria casa torna o dia a dia muito mais aterrador do que o “clima de pânico” lá fora. Unindo o realismo e o sobrenatural, os dois cenários aterrorizantes, juntos, amplificam a sensação de desconforto e tensão e este é um dos maiores acertos do filme Sob a Sombra (Under The Shadow, 2016), que entra na lista de uma das melhores e mais originais obras de suspense do cinema recente.

Sob a Sombra é um filme iraniano, e tem um estreante na direção, Babak Anvari, que também roteirizou a obra. Ambientado em Teerã, em 1988, durante a guerra entre Irã e Iraque, a história inicia quando Shideh (Narges Rashidi) é impedida de voltar a estudar medicina por causa de suas ações políticas nos anos anteriores. Com sentimentos de revolta, tristeza e impotência, ela faz do lar um lugar de estresse, favorecendo a entrada de espíritos ruins e malignos chamados djinns, que são os demônios da religião islâmica. Com a ida do marido para trabalhar na guerra, Shideh e sua filha Dorsa (Avin Manshadi) ficam sozinhas em casa.



14 de janeiro de 2017

La La Land – Cantando Estações


O clássico e o moderno convivem harmoniosamente em La La Land – Cantando Estações (La La Land, 2016), uma obra musical encantadora que faz uma ode ao cinema para contar a história de dois jovens em busca de seus sonhos. Esse é o segundo filme de Damien Chazelle, o primeiro foi o igualmente elogiado Whiplash.

La La Land e Whiplash podem ser distintos em muitos aspectos, mas pode-se aferir em ambos a paixão e o carinho com o qual a música, principalmente o Jazz, é retratada por Chazelle. Na trama, Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling) vivem respectivamente uma atendente aspirante a atriz e um pianista de jazz que se apaixonam e tentam, juntos, correr atrás de seus sonhos em uma Los Angeles romântica, boêmia, colorida, hollywoodiana. Eles cantam, dançam, sapateiam, fazem graça – a cena em que o personagem de Gosling toca “I Ran” é hilária – e nos encantam. Vale lembrar que essa é a terceira parceria de Stone e Gosling, antes eles fizeram par romântico em Amor a Toda Prova e em Caça aos Gângsteres.


8 de janeiro de 2017

7 filmes de ficção científica para ver em 2017


Power Rangers, mulheres-maravilhas, guardiões das galáxias, macacos inteligentes e um bem grandão predominarão as salas de cinemas neste ano, mas também é bom a gente expandir nossos conhecimentos cinematográficos e conhecer outros filmes de ficção científica, menores, mas igualmente importantes, que estrearão nos cinemas ou em alguma plataforma de streaming.


Quando Te Conheci (Equals) – Em uma sociedade utópica onde os humanos já não possuem emoções, pois a emoção é vista como uma doença, dois jovens se apaixonam. Kristen Stewart e Nicholas Hoult são os protagonistas desse “romance futurístico”, que tem uma premissa boa. Equals foi lançado em 2016, nem chegou aos cinemas por aqui, mas já está disponível no Netflix. Assista ao trailer.


Vida (Life) – Espero que o roteiro desse sci-fi seja realmente bom, pois atraiu atores de renome como Jake Gyllenhaal e Ryan Reynolds, porque a julgar pelo trailer, essa obra do diretor Daniel Espinosa (Crimes Ocultos) traz uma trama bastante familiar. Espero que eu esteja errado. Confira o trailer.




Attraction – O cinema russo está cada vez mais nos surpreendendo. Depois de Os Guardiões, filme de super-heróis ao estilo Vingadores, que deve chegar aos cinemas brasileiros este ano, é a vez dos russos nos mostrarem a versão deles de uma invasão alienígena. Attraction estreia lá na Rússia este mês, e o trailer é incrível, confira aqui.

7 de janeiro de 2017

Passageiros


Vendido como “suspense espacial”, Passageiros (Passengers, 2016) está mais para “romance espacial”, tendo isso em mente, fica mais fácil você gostar do filme e evita frustrações. Dirigido por Morten Tyldum (O jogo da imitação), Passageiros é um sci-fi raso, repleto de clichês e não traz nenhuma novidade ao gênero.

Chris Pratt e Jennifer Lawrence protagonizam essa história de romance no espaço, e ainda bem que eles possuem química em cena e convencem como casal apaixonado, pois é claro que os dois astros mais queridos e cultuados de Hollywood do momento não estão juntos aqui à toa. Felizmente, o carisma dos atores evita que o filme seja um total fiasco.


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