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12 de outubro de 2017

São tempos difíceis para um cinéfilo!

É desanimador, os trailers estão revelando as surpresas dos filmes e a ida aos cinemas já não é tão agradável assim



São tempos difíceis para um cinéfilo. São tempos difíceis para ir ao cinema. Esta não é uma crítica de um filme, é mais um desabafo de um cinéfilo (eu) incomodado com a atual realidade no que diz respeito ao processo de divulgação de uma obra cinematográfica e ao hábito de ir a um cineplex assistir a um filme.

Ir ao cinema tem se tornado cada vez mais uma odisseia das mais frustrantes, o desrespeito é um dos principais fatores, mas a frustração já te acomete meses antes do filme estrear. Refiro-me à pesadíssima campanha de marketing das distribuidoras, que lançam centenas de trailers e vídeos – e se reclamar, publicam ainda os dez minutos iniciais do filme! Woooow! Maravilha hein!!! –  revelando cenas importantes da história, arruinando quase completamente a nossa experiência no cinema. O poder de “sugerir” caiu em desuso em detrimento do “explícito”.  


Se o clássico Tubarão fosse lançado nos dias atuais e o bicho fosse revelado nos trailers, Steven Spielberg teria uma síncope, morreria na hora. Pois você bem sabe – espero que saiba mesmo – que o maior trunfo do filme é a não aparição do tubarão durante a maior parte da produção, o que não diminui o suspense e o impacto quando ele ataca. Tubarão é a prova de que “não ver” pode ser bem mais apavorante do que escancarar uma ameaça. Infelizmente, o lema de Hollywood hoje em dia é exatamente o contrário: Mais é sempre mais.


Essa discussão tem sido cada vez mais frequente nos sites especializados. Ufa! Achei que só eu estava percebendo esse marketing “arregaçado”. Até David Lynch se posicionou sobre essa questão e eu concordo totalmente com ele. "Hoje em dia, os trailers contam praticamente a história inteira do filme. Eu acho que eles são realmente prejudiciais".

8 de março de 2015

Kingsman: Serviço Secreto – Genial e divertido






Em 2010, Matthew Vaughn nos trouxe um novo olhar sobre os filmes de super-heróis com o violento e sensacional Kick-Ass, este ano, o diretor inglês lança Kingsman: Serviço Secreto (Kingsman: The Secret Service, 2015) e dá novamente o seu “toque particular”, dessa vez, aos super espiões, prestando uma bela e explosiva homenagem às histórias de espionagem do cinema e da TV.


Kingsman tem muitos atrativos, o principal deles é o ator principal, Colin Firth. Conhecido por papéis nobres e sofisticados como o Rei George VI em O Discurso do Rei, o astro seria uma escolha improvável para interpretar um agente secreto em um filme do gênero, mas ao vê-lo na tela em ação, defendemos e aplaudimos a escolha do inglês com vivacidade, afinal, o jeito ‘’nobre” de Firth - e do seu personagem - é o disfarce perfeito para um espião.

  "A conduta faz o homem", ensina o espião


Elegância, charme, um irresistível sotaque britânico e um guarda-chuva multiuso como arma mortal caracterizam os espiões de Kingsman: Serviço Secreto, mas Vaughn não esquece de homenagear os famosos agentes secretos que nós conhecemos, e faz questão de incluir em diálogos espertos e divertidos menções a Jason Bourne, Jack Bauer e ao James Bond, obviamente. Na trama, Galahad (Firth) é incumbido de achar um novo candidato a agente secreto. O jovem escolhido a tornar o novo Kingsman é Eggsy (Taron Egerton, ator de séries de TV e que estrelará este ano, ao lado de Tom Hardy, o thriller Legend) impulsivo, advindo dos subúrbios e de uma família problemática. 


É gostoso acompanhar a transição do garoto pobre sem expectativas na vida em um cavalheiro espião elegante, permitindo ao diretor a discussão de temas como os estereótipos impostos pela sociedade, como o “garoto que é ignorante porque é pobre” e os “ricos dotados de inteligência e bom caráter” apenas por terem mais privilégios que outras pessoas. 

  Eggsy becomes a real Kingsman!


O elenco conta com nomes de peso como Michael Caine e Mark Strong no núcleo dos agentes e Samuel L. Jackson como o vilão megalomaníaco exuberante e engraçado. No entanto, não é Valentine (personagem de Jackson) quem nos dá calafrios quando aparece em cena, esta responsabilidade está com a sua assistente, Gazelle (Sofía Boutella), uma mulher com o olhar tão assustador quanto o seu par de pernas metálicas e letais. A primeira cena em que ela mostra as suas habilidades é perturbadora. 


Kingsman: Serviço Secreto é genial, divertido, impactante e ainda consegue livrar-se de clichês dos filmes de ação. A habilidade de Vaughn em construir cenas super violentas sem “tarantinizar” é impressionante, a sequência na igreja é insana e muito bem filmada. Com um currículo curto, mas invejável e composto por cinco ótimos filmes – Nem Tudo É o Que Parece, Stardust: O Mistério da Estrela, Kick-Ass, X-Men: Primeira Classe e Kingsman - Matthew Vaughn vem se consolidando como um dos melhores e mais criativos diretores da atualidade. Confira aqui o trailer do filme.



NOTA: 10,0

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