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4 de junho de 2017

Mulher-Maravilha


Sinto muito pelas pessoas, no Líbano, que não poderão apreciar a estreia bem-sucedida e espetacular da Mulher-Maravilha no cinema, por conta de um grupo que está boicotando o longa por uma razão que, particularmente, não considero justificável: Gal Gadot já integrou o exército israelense (algo que é obrigatório lá, homens e mulheres servem ao exército após o período escolar), cujo país está há anos em conflito com o Líbano. Mulher-Maravilha (Wonder Woman, 2017) é o filme de heroína que a DC, o cinema, o mundo estava precisando. É o melhor filme da DC desde O Homem de Aço (2013) – apesar dos exageros, considero a obra de Zack Snyder um filmaço, tão grandioso quanto o próprio herói. 

Gal Gadot, uma atriz quase desconhecida, fez um papel pequeno na franquia Velozes e Furiosos, calou a boca de muita gente no ano passado – que criticou a escolha dela para o papel da heroína – quando ela, vestida já como Mulher-Maravilha, roubou os holofotes de seus companheiros heróis em Batman Vs Superman. Desde então, as expectativas aumentaram e felizmente elas foram correspondidas. A Diana de Gadot é encantadora, meiga e uma guerreira destemida quando o momento exige.

11 de março de 2017

Kong: A Ilha da Caveira



Em 2005, Kong: o rei dos macacos voltou aos cinemas em uma aventura grandiosa pelas mãos de Peter Jackson, dois anos após o fim da trilogia de O Senhor dos Anéis. King Kong é grandioso mesmo, em vários sentidos, além da duração de mais de 3 horas de filme, a obra tem a magnificência a qual Jackson impôs em suas obras tolkienianas. Apesar de pouco lembrado hoje em dia, King Kong continua com sua aura épica, é um drama que explora a fundo seus personagens, e também uma aventura de tirar o fôlego, com sequências de ação memoráveis e efeitos visuais estarrecedores, típico de uma obra de Jackson.  

Doze anos depois, o macaco mais emblemático do cinema retorna, imenso, em Kong: A Ilha da Caveira (Kong: Skull Island, 2017), sem a cara de “clássico” do épico de Jackson, mas ainda assim, é uma empolgante e despretensiosa aventura.

16 de julho de 2015

Homem-Formiga - Fácil de agradar, nova aventura da Marvel surpreende




A Marvel arrisca mais uma vez ao tirar do “sótão” os super-heróis desconhecidos e vem se dando bem ao converter em live-action estes heróis dos quadrinhos. Assim como Guardiões da Galáxia, que ninguém conhecia e agradou a todos, agora é a vez do Homem-Formiga se tornar um herói popular. Sem a grandiosidade e o exagero de Os Vingadores 2 mas com o senso de humor e o clima despretensioso de aventura de Guardiões da Galáxia, Homem-Formiga (Ant-Man, 2015) é mais um acerto do estúdio, e prova que a Marvel conhece muito bem as mentes criativas com quem trabalha e entrega as suas obras e sabe exatamente qual resultado deseja obter com as adaptações.


A trama é simples. Um homem veste um traje que permite diminuir o seu tamanho e ficar tão minúsculo quanto uma formiga. Paul Rudd vive Scott Lang, um habilidoso arrombador de cofres que é escolhido pelo cientista Hank Pym (Michael Douglas) para vestir a roupa e lutar contra o ambicioso Darren Cross (Corey Stoll, da série The Strain) e impedir que ele transforme o mundo em um caos.



A maior novidade de Homem-Formiga são (todas) as cenas do herói no mundo microscópico, a primeira grande – ou seria pequena? - aventura de Scott, por exemplo, aquela que o faz percorrer por diversos ambientes, desde a banheira dentro de casa até o esgoto, é impressionante e gostosa de acompanhar.


Peyton Reed - diretor de comédias como Separados Pelo Casamento e outras bem fraquinhas – comanda pela primeira vez uma superprodução e não decepciona. O cineasta soube dosar momentos cômicos com as cenas de ação complexas – pois o herói muda de tamanho a todo tempo - e bem construídas, sem deixar ninguém tonto ou perdido procurando o herói no meio da movimentação. Homem-Formiga é um filme de origem do herói, por isso, não espante se a ação demorar a surgir, o início é lento mesmo, mas nunca aborrecido, mérito da boa escolha de atores e da direção correta de Reed. 



Paul Rudd, que você já conhece por centenas de comédias como Eu Te Amo, Cara e Ligeiramente Grávidos, tem carisma e destreza o bastante para segurar esta que pode ser uma nova franquia dentro do universo Marvel. Corey Stoll mostra competência como o vilão do filme e Evangeline Lilly - nossa eterna musa de Lost – tem um papel importante e se destaca como Hope, a filha amargurada de Pym, mas leal ao pai. Sua personagem deve entrar mais na ação nos próximos filmes do herói (mal posso esperar). Já Luis (Michael Peña), o amigo de Scott, ficou com o papel do engraçadinho da turma e se sai bem, sem forçar, Luis causa risadas no público com suas histórias difíceis de acompanhar.


 Os dramas paternos de Scott e do personagem de Michel Douglas, faz de Homem-Formiga um filme família  - mas sem ser bobo demais ou subestimar a nossa inteligência como fez Homem de Ferro 3 - a escolha por focar na questão familiar  e menos na ameaça catastrófica em si, evidencia ainda mais essa sábia decisão, pois, não sei você, mas eu ainda estou cansado da megalomania de Era de Ultron. 



Homem-Formiga é eficiente no sentido de apresentar o seu personagem pela primeira vez ao grande público, também tem êxito no desenvolvimento da história e nas pitorescas cenas de ação – quem diria, as formigas em um filme de ação verossímil – e no uso do bom humor por meio dos diálogos e referências pop e das “brincadeiras” dentro do universo minúsculo. Tudo isso torna a aventura uma obra deliciosa de assistir, cuja maior pretensão é a de divertir. Que a Marvel traga à luz mais surpresas do seu “sótão” de heróis desconhecidos.


 NOTA: 8,5

23 de novembro de 2014

Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1




Do primeiro filme Jogos Vorazes lançado em 2012 - considerado por mim, na época, uma obra bem realizada, mas com falhas técnicas e um pouco bobo e descaradamente juvenil - para este terceiro capítulo, A Esperança, as diferenças são exorbitantes, em termos narrativos e técnicos.  Assim como a saga de Harry Potter foi se tornando mais sombria e “séria” a cada novo filme, o novo Jogos Vorazes transformou-se em uma obra adulta e corajosa demais para uma adaptação de uma obra adolescente.


Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1 (Hunger Games: Mockingjay – Part 1), segue o tom “maduro” apresentado na parte anterior, Em Chamas, também pincelado pelo visionário diretor Francis Lawrence, responsáveis por ótimos filmes como Constantine, Eu Sou a Lenda e clipes emblemáticos como Bad Romance.  


No terceiro capítulo da franquia, Katniss (Jennifer Lawrence) é convocada a ser a “voz” da revolução. Enquanto tenta saber do paradeiro de Petta (Josh Hutcherson), Katniss se junta a Logan (Liam Hemsworth, com mais destaque na saga) na visita aos Distritos a fim de promover a campanha contra Snow e  o sistema fascista.

  Katniss  e  Gale: pausa na "revolução"


Jogos Vorazes deixa a arena e os jogos perigosos de lado quando uma guerra civil ganha corpo, e como toda guerra, há muitas mortes, sangue, medo, ação e reação. É por tratar de temas tão desconcertantes e complexos como política, manipulação da mídia e fanatismo, que a saga tem conquistado o seu diferencial e sendo uma das mais fantásticas adaptações do gênero juvenil desde Harry Potter. Mesmo sendo para o público teen, tais assuntos são escancarados como devem ser, com veemência e realismo. 


Francis é mestre em construir mundos que estão em decadência e assombrados por pessoas sem esperança, por isso neste contexto, as cenas de ação que envolve o hospital no Distrito 8 e outra no tal Distrito 13, onde Katniss está hospedada, soam mais nervosas e impactantes.



E são nas condições mais adversas e desafiadoras que o ser humano fica mais complexo e interessante. Em Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1, assistimos a uma evolução na relação entre Katniss e Petta e nossa heroína, ainda se ver imersa em diversos dilemas morais, o que a faz se questionar sobre a verdadeira finalidade da revolução e o seu real papel como a porta-voz dos rebeldes.  

 Katniss torna-se a voz da "rebelião" !



Apesar de ter menos ação que nos filmes anteriores, A Esperança nunca fica arrastado, e isto deveria acontecer já que um só livro foi dividido em dois filmes, mas o roteiro é enxuto, sem exageros, e surpreende o espectador com efeitos especiais eficientes e atuações dignas de todo o elenco, destaque para Elizabeth Banks (a engraçada Effie), Julianne Moore (como a misteriosa presidente Alma Coin) e o finado Philip Seymour Hoffman (Plutarch), em um dos últimos papéis de sua vida.


Jogos Vorazes: A Esperança: Parte 1, mesmo sendo um filme sem conclusão, é uma obra arrebatadora. O forte teor moral e psicológico embutido na história, não interfere na verdadeira finalidade do filme, que é a de entreter. Este capítulo desfaz totalmente o pré-conceito que me acometeu quando eu assisti ao primeiro filme, dois anos atrás, de que esta seria mais uma adaptação que ganharia uma versão muito insossa, vazia e boba para as telas, como a saga Crepúsculo.  Enganei-me. 


NOTA: 9,0  



21 de setembro de 2014

Maze Runner: Correr ou Morrer é previsível, mas diverte!




Não sei dizer quão fiel à fonte original, Maze Runner: Correr ou Morrer (The Maze Runner, 2014) ficou, não li o livro, mas esta adaptação cinematográfica da série literária de James Dashner foi além das minhas expectativas, que não eram muitas, mas gostei muito do filme, talvez isso tenha acontecido porque eu não sabia praticamente nada do enredo, tampouco fiquei vendo e revendo as dezenas de trailers antes do lançamento. Vou abrir parênteses aqui e dá uma dica: quanto menos você souber sobre qualquer filme ou série, melhor, assim você não cria grandes expectativas e muito provável fique muito satisfeito com o resultado. Maze Runner: Correr ou Morrer, do diretor Wes Ball,  tem muitos defeitos, mas cumpre bem a sua função, que é a de divertir. 


Na obra de ficção científica pós-apocalipse, Thomas (Dylan O´Brien) já surge na telona numa jaula, sem lembrar de nada, nem o seu próprio nome, ele acorda numa comunidade composta de adolescentes situada numa floresta rodeada pelos quatro lados por grandes paredes, formando o temível labirinto. Bem, essa história de um bando de meninos perdidos no meio do nada lutando pela sobrevivência, lembra muito o clássico O Senhor das Moscas.


Tão confuso e curioso quanto nós, os espectadores, o protagonista logo vai descobrindo mais sobre o lugar e os habitantes, que estão ali há anos e não sabem por que eles foram parar ali e muito menos conhecem um meio de saída do labirinto, tomado por criaturas horripilantes.

 Perdidos no labirinto: Thomas, Minho, Gally e Newt.


É justo esse clima de mistério crescente, que vai revelando algo novo de tempos em tempos, o maior trunfo de Maze Runner, técnica que prende totalmente a atenção do público e faz com que fiquemos apreensivos até o próximo passo. Assim como o Thomas, temos medo do que estar por vir, medo do desconhecido, mas também estamos curiosos para ir além e descobrir a razão desta “brincadeira” de mau gosto. É muito fácil gostar e torcer pelo protagonista, questionador e inquieto, Thomas, o Corredor, é o reflexo puro da vontade do público. Dylan O´Bien, deixa o humor do Stilinski da série Teen Wolf de lado, e assume a liderança do filme - e de uma franquia - com naturalidade e jeito de herói de fitas de ação, é um papel mais sério e desafiador e Dylan o desempenha muito bem.


Além do enredo intrigante, o suspense constante e a sábia escolha de O´Brien para o papel principal, as cenas de ação não decepcionam, mesmo com a visível limitação  nos efeitos especiais em decorrência do baixo orçamento, as sequências de correria ainda são eletrizantes, causam frenesi, não deixa o seu público-alvo insatisfeito, já que este é o tipo de obra que prioriza mais esses momentos alucinantes.
 

Mesmo sendo superior aos outros filmes baseados em livros juvenis como A Hospedeira e Os Instrumentos Mortais, Maze Runner: Correr ou Morrer sofre de um mal, os clichês. E eles não são poucos. A começar pelos coadjuvantes estereotipados, tem o gordinho amigo do protagonista, o oriental e um vilãozinho, que nesse caso, é mais chato que vilão, o Gally, interpretado por Will Poulter, de A Família do Bagulho. 

A ideia é boa, tem que haver alguém para discordar da figura principal e construir um contraponto na história. Gally é a persona adepta do conformismo e da resistência, teme mudanças e o progresso. Enquanto Thomas é a novidade, personifica a coragem e é líder por natureza, para Gally, ele é a ameaça à sua vida pacata baseada na conformidade e no medo de sair daquele lugar. Como a produção é voltada à audiência jovem, essa discussão é abordada de leve, mas já é o suficiente para beliscar a mente daqueles que vão ao cinema para buscar algo mais do que entretenimento.


 As reviravoltas sem sentido e desnecessárias, uma envolvendo o personagem de Gally e o atropelo de clichês que se dá nos derradeiros momentos, entre eles, há um cuja intenção é somente emocionar o público, faz de Maze Runner: Correr ou Morrer mais uma adaptação que tem medo de inovar e ainda subestima a inteligência do seu público, contudo, não deixa de ser uma obra empolgante e que prende a atenção do espectador em quase duas horas de projeção, isso pode ser um fator bobo, mas parece que não é uma regra nas produções do gênero.

A Fox já anunciou a sequência The Scorch Trials, que vai estrear em setembro de 2015.
  
NOTA: 7,5

16 de agosto de 2013

Perigo por Encomenda (Premium Rush)


Se você é cinéfilo deve conhecer o seguinte “mandamento” da sétima arte: Nunca julgue um filme pela capa ou pelo título dado em português. Assim como aquele ditado clichê que diz, “é nos pequenos frascos que estão os melhores perfumes”, também é sabido que nos pequenos lançamentos diretos em DVD podem estar aqueles pequenos/grandes filmes que inesperadamente podem nos surpreender. O thriller Perigo por Encomenda (Premium Rush, 2012) é um perfeito exemplo do caso. Lançado nos EUA há quase um ano, a produção chega timidamente agora em DVD no Brasil – e também no canal HBO. Perigo por Encomenda é um esperto e ágil filme de ação sobre as duas rodas de uma bike e protagonizado pelo versátil e carismático Joseph Gordon-Levitt.

Aliás, antes de falar sobre a produção devo mencionar algo curioso. O ator de 500 Dias com Ela se tornou o “rei” dos bons filmes que têm o lançamento direto em DVD no país. Os dramas 50% e Hesher– Juventude em Fúria também passaram longe das salas dos cinemas nacionais, mas isso não quer dizer nada em relação à qualidade dos filmes, são duas obras imperdíveis protagonizados pelo Gordon-Levitt e que, assim como Perigo por Encomenda, merecem toda a atenção do público.

Ops, bike sem freios dá nisso.

Joseph vive um entregador de encomendas chamado Wilee. Montado numa bike, Wilee percorre as ruas de Nova York à toda velocidade para entregar as correspondências  no prazo certo, com manobras muito radicais, o rapaz dribla carros e pedestres e fura os sinaleiros de forma rápida e um pouco inconsequente. Já nos primeiros minutos sabemos que Wilee sente aversão à escritórios, se sente um homem livre e sortudo com o emprego que tem já que adora pedalar e a condição só melhora quando ele ainda é pago para fazer isso.

As coisas  se  complicam  para Wilee  quando ele é chamado para entregar um simples envelope. A partir daí, o ciclista é perseguido desesperadamente por um policial corrupto e perturbado interpretado por Michael Shannon, visto recentemente em Homem de Aço. Vou te contar algo, o papel foi feito na medida para Shannon, o ator lida muito bem com personagens erráticos e transtornados, talvez  por ter uma feição não muito simpática.

Joseph em perigo.

Perigo por Encomenda é dirigido por David Koepp, uma autoridade em roteiros de filmes de ação como Jurassic Park, Homem-Aranha, Missão Impossível, Zathura e tantos outros, mas ele não decepcionou na função de diretor, Premium Rush é tão divertido e envolvente quanto estes filmes de sucesso. As cenas de perseguição com Joseph pedalando a bicicleta freneticamente são pura adrenalina. Com um roteiro inteligente e sem excessos ancorado por uma narrativa não linear, Perigo por Encomenda mistura humor e aventura de um jeito que não vai deixar você desgrudar os olhos da tela por um segundo sequer. Sente o clima no trailer abaixo:




                                                                                                                                                       
                
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