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20 de maio de 2017

Garotos (Jongens)



Garotos (Jongens, Boys, 2014) conta a história da descoberta do amor entre dois garotos. Poderia parar aqui, essa linha já resume bem o filme, mas esse longa holandês tem algumas particularidades que o distingui de muitas obras que tratam de relação entre pessoas do mesmo sexo, então, escreverei mais. Garotos se destaca das demais produções de temática LGBT, principalmente, por não carregar aquela sensação de tragédia iminente que acomete a maioria dos filmes (O Segredo de Brokeback Mountain, Queda Livre, Além da Fronteira). Garotos é um “feel good movie”, ou seja, nos deixa com uma sensação boa após o seu término.

Sieger (Gijs Blom), um garoto de 15 anos, é o protagonista. Ele se apaixona pelo colega do time de atletismo Marc (Ko Zandvliet). O jeito autoconfiante e imprevisível de Marc são algumas das razões pelo qual Sieger começa a desenvolver sentimentos, até então desconhecidos, mais fortes e complexos por ele.



Banhos de rio, pedaladas de bicicleta, brincadeiras adolescentes, olhares furtivos, toques inocentes nas mãos, um aconchego no ombro, beijos tímidos, mas uma vontade grande e irresistível de estarem juntos. Mischa Kamp (o diretor) conduziu a narrativa com muita leveza, inocência e sensibilidade. Não há aqui aquela sensualidade muitas vezes presente na maioria dos filmes LGBT. Sexo? Nem pensar. Muito explorado como fator fundamental nas relações homoafetivas tratadas no cinema e na TV, não há cenas do tipo em Garotos, o que torna a relação dos meninos ainda mais genuína, isso só aumenta nossa torcida para que fiquem juntos.

Outro diferencial de Garotos é que a trama se concentra quase totalmente na luta silenciosa de Sieger contra seus próprios preconceitos, no seu medo de admitir a sua homossexualidade. O desejo por uma garota, com quem dá umas “ficadas” de vez em quando, e um irmão problemático que inferniza o seu pai (sua mãe é falecida), torna esse momento de descoberta da sexualidade muito mais complicado para ele. Por outro lado, Marc é o rapaz que sabe muito bem o que quer.



Um dos “problemas” do filme é a sua curta duração, a relação dos garotos poderia ser mais aprofundada, e Marc, por exemplo, é um personagem interessantíssimo, deveria ter um espaço maior em cena. No entanto, nada disso importa quando o "aguardado momento" surge como um poema, cheio de significados e interpretações, com os garotos usufruindo de um instante de liberdade em uma moto, ao som da bela música “I Apologise”, bonito, sensível e correspondente com o que desejei para os meninos.




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