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25 de janeiro de 2012

Tintim e o desprezo americano



“Eles já estão escrevendo”, disse empolgadíssimo Jamie Bell (o Tintim gente!), sobre a continuação de  As Aventuras de Tintim: O Segredo de Licorne.  Esta notícia é um alívio para os fãs do repórter aventureiro, pois devido ao fracasso do filme nos EUA (desde sua estreia em dezembro a animação faturou apenas 70 milhões, uma vergonha né!) muitos pensaram que a sequência provavelmente não iria acontecer.

Para "acinzentar" ainda mais esse cenário, a Academia “esqueceu” de indicar a aventura na categoria de Melhor Animação, o que é no mínimo injusto e contraditório, sendo que o filme vem sendo elogiado por toda a imprensa mundial e angariando prêmios por onde o jovem repórter e seu companheiro canino passam. E a gente achando que só porque levou o troféu de melhor animação no Globo de Ouro, a indicação ao Oscar era algo inevitável...

Tintim batendo recordes...

O longa de Steven Spielberg tem se destacado em outras premiações menores nos EUA, e tem o Bafta, considerado o Oscar britânico, no qual a animação está concorrendo em cinco categorias (melhor animação, roteiro adaptado, efeitos especiais, som e trilha sonora), a  cerimônia  será realizada no dia 12 de fevereiro.  Pois é, parece que os europeus estão dando mais reconhecimento ao Tintim que os americanos. Não, isso não é uma suposição, é justamente na Europa que Tintim faz sucesso, é também por causa dos mais de 300 milhões arrecadados por lá, que teremos uma sequência a ser dirigida por Peter Jackson.

O filme estreou primeiramente na Bélgica, terra natal de Hergé, criador dos quadrinhos do personagem. Na França, a produção bateu recordes em sua estreia, e faturou mais que o último Harry Potter. No Reino Unido, Irlanda e em outros países o sucesso se repetiu, e por isso, temos motivos de sobra para ficarmos empolgados, até mais que o Bell, com a continuação que já está sendo escrita, é só esperar Jackson acabar as filmagens de O Hobbit e Spielberg concluir Lincoln, cinebiografia de Abraham Lincoln que será interpretado por Daniel Day-Lewis.

          Jamie Bell cederá sua voz e movimentos ao personagem outra vez! Eeeh!


Teorias da repulsa tintiniana

Me incomoda o fato de  um dos longas  mais surpreendentes e sensacionais do ano, e um dos melhores da carreira de Spielberg,  afundar nas bilheterias americanas.  No Brasil, acredite, o filme estreou na liderança e faturou 5 milhões só no fim de semana. Por que os americanos não curtiram? Nem  os nomes estampados de Spielberg e Jackson foram suficientes para levar esse povo ás salas escuras.

Há rumores que, a arrecadação medíocre lá na terra do Obama se deu porque o repórter e seu cachorro Milu não são muito conhecidos.  Essa teoria é válida? Não, essa não cola. Por acaso alguém conhecia Shrek ou Indiana Jones, antes de eles surgirem nas telas? Não né...

Spielberg diz a Jackson: "Olha, essa cena não está legal...."


Dizem por aí também, que devido o personagem não ser criado por um artista americano, mas por um belga chamado Georges Remi, lá em 1929, pode ser o motivo do fracasso nos Estados Unidos, será?  Pode ser, mas aí me lembro de Sherlock Holmes, um personagem britânico, criado por outro britânico, o Sir Arthur Conan Doyle, cujas aventuras  renderam filmes americanos bem sucedidos. Hipótese descartada.

Outra teoria é, os americanos não curtiram o Tintim por causa da concorrência pesada de outros filmes infantis na época de sua estreia, Happy Feet 2, Operação Presente, e talvez o mais culpado de todos, Alvin e os Esquilos 3, pois os esquilinhos irritantes faturaram alto lá. Bom, para mim essa hipótese é a mais plausível, a  maioria das pessoas  -  e não são só os americanos -  preferem bobagens descartáveis descerebradas do que uma animação coerente, bem dirigida, divertida  e de qualidade inigualável.

Mas enfim, a intenção aqui é só lançar questões ao vento de uma maneira bem humorada, estimular  a reflexão dos leitores, apresentar dados,  e não responder a elas - isso não é um texto acadêmico -  pois o descaso com o Tintim na américa pode ser resultado de todas as opções comentadas ou de nenhuma delas. Vai saber...

Ah, se você ainda não viu,  As Aventuras de Tintim: o Segredo de Licorne é primoroso, um filme de aventura  de tirar o fôlego, engraçado, tecnicamente perfeito, e bem naquele estilo Indiana Jones que somente o Spielberg pode nos proporcionar.


Ah, e caso você  vá a Londres, passe na loja do Tintim, The Tintin Shop, incrível não é? Parada obrigatória heinn! Olha, se bobear acho até que podemos comprar via internet...


Quer saber mais sobre Tintim? Tintim por Tintim? Então, Tintim por Tintim é o único blog dedicado ao jornalista aventureiro, ótima dica para você que já é fã há décadas, e obrigatório para os recentes admiradores, que desejam se aprofundar e  conhecer mais sobre esse personagem icônico e nas suas aventuras.



7 comentários:

  1. Gostei do texto. Eu também não consigo acreditar que os americanos prefiram Alvin e os Esquilos 3 a Tintim, já assisti os dois filmes e não tem nem como comparar.

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  2. Realmente é um alívio saber que não desistiram da sequência, foi um filme fenomenal, superou qualquer espectativa que eu pudesse ter!

    Eu acho que algumas coisas simplesmente não conseguem penetrar em determinada cultura. Os americanos sempre tiveram tanto acesso ao Tintim quanto nós brasileiros: os quadrinhos traduzidos, a série animada, o filme... Só que aqui a farra pegou e lá nunca. A mesma coisa com o Asterix. Já o Dr Who, por exemplo (série de ficção científica para todas as idades e quase cinquentenária já) faz um bruto sucesso na Europa e recentemente ficou popular nos EUA mas aqui no Brasil continua desconhecida. São fenômenos curiosos, mas acho que não temos respostas mesmo, pelo menos não por enquanto

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    1. Nossa, é mesmo, Doctor Who é outro exemplo perfeito...esqueci da série, adoro!!

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  3. Começando pelo básico. Comparar Tintin com Sherlock Holmes é ousado, porém infrutífero. O detetive inglês tem uma base de fãs maior do que Tintin. Simples. O filme traz ainda um Robert Downey Jr. com grande destaque e é feito com uma linguagem totalmente moderna o que garante aos adolescentes principalmente forte apelo de marketing.

    Seguindo essa linha, também não tem muito a ver enfiar Indiana Jones e Shrek na história. O primeiro foi lançado em 1981 quando as duas únicas grandes disputas que os cinemas tinham era a TV e a falta de dinheiro. O filme foi visto e revisto, e relançado nos cinemas por milhões de pessoas. Não havia internet o vídeo estava despontando ainda, então o cinema era a grande diversão. Além disso, feito por George Lucas e Spielberg que estavam no auge e traziam "novidades" à sétima arte, Indiana Jones surgiu como algo totalmente novo, um tipo de aventura que não era vista desde os anos 1950 e até mesmo Fritz Lang se aventurou nos anos 1920.

    Já Shrek apareceu como rival da Disney que começou a cambalear na animação com Dinossauro um ano antes. Também surgiu como coisa nova em vários clássicos da Disney foram subvertidos. Shrek fez tanto sucesso que levou o primeiro Oscar de animação. Naquela época, ele era uma grande novidade.

    A concorrência foi o menor dos problemas ao filme de Spielberg. Financeiramente, o ano de 2011 vendeu 1.2 bilhão de ingressos o patamar mais baixo desde 1995 e a recessão dos EUA afetou diretamente a venda de ingressos, algo que ocorreu no começo dos anos 1990. Se derem uma observada no site Box Office Mojoa ou The Numbers, você verão que as animações não passaram dos $200 milhões em arrecadação na bilheteria doméstica. Alguns só foram lucrar mesmo com renda internacional. Considerando que as salas 3D têm preços salgados, quase o dobro da média, que hoje está em $7,96 dólares, e todos os desenhos passaram nesse formato, menos gente foi a cinema assisti-los. Tintin pegou onda nessa, mas isso ocorreu com muitos filmes inclusive Harry Potter e Transformers (e nenhum dos dois teve o mesmo número de espectadores presentes nos cinemas quanto os filmes anteriores). A farra do 3D engana.

    Além disso, por que comparar EUA com Brasil? O público que vai aos cinemas lá é muito maior do que o daqui. Qualquer filme que arrecade mais de $50 milhões lá tem no mínimo três vezes mais público do que o mercado brasileiro. Fazendo umas contas rápidas, os $73 milhões de Tintin correspondem a mais ou menos 6.5 milhões de espectadores. Isso é ruim para um personagem desconhecido? Não vá pela onde marketeira dos números de bilheteria que saem toda semana.

    Agora, Tintin realmente é um personagem subestimado nos Estados Unidos porque não é um super-herói. E isso muda completamente a história. O modelo cultural da nação americana no Século XX foi construído com forte base ideológica do xerife do mundo, daí temos vários seres superpoderosos que sempre estão por lá para pacificar as pessoas ou lugares perigosos. Além disso, existe ainda aquela aura (idiota diga-se) do apoio de Hergé aos nazistas. Vamos ser sinceros, americano odeia nazista e grande parte das ações heroicas daquele povo está nas lutas da 2ª Guerra Mundial. E colega Luciano lembrou bem: Asterix não fez sucesso algum nos EUA, As animações japonesas não fazem sucesso nenhum por lá também. Por que diabos Tintin arrecadaria uma quantia grande num país que não tem aproximação com o personagem (e vai saber se faz questão disso) e está em recessão?

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    1. Obrigado Thiago pelo texto....adorei o seu comentário gigante hehehe, é sempre bom ter alguém com um outro ponto de vista e informações a mais!

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    2. Gostei de você ter proposto a questão.

      Tudo o que escrevei não quer dizer que eu também não fiquei decepcionado com a respaldo do público americano por Tintin. Infelizmente é outra cultura e fechada demais para filmes ou ideias estrangeiras. São poucos que realmente explodem nas bilheterias dos EUA, caso de O Tigre e o Dragão, Herói e A Vida é Bela. A maioria sai rápido dos cinemas. Ou faz sucesso de verdade no dvd e hoje na pirataria.

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