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28 de agosto de 2016

Looking – O fim precoce da série




Em 2011 estreou Weekend, um drama independente de temática gay que arrancou elogios da crítica especializada. A abordagem realista e intimista da relação entre dois homens foi considerada, na época, seu maior acerto (e é mesmo). Três anos depois, estreia na HBO a série Looking, do mesmo criador desse filme, Andrew Haigh. Looking possui muito em comum com Weekend, e isso talvez tenha prejudicado a série, retratar o universo gay com tanta honestidade não deu certo, a comunidade LGBT não apoiou a produção, a audiência caiu e a série foi cancelada com apenas duas (ótimas) temporadas, mas o lado bom é que a HBO produziu Looking – O filme (2016), a fim de dar um desfecho digno às histórias dos protagonistas e, também, não deixar os fãs na mão.

Contextualizando, Looking é ambientada em São Francisco e narra os sabores e dissabores de três amigos gays, Patrick (Jonathan Groff), Don (Murray Bartlett) e o barbudo Agustín (Frankie J. Alvarez). Lá no início da série, cada um deles se encontrava em estágios diferentes da vida, Agustín estava em um relacionamento aparentemente estável, Don, o mais “velho”, vivia carente e numa crise de idade, por fim, Patrick, aos 29 anos, tentava a sorte em aplicativos de encontro (especificamente o Grindr), mas sempre saia frustrado dos encontros casuais.  

23 de dezembro de 2015

Melhores séries de 2015






O fim do ano chegou, é aquele momento de mostrar as séries que me conquistaram em 2015, infelizmente, não pude ver todos os seriados que eu tinha planejado, mas aqueles que consegui acompanhar e realmente gostei, estão na lista a seguir.






Sense8 - Ousada, libertadora, intrigante e envolvente, Sense8 foi a redenção dos irmãos Wachowski, que colecionavam fracassos cinematográficos desde o fim da trilogia Matrix. Sense8 ganhou a aprovação da crítica e do público e mal posso esperar pela segunda temporada.





Demolidor - Outra série incomparável da Netflix. A versão realista, crua e violenta do herói cego da Marvel, Matthew Murdock, confirma o compromisso do estúdio com a adaptação fiel de seus personagens e por isso, Demolidor, por enquanto, é a melhor série da Marvel, posto do qual vai ser difícil derrubar.


29 de março de 2015

Banana – A série que celebra o amor e o sexo sem rótulos




Banana. O título e  o pôster aí são bem sugestivos, não é? Errou se você pensou que este post é sobre uma série gastronômica (rs). Banana é um seriado gay britânico e de autoria do Russell T. Davies, o mesmo criador de Queer as Folk, a série gay mais cultuada e bem-sucedida a abordar este universo. 


Banana não é uma obra isolada, ela vem acompanhada de duas outras séries que têm personagens interligados, Cucumber (pepino em português!!!) e Tofu.  Cucumber discute os dramas dos homens mais maduros, a  trama é focada em Henry, um homossexual de meia-idade, mas ainda perdido na vida. Já Tofu é um documentário exibido na plataforma on demand do Channel 4 e mostra pessoas falando abertamente sobre sexo.  Cucumber não me conquistou e Tofu, eu não vi, já Banana, a parte dedicada aos dramas exagerados da juventude, muito me agradou.


Obs.: Os títulos curiosos das séries são baseados em um estudo científico que classificou a ereção masculina conforme a sua rigidez e que segue exatamente essa ordem – Tofu, Banana e Pepino (!!!!). Então...


O jovem elenco reunido

A primeira temporada de Banana tem oito episódios  - já exibidos no Reino Unido - e duram em média, 22 minutos. A série ainda segue o estilo da ótima e irreverente Skins, é uma antologia, ou seja, cada episódio é dedicado a um personagem específico.


Assim como Skins e outras séries teens do canal E4, Banana é crua e realista, narra os dramas de jovens gays e lésbicas sem maquiagem, de forma escancarada, irreverente e sem receio algum em explorar temas sensíveis ou mostrar cenas explícitas de sexo.

  Aiden, Helen e Josh: personagens dos episódios 7, 4 e 5 respectivamente


Como o episódio dura em média 20 minutos, a história e o personagem principal precisa nos conquistar na metade desse tempo, e nisso, o roteiro de Banana é muito eficiente. Há personagens que nos cativam em menos de cinco minutos. São oito boas e envolventes histórias, mas há aquelas que se destacam e nos surpreendem, como o episódio chocante em que uma transsex é perseguida pelo ex-namorado e tem sua intimidade exposta na internet.  

O episódio em que uma garota se apaixona por uma mulher madura e casada é muito bonito e tocante. Outro capítulo marcante e muito poético é o da personagem Amy, uma jovem estilosa mas com alguns transtornos, ah e ainda tem o episódio 7, no qual Frank, um rapaz fazendeiro fora dos padrões de beleza estabelecido pela sociedade (gay), se encanta pelo bonito e garanhão Aiden, que está mais interessado em corpos perfeitos e aventuras sexuais passageiras com estranhos. As histórias podem ser pessimistas demais, em alguns casos, mas a vida não é sempre um mar de purpurina, não é?


Apresentar a sexualidade do ponto de vista dos jovens é o grande mérito de Banana, com personagens intensos e contos que nos suscitam a reflexão. A série diverte e celebra o amor e o sexo sem rótulos, de um jeito muito peculiar e com aquela inquietação boa e típica da juventude.





NOTA: 9,0


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Skins - Uma série imperdível

25 de outubro de 2014

Please Like Me - A versão gay e agridoce da juventude





Em 2013, a série australiana Please Like Me foi eleita por mim e muitos críticos pelo mundo como uma das melhores séries daquele ano, a dramédia então foi renovada para a segunda temporada, que terminou há algumas semanas, e a série agridoce e muito engraçada sobre jovens de 20 e poucos anos continua sendo uma das melhores coisas da TV em exibição no momento.


Se você curte seriados e nunca viu Please Like Me, – seja qual for o motivo, ele é injustificável – a primeira temporada tem apenas seis episódios de meia hora, você pode maratonar em algumas horas tranquilamente. Só pra atiçar a sua curiosidade, aqui vai um pequeno fragmento do que acontece nos primeiros capítulos: Josh, personagem principal, é abandonado pela namorada que diz pra ele: “Você é gay!”, mesmo custando um pouco para se aceitar, logo Josh beija um homem pela primeira vez mas tenta esconder sua sexualidade – não por muito tempo – e ainda recebe a notícia que sua mãe tentou se suicidar, isso bem no dia de seu aniversário. Bem, se essa premissa não atraiu a sua atenção, você tem problemas. Mas, continue a leitura.



Please Like Me é criada,  roteirizada e protagonizada por Josh Thomas, cujo personagem principal leva o seu nome mesmo, já que a série é baseada em estranhas experiências da sua vida. A maior qualidade da série é abordar temas "difíceis" e delicados como suicídio, homossexualidade, relacionamentos na terceira idade e depressão através de um olhar bem-humorado, divertido, sempre com muita ironia e sagacidade.

 

O programa é exibido pelo canal americano Pivot, também coprodutor da série, e recentemente chegou ao fim a sua segunda temporada, composta de agradáveis 10 episódios. A segunda temporada começou com uma festa e terminou em um clima melancólico. Nesse meio tempo, Josh arrumou um “amigo com benefícios” e tentou namorar outro com problemas psicológicos, enquanto isso, a divertida Rose (Debra Lawrance), sua mãe, ficou internada numa clínica psiquiátrica e fez muitas amizades por lá. Já Tom (Thomas Ward), melhor amigo de Josh, foi dispensado por suas garotas e entrou em depressão. Claro que acontece muito mais, mas não vou dar detalhes.


O humor irreverente e ácido da série representado pelos diálogos idealizados por Josh Thomas é o maior trunfo de Please Like Me, as conversas do cotidiano entre Josh e outros personagens são sempre o ponto alto dos episódios, são diálogos engraçadíssimos, sarcásticos e inteligentes. Separei algumas frases disparadas na série na segunda temporada:


“Há opiniões demais hoje em dia, Josh. Parece que todos acham que precisam opinar”.  Rose


“Outro dia, um político cristão disse que Deus enviou a Aids para matar os gays....Na verdade, fico surpreso porque Ele não arranjou um plano melhor que a Aids, não é muito eficiente, mata muitos africanos.” Josh


“Às vezes acho que eu seria mais feliz se gostasse de fazer sexo com prostitutas”. Tom


“Por que está ouvindo música triste? Deveria estar ouvindo música alegre, como Beyoncé. Sempre Beyoncé”. Josh




Outro aspecto a destacar em Please Like Me, e que a aproxima muito da série da HBO, Looking, é a forma realista com a qual se trata os assuntos e os próprios personagens, são todos imperfeitos e suas vidas ainda mais imperfeitas. As reações e ações de Josh e seus amigos condizem corretamente com as pessoas que conhecemos na vida real. Josh, por exemplo, é muito inseguro, não acredita que alguém possa gostar dele ou queira namorá-lo, e isso nos irrita, mas ele também faz a gente morrer de rir, como no momento em que está preso no trânsito e precisa fazer xixi o mais rápido possível. Será que ele faz no carro? Ah, não conto. 


É por serem tão imperfeitos que rapidamente nos afeiçoamos ao Josh com seu sotaque peculiar e seus trejeitos estranhos e aos outros personagens. Please Like Me é simples e genial, muito bem escrita e produzida, tem uma trilha sonora descolada, situações hilárias e outras tão “reais” que não é difícil a gente se identificar com esse universo que mostra um grupo de jovens ainda perdidos na vida, e que fazem o máximo para adiar a vida adulta. Bom, nem preciso dizer que Please Like Me é uma série obrigatória para quem curte um drama, uma comédia, uma boa história e personagens cativantes.

A série foi renovada para a terceira temporada. Todos comemoram!


NOTA: 10,0

Veja também:





25 de fevereiro de 2014

Clube de Compras Dallas



“Às vezes, sinto que estou lutando por uma vida que simplesmente não tenho tempo para viver”. Esta frase dita pelo protagonista Ron Woodroof (Matthew McConaughey) define bem o enredo do drama Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club, 2013). A luta de Ron em prolongar a sua vida após descobrir ser portador do vírus HIV é algo impressionante de testemunhar nessa obra do diretor Jean-Marc Vallée.

Woodroof é um texano machista, gosta de montar touros e fazer sexo sem proteção com mulheres em qualquer lugar, sempre que puder. Não por acaso, descobre possuir o vírus da Aids e segundo o médico, ele já deveria estar morto há tempos, e mais, dá-lhe apenas 30 dias de vida. Nos anos 80, a doença era vista como algo restrito apenas a homossexuais, então, o mundo de Ron parece desabar sob sua cabeça.

Leto e Matthew: atuações de corpo e alma.

Mas é nessa circunstância nebulosa que a vida de Ron tem uma reviravolta e acompanhamos a partir daqui a riqueza deste personagem que para nossa maior surpresa, foi um homem da vida real. Em vez de se prender a um leito de hospital, Ron sai em busca de remédios alternativos, ilegais e melhores que a droga experimental dada pelo hospital. Com uma visão empreendedora notável, o homem cria o seu clube de compras traficando medicamentos e lucrando com isto, mas também, começa a ajudar milhares de pessoas que estão na mesma condição que a sua.

A relação improvável entre o texano e um travesti (Jared Leto), que logo depois se torna seu sócio é um dos trunfos da fita. Leto e McConaughey, esguios de tão magros que estão, fizeram um trabalho exemplar, isso é incontestável e merecem o Oscar este ano nas categorias que estão indicados.

Clube de Compras Dallas é um filme sobre a luta para viver de um ser humano incrível e perseverante, é sobre a jornada de um homem que se agarrou à esperança e com isso transformou sua vida.

NOTA: 8,0


Falando nisso....


Never Wipe Tears Without Gloves



A descoberta e o impacto da Aids principalmente na comunidade gay nos anos 80 também são tratados em Never (Don´t Ever) Wipe Tears Without Gloves (Torka aldrig tårar utan handskar, 2012), minissérie sueca de três capítulos.

A cidade de Estocolmo é o cenário desta história emocionante que mostra o amor, a doença e a morte de um grupo de amigos que são separados de forma trágica e penosa. Rasmus (Adam Pålsson) e Benjamin (Adam Lundgren) protagonizam o drama. O primeiro é um jovem da zona rural que vai à cidade grande para se libertar sexualmente, o segundo, Benjamim, mais recluso, é testemunha de Jeová e sai de porta em porta citando passagens da Bíblia. Os dois se encontram numa festa de Natal e inicia aí uma relação de amor, mas também de muito sofrimento.

Benjamin assiste a degradação de seu único amor 

A estrutura da minissérie é muito interessante, a história é contada de forma não sequencial. A infância, a adolescência e a vida adulta dos dois protagonistas são mostrados durante os três episódios, facilitando para o espectador uma conexão emocional com os personagens, além de promover a visão da família e mostrar o preconceito da sociedade sobre esta doença que naquela época, era uma sentença de morte.

Em tradução livre, o título é Nunca Enxugue as Lágrimas sem Luvas, que curiosamente deriva de uma cena bastante significativa no início da minissérie, quando uma enfermeira é repreendida pela colega porque enxugou as lágrimas de um paciente com Aids, sem as devidas luvas. 


Post relacionado:

The Normal Heart  com Mark Ruffalo e Matt Bomer







20 de janeiro de 2014

Looking - A promissora e nova série gay da HBO



Finalmente estreou Looking, a nova série sobre o universo gay da HBO, e o primeiro pensamento que tive após o episódio foi: “Mas já acabou?”. E quando um piloto deixa esta impressão de “quero mais” isso é muito positivo.

A TV tem muitos sitcoms e dramas com personagens homossexuais (Shameless, Please Like Me, Glee, Sirens e Modern Family são alguns deles), mas estava faltando uma série que representasse em sua totalidade o mundo gay nos dias atuais, e nada melhor que a HBO para transpor este mundo para a tela de uma forma realista, descolada e aberta.

Agustin, Patrick e Don.

Looking narra o dia a dia de três amigos, Patrick (Jonathan Groff), Don (Murray Bartlett) e o barbudo Agustín (Frankie J. Alvarez) na cidade de São Francisco. No primeiro episódio os amigos se encontram em estágios diferentes da vida, Agustin já está num relacionamento aparentemente estável, Don, o mais “velho” dos três, anda carente e com crise de idade, Já Patrick, 29 anos e que trabalha com softwares de vídeo games, está na busca pelo parceiro ideal, tem perfil em sites de encontros e geralmente se frustra em encontros casuais. Por isso, talvez Patrick seja o personagem que mais represente a geração atual.

O piloto divide bem as cenas entre os três protagonistas, mas é Jonathan Groff quem se destaca no episódio. Groff empresta todo seu carisma ao atrapalhado e sonhador Patrick. De imediato, o público vai se identificar com ele, é uma figura muito fácil de gostar, confesso, já me apeguei ao Paddy. A cena na qual Patrick é repreendido por usar um smile numa mensagem de texto é muito engraçada. O personagem de Don - o garçom com suas crises existenciais - também é interessante e promissor, deve se destacar durante a temporada.

Patrick e um... novo amor?


O primeiro capítulo tem um bom ritmo, é gostoso de assistir, diverte e nos dá uma ideia dos dramas que os personagens viverão nos próximos sete episódios. O piloto foi mais “comportado” do que muitos esperavam, isso não é algo ruim, mas vamos aguardar para ver se a série terá aquele ingrediente “picante” típico das produções do canal. Com o propósito de abordar as frustrações, as crises, desejos, relacionamentos e a procura incessante por alguém especial, entre tantos outros temas levemente pincelados no primeiro episódio, Looking tem muita força para ser sucesso e ter vida longa. 

Veja também: Looking - O fim precoce da série
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