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19 de novembro de 2016

Animais Fantásticos e Onde Habitam



Felizmente, a investida cinematográfica para suprir o vazio deixado pelo fim da franquia Harry Potter é realmente mágica: Animais Fantásticos e Onde Habitam (Fantastic Beasts and Where to Find Them, 2016) é encantador, comovente, divertido e com personagens que nos cativam rapidamente, e melhor, é uma das poucas superproduções desse ano que faz jus ao “burburinho da mídia”, cada vez mais histérico quando trata de lançamentos cinematográficos.

Nunca me senti à vontade para escrever sobre os filmes Harry Potter, embora tenha gostado bastante deles – até dos dois primeiros, que eu os considero monótonos e arrastados, cujos aspectos não se podem atribuir a esse início da nova franquia mágica. Animais Fantásticos e Onde Habitam começa com o jovem Newt (Eddie Redmayne) chegando a uma Nova Iorque, dos anos 20, e deixando escapar alguns seres mágicos na cidade. A forma como Newt conhece, acidentalmente, os personagens de Kowalski (Dan Fogler) e Tina (Katherine Waterston) é engenhosa e cômica.



Embora o primeiro ato do filme possa parecer bobo ou infantil (mas a sequência no Central Park é incrível), a história vai ganhando densidade, à medida que surgem temas complexos sutilmente tratados como violência infantil física/psicológica e preconceito e o “lado sombrio”, representado pelos personagens de Samantha Morton, Colin Farrell e Ezra Miller (tão bem fazendo tipos esquisitos), começa a interferir na rotina dos não mágicos. David Yates, diretor já habituado com o universo bruxo, dosa bem as cenas cômicas com as mais sombrias, tornando Animais Fantásticos um filme de emoções díspares, ora fascina, ora nos aflige, ora nos faz rir e se emocionar.



O grande acerto de Animais Fantásticos é sem dúvida o elenco. Redmayne encanta como o sujeito de modo excêntrico e o ator agrega mais um desempenho excepcional à sua breve carreira; mesmo resistente no início, eu me rendi ao olhar brilhante de Tina na última cena; já o trouxa Kowalski – que aqui representa o nosso olhar, eu, você, o trouxa que fica deslumbrado a cada magia e animal fantástico que surge na tela ­– nos cativa só com o olhar, sem dar um pio, sua risada peculiar e a relação com a igualmente cativante Queenie (Alison Sudol) são certamente uma das melhores coisas do longa e os tipos mais apaixonantes que habitam o universo mágico e rico de J.K Rowling.

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