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29 de novembro de 2016

A Chegada


Desde que chamou a atenção de Hollywood com o elogiado Incêndios, o cineasta Denis Villeneuve vem construindo uma filmografia impecável e de dar inveja, seu último filme, o sci-fi A Chegada (Arrival, 2016), é mais um trabalho imperdível desse diretor que até agora não “errou a  mão”.

Em A Chegada, pode-se perceber traços de outros filmes de Villeneuve, o suspense psicológico de Os Suspeitos, o toque enigmático de O Homem Duplicado e a tensão de Sicario: Terra de Ninguém dão o tom nessa ficção científica de sensibilidade ímpar e com pose de clássico.



Num dia qualquer, doze naves alienígenas estacionam em cidades aleatórias do globo. Logo, a linguista Louise (Amy Adams, magnífica como sempre) e um matemático, Ian (Jeremy Renner, ofuscado por Adams), são chamados para entrar em contato com os seres visitantes e descobrir o que eles vieram fazer aqui.

A trilha ambiente de arrepiar, composta por Jóhann Jóhannsson, e responsável por eternizar a primeira entrada de Louise e cia. na nave (QUE CENA!!) é fundamental na criação de uma atmosfera sombria, numa história que trata da relação do homem com o desconhecido. Enquanto Louise representa o homem racional, travando um diálogo com o visitante, a sociedade se vê em pânico e reage com uma violência injustificada, cuja reação é manipulada pela mídia alarmista e sensacionalista. Nesse sentido, A Chegada funciona como um retrato ou crítica de uma sociedade que existe hoje, cada vez mais intolerante, ressaltando o quanto o ser humano é vulnerável.


Com maior jeito de blockbuster e longe dos clichês do subgênero "filme de invasão alienígena", A Chegada é um filme ímpar, profundo, discute linguagens e relações humanas, trata a “viagem no tempo” de forma inovadora e esperta e ainda nos comove. Esse já “nasceu” clássico. O melhor filme do ano.

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