Não há criatura de filme de
terror que nos assuste mais do que o ser humano. É chocante quando sabemos de
casos atrozes cometidos por homens aparentemente normais, que escondem suas
perversidades pousando de “marido perfeito” ou “generoso pai de família”. Em O
Clã (El Clan, 2015), filme argentino perturbador, conhecemos a história de um
homem, não, uma família inteira, que se
dedicava a fazer “desaparecer” pessoas na Argentina dos anos 80. O longa de
Pablo Trapero (Elefante Branco) recria essa história real que chocou o país em 1985.
Arquimedes Puccio (Guillermo
Francella, em atuação assombrosa), é um homem comum, à primeira vista, contador
diplomado, vive com quatro filhos e sua esposa em um bairro de classe média. O
que ninguém sabe, é que Arquimedes era um dos responsáveis pelo desaparecimento
dos “inimigos” na época da ditadura militar. Com o fim do regime e a escassez
do “trabalho”, ele percebe que o “negócio” ainda pode ser viável, mas agora,
as vítimas não necessariamente precisam ser inimigas do governo, bastam ser
ricas.
