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30 de julho de 2016

Dois Caras Legais


Shane Black, o cineasta, tem um importante papel no universo cinematográfico, ele é responsável por escrever uma das franquias mais famosas do cinema, Máquina Mortífera, além de contribuir significativamente na renovação do subgênero “filme de ação com dupla de detetive”, após cometer Homem de Ferro 3 há três anos, o cineasta volta ao terreno que ele bem conhece com o divertido Dois Caras Legais (The Nice Guys, 2016), comédia de ação escrita por ele e Anthony Bagarozzi, roteirista ainda desconhecido.

O filme já inicia com uma sequência inusitada e bem-humorada. Um carro invade uma casa e ali, entre os escombros, está uma atriz pornô, que diz suas últimas palavras, nua, ensanguentada e com pose de capa da revista Playboy. Um momento mais cômico do que trágico.

Em Dois Caras Legais, o humor é constante e tão importante quanto os personagens de Ryan Gosling (March) e Russell Crowe (Healy). A dupla encarna dois detetives que investigam o desaparecimento de uma atriz pornô.



O personagem de Crowe – seu melhor papel desde Os Miseráveis – é o mais sério, suas roupas de cor azul denotam uma aparência tranquila, mas seu vestuário é somente para disfarçar a sua brutalidade e enganar aqueles aos quais ele é pago para bater. Já March, é o mais engraçado dos dois – já tínhamos percebido que Gosling levava jeito para o humor em Amor a toda prova, muito bom vê-lo em papéis levese apesar de suas trapalhadas, esconde uma melancolia e a culpa pela morte de sua esposa. A cena em que ele está bêbado e em cima de uma piscina vazia reflete bem o seu estado de espírito.

Já que estou falando de elenco, não posso me esquecer da garota de 13 anos metida a adulta, Holly (Angourie Rice, que estará no próximo Homem-Aranha, fica de olho!), filha de March, um encantamento em cena, seus diálogos com o seu pai e Healy são espertos, engraçados, além disso, sua presença atribui certa leveza à obra, que aborda questões nada infantis.


Outro mérito de Dois Caras Legais são as referências aos filmes noir, a Los Angeles poluída e a trama de assassinatos envolvendo atrizes de Hollywood são alguns elementos típicos desse gênero, que ganhou popularidade a partir dos anos 40 e tem o clássico O Falcão Maltês como um dos mais importantes expoentes dessa era. Além disso, o longa é repleto de boas ideias e Shane Black não hesita em brincar com o espectador e com alguns clichês, como na cena em que Holly joga uma garrafa de café em determinada personagem (clichê: o café estaria quente e a situação sofria uma reviravolta – versão legal de Shane: o café está frio, nada muda, a situação só piora.

Sem se sustentar em perseguições intermináveis e pirotecnias, Dois Caras Legais diverte por ser despretensioso, pelo humor e os diálogos espertos, e pelo carisma dos personagens principais. E isso já é o suficiente.

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