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30 de julho de 2016

Dois Caras Legais


Shane Black, o cineasta, tem um importante papel no universo cinematográfico, ele é responsável por escrever uma das franquias mais famosas do cinema, Máquina Mortífera, além de contribuir significativamente na renovação do subgênero “filme de ação com dupla de detetive”, após cometer Homem de Ferro 3 há três anos, o cineasta volta ao terreno que ele bem conhece com o divertido Dois Caras Legais (The Nice Guys, 2016), comédia de ação escrita por ele e Anthony Bagarozzi, roteirista ainda desconhecido.

O filme já inicia com uma sequência inusitada e bem-humorada. Um carro invade uma casa e ali, entre os escombros, está uma atriz pornô, que diz suas últimas palavras, nua, ensanguentada e com pose de capa da revista Playboy. Um momento mais cômico do que trágico.

Em Dois Caras Legais, o humor é constante e tão importante quanto os personagens de Ryan Gosling (March) e Russell Crowe (Healy). A dupla encarna dois detetives que investigam o desaparecimento de uma atriz pornô.


16 de abril de 2016

Relatos Selvagens




A vingança é o protagonista de um cult argentino chamado Relatos Selvagens (Relatos Salvages, 2014), uma obra de humor negro e hipnotizante que você precisa ver.

Dirigido por Damián Szifron, Relatos Selvagens teve um sucesso de público estrondoso no país de origem, ficou um ano em cartaz em um cinema de São Paulo e ainda foi indicado ao Oscar. 

O longa é composto por seis breves histórias com contextos e personagens diferentes, cada um deles tendo “um dia de fúria”, culminando sempre em um ato de vingança contra alguém. Relatos Selvagens me cativou pelo humor corrosivo e o leve sadismo, o fato de ser uma antologia, me deixava sempre ansioso pela próxima história e pela forma como os personagens teriam o seu desfecho. A primeira história já nos surpreende, ocorre em um avião, cujos passageiros foram propositadamente colocados ali.

31 de outubro de 2015

Burying The Ex - Um terrir sobre relacionamentos e zombies




Joe Dante, o diretor de clássicos juvenis que a galerinha dos 30 e poucos anos adorava e não perdia na Sessão da Tarde como Gremlins, Viagem Insólita e Meus Vizinhos são um Terror, “evoca” o espírito  - trocadilho intencional, rs - oitentista de suas obras famosas no seu mais recente filme, o desconhecido Burying The Ex (Idem, 2014), um terrir dos mais agradáveis, uma comédia com toques de terror e que homenageia os filmes B desse gênero.


Burying The Ex é uma dessas obras descontraídas e deliciosas para se ver com os amigos ou com a família. Na trama, Max (Anton Yelchin, de Star Trek) é um nerd apaixonado por filmes de terror e que namora Evelyn (Ashley Greene, de Crepúsculo), uma garota irritantemente “ecológica” e esnobe. 



Após Evelyn jurar, diante de um artefato “diabólico”, que eles ficarão juntos para sempre e antes de Max terminar o relacionamento, a moça sofre um acidente e morre, mas este é apenas o começo. Numa cena que referencia Carrie, A Estranha, Evelyn ressurge da cova para continuar até a eternidade a relação com Max, que não gosta nada da versão zombie da sua namorada.


Burying The Ex é bem simples, não deve se levar muito a sério, a história não tem nada de novo e em alguns momentos é muito previsível, mas mostra que Joe Dante, que está há anos sem lançar um filme, ainda mantém em suas obras o espírito juvenil e bem-humorado de seus longas anteriores.



Além de a nostalgia estar estampada em cada frame do filme, as referências ao cinema de horror clássico estão presentes nos diálogos, nos filmes que Max assiste ou nos pôsteres no seu quarto, Burying The Ex também destaca-se pelo elenco, que está bem afinado em cena, principalmente  Yelchin, Greene e Alexandra Daddario (belíssima). 


A produção cumpre bem a sua função como um terrir, distrai e diverte, mas Burying The Ex também é um filme sobre os entraves dos relacionamentos - de qualquer tipo - na era contemporânea,  afinal, a “vida a dois”,  às vezes, pode ser tão assustadora quanto um filme de terror. Assista ao trailer aqui.


NOTA: 7,0

7 de junho de 2015

A Espiã Que Sabia De Menos






Quem acompanha o Cinemidade sabe que não se vê por aqui críticas de comédias, as razões são diversas. Primeiro, porque é um gênero muito desfavorecido de originalidade, segundo, porque eu não aprecio o humor do tipo pastelão, o que envolve a maioria das produções - odeio filmes de Adam Sandler e similares -  e prefiro comédias que possuam um humor mais irônico e inteligente, como os filmes do Paul Feig, diretor do ótimo Missão Madrinha de Casamento e do divertidíssimo A Espiã Que Sabia De Menos (Spy, 2015).


Depois do impressionante Kingsman: Serviço Secreto, A Espiã Que Sabia De Menos é mais um bem sucedido derivado do gênero de filmes de espionagem que estreou nos cinemas este ano. Esqueça as comédias de espionagem protagonizadas pelo Mr. Bean, Paul Feig eleva o nível e estabelece um humor que não subestima nossa inteligência, afiado e brinca com estereótipos sem ofender ninguém.

  Cooper em ação e disfarçada como uma boa agente

Melissa McCarthy – que faz a gente rir sem se esforçar muito – é a estrela da comédia que ainda traz um Jason Statham desbocado e hilário - acredite se quiser - um Jude Law  charmoso, como sempre, e Rose Byrne (Vizinhos, Sobrenatural) impagável na pele de uma bitch glamourosa e criminosa. E ainda tem a desconhecida Miranda Hart, roubando a cena como Nancy, a agente destrambelhada e amiga de Susan Cooper (McCarthy).


Na trama, Cooper é uma agente da CIA que trabalha no porão da agência auxiliando os agentes de campo nas missões ultra perigosas. Um dia, Susan torna-se a única esperança da agência para impedir que um ataque terrorista se concretize e então, ela recebe a missão e sai do porão para viver aventuras inimagináveis.

Uma dupla improvável e explosiva


A Espiã Que Sabia De Menos traz cenas de ação e de luta bem elaboradas e sem exageros, a história se desenvolve de forma fluída, as reviravoltas da trama não são incoerentes, o enredo prende o espectador até a improvável - mas aguardada, por mim ao menos - cena final e tem Melissa McCarthy dando o seu melhor em cada cena, cada diálogo. Os momentos em que Susan xinga sem piedade a personagem vilã de Rose Byrne para diminuir a sua moral, rendem boas  gargalhadas. Já no aguardo da sequência. Confira AQUI o trailer.


NOTA: 8,0

13 de julho de 2014

O Grande Hotel Budapeste




O novo filme do inventivo Wes Anderson, O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel, 2014) é uma daquelas obras cinematográficas deliciosas de ver, assim como o trabalho antecessor do cineasta, Moonrise Kingdom.


Da imaginação fértil de Anderson, somos levados a um mundo muito próprio e peculiar do diretor, cheio de cores e cenários pitorescos que parecem mais uma pintura, na verdade, O Grande Hotel Budapeste não deixa de ser uma obra de arte. A história se passa na cidade fictícia de Zubrowka, na Europa, lá nos anos 30. O protagonista Monsier Gustave é vivido por um inspirado Ralph Fiennes, e que ao lado de seu mensageiro Zero (F. Murray Abraham) são colocados em uma trama de mistério e conspiração envolvendo o assassinato da namorada de Gustave, Madame D, interpretada por Tilda Swinton.

 Fiennes e Swinton em cenário caprichado


Como já disse, a direção de arte é de encher os olhos, primorosa e repleto de detalhes, mas Anderson sabe que para conquistar o público, o apuro técnico precisa estar aliado a uma história envolvente e original e personagens cativantes, como a dupla de protagonistas e a doce Agatha (Saoirse Ronan). Aliás, figuras interessantes e agradáveis em aparições rápidas não faltam no filme, destaque para a presença de Edward Norton, Harvey Keitel, Willem Dafoe e Adrien Brody. Estes dois últimos, são os vilões da história, mas toca o espectador mais pela comicidade que pela crueldade dos personagens.

  A parte visual do filme é um dos grandes atrativos


Com sabedoria, o diretor alterna momentos de suspense, aventura, drama e comédia, sem nunca parecer algo disforme. A parte cômica está, em grande parte, centrada nos diálogos rebuscados entre Gustave e o seu amigo mensageiro do hotel. A sequência da fuga da prisão é um dos melhores momentos da fita. De forma lúdica e com um universo tão inconfundível, justificado pelos travellings e as paisagens "artísticas", O Grande Hotel Budapeste conta uma fábula que cativa e diverte, e se torna uma obra obrigatória para quem curte cinema de verdade.


NOTA: 8,5

14 de janeiro de 2014

O Lobo de Wall Street



A dupla dinâmica e talentosa Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio retomam a parceria no agressivo e politicamente incorreto O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2013). Scorsese conta a história de um fora da lei amoral, mentiroso e ganancioso de Wall Street. Jordan Belfort (DiCaprio) é um corretor de valores que constrói sua reputação e fortuna enganando pessoas vendendo ações baratas a preços exorbitantes.

O filme é baseado em fatos reais e aborda a ascensão e o declínio do corretor, Scorsese aborda a trajetória do personagem com muito humor negro e de forma exagerada, há muitos excessos, como o uso de palavrões, muitas cenas de personagens usando drogas - há mais drogas aqui do que em Réquiem Para um Sonho e Trainsporting juntos - muito sexo e até os próprios personagens são espalhafatosos. Claro, tudo isso é intencional, no entanto, Scorsese exagerou na duração, três horas pareceu longo demais para uma história que dava para ser contada em duas, não à toa minha empolgação na primeira hora do filme se foi no segundo ato e retornou na última hora do filme.

"Show me the money"

Monólogos motivacionais extensos do protagonista e algumas cenas de comédia bem forçadas envolvendo o personagem de Jonah Hill também faz de O Lobo de Wall Street um filme imperfeito, cheio de altos e baixos. Já que mencionei Jonah Hill, bom, seu personagem Donnie, sócio de Belfort, surge como um alívio cômico e até me fez rir no início, mas logo torna-se irritante e Hill se descontrola totalmente na sua atuação. Uma pena.

Mas quem provoca risos mesmo é Matthew McCounaghey, sua presença é breve mas marcante. A cena do restaurante em que seu personagem dá umas dicas de sucesso para Belfort (DiCaprio) é impagável. E se tem algo que faz os defeitos do filme se tornarem irrelevantes ele atende pelo nome de Leonardo DiCaprio. Leo está endiabrado, cômico, devasso, de um jeito que nunca vi. E mesmo que seu personagem seja um “filho da mãe” corrupto e desumano, o espectador vai torcer por ele de qualquer maneira. A cena em que Belfort tem uma paralisia e vai se rastejando até o seu carro, já é a cena mais estranha, hilária e inesquecível do ano, comprovando novamente o talento e a flexibilidade do ator. Para minha felicidade - e de muita gente por aí - DiCaprio levou o Globo de Ouro de Melhor Ator em comédia no último domingo. Será que finalmente ele vai ganhar o Oscar este ano?

Hill e DiCaprio em momento cômico

O Lobo de Wall Street pode não entrar no top 5 dos melhores filmes do diretor, tampouco deve ser ignorado. Permeado por diálogos espertos e técnicas visuais bem criativas como a conversa telepática ou o momento em que o protagonista olha diretamente para a câmera e fala com o espectador, Scorsese conta uma história interessantíssima que merece ser conhecida pelo público e que, quiçá, também vai aprender a vender uma caneta.


NOTA: 7,5

27 de novembro de 2013

Meus 533 Filhos (Starbuck)



David Wozniak já passou dos 40, não tem muita coisa na vida, exceto algumas dívidas e um emprego que não exige muito de si. Sua pacata existência muda quando descobre que tem “apenas” 533 filhos, fruto de sua excessiva e inconsequente venda de esperma na juventude. Este é o plot de Meus 533 Filhos (Starbuck, 2011), uma deliciosa comédia franco-canadense que vale a pena assistir.

Após descobrir ser pai de praticamente metade dos jovens da cidade, por meio de um advogado que lhe informa que 142 dos 533 filhos entraram na justiça para saber a sua identidade, David decide conhecer os “filhos”, anonimamente. A relação entre Starbuck - nome que David usava nas clínicas de doação de esperma - e Valerie (Julie LeBreton), que está grávida dele, também o incentiva a procurar seus descendentes, mesmo que a princípio seja apenas por curiosidade. E então, tem início os momentos mais mágicos e engraçados do filme.  

David entre os cento e tantos filhos.

David começa a ajudar os filhos da forma que pode, fazendo-o ter o gostinho da paternidade pela primeira vez na vida. Um dia, ele colabora com o jovem que canta na estação de metrô, no outro, repreende os caras que flertam com sua filha quando esta passa por um canteiro de obras.

O longa, do diretor Ken Scott, tem muitos acertos, entre os principais estão a escolha do ator Patrick Huard para viver o protagonista. Wozniak é um ser humano incrível, cheio de vida, bondoso, alto astral, divertido e quando uma personagem agrada tanto ao espectador, o mérito é todo do intérprete, o canadense Huard encarna o quarentão com tanta destreza que faz você querer ser um dos seus filhos. Outro acerto é o roteiro leve e cômico, mas com toques dramáticos sem nunca parecer uma novela mexicana.  Ah, a sequência final é simples e emocionante.

"I´m your father".

Meus 533 Filhos transmite lições de moral sem didatismo, discute a paternidade de um jeito descontraído e outros temas atuais como a criação de uma família incomum, mas sustentada por um amor e cumplicidade proporcional à sua grandeza, em termos numéricos. 

Como é de se esperar quando aparece um sucesso em língua estrangeira - o filme é falado em francês e os americanos não gostam muito de legendas - Meus 533 Filhos ganhou uma refilmagem. O remake hollywoodiano se chama Delivery Man e tem Vince Vaughn como o protagonista. A boa notícia é que, Ken Scott, diretor do original, é quem comanda a nova versão, em razão disso provavelmente não haverá muitas mudanças entre as produções. No entanto, Vaughn não tem o mínimo de simpatia e carisma de Patrick Huard, para mim, isso é motivo suficiente para eu preferir este à refilmagem, mesmo que ainda não a tenha visto, mas claro, há a possibilidade de eu estar enganado. Veja o trailer do filme original!


NOTA: 8,5

11 de novembro de 2013

Como Não Perder Essa Mulher (Don Jon)



O ator Joseph Gordon-Levitt é talentoso, gente boa e tem carisma de sobra, nós sabemos disso, e ainda é dono de uma produtora colaborativa, a Hit Record. No entanto, ele ousou alçar voos mais altos e mostrar a todos outras habilidades. Com 32 anos, o ator se mostra bastante interessado em experimentar novos projetos e não ficar restrito à carreira de ator. Este ano ele decidiu seguir os passos de seus colegas George Clooney e Ben Affleck, resolveu escrever o roteiro e dirigir o seu próprio filme. Como Não Perder essa Mulher (Don Jon, 2013), é seu primeiro trabalho atrás das câmeras. Joseph também estrela a comédia e divide a cena com Scarlett Johansson - mais estonteante que em Match Point - e Julianne Moore.

De forma sucinta, Como Não Perder Essa Mulher é sobre a vida de um mulherengo antes - baladas, mulheres, sexo casual,  academia, igreja - e depois  de  começar um namoro - jantares, filmes românticos, academia, igreja. Porém, Johnny, o Don Jon, tem um probleminha, é viciado em pornografia, prefere muito mais a liberdade fantasiosa que ele tem assistindo e se masturbando com os pornôs do que o prazer de uma transa de verdade, porém limitada.

Scarlett: Uma mulher quase perfeita.

A fase Don Juan do protagonista acaba quando conhece uma loira extremamente atraente e bela - é ela, a Scarlett. Para Jon, é a mulher perfeita.  Mas em poucas semanas, a loira se mostra uma mulher bastante controladora e começa a comandar a vida do rapaz. Não sei se Joseph se inspirou em algum amigo para criar esta história, mas a figura do protagonista me parece muito com algumas pessoas com quem já me deparei na vida, exceto pela parte do vício em pornografia, claro.  Quem não conhece um cara que vive de academia e baladas à noite? O grande barato do filme é que o público vai se familiarizar muito com os tipos que despontam na tela.

Don Jon é uma comédia simpática, divertida, agradável de assistir (principalmente a dois), mas peca por alguns fatores que infelizmente não passam despercebidos. O roteiro didático e previsível e as excessivas repetições de cenas, que a certa altura, atrapalham o ritmo da trama. Mas a primeira experiência de Joseph na direção também tem seus “brilhos”.  Como a edição vertiginosa e o elenco, a sensualidade de Scarlett e uma despretensiosa Julianne Moore, cuja personagem tem uma relação estranha com o Johnny, e quando juntos, resultam em alguns bons momentos da produção. 


O próprio Joseph está muito à vontade vivendo o mulherengo Johnny, sem nenhum resquício de sutileza e com um tom de voz diferente, a sua performance se diferencia e muito de alguns papéis recentes que tem feito. Destaque ainda para os pais engraçados de Jon. O pai, é a versão futura do filho, marrento e pavio curto, já a mãe, está desesperada para que o filho encontre uma mulher e realize seu sonho de ser avó.

Como Não Perder Essa Mulher estreia em dezembro, se não adiarem. E sobre Joseph Gordon-Levitt atuando como cineasta, eu diria que ele se saiu bem, aposto que se houver um segundo trabalho do astro como diretor, certamente o resultado será superior à sua estreia.

PS: Fique atento para a participação hilária de Anne Hathaway e Channing Tatum.    
                 

NOTA: 7,0

Joseph Gordon-Levitt está sempre marcando presença no blog, Hesher, 50% e Perigo por Encomenda, são três filmes imperdíveis protagonizados pelo ator que eu já comentei aqui e que você precisa ver!
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