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6 de agosto de 2016

Esquadrão Suicida

Contém spoilers!

Esquadrão Suicida (Suicide Squad, 2016) é uma tragédia anunciada. Vendido como “subversivo”, a nova aposta cinematográfica da DC Comics é convencional demais, tão convencional que chegar a doer. Nunca tive altas expectativas acerca desse filme, e quando foi divulgado que a sua classificação indicativa seria para maiores de 12 anos, senti que algo estava errado com essa adaptação, que não era uma adaptação comum, mas uma repleta de anti-heróis “subversivos”. Resultado: todos esperavam um “Deadpool” e se depararam com um episódio longo de “Power Rangers”. Ou seria "Batman & Robin"?. Bem feito.

Vamos aos problemas, que não são poucos. Os heróis de Esquadrão Suicida não têm nada de “anti”: são sentimentais, choram por crianças, carregam bichinho de pelúcia e se autodenominam “família” – alguém aí lembrou de Velozes e Furiosos?. A personagem de Viola Davis – responsável por recrutar o grupo de criminosos – é mais implacável e temida que todos eles juntos.



Arlequina (Margot Robbie) e Deadshot (Will Smith)  são os que mais se destacam, todos os outros foram reduzidos a coadjuvantes sem carisma e limitados a “frases de efeito”. Smith parece repetir um personagem antigo de sua filmografia – nem a cena com a sua filhinha comove –  mas é a insanidade de Arlequina que “salva” o filme do desastre total, infelizmente, o marketing excessivo e os trezentos mil trailers evitaram que a anti-heroína brilhasse mais, de inédito pouco sobrou, apenas risos contidos de piadas já gastas. Aliás, a tentativa de colocar mais humor no longa falhou plenamente. Os diálogos soam forçados e automáticos.

Ainda sobre o elenco, June Moone (Cara Delevingne), a bruxa, tem um início interessante, mas quando é possuída por uma entidade maligna, torna-se a figura mais ridícula do cinema de todos os tempos. Não estou exagerando. Não tem como levar a sério uma vilã que esbraveja ameaças enquanto dança “Hips don´t lie” em um cenário cafonérrimo de dar vergonha. Para piorar, a ideia de esmagar o coração da bruxa é tão esdrúxula que só faz sentido em Once Upon a Time. A originalidade mandou lembranças.


Para finalizar, temos Jared Leto, no pior papel de sua carreira. Sua participação surpreendentemente curtíssima em Esquadrão Suicida não justifica o barulho feito pelo ator e pela produção do filme -  certamente o diretor David Ayer cortou drasticamente a quantidade de suas cenas na pré-produção. Seu Coringa é caricato, fajuto e gargalha demais, desnecessariamente. Saí do cinema me perguntando qual foi a sua verdadeira função na história....procurando respostas até agora.

Outro “defeito” dessa produção está na escolha de músicas óbvias, bem como o uso excessivo delas, chegando a um nível de parecer que o uso da trilha funciona mais como amuleta, para “cativar” o público – já que isso é impossível por parte dos personagens – e para disfarçar a bagunça do roteiro. Falando em excessos, os inúmeros flashbacks, muitas vezes, “quebram” o ritmo da história e seu uso praticamente serve (também) para tentar criar algum tipo de conexão emocional com o espectador, o que não acontece, ressaltando a inabilidade do diretor em lidar com múltiplos personagens.



Para não dizer que Esquadrão Suicida não é todo ruim – perto desse, Batman Vs Superman é uma obra-prima – , a direção de arte é caprichada, a primeira cena de ação do esquadrão fora da prisão empolga um pouco, e até nos importamos, em um instante, com a doidinha da Arlequina. Nesse cenário nada favorável para a DC, O Homem de Aço continua sendo o melhor filme de super-herói lançado recentemente.


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